Arte, Arquitetura e Design

Centro Cultural Banco do Brasil traz a mostra Mondrian e o movimento do Stijl

O Centro Cultural Banco do brasil apresenta a mostra Mondrian e o movimento de Stijl que faz parte da arte, arquitetura e design da Holanda no século XX. A exposição oferece aos visitantes a mais completa ilustração já realizada na América latina. A mostra aproxima o pensamento e as manifestações de grandes artistas, incluindo Piet Mondrian que se baseia no neoplasticismo e a harmonia com os diversos tipos de artes.

Na exposição é possível ver um trabalho realizado por Mondrian menos conhecido e muito admirado pelo artista que teve como resultado seus famosos retângulos coloridos. Além de suas pinturas é possível conferir também documentários, fotos, publicações com conteúdo da época, maquetes ilustrativas, e mobílias da revista holandesa De Stijl (O estilo) que foi um importante meio de divulgação que os participantes do movimento escolheram para mostrar a sua arte.

Mondrian primeiramente sofreu influência de pintores pós-impressionistas como Vincent Van Gogh, Jan Toorop, Georges Seurat e Paul Cézanne e o Cubismo de Pablo Picasso entre os anos de 1908 e 1911. Essa mistura resultou em algo mais ousado, tons mais claros e uma abordagem cada vez mais abstrata e interessante de suas obras.  A exposição vai estar aberta até o dia 9 de janeiro de 2017 e tem entrada franca.


Camila Claros- 8º período

Empreendendo em tempos de crise

O campus Tijuca recebeu, entre os dias 24 e 26 de outubro, a Semana Salto 2016. O evento realizado pela Salto Consultoria Empresarial em parceria com a UVA, promoveu debates, palestras e oficinas. O foco dessa edição foi voltado ao empreendimento em um cenário de crise financeira, violência e falta de conhecimento. Sobretudo, tem por objetivo a transformação e a oferta de experiências através de relatos de especialistas convidados.

A programação contemplou os temas: definição de sucesso em um negócio; superação de desafios na jornada do empreendedor; a jornada do empreendedor e as oportunidades para o mercado; o empreendedorismo social como forma de mudança da sociedade; o impacto dos negócios na sociedade e o processo contínuo de inovação do mercado nacional. Para a discussão sobre empreendedorismo social como forma de mudança, foram recebidos para compor o debate a coordenadora do curso de serviço social da UVA, professora Vânia Dutra e Gabriel Mayer, professor de educação física e representante da associação sem fins lucrativos Urece Esporte e Cultura para Cegos.

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Professora Vânia Dutra durante debate. [foto: Laís de Martin].

Durante a abertura, foi enfatizado que os primeiros eventos da Semana Salto 2016 foram pautados no tema incentivo, como elemento catalisador de transformações. Para esclarecer o conteúdo da palestra ao público, a professora Vânia apresentou o conceito de inclusão produtiva, que implica na mobilização de capacidades sociais e produtivas das comunidades. O termo cunhado durante os governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, representa um programa cujo propósito é erradicar a miséria no Brasil, através de esforços de governantes, em âmbito municipal, estadual ou federal. Atualmente, à frente de todos os esforços para amenizar o problema está o Plano Brasil Sem Miséria, do Governo Federal.

Sobre as dificuldades que as pessoas à margem enfrentam diante do mercado, Vânia esclareceu aos presentes. “Para a inserção no mercado de trabalho formal, a grande barreira sempre foi a escolaridade. Para resolver isto, uma das alternativas foi empreender”. A professora revelou ainda que a cidade do Rio de Janeiro tem os setores de serviços e de turismo em constante crescimento, mas que essa percepção é diferente nas periferias e comunidades. “Nas comunidades, diferente dos grandes centros, a forma mais comum de atividade econômica envolve a produção de alimentos e a venda de roupas”.

Outro aspecto retratado durante a discussão foi a contratação dos MEIs, microempreendedores individuais pelas prefeituras. De acordo com a professora, “as pequenas prefeituras adotam a contratação dos MEIs como forma de incentivar a produtividade, porém no Rio a adesão é baixa. Não há interesse. A maioria dos microempreendedores desconhece que podem participar de licitações. É importante levar essa informação às pessoas. Os detalhes podem ser conseguidos no site da prefeitura”.

Abordando a mobilização de capacidades sociais, só que desta vez em outro contexto, Gabriel Mayer, representante da associação sem fins lucrativos Urece Esporte e Cultura Para Cegos, forneceu o panorama da população com deficiência visual no Brasil. “É um grupo de aproximadamente seis milhões e meio de pessoas, o que equivale a 3,5% da população brasileira. Para se ter uma ideia, é praticamente o dobro da população do Uruguai. Isso é muito impactante. Esses indivíduos seguem invisíveis para a sociedade. Estamos em meio a um longo processo de inclusão”.

De acordo com dados fornecidos pela ONU, crianças com deficiência têm 1,7 vezes mais chances de sofrerem algum tipo de violência. Ainda sobre esse espectro, foi identificado que 20% das pessoas mais pobres do mundo possuem algum tipo de deficiência. Isso é provocado por integrarem um grupo de muita vulnerabilidade socioeconômica, o que impacta no acesso a médicos, remédios, tratamentos, e até mesmo no desconhecimento sobre como abordar as deficiências.

