Mudança de hábitos

Gosto de clientes muda devido a operação Carne Fraca e causa alteração no cardápio dos restaurantes

Por fora, bela viola, por dentro, pão bolorento. Esse ditado popular sintetiza bem o atual cenário alimentício do país. O dia 31 de março, Dia Nacional da Saúde e Nutrição, trouxe um dos maiores escândalos do ramo de comidas de volta à tona, dessa vez para mostrar como que está o consumo nos comércios e restaurantes. Em meio ao embalo dos acontecimentos com a “operação carne fraca”, feita pela Polícia Federal, será que o consumidor deixará de optar por alimentos bovinos pela carne a partir de agora? Essa é a dúvida que assola os comerciantes.

Desde o dia 17 de março, a população mundial está em choque, e bem desconfiada, no que diz respeito às empresas de carne vermelhas mais populares do Brasil. Se o país tinha, nesses alimentos, o status de um dos setores que mais exportam produtos, atrás somente da soja e do minério de ferro, as carnes brasileiras – que em outrora conquistaram o mundo, tornando-se sinônimo de qualidade em mais de 150 países – trouxe uma crise após a Polícia Federal revelar um esquema de adulteração envolvendo pelo menos 21 frigoríficos.

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Com a queda de compras nos supermercados, a carne branca passou a ser preferência entre os consumidores e, com isso, acabou afetando até mesmo os restaurantes. Os estabelecimentos cujo os pratos levam peixes, legumes e verduras, estão se tornando os novos preferidos dos clientes, que – em resposta aos escândalos – estão se afastando dos alimentos vindos do boi.

Com isso, outros restaurantes da zona norte que – antes – focavam no boi, estão investindo na produção de pratos de carne branca. No entanto a crise parece que não deu as caras no centro e na zona Sul carioca, em restaurantes tanto de Copacabana, quanto da Lapa, apenas um deles afirma ter ocorrido uma atitude pós crise. E entre estes lugares, Ricardo, garçom do bar Os Ximenes, disse que “trocar de fornecedor foi a melhor mobilização possível”.

Tratando-se de coincidência, após dias turbulentos envolvendo o alimento do povo brasileiro, e – no caso das exportações – da maior parte do mundo, o mês de março se finda com uma data comemorativa que tenta perpetuar a importância de uma alimentação saudável. Porém, não adianta “comer bem”, se o produto vem estragado.


Lucas Monteiro – 3º Período
Roani Sento Sé Santos – 7º Período

Diversão em família

576071.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpgA vida parece ser muito mais simples quando se é filho único durante a infância. Este é o pensamento do menino Timothy, até a repentina chegada de um novo membro à família. Com sete anos e cheio de imaginação, Tim se vê no papel de irmão mais velho de um bebê curioso – ele usa terno, carrega uma maleta suspeita e, surpreendentemente, fala como adulto. Tim descobre que o “Chefinho”, nome como a criança é chamada, é um enviado da Baby Corp. numa missão para combater o crescimento da popularidade dos filhotinhos (animais de estimação), que têm “roubado” o amor que deveria pertencer aos bebês.

Por isso, o menino se une ao irmão mais novo na esperança de que o Chefinho retorne à Baby Corp. e a vida volte a ser o que era antes. O desenrolar da história traz diversas situações entre eles, explorando como vão aprendendo que existe, de fato, amor suficiente para os dois no mundo. O recurso do 3D foi bem utilizado para ilustrar a imaginação fértil do menino Tim em diversas cenas, sendo possível perceber que foram pensadas para essa técnica, e não apenas convertidas.

Repleto de referências à cultura pop e piadas para crianças e adultos, a animação é mais um acerto do diretor Tom McGrath, responsável pela trilogia “Madagascar”. A premissa é mostrar como se constrói a relação familiar entre os mais novos, um tema de fácil identificação para o público, além de pais que trabalham demais e não têm tempo para os filhos. A figura do Chefinho – sempre muito ocupado e cheio negócios – consegue fazer uma ponte ao se apresentar como uma metáfora para esses pais, e ser também um ponto de identificação para crianças reconhecerem a chegada de um irmão mais novo em casa.


Beatriz Brito- 5º Período

A crise, a sociedade e o papel da mídia

Debate aberto ao público sobre a crise econômica do Rio de Janeiro contou com repórteres dos veículos revista piauí e Agência Pública que ajudaram a esclarecer detalhes sobre o tema.

