Uma mensagem que todos deveriam ouvir

092580-jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxAlguns filmes tocam nas feridas da sociedade e falam sobre assuntos que são considerados taboos. A história de “O Filho Eterno” é um desses casos. A Trama trata sobre um assunto que já gerava polémica na década de 80 e continua sendo uma pauta pouco conhecida pelo grande público. Roberto (Marcos Veras) é um escritor – não tão bem sucedido – que aguarda ansiosamente a chegada do seu primeiro filho para que isso se torne um ponto de partida para a mudança de vida. Todavia, devido a algumas mudanças cromossômicas, o que antes era um sonho, acabou virando um pesadelo, pelo menos para o personagem principal.

Roberto descobre que seu filho tem síndrome de Down, que na época era chamado de mongolismo. O escritor não consegue aceitar o fato e, devido a já acumulada frustação devido ao insucesso no emprego e a eliminação da seleção na copa de 82, passa a rejeitar sumariamente a criança. Chegando até a desejar a morte do mesmo no início da trama. A história, inspirada no livro homônimo de Cristovão Tezza, leva o espectador a entender o sofrimento de famílias que tem filhos com essa doença e – acima de tudo – fazer um alerta sobre os maus tratos contra essas pessoas.

Além da trama bem desenvolvida, outros aspectos do filme merecem aplausos. O primeiro a ser citado é a atuação dos atores envolvidos na obra. A sempre perfeita Débora Falabella e o recém-chegado ao mundo do cinema Pedro Vinícius (II) vão bem em seus papeis de Cláudia (mãe) e Vinícius (filho portador da síndrome), respectivamente. Uma curiosidade é que o personagem da atriz não é muito presente no livro de Cristovão, mas teve um papel especial no longa. Marcos Veras também vai bem, o ator – conhecido pelos títulos de humor – faz seu primeiro papel dramático no cinema e agrada o público, nada excepcional – pelo menos ainda –, mas ainda sim bom.

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Boa parte do desempenho dos atores se deu pela atenção especial dada pelo diretor Paulo Machiline (indicado ao Oscar pelo curta “Uma história de futebol”, em 1998), que buscou estudar a fundo histórias de famílias reais que tem filhos com essa síndrome, para que os personagens da obra fossem mais verossímeis. O filme não tem tantos jogos de câmeras que valem ser citados, mas a trilha sonora de Guilherme e Gustavo Garbato acerta em cheio o tom de drama da composição.

No fim das contas, “O Filho Eterno” não é só uma obra sobre uma família que tem um filho com síndrome de Down; é uma crítica social aos maus tratos feitos à pessoas que possuem qualquer diferença que não se encaixe nos padrões “normais”; é um importante alerta às famílias que criam muitas expectativas pela vinda de um filho, mas se decepcionam quando ele não é exatamente como esperavam; é um filme muito bonito que – além de ter sido sucesso no Festival do Rio 2016 – merece muita atenção do público em geral.


Iago Moreira- 6º Período

Dramaturgia em foco

Na última quinta, dia 24, um novo evento começou a agitar a Zona Portuária do Rio. Trata-se da primeira edição da LER – Salão Carioca do Livro, realizada nos Armazéns Dois e Três, no Píer Mauá, no centro da cidade. Os dois primeiros dias da convenção tiveram as atividades focadas na dramaturgia. A LER conta com diversas atrações para agradar a todos os públicos, desde o infantil até os idosos, de frequentadores assíduos de teatro até os fãs mais fanáticos das franquias que povoam o universo Geek. O evento ainda conta com a participação de autores consagrados e novatos, convidados para debates e tarde de autógrafos, além de stands de diversas editoras com livros autografados.

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Hall dos Grandes Autores. [foto: Daniel Deroza/ Agência UVA],

No primeiro dia da convenção, um dos momentos mais esperados pelos presentes era a conversa com a novelista Cláudia Solto, que está escrevendo a próxima novela das sete da Rede Globo, “Pega Ladrão”. A autora falou um pouco sobre a carreira e métodos de trabalho. Cláudia, que estudou teatro na Itália, iniciou o trabalho em televisão, já como roteirista, no começo dos anos 90 escrevendo para o programa cômico “Casseta & Planeta. A escritora admitiu ser noveleira desde criança, mas que o ofício de planejá-las sempre lhe pareceu muito distante.