Sobre a mudança de foco da Urece, Gabriel apontou alguns aspectos. “Em 2005, quando foi fundada, o nosso propósito estava em trabalhar com atletas de elite, mas com o desenvolvimento do nosso trabalho, modificamos isso. Em 2009, passamos a utilizar as atividades físicas como ferramenta para a mudança social. Antes conseguíamos atender um grupo de 15 a 20 pessoas, hoje atendemos 60”. O modelo de negócios da associação atualmente é voltado para a produção em braile de cardápios, guias e informações em geral.

Desenvolveram, também, a narração áudio-descritiva, que consiste em uma modalidade de locução esportiva criada para melhorar a experiência dos torcedores com deficiência visual. Todos os aspectos visuais do estádio e da partida são traduzidos em palavras: cores, uniformes, expressões faciais e corporais. A Urece foi a organização responsável pela implementação desse serviço durante a Copa do Mundo de Futebol de 2014 no Brasil. A narração foi oferecida em quatro cidades: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília, totalizando 26 partidas.

Oportunidades de inovação

No encerramento da Semana Salto, quatro profissionais foram chamados para falar um pouco sobre as experiências pessoais de cada um, como foco no processo evolutivo da inovação, a fim de manter o empreendimento sempre atual para que desperte o interesse do público consumidor.

Os convidados foram: os jovens Arturo Edo – CEO da Touts, uma plataforma de venda de camisas, almofadas e outros tipos de acessórios através da conexão entre os consumidores e artistas do mundo todo – e Hector Muniz – fundador da agência de comunicação Gorilla Brand –, Sérgio Sá Leitão – CEO da Escarlate Conteúdo/Experiências e diretor do Cine Odeon –, e Sabrina Ferreira – Gerente de Experiência da Ilumno. Todo o debate foi mediado por Marcio Ferreira.

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Professor Márcio Ferreira fechando palestra. [foto: Daniel Deroza].

Quem iniciou os discursos foi Arturo, que destacou a importância dos trabalhos extracurriculares e dos contatos que se estabelece dentro de uma universidade. “Eu participava da organização de eventos da faculdade e tal, e um dos caras que sempre me ajudava é meu sócio até hoje, então, a faculdade é um ótimo lugar para você encontrar gente que realmente quer trabalhar”, destaca Arturo, que também frisa que a formação profissional não deve limitar o indivíduo. “Eu fiz Engenharia, mas, hoje, eu trabalho com design, que tem muito mais a ver comigo”.

O jovem empresário também ressaltou a importância de tomar uma iniciativa. “Tem muita gente que quer começar já se inspirando em alguma empresa famosa e acaba perdendo muito tempo planejando ao invés de fazer”. Aproveitando a deixa acerca de correr o risco de dar o primeiro passo, Sérgio Sá trouxe à baila um tópico que sempre gera um conflito de gerações. “É um absurdo nós vivermos em um país onde o sonho de um jovem é fazer um concurso público, só para ter um bom salário e acabar fazendo a mesma coisa para o resto da vida”.

Sérgio prosseguiu sempre destacando a importância de arriscar e tentar criar algo novo. “Hoje em dia, o cinema é uma atividade que movimenta cerca e trinta bilhões de dólares por ano, e engloba várias áreas. O negócio de apps, que surgiu em 2007, hoje movimenta os mesmos trinta bilhões de dólares por ano. Ou seja, uma atividade que foi criada há nove anos movimenta a mesma quantia que o cinema, que foi criado há mais de cem anos”, conta diretor do Cine Odeon, um dos mais tradicionais cinemas o Rio de Janeiro, e atual sede do AnimaMundi, um dos principais eventos de projetos de animação do mundo, que acontece até o próximo domingo, dia 30.

Já o jovem Hector, de 25 anos, ressaltou o preconceito que muitas pessoas têm com a palavra “empreendedorismo” devido ao estigma criado pelas gerações passadas. “Eu cresci vendo o meu pai empreendendo e sem saber o que ia ter de comida no dia seguinte, então o meu sonho era fazer um concurso público e ficar mais rico que o Eike Batista”. O empresário também contou que sua experiência no mercado de trabalho. Quando Hector estava prestes a ser efetivado em uma empresa de consultoria e passar a ganhar o quádruplo do que ganhava, ele resolveu pedir demissão. “Eu percebi que não queria fazer aquilo, eu estava trabalhando exclusivamente com o Excel e eu odeio o Excel”.

Hector também contou que após a sua saída da empresa, na véspera de um carnaval, ele conseguiu quebrar quatro “empresas” – “na verdade, eram ideias que eu estava tentando colocar em prática”, esclarece. Depois disso, Hector ligou para um amigo que estava tão sem dinheiro quanto ele próprio e falou que eles tinham que arrumar um jeito de ganhar dinheiro. E através de dinheiro emprestado na mãe de Hector para produzir cartões de visita e muito boca-a-boca, surgiu a Gorilla Brand, a empresa de comunicação da qual Hector é CEO.

O último discurso foi o de Sabrina, que falou um pouco de sua trajetória até se tornar Gerente de Experiências da Ilumno, que mantenedora da Universidade Veiga de Almeida. “Eu sempre fui uma ‘desgarrada’, então com 15 anos eu resolvi fazer um intercâmbio na Europa e acabei passando um ano e cinco meses da Dinamarca, onde eu morei com seis famílias diferentes”, ela conta, explicando que este tipo de experiência abre muito a mente de um jovem. “Quando eu voltei, me formei em Administração e me especializei em Comércio Internacional. Com o tempo, eu percebi que, apesar de trabalhar para alguém, eu tinha muitas ideias e tinha a habilidade de coloca-las em prática, e foi assim que eu entrei na Ilumno”.