A Casa Pública recebeu, no último sábado (25), Malu Gaspar, repórter da Revista Piauí, e Adriano Belisário, colaborador e também repórter da Agência Pública, para uma conversa sobre a atual crise financeira do estado do Rio de Janeiro. O evento contou ainda com a presença de Paulo Lindsay, coordenador do Núcleo de Auditoria Cidadã.

O debate, que foi aberto ao público, teve início às 16h da tarde com a fala de Malu, que explicou que a atual conjuntura é fruto de um “raciocínio corrupto”, levando a população carioca a permanecer sem horizontes diante das irresponsabilidades cometidas na administração estadual. O local estava cheio, com pessoas ocupando até a escadaria do casarão em Botafogo, fato que não atrapalhou no engajamento das discussões.

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Paulo Lindsay explica a importância da auditoria [foto: Thainara Carvalho/Agência UVA].

Em seguida, Paulo Lindsay discorreu sobre alguns termos técnicos em relação aos atuais problemas do estado. Segundo ele, as dívidas de bancos se tornam dívidas públicas e que termos como “consolidação de dívidas” são amplamente usados em leis, mas a população pouco sabe o que realmente significam. O coordenador explicou que consolidar é o mesmo que perpetuar, e que esses débitos são deixados para as futuras gerações. A fala de Paulo despertou interesse entre os presentes – em maioria, jovens –, que se mostraram preocupados com a situação atual e o futuro da cidade.

Após a explicação, Paulo afirmou que o dinheiro gasto com a dívida estadual poderia ser destinado a temas sociais urgentes como saúde e educação, e que por isso é a imprescindível a realização de auditorias que investiguem para onde vai o dinheiro e como ele está sendo gasto. “Em 11 meses, o déficit do Estado aumentou em 800 milhões de reais”, completou.

Próximo às 17h, Malu voltou a falar, dessa vez sobre a possibilidade de uma intervenção federal e sobre como assuntos financeiros são tratados no país. “Quando tem dinheiro, está tudo bem, mas quando o dinheiro acaba, todos saem correndo e não se preocupam em encontrar uma solução”, afirmou a jornalista. Para ela, a única forma de reverter o atual cenário é votar bem e pressionar os políticos.

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Adriano Belisário em conversa com Malu Gaspar e Paulo Lindsay [foto: Thainara Carvalho/Agência UVA].

Um pouco antes do fim do evento, os convidados discutiram ainda a relação da mídia com a crise do Rio. Em entrevista, Malu Gaspar fez algumas observações acerca da cobertura da imprensa sobre o assunto. “Muitos jornalistas não se atentaram ao agravamento da situação e deixaram o assunto correr solto enquanto parecia haver uma saída.” A repórter reiterou que existe um risco de a imprensa se distrair com outros assuntos e não realizar um trabalho efetivo.

Quanto aos efeitos da instabilidade financeira no jornalismo, ela explica que há cada vez mais demissões e encolhimento das redações. “Muitos jornais estão demitindo repórteres e optando pelo home office, o que leva a uma queda na qualidade da cobertura, pois são menos pessoas para se realizar mais tarefas”, afirma. Para ela, é um constante desafio, pois a demanda de informações é crescente, mas não há mão-de-obra para lidar com a complexidade dos temas.

Malu chamou a atenção para a necessidade de se reinventar a imprensa, através de iniciativas como o jornalismo público, redes sociais e a união dos profissionais da mídia para tratar e investigar um determinado assunto, como foi o caso do Panama Papers. A conversa teve fim às 18h e contou com muitos aplausos do público presente, que permaneceu por alguns minutos a mais para tirar dúvidas e conversar mais com os convidados.


Thainara Carvalho – 5º Período

A louca amizade

A última quinta (23) guardou muitas emoções para quem visitava o CCBB-RJ. Logo na entrada do centro cultural, o clima que pairava entre os presentes já indicava que bons ventos estavam por vir. Tudo isso para ver a peça “Sobre Ratos e Homens”, escrito por Joh Steinbeck. Que traz Ricardo Monastero, como George, e Ando Camargo, como Lennie. A peça foi idealizada há quatro anos por Ando e Ricardo que conseguiram convencer Kiko Marques a fazer a direção. A história sobre George e Lenin se passa nos EUA em 1937, época em que houve a grande depressão e trabalhadores se viravam para conseguir o ganha-pão. Se fosse fazer um paralelo ao Brasil seria o equivalente a uma época após a abolição da escravatura, quando Princesa Isabel assinou a lei Áurea.