Porém, segundo Cláudia, após uma experiência em especial, o desejo de escrever para uma das principais formas de entretenimento popular do Brasil surgiu. “Foi quando eu fiz um reality show, que é uma coisa que eu não desejo nem para o meu pior inimigo, porque é de enlouquecer”. Durante 15 anos de trabalho na emissora global, ela passou por quase todo tipo de programa: infantil, comédia, enquetes, realities, auditório, séries dramáticas e sitcoms – a escritora contribuiu em programas de sucesso, como “Sai de Baixo” e “S.O.S – Emergência”.

Até que, em 2007, o novelista Walcyr Carrasco a chamou para ser colaboradora da novela que ele escrevia na época, “Sete Pecados”, que estava sofrendo com a rejeição do público e teve de alterar os rumos da história. Para isso, Carrasco contou o já famoso timing cômico de Cláudia. Após esta primeira relação, a dupla já trabalhou junta em mais duas novelas – “Caras e Bocas”, em 2009, e “Morde e Assopra”, em 2011. E já, com mais experiência no ramo, em 2012, Cláudia resolveu apresentar à Direção de Dramaturgia da Globo uma sinopse original para o horário das sete. Para a alegria de Solto, o argumento foi aprovado e a novela irá ao ar em 2017.

Quando perguntada se as novelas correm algum perigo com a popularização das séries de TV, Cláudia é categórica: não. “Houve um casamento entre a novela e a série. A novela pegou para si algumas características da série, como o dinamismo, e a série pegou algumas características da novela, como o arco dramático, os ganchos. Nas séries dos anos 70, 80, como “As Panteras”, contavam uma história por episódio, os personagens não eram desenvolvidos ao longo de uma temporada. Então, está acontecendo uma troca muito benéfica”.

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Júri do Prêmio Cesgranrio de Teatro no debate. [foto: Daniel Deroza/Agência UVA].

Já no segundo dia do evento, um debate polêmico lotou o espaço Cesgranrio de Roteiro e Dramaturgia. Trata-se da “Discussão Sobre o Panorama Atual do Teatro Carioca, com o Júri do Prêmio Cesgranrio de Teatro, que possui nomes de peso, como a premiada atriz e diretora francesa, naturalizada brasileira, Jacqueline Laurence, e a crítica teatral Tânia Brandão. O principal tema do debate foi a perda de espaço teatrais no Rio de Janeiro. “Antigamente, o Rio tinha 7, 8, grandes teatros. Eu publicava uma média de seis críticas por semana. Hoje em dia, se um jornal pública uma crítica é muito”, afirma Tânia. Uma das questões levantadas pela audiência foi a dificuldade da classe artística se sustentar apenas com teatro.

Para a veterana Jacqueline Laurence, a resposta para esta situação é muito simples. “O teatro se desprofissionalizou. E ele tem que ser profissional. A gente não se organiza mais como se organizava antigamente por um único motivo: onde está o público? ”. Porém a resposta pareceu não agradar a plateia, que rebateu trazendo a discussão o assunto sobre a concentração de salas teatrais no Centro e na Zona Sul, o que desmotiva a população a sair de casa, fazer uma longa viagem para assistir a uma peça. Neste ponto, o debate chegou a um impasse aparentemente sem solução devido a divergência de opiniões.

Já no espaço Jardim Literário, a à triz Beth Goulart, sucesso de crítica e público com a peça “Simplesmente Eu, Clarice Lispector” participou de uma conversa com o público a partir de seu trabalho na montagem teatral e do bate-papo que ela promove ao fim de cada apresentação, o que, segundo Beth, é essencial. “Eu começo falando da Literatura de Clarice, mas falo também sobre as relações humanas. O teatro é uma arte essencialmente humana. Um encontro de seres humanos que é único e pode ser eterno”.

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Beth Goulart durante palestra. [foto: Daniel Deroza/Agência UVA].