Como Gerente de Experiências, Sabrina tem que encontrar formas de fazer com que os alunos se interessem pelas atividades disponibilizadas pela UVA tanto dentro quanto fora da universidade. “Eu tenho que descobrir o que o aluno vê, o que o aluno pensa, acredita, quais são suas dores, seus sonhos, seus troféus”, ela detalha. “A gente percebeu que a UVA, na cabeça dos alunos, era sempre uma segunda opção, porque não passou na federal ou não pode bancar a PUC… Ledo engano. A UVA tem todo o potencial para ser a primeira opção, mas é aquela velha história: a grama do vizinho é sempre mais verde. Então o meu trabalho é criar esse matching entre o meu empregador e o público-alvo dele, que são os alunos. Até por isso, eu peço que a partir de hoje, vocês me passem um feedback sobre a experiência de vocês na universidade, podem falar comigo por e-mail ou me parar no corredor, mas falem”, conclui Sabrina.

Após as falas dos quatro palestrantes convidados, o mediador Marcio Ferreira, destacou a importância de eventos como a Semana Salto, que são eventos que incentivam os alunos da universidade a não esperarem ter o diploma para começar a pôr os seus conhecimentos e planos em prática, mostrando que é possível obter sucesso empreendendo. E Marcio encerrou a noite com uma fala que resume bem o objetivo daquele debate: “Espero que vocês passem a ver a universidade como um rito de passagem e uma oportunidade de empreender”.


Daniel Deroza– 4º Período
Laís De Martin – 8° Período

Manifestação da afro-brasilidade na arte e religião

A Casa França-Brasil recebeu entre os dias 24 de setembro e 23 de outubro a exposição “Orixás”. Considerada um dos principais destaques da programação para o grande vão do solar, percorre as aparições da afro-brasilidade na arte e na religião, através das obras dos artistas Pierre Verger, Carybé, Rubem Valentim e dos contemporâneos Ayrson Heráclito, Arjan Martins e Thiago Martins de Melo.

Após a inauguração, em setembro de 1990, o centro cultural realizou a exposição “Retratos da Bahia”, com fotografias de Pierre Verger, desenhos de Carybé e esculturas de arte africana que pertenciam às coleções particulares dos artistas. Ao explorar o modo como a afro-brasilidade é representada na arte e na religião, sob a curadoria de Marcelo Campos, “Orixás” propõe um exercício de revisão histórica da mostra “Retratos da Bahia” através da releitura entre a produção moderna e a contemporânea. O dentista William Resende comenta que a exposição é um meio essencial para se aproximar de uma cultura com a qual não tem contato. “A exposição me permitiu conhecer elementos que eu só tive contato através de fotos de revistas ou de reportagens de televisão. É impressionante estar aqui e poder estar em contato com a cultura que é de origem africana, mas que também é produzida no nosso país”.

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Dentro das expressões de religiosidade de matriz africana, os orixás são reconhecidos como deuses. Sua personificação está diretamente associada às manifestações de força da natureza e suas características se assemelham com a dos seres humanos, ao se manifestarem através das emoções. Demonstram raiva, ciúmes, amam em excesso e se exprimem de modo passional. Cada orixá detém ainda um sistema particular simbólico, constituído por cores, comidas, cantigas, rezas, espaços físicos e até mesmo horários específicos. Para a professora de artes, Mariana Chaves, a mostra é determinante para desmistificar a religiosidade africana e esclarecer o público. “Presenciamos constantemente episódios de intolerância religiosa no Brasil e esta exposição permite aproximar o público dos elementos, cultos e esculturas relacionadas a cultura africana. Isso é maravilhoso. Educar a população no sentido de esclarecer e desfazer preconceitos é fundamental para diminuir a violência e a intolerância”.

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Como consequência do sincretismo – fusão de diferentes doutrinas para a formação de uma nova, seja ela de caráter filosófico, cultural ou religioso – ocorrido durante o período da escravatura no Brasil, cada orixá foi associado a um santo católico, devido à imposição do catolicismo aos negros. Para cultivarem suas crenças, foram obrigados a disfarçá-los na roupagem das imagens, e os cultuavam de maneira aparente. Entre os mais conhecidos e reverenciados estão Exu, Iemanjá, Xangô, Oyá, Oxum, Obá, Ogum, Oxóssi, Obaluaê, Nanã, Oxumarê, Ossaim, Logum Edé, Ewa e Oxalá.

A exposição é aberta ao público e tem entrada gratuita. Fica em cartaz até o dia 23 de outubro. A visitação acontece de terça a domingo, das 10h às 20h. A Casa França-Brasil fica localizada na rua Visconde de Itaboraí, nº78, no Centro.


Laís De Martin – 8° Período

É melhor ser alegre que ser triste

image002“A tristeza tem sempre uma esperança de um dia não ser mais triste não…”. O verso escrito por Vinícios de Morais na música Samba da Benção sintetiza bem o conceito geral do novo filme da DreamWorks. Intitulado de “Trolls”, a história conta a luta dos pequenos Duendes da Sorte em busca de liberdade, tudo isso acompanhado de muitas cores fortes e músicas marcantes e ritmadas, dando um tom único de alegria ao longa.

Contextualizando, os Trolls são pequenos seres coloridos cheios de alegria que viviam em uma árvore no meio da cidade dos Bergens, que por sua vez são monstros tristes e rancorosos que acreditam que a única maneira de ficarem felizes são comendo os Duendes. Depois de uma trama inicial de fuga e captura, cabe a Princesa Poppy e, ao único Troll infeliz, Tronco salvarem a raça.