O que deixa a peça tão intensa é tratar de problemas que ultrapassaram décadas, e até séculos. Preconceito racial claramente focado aos negros, aos idosos, as mulheres e seu papel na sociedade etc. A obra é atual, explora o individualismo, onde a preocupação geral é o eu. Após a apresentação inicial de George e Lenin, o que parecia é que dois tipos de personagens caricaturais iam ser explorados: o magricela inteligente e boa praça, e o gordinho forte, típico homem armário com atraso intelectual e uma tremenda ingenuidade. Mas, para a surpresa de todos, foi mostrado que a peça tem um algo mais.

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Elenco da peça “Sobre Ratos e Homens” [foto: Roani Sé/Agência UVA].

Era uma relação de amizade e sonho, que de tão suave, logo se ganha um peso mais claro no decorrer da peça. O que o espectador deve ter em mente é que a trajetória dos dois amigos é uma parte do conteúdo arquetípico que forma tanto os indivíduos quanto a sociedade. Em novo ato foram apresentados os outros componentes do elenco – que, por sinal, foram escolhidos, se não a dedo, com um senso correto de que ator interpretaria qual personagem. E eles se saíram tão bem representando os respectivos papeis, que não houve um que se destacasse dos demais. Na verdade, o desempenho deles foi afiado a ponto de a plateia não escolher um personagem preferido.

Em termos de cenário – mediante as limitações que se tinha, devido ao baixo custo de produção –, todos os espaços de palco foram muito bem ornamentados, a estrutura cênica realmente poderia ser ligada a de uma fazenda. Até nos momentos em que faltava espaço, como cena do quarto de Crooks, os atores se espremiam para ficar todos juntos, mas conseguiam manter a boa estética da apresentação. O momento chave da peça é certamente a conversa de Lenin e a encantadora Whit, de Natália Rodrigues, o ato que procedeu a essa cena surpreendeu e emocionou todos os presentes. Quem for conferir a peça “Sobre Homens e Ratos” sentirá na pele como uma sociedade preconceituosa tratava seus semelhantes. Uma experiência que agrega muito para a vida de todos.


Roani Sento Sé Santos- 7º Período

A geometria de Gaudí em foco

Chegou ao Rio de Janeiro, na última quinta,16, a exposição “Gaudí: Barcelona, 1900”, que apresenta parte do trabalho e trajetória do célebre arquiteto espanhol Antoni Gaudí, uma das figuras mais proeminentes do Movimento Modernista e cujas obras ajudaram a criar a identidade visual e cultural da cidade espanhola. Alocada no Museu de Arte Moderna, na região central da cidade, a mostra reúne maquetes e outras peças desenhadas pelo artista catalão ao longo de quase 40 anos de trabalho.

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Visitante da Exposição “Gaudí: Barcelona, 1900” [foto: Mateus Augusto Rubim].

Gaudí é conhecido pelo estilo próprio e imaginativo, que casa o trabalho de arquiteto com o de artesão. Como representante do movimento modernista, foi precursor do naturalismo na arquitetura, utilizando todo material até o limite de sua resistência. O estudo dos movimentos da natureza foi responsável pela geometria única de seus projetos, que anda lado a lado com a estética. Isso é exposto na mostra através de maquetes, como a Casa Batló e o Parque Güell, dois marcos da arquitetura na cidade de Barcelona do início do século XX.

Um dos destaques da exposição é a réplica da Sagrada Família, um templo católico de inspiração gótica em que Gaudí trabalhou em 1883, assumindo o lugar do arquiteto original, Francisco del Villar. Gaudí alterou a concepção inicial da basílica, incorporando o próprio estilo naturalista e dando luz a uma das edificações mais impressionantes da Europa. Estão presentes maquetes de diferentes seções do projeto, sendo possível perceber a riqueza de detalhes até mesmo nas réplicas.