Quando perguntada sobre as viagens realizadas pelo Brasil com a peça, Beth mostrou ter uma opinião bem diferente do corpo de jurados do Prêmio Cesgranrio, que afirmou que os artistas não podem ficar “se despencando” para lugares distantes – o exemplo utilizado no debate foi Bangu – para se apresentar, na opinião do júri, o interesse tem que partir do público.

Já para Beth, que já viajou com sua peça para diversas cidades do interior – se apresentando em clubes devia a falta de uma sala de teatro – afirmou que “o dever do artista é levar a arte até o público. O artista tem que ir aonde o público está”. Como pode-se observar, nas duas ocasiões, a discrepância de opiniões de membros da classe artística e o conservadorismo das gerações mais velhas, mostra que muitos dos problemas enfrentados por ela parecem estar longe de ter uma solução, mas que isso não é motivo para desprestigiar a arte.


Daniel Deroza– 4º Período

Esclarecendo o mundo da comunicação

Palestra com jornalista da GloboNews aproxima os alunos da realidade do jornalismo atual

A repórter da GloboNews Leila Sterenberg ministrou uma palestra para os alunos de Jornalismo da Universidade Veiga de Almeida do campus Downtown, na manhã da última terça (23). A apresentadora – que hoje trabalha no “Arquivo N” e do “GNewsEspecial” – falou sobre a trajetória profissional, respondeu perguntas dos estudantes e ainda deu dicas sobre a área, ressaltando a importância do profissional multitarefas e da leitura no futuro dos comunicólogos.

Formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Leila conquistou o espaço no mercado de trabalho aos poucos. “Às vezes é importante enxergar grandes oportunidades em algo que, no momento, parece ser pequeno”, explica, ao lembrar-se do primeiro emprego – ainda quando estava na faculdade –, numa revista especializada em transporte urbano, que considera ter sido uma escada para as conquistas posteriores.

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Leila Sterenberg durante conversa com alunos da UVA Downtown. [foto: Margaret Carino/ Agência UVA Downtown].

A jornalista também falou sobre as oportunidades internacionais: trabalhou em Nova York como correspondente do OGlobo e também para o canal Bloomberg, onde foi contratada por ter o português como língua nativa. Nesse ponto, ela enfatizou aos alunos a importância de saber outros idiomas, já que, para ela, um profissional que sabe mais dois, além do português, tem maior possibilidade de ser contratado. “Estudei francês e inglês no colégio, mas também fiz curso de inglês por fora. Não desperdicem a oportunidade de estudar”.

Após contar um pouco sobre a história da carreira, Leila abriu espaço para as perguntas dos alunos. Quando questionada sobre o que um estudante de Jornalismo precisa ter para ser um bom profissional, Leila foi enfática: “É um mundo muito cruel, mas o jornalista tem que aprender a ser multitarefa e ter o seu próprio equipamento para uma eventualidade”. Ao perguntarem sobre as maiores dificuldades enfrentadas ao longo da profissão, ela contou sobre as dificuldades de fazer escolhas certas. “Ainda hoje me questiono se as escolhas que fiz foram as corretas”.

Ainda falando sobre escolhes de vida, a jornalista aconselhou os alunos a fazerem uma pós-graduação imediatamente depois de terminarem a faculdade, já que, para ela, conforme o tempo passa, mais difícil fica complicado conciliar o curso e o trabalho. “Eu não sabia como explicar para o meu chefe que eu iria chegar atrasada por causa da pós e nem explicar para meu professor as faltas por causa do trabalho”. A palestra foi muito bem recebida pelos alunos de Jornalismo, que saíram de lá satisfeitos com a oportunidade oferecida pela Universidade.


Yhara Linka- 5º Período
Lizandra Rios- 4º Período
Tayane Fernandes- 4º Período

A sobrevida da ficção científica

552532-jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxNesta quinta, dia 24, chega aos cinemas brasileiros o longa “A Chegada” (“Arrival”), sucesso de críticas no Festival do Rio 2016. O longa é dirigido pelo cineasta canadense Denis Villeneuve – também responsável pelos aclamados “Sicario” e “O Homem Duplicado” –, que prova que o gênero Ficção Científica ainda tem conteúdo para apresentar e não pode ser reconhecido apenas pelo seu valor de entretenimento.