O enredo em si não é nada espetacular, é bem clichê. E não podia ser diferente, já que as crianças são o público-alvo do longa. O filme, feito pelos mesmos criadores da saga Shrek, é divertido e muito, mas muito, bem produzido. Tanto na parte gráfica quanto no setor musical, tudo foi muito bem pensado e executado pelos estúdios da DreamWorks. Uma curiosidade é que além de dar voz (na versão americana) ao personagem Tronco, Justin Timberlake também compôs uma canção especial para a trilha sonora, chamada e “Can’t Stop the Feeling” – que ele está bombando nas rádios –, e acompanhou todo o tratamento instrumental da pós-produção.

Outro fator que vale ser falado é a ótima adaptação dos dubladores brasileiros. O filme é cheio de paródias feitas em cima de músicas americanas, que foram todas devidamente bem traduzidas e adaptadas ao português. No geral, Trolls é uma ótima dica para as crianças, porque além de entretê-las com a qualidade da animação, o longa ainda passa uma importante mensagem sobre otimismo, trabalho em grupo e perseverança.


Iago Moreira- 6º Período

Mais do mesmo

469885-jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxApós o parceiro ser assassinado pelo mafioso Victor Wong, um policial de Hong Kong, Bennie Chan, promete que cuidará da filha do agente morto, Samantha Bay (Fan Bingbing). No entanto, quando a garota se envolve com criminosos subordinados a Wong, Bennie se vê moralmente obrigado a investigar e capturar o mulherengo apostador norte-americano Connor Watts para levá-lo a Hong Kong a fim de salvar Samantha. Esta é a sinopse de “Fora do Rumo”, nova comédia de ação estrelada por Jackie Chan e Johnny Knoxville.

O conjunto da obra é perceptivelmente inconsistente, desde o roteiro até a edição, passando pela direção fraca de Renny Harlin. O diretor finlandês, apesar de ter trabalhos conhecidos em seu currículo, nunca produziu nada de extraordinário, tendo momentos médios e baixos ao longo de sua carreira – como “Caçadores de Mentes” e o criticado “Hércules 3D”. Ainda assim, Harlin tem um bom timing para o gênero ação, uma vez que dirigiu o segundo filme da franquia “Duro de Matar”, mas só isso não salva “Foro do Rumo” da precariedade do roteiro de Jay Longino e Ben David Grabinski.

Todos os clichês dos filmes de Jackie Chan estão presentes: as coreografias absurdas de artes marciais, a “Aspiração MacGyver” na utilização de qualquer objeto que esteja ao redor com arma de combate, perseguições em veículos exóticos – neste caso, meios de transporte típicos da China – e as caras e bocas do protagonista. Neste aspecto, a única coisa realmente impressionante do filme é o inegável vigor físico de Chan no auge de seus 62 anos de idade. Fora isso, não há nenhuma surpresa.

As gerações que se divertiram assistindo aos sucessos do ator chinês na Sessão da Tarde nos idos anos 90 e 2000, talvez consigam apreciar o novo longo com um toque de nostalgia, porém o quesito Divertimento em “Fora do Rumo’ requer um certo esforço do espectador, já que todas as piadas do enredo são absolutamente telegrafadas – o público percebe a aproximação da anedota minutos antes desta chegar, abrindo a possibilidade até de se realizar uma contagem regressiva; a única descontração que de fato funciona – mesmo que de forma tangencial – é a referência à cultura pop recente, como o momento em que Chan se junta a um grupo de mongóis para cantar “Rolling In The Deep”, hit da cantora inglesa Adele.

Outro ponto que deixa a desejar é a relação entre Bennie (Chan) e Connor (Johnny Knoxville). A intenção de juntar as duas personagens em uma parceria é óbvia – o velho clichê de indivíduos de personalidades completamente opostas que se veem obrigados a cooperar um com o outro –, porém, como todo o resto do filme, esta interação é feita de forma artificial – “Fora do Rumo” visou embarcar no recente sucesso de Russel Crowe e Ryan Gosling em “Dois Caras Legais”, entretanto, o longa sino-estadunidense não cumpre a missão com a mesma eficácia da dupla norte-americana; enquanto Crowe e Gosling eram interessantes, Chan e Knoxville são apenas funcionais.

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Outro problema que prejudicou muito o andamento e a consistência do longa é sua edição exageradamente picotada, que beira o cartunesco – parece uma mistura entre a enfadonha franquia “Transformers” e o antigo desenho animado “As Aventuras de Jackie Chan”. A trilha sonora recheada de músicas pop tenta contribuir para o entretenimento do público, mas mira o alvo errado ao tentar injetar mais vitalidade em um filme que, em sua raiz, já é inquieto, o que se torna gradativamente cansativo.

Por fim, “Fora do Rumo” é um filme genérico – feito para tentar reavivar a carreira de Jackie Chan, que já lotou salas de cinema em seus anos de ídolo mundial –, que deixa o espectador com a sensação de que já viu aquela estrutura de enredo em algum outro lugar, porém feito de maneira mais competente – até mesmo pelo próprio Chan. Quem se divertia com os longas de artes marciais estrelados por Jackie Chan nas décadas pesadas pode até ser mais condescendente com a obra, mas este fato não faz com que “Fora do Rumo” deixe de ser a escolha perfeita para a extinta “Sessão de Sábado”.