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Para o estudante de Museologia da UNIRIO, Mateus Augusto Rubim, a exibição de projetos de outros artistas poderia ter ganhado uma sinalização específica. “A primeira sala retrata um estilo em que outros artistas estavam inseridos, e a exposição mostra muito bem isso. Faltou sinalização”, comenta o jovem, que também é fotógrafo. “Gaudí marca muito essa parte da arte que liga o moderno com o contemporâneo”. A sala em questão apresenta trabalhos de diversos artistas – pintores, escultores, artesãos – contemporâneos a Gaudí, mas que seguem a linha do Modernismo catalão.

Em conclusão, “Gaudí: Barcelona, 1900” traça o auge do artista espanhol mostrando, em detalhes, técnicas e estudos realizados, além de destacar o legado da arte modernista proposta por Gaudí na virada do século XX e que está eternizado pelas ruas da fascinante Barcelona. Indispensável para amantes de arte e arquitetura, a exposição é mais um marco no circuito cultural da cidade do Rio de Janeiro, ficando em cartaz até o dia 30 de abril.


Beatriz Brito – 5º Período

Alerta para a saúde

Na década 30, Oswaldo Cruz iniciou as ações de combate à febre amarela, ao descobrir que a doença não era transmissível pelo contato com a roupa, suor, sangue, e sim, pelo mosquito, dando um sinal de alívio para as pessoas que ainda não tinha sido infectado.  A fim de oferecer maiores esclarecimentos, o Museu do Amanhã reservou um dia para o público e imprensa debaterem sobre o assunto com dois pesquisadores da Fiocruz, e especialistas em saúde: a bióloga Márcia Chame e o historiador Jaime Benchimol.

Ainda falando sobre o contexto histórico, nada indicava que esse mal retornaria a assombrar o dia-a-dia dos cariocas e fluminenses. Entretanto, o surto da febre voltou quando a população menos esperava, através de macacos. São animais suscetíveis a doença – exceto o macaco-prego, que dificilmente adoece. Os símios que residem em matas – lugares propícios para o mosquito reproduzir e transmitir a doença –  foram os primeiros atingidos. A nova onda de uma doença (que, há tanto tempo, não era motivo de preocupação nos grandes centros) provocou rumores de que a transmissão é feita por meio do contato com os infectados.

No entanto, a febre amarela não é contagiosa. A transmissão propaga-se diretamente do mosquito em áreas rurais. Os novos casos viraram tópico de discussão há poucos dias, logo após Watila Santos, morador de Casimiro de Abreu, interior do Rio de Janeiro, ser infectado e após alguns dias no hospital, falecer devido ao agravamento de seu estado.

Por todo território nacional, muitos estados e municípios declararam estado de atenção. Como medida de prevenção, os postos de saúde estão recebendo carregamentos de vacina. No entanto, em meio a esses estados, o Rio de Janeiro, apesar de ter um caso de morte confirmado no interior, é um dos poucos lugares que não declarou estado de calamidade. Entretanto, na próxima semana, os postos serão abastecidos com mais doses da vacina.

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Márcia Chame e Jaime Benchimol durante apresentação. [foto: Lucas Monteiro/ Agência UVA].

O debate no museu falou justamente sobre esses temas. Uma das primeiras informações dadas foi a necessidade de pessoas que pretendem viajar (tanto em território brasileiro quanto para o exterior) se dirigirem aos postos de saúde para serem vacinadas. Segundo Márcia, a prevenção é necessária devido ao grande fluxo de aviões no mundo em 24h. “Imaginem uma pessoa saindo da China, parando em Paris, em seguida Nova York, e por fim, o Rio de Janeiro, podendo distribuir pelo mundo um novo tipo de gripe”, ela propôs. “Isso é complicado de se controlar, como que monitora essas coisas, mesmo a pessoa não tendo nenhum sintoma? Esse é o preço da globalização”.

Já Benchimol, apresentou uma breve história em torno de tudo o que aconteceu desde o início da febre amarela. “Na primeira epidemia, em 1849, curiosamente a população negra era a menos atacada. E muita gente acreditava na época que os negros tinha uma imunidade, fazendo com que pensassem que a doença fora criada para envenenar os senhores dos escravos. No entanto, os que mais sofriam com a febre amarela, eram os europeus quando chegavam no Brasil”, ele informou.

Ainda segundo os especialistas, Nçnão é hora para a população se assustar com a volta da doença, e sim, tomar consciência de que há vacina para evitar o contágio, e respeitar os que residem próximo a áreas rurais. Apesar de o Rio de Janeiro ser um dos poucos estados em situação não alarmante, haverá um grande contingente  de postos de saúde preparados para atender os cidadãos.