O longa retrata a chegada de naves alienígenas à Terra, trazendo mensagens em um idioma desconhecido. Logo, o governo dos Estados Unidos chama a linguista Louise Banks – interpretada com brilhantismo pela já veterana Amy Adams – para tentar decifrar os textos extraterrestres a fim de estabelecer uma comunicação pacífica com quem os mandou.

A mais grata surpresa de “A Chegada” é a maneira como o enredo é construído – tanto nos aspectos técnicos quanto na linguagem escolhida para abordar o tema –, afinal, filmes acerca de invasões espaciais são tão velhos quanto a própria história do cinema. Entretanto, neste caso específico, são raros os momentos em que o público tem a sensação de “Já vi isso em algum lugar…”. Ou seja, tudo é feito de maneira diferente do que se espera – graças às mãos experientes de Villeneuve.

Trata-se de um dos filmes comerciais mais melancólicos e reflexivos – por vezes, quase beirando o onírico, porém sem fazê-lo de forma maçante – lançados nos últimos tempos – em especial, tratando-se de uma produção americana. A ausência de cortes rápidos e bruscos – comuns em outros longas do gênero – não atrapalha a fluidez da história. A paleta de cores da cinematografia é leve, sem apelar para tons vibrantes, lembrando muito o estilo do premiado “A Árvore da Vida”.

“A Chegada” tem nomes de peso no elenco – como Forest Whitaker e Jeremy Renner, ambos muito competentes nas personagens –, porém, o destaque é, sem dúvida, de Amy Adams, que em nada lembra mais a jovem insossa que era no começo dos anos 2000. Neste filme, a atriz entrega uma interpretação densa, fortemente internalizada e agridoce, sem cair nas armadilhas da filosofia barata, transmitindo uma ampla gama de emoções apenas com o olhar.

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Por volta da metade do segundo ato, o roteiro não resiste à tentação de utilizar alguns clichês da ficção científica – como envolvimento dos militares, insubordinação civil e o frisson alimentado pela mídia –, no entanto, o ponto que mais incomoda o espectador é a velha condescendência dos Estados Unidos consigo mesmo, sempre querendo se provar mais sensatos do que os governos de outros países. Para a sorte do público, este deslize no enredo é muito breve e não atrapalha a experiência do roteiro.

Por fim, “A Chegada” se mostra como um longa de sci-fi quase totalmente fora da curva ao abordar de maneira artística – e não apenas comercial – temas mais filosóficos como o conceito de humanidade, se a linguagem é uma ferramenta ou um entrave para a comunicação, perda, luto, amor e família, mas de forma acessível o suficiente para despertar o interesse do grande público, que não está muito acostumado com o longas considerados “cult”, mostra que a ficção científica ante tem ótimas histórias pra contar e que esta obra tem tudo para, no futuro, estar ao lado de “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”, no Hall dos Clássicos da Ficção Científica.


Daniel Deroza– 4º Período

Por um mundo mais criativo

Evento organizado pela UVA reúne autoridades e recém-formados do ramo do Design na Cidade das Artes

Na tarde ensolarada da última segunda(21), alunos dos cursos de Design de Interiores e de Moda se reuniram no evento “Novos Talentos 2016”, organizado pela Universidade Veiga de Almeida (UVA) na Cidade das Artes, Barra da Tijuca. Os candidatos apresentaram trabalhos e projetos para professores, reitores e profissionais das áreas, que integraram a banca dos juízes especialistas. Com música ao vivo e um clima descontraído, a sexta edição premiou os melhores projetos com intercâmbio e cursos, além de promover a interação dos recém-formados com grandes nomes do mercado de trabalho.

Assim como no caso da Thaís Morello, de 23 anos, formada em Design de moda. “Essa é uma oportunidade incrível de mostrar nosso trabalho que foi resultado de muitas lágrimas e suor ao longo do curso”. Ela apresentou a coleção “I Wanna Rock”, inspirada no musical da Broadway “Rock of Ages”. As peças de roupa são uniões de hobbies e paixões: o Rock, o teatro e o canto. Ela ainda conta que gostava de desenhar desde criança, por isso escolheu a carreira de moda e declara estar grata pelo apoio de familiares e professores durante a graduação.