Daniel Deroza– 4º Período

Celebrando o rock n’ roll brasileiro

Na noite da última sexta, dia 21, mais um evento grandioso foi sediado pelo Palco Arena da Fundição Progresso, na zona boêmia mais famosa do Rio de Janeiro, a Lapa. Os responsáveis por agitar o público carioca com muito rock foram duas das maiores bandas brasileiras do gênero: Raimundos e Capital Inicial. E mesmo com as baixas na temperatura devido à súbita mudança de tempo na cidade e a insistente garoa, um numeroso e diversificado público se deslocou até a casa de shows para assistir às apresentações. No entanto, um detalhe que surpreendeu os interessados foi o fato de o horário de início ter sido antecipado de meia-noite para as 23h.

O primeiro grupo a subir ao palco foi o Raimundos, que tocou seus hits clássicos – como “Mulher de Fases” –, releituras de composições de outros artistas como “Vinte e Poucos Anos”, de Fábio Jr., e “Vida Inteira” – adaptação do célebre samba “O Meu Lugar” (Madureira), de Arlindo Cruz –, além de novos trabalhos, como “Gordelícia”. “Seja gordo, magro, careca, cabeludo, a gente tem que se amar do jeito que a gente é”. Ao longo da apresentação, foi inevitável a formação das famigeradas “rodinhas punk” (mosh pits) – aquele momento em que os fãs de rock começam a pular, ao estilo headbanger.

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Já pelo fim do show, após vários pequenos “protestos” originados pela atual situação político-econômica do Brasil, os integrantes da banda demonstraram não se incomodar com os “levantes” da plateia. “Quanto mais cedo a gente se interessar por política, mais cedo as máscaras vão cair”, o líder da banda afirmou. Depois de duas horas de concerto, os Raimundos deixaram o Palco Arena para que instrumentos e cenário do Capital Inicial fossem montados, enquanto o público ansiava pela próxima apresentação. Os membros da banda brasiliense assumiram o comando da noite por volta de uma e meia da madrugada, trazendo muitas surpresas para os fãs.

O show já começou em modo frenético com a intensa composição “Ressurreição” – do álbum “Das Kapital”, de 2010 –, que foi seguida por dois sucessos do grupo: “A Mina” e “Mais”. Na sequência, Dinho Ouro Preto “recepcionou” o público oficial. “Vocês não sabem a honra que é tocar aqui no Rio de novo”, ele afirmou. “Os nosso primeiros grandes shows foram aqui, então, este lugar, para nós, é solo sagrado. Por isso, sejam muito bem vindos”.

Em seguida, Ouro Preto explicou alguns detalhes que foram preparados especialmente para esta apresentação na Fundição. O líder do Capital contou que a apresentação seria dividido em duas partes: a primeira contendo o repertório do DVD, com músicas produzidas após 2002 – inclusive, utilizando o mesmo cenário, a mesma iluminação –, porém com arranjos diferentes; e a segunda parte teria trabalhos realizados antes de 2002. “Vão ser mais de duas horas de show! Eu espero que vocês tenham trazido óculos de sol, porque vocês só vão sair daqui quando o sol aparecer!”.

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Com esta programação, muitas canções que já não entravam na setlist dos concertos do Capital Inicial havia muito tempo, voltaram a ser tocadas, como “Olhos Vermelhos”, que ficou “engavetada” por cerca de dez anos, segundo Dinho Ouro Preto. O vocalista aproveitou a música “Melhor Do Que Ontem” para tecer comentários acerca dos escândalos de corrupção que tomaram conta dos noticiários. “É uma música sobre otimismo. Às vezes, é difícil… A gente abre o jornal, liga a TV e é só roubada. No entanto, cara, às vezes, tem uma notícia boa, como, por exemplo: o Cunha foi preso! Coisas boas acontecem”, diz Dinho, em tom de brincadeira.

Durante o show, o roqueiro também contou detalhes da produção do DVD, que teve participação especial de Seu Jorge e Lenine. Dinho revelou que o cantor nordestino queria aproveitar a contribuição em algumas das músicas para celebrar o rock n’ roll brasileiro, logo, a primeira ideia que passou pela cabeça de todos foi gravar uma música do Legião Urbana, e a composição escolhida foi “Tempo Perdido”, o que emocionou o público presente. “Faz vinte anos que o Renato [Russo] se foi. E não existe ninguém que chegue perto do que ele representa. Então, ele deve ser celebrado sempre”.

Ao longo da segunda parte da apresentação, os integrantes do Capital Inicial empolgaram ainda mais a plateia tocando os grandes clássicos do rock nacional – incluindo músicas compostas por Renato Russo na época do Aborto Elétrico, como a densa “Fátima” (a mais pedida pela audiência desde o início do show). “Uma vez, quando eu tinha dezesseis anos, eu estava voltando da escola e vi dos rapazes na porta de uma lanchonete tocando essa música em troca de um sanduíche. Um daqueles garotos era o Renato”, Ouro Preto narrou. “Voz, guitarra, bateria, tudo ligado no mesmo amplificador, mas dava para entender alguma coisa. Quando eu ouvi aquela letra, percebi que era a música mais bem escrita do rock brasileiro e pensei ‘o Capital tem que melhor muito ainda”.