Lucas Monteiro- 3º Período

De volta à Alameda dos Anjos

003238.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxAdaptar franquias consagradas do meio audiovisual é sempre uma questão delicada. Entre erros e acertos, Hollywood está em uma fase na qual é moda regravar histórias clássicas. Seguindo o rebanho, chega aos cinemas “Power Rangers”, um longa que desde seu anuncio, já divide opiniões. Despertando esperança nos mais positivos e receio naqueles que presam pela filosofia de “time que está ganhando não se meche”, ou seja, é melhor não mudar o que deu certo, para não dar errado.

Contextualizando, nesta nova roupagem, o longa segue o roteiro clássico. Cinco jovens moradores da Alameda dos Anjos descobrem artefatos extraterrestres escondidos. Ou melhor, os artefatos é que “escolhem” os jovens. Em outras palavras, quis o destino que, especificamente, aquele grupo de adolescentes chegassem aos objetos. A partir disso, eles ganham poderes especiais e percebem que são os únicos que podem defender a terra contra a ameaça do mal.

Jason (Dacre Montgomery), Kimberly (Naomi Scott), Zack (Ludi Lin), Trini (Becky G) e Billy (RJ Cyler) são cinco adolescentes problemáticos, atormentados por problemas do passado. Depois que Rita Repulsa (Elizabeth Banks) acorda de sua hibernação, o grupo recebe ajuda e treinamento do primeiro ranger vermelho, Zordon (Bryan Cranston), e do carismático robô Alpha 5, para tentar conter a ameaça.

Até aí nada demais, é a história super clichê presente em todos as séries de Power Rangers. A diferença é que, neste, o diretor Dean Israelite deu uma nova roupagem a história. A primeira a se notar, desde as primeiras cenas, é a ousada escolha de movimentos de câmera. Normalmente filmes populares como esse só buscam enquadramentos mais abertos e parados, todavia, Dean “brincou” bastante com a fotografia e deu um visual muito mais dinâmico e alternativo para obra, lembrando até Chazelle em “La La Land”.

Outra alteração feita pelo diretor, e pelos roteiristas, foi a mudança de público alvo, ou melhor, atualização. Agora, a linguagem super jovem – sendo denominada pelos mais críticos como a versão teen de “Clube dos Cinco” – e tecnológica atrai a geração mais nova, que em maioria não acompanhou a trama clássica dos heróis. Como dito no início do texto, opiniões divergiram sobre isso. Os fãs mais antigos se sentiram insultados pelo filme não ser tão violento como eles queriam – seguindo os passos de “Logan” e “Deadpool” – mas, a verdade, é que o cinema se renova e essa nova roupagem foi um tiro certeiro do diretor.

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Falando em roteiro, a nova trama – por incrível que pareça – não explora o elemento mais presente na série clássica, a luta. São poucas as cenas de ação propriamente dita. O longa foca mais em explorar as histórias pessoais de cada um dos cinco Rangers. Normal, se pensar que este – provavelmente – é o primeiro de uma saga de filmes, já que os personagens precisavam ser bem apresentados. Temas como Homossexualidade e Autismo são pontos muito bem tratados na obra, alertando para as dificuldades enfrentadas por pessoas que se enquadram nestes grupos.

O tempero dessa receita são as inúmeras referências às séries antigas. Tem de tudo: personagens clássicos, músicas icônicas, símbolos lendários, etc… Esses pontos ativam o sentimento de nostalgia dos fãs e dão um gostinho especial para a história. Finalizando, o filme é sim uma boa pedida e conquista o paladar de todas as idades. O longa ainda conta com uma cena pós-crédito que faz referência a um personagem antigo, então não saia da sala e #GoGoPowerRangers.


Iago Moreira- 7º Período

Vinte anos se passaram, mas pouca coisa mudou

342699.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxA ideia de fazer a sequência de “Trainspotting” 20 anos depois concertando os erros do longa clássico até era boa. O elenco principal seria o mesmo, assim como o diretor, Danny Boyle, e parte da trilha sonora. Entretanto, “T2 Trainspotting” não apresenta muitas melhorias em relação a trama original. Os personagens não mudam e continuam passando a impressão de terem vidas vazias e cabeças fracas. A diferença é que estão mais velhos, em uma realidade completamente diferente daquela vivida em 1996.