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Thaís Morello maquiando modelo que veste sua coleção. [foto: Luiza Bastos/Agência UVA- Downtown].

A apresentação dos projetos e o desfile de moda aconteceram ao som do cantor Rafah, participante da atual edição do The Voice Brasil. Logo depois, chegou a hora mais esperada do dia: a premiação dos três melhores trabalhos de cada curso, além da divulgação do vencedor geral. Flora Sant’anna, designer de moda, levou para casa o primeiro lugar, enquanto isso Marcus Trajano, conquistou dois prêmios, o de design de interiores e o mais almejado, o geral, que tinha como recompensa uma viagem de intercâmbio para cursar a língua espanhola em Buenos Aires, Argentina.
Essa oportunidade é produto da parceria da UVA com a CP4, empresa de intercâmbio e amiga de longa data da instituição. “Uma experiência internacional é diferencial para o mundo globalizado de hoje”, afirma Fabiana, diretora da agência de viagens. Ela ainda conta que há muita criatividade no Brasil e é necessário expor todo esse potencial para o mundo. No mais, ela acredita que a chance de estudar uma nova língua em outro país abrirá novas portas, estabelecerá novos contatos e incluirá o recém-formado em um mercado de trabalho nacional e internacional.

Marcus Trajano deixou claro que vai aproveitar a viagem como um todo. “Vim despretensioso, meu objetivo era aguardar os jurados. Agora, só tenho a agradecer a Universidade pelo evento”. Formado em Design de Interiores, aos 33 anos, o participante apresentou um projeto de intervenção da academia Marapendi, cujo tema era “Memórias raras”. Ele também contou que todo o trabalho foi inspirado na “arte” e na “forma”, a primeira focada em pinturas e a segunda na geometria.

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Marcus Trajano (centro), designer de interiores, recebendo o prêmio geral acompanhado de juri. [foto: Luiza Bastos/Agência UVA- Downtown].

A satisfação com o evento e com os resultados também foi ressaltada pela diretora acadêmica da UVA, Nara Iwata. “Foi um sucesso como esperávamos”. Segundo ela, faz parte do DNA da Veiga o investimento no empreendedorismo dos alunos. “É um compromisso que faz parte da característica da Veiga. Formamos nossos alunos para serem protagonistas. Acredito que com esse evento ficou bem claro”. A expectativa, desse e de tantos outros projetos da instituição, é de crescimento da iniciativas como essa e também dos jovens talentos dentro do mercado de trabalho.


Lizandra Rios- 4º Período (Agência UVA- Barra)
Tayane Fernandes- 4º Período (Agência UVA- Barra)
Yhara Linka- 5º Período (Agência UVA- Barra)

Entrelaçando corações e tecendo a Paz

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Alunos (esq.) Débora Fernandes, Bruna Rua, Ewerthon Araújo, Rodrigo Andrade e Dorval de Lima em estande. [foto: Laís De Martin/ Agência UVA].

A segunda edição do evento Paz em Foco foi realizada na última sexta (18), no Campus Tijuca da Universidade Veiga de almeida. Promovido pela professora Luciene Aragon em parceria com a UVA e alunos dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda, o evento teve como objetivo provocar a reflexão sobre a importância das atitudes individuais e das práticas coletivas para a promoção da paz em diferentes níveis. Foram realizadas dinâmicas interativas e lúdicas no bosque da faculdade.

Uma dessas atividades foi realizada pelos alunos da matéria de Comunicação e Mundo Contemporâneo, que consistia em um quiz de três questões, relacionadas a direitos humanos e ações que promoveram a paz pelo planeta. Ao acertar uma resposta, o participante recebia como prêmio uma rosa branca; com duas, ganhava um saquinho de balas; e ao gabaritar o quis, um bombom. A aluna Nathalia Azevedo avaliou a importância do teste. “Acho relevante o fato de darmos uma função prática ao conteúdo teórico aprendido em sala. Nós pesquisamos e confeccionamos de maneira autoral cada questão. Além de ser um crescimento pessoal, a interação e troca de conhecimentos com os indivíduos que visitam o nosso estande é também um crescimento profissional e social, na medida em que conhecemos um conteúdo relevante para o planeta e as pessoas”.