As homenagens à mais famosa banda brasileira da história continuaram presentes até o final da noite. Antes do “hino” “Que País É Esse?”, Dinheiro Ouro Preto pediu que cada pessoa dedicasse a algum político brasileiro que seja motivo de indignação; o cantor declarou que, uma vez que Eduardo Cunha foi preso, a “bola da vez” seria Renan Calheiros. Quando a apresentação chegou ao fim, os membros do Capital Inicial se mostraram eufóricos por terem cumprido o prometido. “Duas horas e vinte e cinco minutos de rock n’ roll na cabeça de vocês!”, comemora Dinho. “Muito obrigado por terem vindo, por terem esperado e por gostaram da nossa música”. A princípio, o hino contra a corrupção seria o encerramento na noite, mas o público pediu mais, então o fim oficial foi um momento à capella da música “Mudaram As Estações”, mais uma homenagem a Renato Russo, um dos maiores nomes do rock brasileiro.


Daniel Deroza– 4º Período

Talentos e novos projetos

Tv UVA realizou gravação de quatro edições do programa Jogo Aberto na tarde desta quarta (19).

Na última quarta (19), o programa a Tv Uva gravou o programa Jogo Aberto com quatro personalidades do meio pop brasileiro. A primeira delas foi a banda Drenna que está lançando o novo álbum, chamado “ desconectar”, e foi campeã do Planeta Rock 2016. Perguntados sobre o cenário musical atual, o grupo afirma que é preciso que “se lance novas vertentes para o rock e saia do ponto de conforto, para que esse estilo se torne mais notável”.

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Bastidores da gravação do programa Jogo Aberto. [foto: Matheus Nóboa/TvUVA].

A segunda atração do programa foi Carla Lemos, do blog Modices, que se destaca por conta ser um dos sites de maior influência do Brasil quando se fala em moda. De acordo com a blogueira, “no Modices é possível ver uma nova visão de moda, com mais consciência, representatividade e referências culturais do Brasil”.

Em seguida foi a vez de dar espaço para Maria Cláudia, que antes mesmo de ser conhecida como a Cacau do BBB, já fazia sucesso no youtube com o canal Senta Lá. Segundo a celebridade, para chegar em um produto que te satisfaça, é preciso fazer o que gosta e ter muita dedicação. “Eu descobri que eu queria aquilo para a minha vida e eu sempre gostei de trabalhar desde muito nova para ter as minhas coisas, a minha independência”. Ainda de acordo com ela, a aparição pública na Tv trouxe, para ela, mais visibilidade e reconhecimento, aumentando – assim – o número de seguidores na plataforma de vídeo e nas redes sociais.

A última atração do Jogo Aberto foi a dupla do Reality show “De Férias com o Ex”, da Mtv, Anna Clara Maia e Guilherme Trestini. O programa consiste em juntar dez jovens em uma luxuosa mansão localizada na praia da Pipa, no Rio grande do Norte, sem saber que os ex-namorados e ex-namoradas também estão lá. E a “graça” é acompanhar como serão essas interações.

Acompanhe o site da Tv UVA para assistir na íntegra os programas do Jogo aberto.


Camila Claros- 8º Período

Uma novela à americana

O jovem Louis Drax tem uma história de vida incomum: aos nove anos de idade ele possui uma relação muito estreita com seu pai, Peter, uma intrincada dependência mútua de sua mãe, Natalie, e em seu pouco tempo de vida, já deu entrada em hospitais oito vezes – praticamente uma vez por ano – devido a acidentes graves. Após um nono acontecimento quase fatal durante um piquenique com os pais – e o posterior desaparecimento de Peter -, o garoto entra em coma, revelando, assim, diversos aspectos obscuros de sua família aparentemente perfeita. Esta é a sinopse do longa “ A Nona Vida de Louis Drax” – adaptado do livro homônimo escrito por Liz Jensen -, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, dia 20.

Dirigido por Alexandre Aja – mais conhecido por filmes de terror out of mainstream, como “Espelhos do Medo”, o remake do trash horror oitentista “Piranha” e o elogiado “Amaldiçoado” -, “A Nona Vida de Louis Drax” possui um considerável contingente de fãs, principalmente na América do Norte, o que gerou uma certa expectativa acerca da produção, que, à primeira vista, pode ser descrita como uma fábula contemporânea com pinceladas de mistério, portanto, a escolha de um diretor acostumado com o gênero suspense/terror foi um acerto.

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O elenco do longa é composto por alguns nomes muito conhecidos do grande público, como o premiado Aaron Paul (“Breaking Bad”), o galã Jamie Dornan (“Cinquenta Tons de Cinza”), o “especialista em coadjuvantes marcantes” Oliver Platt (“Chicago Med”) e a talentosíssima Barbara Hershey (“Cisne Negro”), além da instigante Sarah Gadon – que interpreta a doce e frágil Natalie – e o jovem prodígio Aiden Longworth, que dá vida ao personagem-título do filme. E, sem dúvida, Natalie e Louis são as personagens mais complexas do enredo. Ela é uma mulher fragilizada pelo passado, porém, obstinada em seus objetivos; e ele é uma criança estranhamente eloquente que não tem medo de ofender as pessoas com seus comentários ácidos. E ambos os atores encontram este equilíbrio de forma crível.

Já as outras personagens – à exceção de Peter – são absolutamente unidimensionais, não dando aos atores muitos caminhos para explorar. Jamie Dornan possui alguns bons momentos em sequências de suspense como o doutor Allan Pascal, responsável pelo caso de Louis, no entanto, a personagem não é das mais expressivas – assim como o intérprete. Oliver Platt é o psicólogo de Louis e aparece pouco em cena – apesar de ser imprescindível no último ato. Barbara Hershey é um talento desperdiçado, mas consegue marcar presença mesmo com seu pouquíssimo tempo na tela como a avó paterna de Louis.