Contextualizando, o filme começa com Mark Renton (Ewan McGregor) visitando a cidade natal por conta da morte de sua mãe, duas décadas após dar um golpe nos amigos. Supostamente bem-sucedido, ele reencontra Spud (Ewen Bremner) e Sick Boy (Jonny Lee Miller). A supla ainda sofre com problemas envolvendo drogas e estão ressentidos com atitudes do passado. Renton acaba cedendo às antigas tentações e é perseguido por Begbie (Robert Carlyle), que acabara de fugir da prisão.

O grande problema de “T2 Trainspotting” é o fato do longa ficar preso à versão de 1996. Os personagens vivem no passado, deixando o filme antigo, inofensivo e sem emoção. A introdução da jovem Veronika (Anjela Nedyalkova) poderia trazer um pouco de vida à história, porém deixou a desejar, assim como seu relacionamento com Sick Boy, que foi mal desenvolvido.

Involuntariamente, o antagonista – o psicopata Begbie – acaba sendo o destaque do filme, em sua tentativa de vingança e com ódio de Renton, uma vez que ele é o único que apresenta uma pequena diferença em relação aos outros personagens. Porém, as soluções narrativas do longa deixam a desejar. Além disso, mais uma vez, o excesso de referências a primeira obra reforça as fraquezas de “T2 Trainspotting”, que, apesar de alguns bons momentos, fica longe de ter a relevância do original. A ideia da sequência foi boa, mas – para a infelicidade dos fãs – a execução não.


Rodrigo da Costa- 6º Período

Gente como a gente

Oficialmente estabelecida em 2006, esta data tem por finalidade dar visibilidade ao tema, reduzindo a origem do preconceito, que é a falta de informação correta. O Dia Internacional da Síndrome de Down, celebrado em 21 de março, tem como objetivo conscientizar as pessoas sobre a importância da luta pelo bem-estar, igualdade de direitos e inclusão dos portadores de Down na sociedade. Dentre os 365 dias do ano, o “21/03” foi inteligentemente escolhido porque a Síndrome de Down é uma alteração genética no cromossomo “21”, que deve ser formado por um par, mas no caso das pessoas com a síndrome, aparece com “3” exemplares (fenômeno chamado de “Trissomia do 21”).

sindrome de downCaracterizada pela presença de 47 cromossomos em suas células em vez de 46, como a maior parte da população, a síndrome de Down ocorre no momento da concepção. De acordo com o médico Villy Zajdhaft, ginecologista e obstetra especialista em medicina reprodutiva, crianças e jovens portadores da síndrome têm características físicas bem semelhantes, rosto arredondado, olhos oblíquos e mãos menores com dedos a mais, além de estarem mais propensas a uma maior incidência de doenças, como dificuldades motoras e atraso na articulação da fala, por exemplo.

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Isadora e Henrique. [foto: arquivo pessoal].

Ele finaliza explicando que “atualmente existem testes genéticos que podem identificar a possibilidade de que o bebê tenha a síndrome de Down a partir da nona semana de gravidez, embora tenha 99,99% de chances de acerto, não há nada que os pais possam fazer para reverter este quadro.”.

Ainda que os portadores da síndrome apresentem deficiências intelectuais e de aprendizado, são pessoas com personalidade única, que estabelecem boa comunicação e também são sensíveis e interessantes. “É muito legal ver que a minha irmã, Isadora, gosta de ser tratada como pessoa normal, no meio da sociedade normal. Até a alfabetização ela estudava em colégios que eu estudava, e, quando, mudou para uma escola mais especifica, ela não gostou. Não gostava de ficar no meio de crianças só com deficiência (…)” disse Henrique Navarra, estudante de publicidade.

Cada pessoa com Down tem gostos específicos, personalidade própria e individual, habilidades e vocações distintas entre si, sendo importante ressaltar que essas pessoas têm direito e possibilidade de fazer tudo, como qualquer outro cidadão. O estudante de publicidade ainda completa: “Ela é muito geniosa e faz tudo sozinha. Gosta de ficar vendo vídeos e séries no computador dela e ouvir música e dançar. É uma pessoa como outra qualquer, apenas com as suas limitações. Distribui amor e sorrisos por onde passa.”