Na sequência, às 11h, foi realizada na sala C307 a palestra “Kabbalah, o poder de mudar tudo”. A convite da professora Daniela Oliveira, foi recebido para esclarecimentos em torno do tema o professor Shimon Ferreira, do Kabbalah Centre Brasil (instituição sem fins lucrativos, que tem como propósito tornar os ensinamentos da filosofia compreensíveis e relevantes no cotidiano). Em hebraico, Kabbalah significa “receber”, “manter”, “fazer crescer”. O objetivo está voltado para a imortalidade através da extinção permanente da dor e do sofrimento.

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Professor Shimon Ferreira durante a palestra. [foto: Laís De Martin/ Agência UVA].

Considerada uma sabedoria espiritual além de seu tempo, fornece maneiras práticas de evoluir, criar alegria e plenitude duradoura. Esclarece que cada indivíduo possui dentro de si o poder de criar a vida que quiser. A Kabbalah ensina a ativar esse poder e proporciona uma nova forma de enxergar o mundo. Oferece ainda, ensinamentos sobre os segredos do universo e da alma humana. Segundo o professor Shimon Ferreira, lidar com a sensação de falta e a necessidade de mudança são problemas recorrentes em nossa existência. “Existem forças espirituais que regem cada força de nossa vida. A Kabbalah nos ajuda a entender isso. São leis espirituais. Devemos pensar em como receber, aprender a manter e fazer crescer da melhor maneira possível”. Shimon comenta ainda que até pouco tempo a prática era pouco acessível. “Até a década de 1960, a Kabbalah era proibida para indivíduos comuns, mas isso mudou com os ensinamentos de Rav Berg e Karen Berg, que abriram a religião.”


Laís De Martin– 8º Período

Movimento Black Rio comemora 40 anos

Em julho de 2015 a Comissão de Cultura aprovou com emenda, o Projeto de Lei  296/15, que transforma o Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro, em feriado nacional. A data faz referência à morte de Zumbi dos Palmares, líder da resistência negra à escravidão no Brasil Colonial – retrata, no plano simbólico, a herança histórica da população no processo de libertação e de luta por direitos violados –. Alguns estados e municípios brasileiros, de antemão, aprovaram leis que fixam o dia 20 de novembro como feriado: Alagoas, Amazonas, Amapá, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e cerca de 150 cidades de outras 12 regiões.

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Série de fotografias de Almir Veiga.

Para retomar a importância sobre a consciência da comunidade negra acerca de seu valor e sua contribuição ao país, propor uma reflexão sobre a introdução dos negros na sociedade, e aproveitando o Dia da Consciência Negra, o Imperator – Centro Cultural João Nogueira promove um evento voltado para as manifestações culturais afro-brasileiras. Entre os destaques está a mostra 1976 – Movimento Black Rio 40 anos. O espaço cultural recebe entre 15 de novembro e 19 de fevereiro, fotos, cartazes, capas de discos e vídeos sobre o tema. A data marcou também o lançamento do livro homônimo a exposição, de autoria dos jornalistas e pesquisadores José Octavio Sebadelhe e Luiz Felipe Lima Peixoto.

Contextualizando, durante a década de 1960, surgiu uma manifestação entre uma nova mocidade negra-mestiça carioca. Em sua maioria, moças e rapazes vindos de áreas periféricas da cidade, que posteriormente ficou conhecida como Movimento Black Rio. Teve início nos primeiros bailes de Black Soul, espalhados pelos bairros suburbanos. Procurava, através de uma nova expressão de comportamento e de costumes, a afirmação do orgulho negro contra o preconceito racial e completamente a favor da dança e da música como formas de libertação.

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Matéria publicada no jornal do Brasil que impulsionou a visibilidade do movimento.

Já na década de 1970, a imprensa dá mais atenção ao, agora, fenômeno de massa. Os bailes e seus dj’s alcançaram novos pontos da cidade, concentrando em eventos um público que chegava a ultrapassar 10 mil pessoas. O movimento influenciou uma geração de artistas que promoveram a mistura entre o samba e a MPB com elementos do soul norte-americano, imprimindo suas características na música brasileira. Em 1976 alcança o auge ao ser reconhecido na reportagem histórica de Lena Frias no Jornal do Brasil, com fotografias de Almir Veiga. Ganhou repercussão nacional por meio do circuito de bailes e shows de artistas negros, impulsionando associações artísticas e sociais em várias capitais. O movimento teve continuidade em inúmeros desdobramentos culturais, como os bailes de charme, o hip-hop Rio e o funk carioca e até hoje é um dos signos mais importantes da comunidade.