Enquanto Aaron Paul é o grande destaque do longa, dando a Peter, um homem transtornado e imprevisível, uma interpretação sensível e cativante. Já a atriz canadense Molly Parker é indubitavelmente o elo fraco do elenco. Ela interpreta a detetive Dalton, que investiga os oito graves acidentes sofridos por Louis ao longo de sua vida; em teoria, Dalton é uma policial sagaz e observadora, porém, entrega uma atuação caricata e claramente inspirada na investigadora Rhonda Boney, interpretada brilhantemente por Kim Dickens no hit de 2014 “Garota Exemplar” – sendo, assim, uma Rhonda Boney genérica.

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O roteiro de “A Nona Vida de Louis Drax”, escrito por Max Minghella (a mesma mente por trás do premiado “A Rede Social”), é ambicioso – um mistério narrado a partir do ponto de vista de uma criança que está em coma (por isso o tom onírico com elementos fantásticos) – e tem potencial para isso; durante os dois primeiros atos, Minghella consegue dosar muito bem todos os gêneros que o longa pretende alcançar – suspense, fantasia, drama e até mesmo romance -, entretanto no último ato, surge um plot twist quase hitchcockiano que muda totalmente o tom da história – mesmo que diversas pistas discretas tenham sido dadas desde o início da história -, perdendo a sutileza e comprovando a máxima que diz “nem tudo que funciona nas páginas funciona na tela”.

A reviravolta apresentada no ato final – ainda que faça sentido – é feita de forma artificial, dando um tom excessivamente melodramático que beira o novelesco. Por fim, apesar de toda a ambição, técnica apurada e estética impecável, “A Nona Vida de Louis Drax” acaba por ser um filme para quem gosta de um novelão folhetinesco clássico – ou seja, mirou no Hitchcock, mas acertou na Janete Clair.


Daniel Deroza – 4º período

Humor, o Ceará faz em casa

029673-jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxDepois de uma estreia arrasadora no nordeste, a tempestade de sucessos do cinema cearense está chegando aos cinemas do resto do Brasil. Dessa vez, o diretor Halder Gomes – nacionalmente famoso pelo filme “Cine Hoolywood” – aposta suas fichas em “Shaolim do Sertão”, mais um longa pastelão que mistura lutas, piadas, contos do exterior e – principalmente – referenciais nordestinas em uma só história.

“O Shaolim do Sertão” não é só um filme comum. A história é carregada de conhecimento regional, de uma cultura que quase nunca é visto nas obras cinematográficas que são exibidas no Sudeste. E, assim como aconteceu com seu irmão mais velho – “Cine Hoolywood” –, é justamente esse tom cearense que torna o longa especial.

Contextualizando, Aluisio Li (Edmilson Filho) é um tímido padeiro do interior do Ceará que sonha em ser um mestre shaolim, mas é ridicularizado por toda cidade e até mesmo por sua família. Mas após o renomado lutador de vale tudo Tony Tora Pleura (Fabio Goulart) desafiar a honra de seu povo, Aluísio acaba se tornando a esperança de todos e parte para uma expedição ao interior, do interior, do estado para treinar – ou pelo menos tentar – suas habilidades ninjas.

Sim. O roteiro é bem clichê mesmo. E tem que ser. O longa faz referencias à outras obras, principalmente chinesas, a todo tempo. Beatrix Kiddo (Kill Bill), Bruce Lee e Yun-Fat Chow (O Tigre e o Dragão) são as principais referências de Aluisio Li, e assim como seus respectivos filmes, o treinamento é “o mesmo”, mas – é claro – adaptado a realidade cearense.

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Falando da parte plástica, o diretor buscou brincar bastante com a estética dos filmes antigos chineses. Em alguns quadros, propositalmente, a qualidade de gravação, os movimentos e as falas trash são repetidas. Outro resquício dessa interação entre nordeste e Ásia é a constante mesclagem de músicas chinesas com os tradicionais forrós cearenses. De maneira geral Halder Gomes fez, novamente, um bom trabalho, não ao nível “Cine Hoolywood”, mas ainda sim tem valor. Talvez o maior erro dele foi ter deixado outras pessoas escreverem esse novo roteiro, isso fez com que a história perdesse identidade.

O setor no qual o filme teve mais “gols marcados” foi o casting. O elenco, que é composto de estrelas como Marcos Veras, Bruna Hamu, Dedé Santana e Fafy Siqueira também contou com uma pontinha da youtuber Camila Uckers e uma super participação do músico e humorista Falcão, que interpretou o papel de “mestre shaolim” do sertão. Todos atuaram muito, mas muito, bem, até mesmo o jovem ator Igor Jansen, que viveu Piolho (o pequeno escudeiro de Aloisio) conseguiu com esmero fazer o que as crianças do Cine Hoolywood não conseguiram, falar com uma boa dicção, permitindo – assim – que os não-nordestinos entendam a mensagem.

Honrando a tradição do estado, “O Shaolim do Sertão” entrega sim um filme bom e muito divertido, forçado às vezes – é verdade – mas genial em outras. São por obras como essas – que não precisam ser escrachadas para fazer rir – que a indústria cinematográfica brasileira continua crescendo, até mesmo em épocas de crise. O humor vive.