Martina Orlandini – 3º Período

A música que cresce na Baixada Fluminense

 

De uns anos para cá, a cena musical da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, está em polvorosa. São inúmeras bandas e artistas, do rock ao rap, selos independentes e pequenas produtoras que fomentam a cultura na região e incentivam novos artistas a mostrarem seus trabalhos. Em 2015, um dos grupos que surgiu dentro deste cenário foi a Gorduratrans, duo que é metade Baixada, metade Zona Oeste. Felipe Aguiar, 23, e Luiz Felipe Marinho, 24, se conheceram em um grupo do Facebook procurando integrantes. Luiz, baterista, foi convidado para participar do antigo conjunto do Felipe, e a amizade entre os dois cresceu ao ponto de considerarem um projeto paralelo. “A ideia não era ser um duo, mas vimos que funcionava desse jeito. Estruturamos a sonoridade das composições para que funcionasse assim. Em julho já estávamos com o disco todo gravado”, conta Felipe.

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Felipe Aguiar e Luiz Felipe Marinho, integrantes da banda Gorduratrans. [foto: Natália Mansur].

O primeiro álbum da Gorduratrans, “repertório infindável de dolorosas piadas” foi lançado em setembro de 2015, pela Bichano Records, selo independente de Nova Iguaçu. A Bichano chegou ao fim em 2016, e foi um dos nomes da cena de rock independente da Baixada nos últimos dois anos. A banda, com suas guitarras distorcidas, foi um dos principais nomes do catálogo do selo. Luiz e Felipe chegaram a fazer shows em São Paulo e passaram pelo Nordeste com uma turnê organizada por amigos e entusiastas.

Felipe diz que a distância dificulta a movimentação deles no contexto em que estão envolvidos, concentrada principalmente na Zona Sul e Centro da cidade. “Chegar nos rolês, ir embora de madrugada com equipamento nas costas, e até mesmo assistir aos shows até hoje é difícil porque levamos até duas horas para chegar nos lugares”. O vocalista também avalia: “Perceber o crescimento da banda foi algo muito bom, principalmente sabendo das dificuldades por sermos do subúrbio. Até o ano passado eu usava uma guitarra emprestada nos shows”.

A gorduratrans representa um cenário que cresceu exponencialmente nos últimos três anos. O discurso “faça você mesmo” encoraja outros jovens a correrem atrás de fazer música. Foi o que a dupla carioca fez. “A banda não tinha pretensão de nada no começo, só queríamos fazer um disco”, conta. É dessa falta de pretensão que tem nascido uma variedade de álbuns e selos para divulgá-los, e distribuir o material de forma independente através da internet.

Essa difusão de selos – que são diferentes de gravadoras – tem se mostrado benéfica. Ao movimentar a música independente nesta área da Zona Metropolitana, os selos conseguem propagar a música e agrupar artistas que se identificam com o estilo de cada selo, além de promover eventos de baixo custo para a divulgação das bandas.

Um dos exemplos é a Valente Records, de Duque de Caxias. O selo ganhou destaque no início de 2017 e seus responsáveis são jovens de 17, 18 anos de idade. “A Valente surgiu ano passado, quando a gente percebeu que três bandas daqui possuíam um grande potencial pra fazerem música, mas não havia nenhum meio de divulgação musical na Baixada”, explica Vinícius Cardoso, que cuida do selo e tem seu próprio grupo, o Santarosa.

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Ensaio da banda Santarosa. [foto: Bárbara Martins].

Para Vinícius, o saldo tem sido positivo ao se incluir neste cenário. “Poder trazer bandas para cá, as conhecer melhor, fazer o pessoal da Baixada perceber que a música feita por aqui também é boa. Tá sendo muito lindo.” O guitarrista da Santarosa também se mostra esperançoso para o futuro do selo independente. “A gente espera poder conseguir emancipar cada vez mais o reconhecimento dos nossos artistas. Poder promover turnês daqui a um bom tempo, quem sabe? É muito incerto”.

Após conhecer o exemplo da gorduratrans e da Valente Records que avivam o cenário musical da região, pode-se concluir que muitos talentos residem nos municípios da Baixada e como é importante descentralizar a circulação de bandas independentes na cidade do Rio de Janeiro, trazendo cada vez mais o foco para as regiões além do túnel.


Beatriz Brito– 5º Período