Laís De Martin– 8º Período

As questões raciais da atualidade e seus desafios

Ontem, aconteceu no auditório da Universidade Veiga de Almeida o seminário sobre Políticas Sociais, Saúde E Relações Étnico- Raciais, com o objetivo de promover e discutir o tema da proteção racial e, também, comemorar o dia da consciência negra. O evento contou com uma mesa aberta onde os convidados debateram sobre o tema proposto. A parte da manhã contou com a presença de Eduardo Maluf, diretor acadêmico do campus Tijuca, Marcio Tadeu Ribeiro Francisco, coordenador do curso de Enfermagem, Vânia Dutra, coordenadora do curso de Serviço Social e Edson Santos de Souza, Ex-ministro da promoção da Igualdade racial.

Um ponto importante levantado no debate foi o processo histórico das relações étnico-raciais no Brasil, que contou com a participação de Camila Marques e Jolison Júnior, ambos professores. Outro tema comentado foi sobre a saúde da população negra, para tal, os professores Camila Estrela e Roseli Marques dissertaram.

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Foram postos em questão pautas como a Igualdade; Universalidade e Homogeneidade; Diferença e Diversidade e como essas palavras se encaixam no discurso das políticas públicas e onde está a discussão de equidade sobre o assunto. Segundo a pesquisa realizada, a grande maioria dos domicílios que são atendidos pelas assistências sociais são de moradores negros, onde muitas vezes a cor da pele funciona como um mecanismo para a inserção, ou não em determinados espaços selecionados.

Foram ilustrados por Roseli Marques muitos casos de racismo recorrentes no Brasil, como nos campos de futebol com os atletas negros, como o do lateral Daniel Alves, do Barcelona; na internet com alguns artistas de televisão, como a da atriz Thais Araújo; e o caso dos Estados Unidos, onde um policial branco espancou até a morte um menino negro em 2014.

O racismo e o preconceito caminham juntos e estão interligados. Este, pode ser referido até mesmo à classe social de uma pessoa, como as de baixo poder aquisitivo. É importante que haja uma reflexão com o intuito de que certas atitudes deixem de acontecer, para que assim exista um futuro melhor, com mais perspectivas e sem julgamentos ignorantes.


Camila Claros- 8º período

De volta ao mundo da bruxaria

072693-jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxHoje, chega aos cinemas brasileiros um dos filmes mais aguardados do ano: “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, que conta as aventuras de Newt Scanner, autor do guia para bruxos do universo de Harry Potter. O longa é o primeiro trabalho da escritora J.K. Rowling como roteirista, e, como já era de se esperar, é recheado de fantasia e mistério, além do incomparável senso de humor britânico.

O filme acompanha a viagem do jovem britânico Newt aos Estados Unidos, onde a legislação da magia são bem diferentes dos ideais ingleses. Em solo americano, há um constante medo de uma guerra entre bruxos e não-majs – como os estadunidenses chamam os trouxas –, além de os animais fantásticos serem estritamente proibidos. Tudo isso é agravado pelo fato de a cidade de Nova York estar sob ataque de um ser maligno obscuro.

Logo após a chegada à terra do Tio Sam, Newt perde a maleta onde estão guardadas inúmeras criaturas mágicas, envolvendo-se em uma grande polêmica com os Aurores americanos. Para salvas a si mesmo e à cidade, o magizoologista parte à procura dos animais perdidos com a ajuda de uma ex-Auror, uma bruxa leitora de mentes e um não-maj, formando uma equipe improvável.

O protagonista da história é interpretado pelo ganhador do Oscar, Eddie Redmayne – em um de seus trabalhos menos excêntricos – e o ator consegue acertar perfeitamente o tom da personagem, um jovem socialmente desajustado não acredita que a segregação seja o caminho para o equilíbrio entre os mundos. O jeito weirdo de Newt dá leveza ao filme e em nenhum momento se torna caricato, como poderia ficar essas mãos de outro artista.