Iago Moreira- 6º Período

Publicidade em foco na UVA

A “Mostra de Publicidade UVA 2016” aconteceu ontem, dia 17, no auditório do campus Tijuca. O evento, que foi aberto com a apresentação do grupo de improviso “Os Cauabangas”, também contou com um concurso, no qual os melhores trabalhos de alunos da área seriam premiados mediante a opinião do corpo docente, discente e dos funcionários da UVA no final do dia. A urna para a votação permaneceu no auditório durante toda a cerimônia. Os produtos que estavam concorrendo foram exibidos na tv corporativa e no telão do próprio auditório.

A primeira mesa de debates, mediada pela professora Ediana Avelar, recebeu o publicitário Lula Vieira, sócio-diretor do Grupo Mesa, com mais de 300 prêmios de propaganda; eleito Publicitário do Ano por três vezes pela Associação Brasileira de Propaganda, membro do júri do Festival Brasileiro de Propaganda e ex-jurado do Festival de Cannes. A conversa contou ainda com a presença de Romuando Ayres, apresentador do programa de rádio Marketeria e Paulo Contijo, que desde 2010 é locutor do programa Em Branco, talk-show de empreendedorismo transmitido pela Rádio Roquette Pinto.

Paulo iniciou a fala enfatizando o modo como as inovações chegam ao mercado. “Cabe muito à geração de vocês trazer as inovações. E é importante ressaltar que as características de quem quer empreender dizem respeito à adaptabilidade. O mercado estava estagnado e algumas pessoas propuseram inovações e isso foi fundamental para gerar um novo movimento”.

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Início do primeiro debate. [foto: Laís De Martin/Agência UVA]

O depoimento de Lula foi seguido pelo de Romualdo, que ressaltou que a inovação precisa ter foco. “Não há motivo para empreender se não houver um objetivo, um foco. Seja qual for a área de atuação, é necessário um direcionamento. É um tremendo desafio inovar em um período de grandes mudanças como o que atravessamos. Não sabemos para onde caminhamos. Há 15 anos atrás, nem o mais criativo dos sujeitos pensaria em empreender e hoje este cenário se modificou bastante. No entanto é preciso prudência. O empreendedorismo está sendo banalizado e glamourizado excessivamente. Parece que tudo vai muito bem”.

Ao fim, Lula comentou os rumos do mercado: “Nós não sabemos para onde vamos e nem o caminho a ser percorrido, o que significa uma valiosa oportunidade para quem quer se arriscar. Skakespeare tinha mais desafios que os autores de hoje, mas a diferença fundamental era seu conhecimento sobre a alma humana. Ele sabia escrever sob essa circunstância. Não há como obter conhecimento em grande escala. É preciso conhecer profundamente a cabeça do outro, sua linguagem”.

Em sequência, foi realizada outra mesa de debates também mediada pela professora Ediana Avelar, com a presença de Rafael Arraes, diretor de criação e planejamento estratégico da Dream Factory, empresa do Grupo Artplan. Rafael, atuando há 10 anos na agência, desenvolveu projetos de ativação de marca para algumas das maiores empresas do país, incluindo Nissan, Coca-Cola, Ambev, Samsung, Souza Cruz, Volkswagen, Heineken e Oi. Ana Decache, diretora de contas da Artplan também contribuiu com a discussão em torno das estratégias de publicidade utilizadas no maior evento de rock do mundo, o Rock in Rio.

Rafael esclareceu como o evento comercializa as cotas de patrocínio. “Ao disponibilizar seu espaço e a força de sua marca, o Rock in Rio provoca nas empresas a necessidade de traduzir a marca através de experiências e esse é um enorme desafio. Para o patrocinador querer associar sua marca com a do evento, é necessário ser um excelente asset”.

Ana, durante a abordagem, comentou como é a dinâmica da comunicação de um evento deste porte. “Como é uma marca de nome forte, precisamos ativar a comunicação. Eleger os assuntos e iniciar um processo de comunicação dinâmica e ininterrupta. Começamos um ano antes com o propósito de deixar as pessoas muito ligadas ao festival. Como o intuito é a venda de ingressos, geramos uma forte publicidade one-to-one, através do conteúdo digital. Focamos na assessoria de imprensa e mais próximo ao festival divulgamos as bandas, e na sequência publicamos uma série de assuntos com um viés mais social”.

Na parte da tarde, duas oficinas foram ofertadas aos alunos interessados. A primeira, intitulada de “A construção e o fortalecimento de uma marca Oficineiro”, foi ministrada por Paula Malamud, Sócia fundadora da agência Imaginatto Design e Comunicação em 1998; Coordenadora de projetos de branding, comunicação, design e marketing para diversas empresas. Já a segunda, chamada de “Live Marketing: Tendências para o mercado Oficineiro”, contou com a participação de Luana Lima, Bacharel em Publicidade e Propaganda pela UVA, com especialização em cursos de Live Marketing, Produção Executiva e Gestão Estratégica de Eventos. Atualmente é produtora da Dream Factory, onde teve a oportunidade de atuar em projetos como Carnaval de Rua do Rio.

A parte do evento mais aguardada aconteceu à noite, no qual além da palestra de Gustavo Bastos – que foi eleito Publicitário do Ano 2005 pela ADVB e, segundo uma pesquisa feita pela revista About, em 2004, ele figura na lista dos melhores Diretores de Criação do Brasil – aconteceu também a entrega dos prêmios dos alunos de publicidade e homenagens às pessoas que participaram do evento.


Laís De Martin- 8º período