Katherine Waterstone – que dá vida à agente rebaixada Tina Goldstein –, Alisou Sudol – intérprete da leitora de mentes Queenie – e Dan Fogler – que interpreta Jacob, o único trouxa do grupo – são outros destaques da produção, que conta com um elenco recheado de astros conhecidos do público – e é neste ponto que está o principal problema do filme.

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 “Animais Fantásticos e Onde Habitam” possui um extenso número de personagens secundários, fazendo com que grandes nomes, como John Voight, se tornem meros “figurantes de luxo”. O outro deslize do roteiro está no desenvolvimento da personagem Mary Lou Barebone (Samantha Morton), uma das antagonistas do longa. Mary Lou aparece na tela por menos tempo que o necessário, e, consequentemente, as motivações da vilã nunca ficam, de fato, claras.

Já Collin Farrell, como o Auror Graves, e Ezra Miller, interpretando o introspectivo Credence, aparecem pouco ao longo do enredo, mas ganham o destaque merecido no último ato, que, aliás é repleto de plot twists que, com certeza, prenderão a atenção do público – além da tão comentada e aguardada participação especial de Johnny Depp. Já outros personagens coadjuvantes, não tem tempo suficiente em ação para que despedem interesse dos espectadores.

Por fim, “Animais Fantásticos e Onde Habitam” é um filme com grande valor de entretenimento – com excelentes efeitos visuais, elevados ainda mais pelo 3D –, que irá agradar não apenas os fãs da saga Harry Potter, mas o grande público também, uma vez que não é preciso ser um profundo entendedor do mundo de Magia e Bruxaria criado por J.K. Rowling, que debuta como roteirista de cinema em grande estilo.


Daniel Deroza– 4º Período

Cores do sal

271870-jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxO primeiro longa do diretor Marcos Guttmann chega aos cinemas amanhã. Intitulado de “Maresia”, o filme é protagonizado por Júlio Andrade e também conta com as participações de luxo de Vera Holtz e Pietro Bogianchini. A obra é a adaptação de “Barco a Seco”, sob a autoria de Rubens Figueiredo, que – por sua vez – é um livro de romance, vencedor do prêmio Jabuti em 2002. Guttmann trabalhou prioritariamente em curtas, desempenhando também a função de assistente de direção de Carlota Joaquina: Princesa do Brazil (1994), dirigido por Carla Camurati.

O roteiro co-escrito por Guttmann, Melanie Diamantas e Rafael Cardoso, oferece ao espectador a dinâmica narrativa paralela entre duas tramas que se fundem. A primeira delineada pela vida do perito de arte Gaspar Dias, especialista na obra de Emílio Vega, e a segunda, a vivência e a vitalidade do pintor alvo da fixação de Gaspar. Para estabelecer o perfil de Vega na trama, é dito ao espectador que o pintor espanhol erradicado no Brasil, chegou ao país de navio e que se considera um homem do mar. Para não suspeitar da veracidade do personagem, se vê o que se apresenta como sua casa. Um antigo barco, em que pinta paisagens em tábuas de madeira ou eventualmente sobre uma peça ressecada de um bacalhau.

Ao se conceituar um filme enquanto composição artística independente, sujeita a formular um texto (análise textual) que ampare os seus significados em estruturas narrativas (análise narratológica) e em elementos visuais e sonoros (análise icônica), provocando uma reação no espectador (análise psicanalítica). Então, da pra se identificar, em “Maresia”, uma investigação capitaneada pelo especialista em busca da verdade sobre o artista.

A construção da narrativa é alicerçada nos signos que remetem ao oceano, através da utilização do som ambiente de ondas quebrando, o sussurro do vento, o borbulhar da espuma, e o ruído provocado pelo deslocamento dos remos. Há ainda uma intensa utilização de closes nos personagens e um recorte marcante na abertura da obra. “Maresia” é um longa de ações, guiada apenas pelos ruídos do ambiente, com a ausência de diálogos, sem interferir na compreensão do que se desenrola. Uma verdadeira obra de arte.


271870.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpgLaís De Martin- 8º Período