Entre a comédia e a tragédia

Na última terça-feira, dia 27, o EncontrArte (Encontro de Teatro da Baixada Fluminense) retornou à programação teatral após a Mostra E Aí?!, realizada no dia anterior no Shopping Nova Iguaçu. O dia começou às dez na manhã, na unidade Iguaçuana do Sesc, com a agenda infantil. A primeira peça a ser apresentada no primeiro dia desta segunda semana do festival foi “A Farra do Boi Bumbá”. Dirigida por Ribamar Ribeiro, a montagem é um mergulho da cultura brasileira regionalista que mistura nos mesmo microcosmos teatro popular, farsas medievais e festas regionais tradicionais para contar a história “Catarina e a Língua do Boi”.

As mais de três centenas de poltronas da plateia estavam quase completamente ocupadas pelo público composto não só por crianças acompanhadas pelos pais, mas também jovens e adultos que foram assistir à montagem por conta própria, como mostrou o vídeo publica na página oficial do EncontrArte no Facebook.

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(Da esquerda para a direita) Johnny Rocha, Felipe Vilela e Fábio Matheus. [foto: Daniel Deroza/ Agência UVA].

Mais tarde, às sete da noite, foi a vez do gênero drama entrar em cena sob a aura de Shakespeare com a peça “Avesso”, uma junção de três obras o maior dramaturgo da língua inglesa da História: o romance trágico de “Romeu e Julieta”, a obscura ambição de “Macbeth” e as dúvidas que cercam a vingança de “Hamlet”.

Esta roupagem contemporânea desta tríade de tragédias shakespearianas foi concebida por Heiner Muller, da CTI – Comunidade Teatral Independente, sob a direção de Renato Neves e Ribamar Ribeiro, sendo representada por um elenco composto por seis atores que deram corpo aos personagens inesquecíveis do escritor europeu.

Já na quarta-feira, quem iniciou o dia foi a equipe de “A Jornada de Kim”, uma epopeia infanto-juvenil, escrita e dirigida por Diogo Villa Maior, que lotou o teatro Sesc com mais de trezentos espectadores que foram acompanhar a saga da jovem protagonista, cuja mãe encontra-se muito doente, em busca da Flor de Irauadí, a única coisa que pode salvar sua progenitora, porém, antes, Kim irá encontrar muitas criaturas fantásticas – nem todas bem-intencionadas.

Mas, sem dúvidas, a peça que mais intrigou o público foi “Precisa-se de Velhos Palhaços” – uma adaptação de “Um Trabalhinho Para Velhos Palhaços”, do romeno Matei Visniec –, que conta a história dos amigos Nicollo, Felippo e Peppino – Fábio Matheus, Felipe Vilela e Johnny Rocha, respectivamente –, artistas circenses que não se veem há trinta anos e se reencontram ao se dirigirem a uma entrevista de emprego.

Enquanto esperam, o trio, apesar de serem “profissionais do riso”, mostram-se homens cheios de angústias que vivem de glórias passadas e reclamam da falta de reconhecimento que enfrentam atualmente. A mistura de melancolia, tragicomédia, circo e loucura agradou bastante o público, que aplaudiu a montagem em vários momentos ao longo da apresentação – além da salva de pé ao final.

O ator Felipe Vilela – cuja interpretação do cínico, arrogante e efeminado Felippo levou o público às gargalhadas – salienta que a principal questão do espetáculo é “vale tudo para conseguir o que se deseja?”, afinal os três amigos passam a peça inteira tentando fazer com que os outros dois desistam da vaga.

O elenco também aproveitou para agradecer ao diretor Anderson Marques, à direção do Sesc Nova Iguaçu e ao EncontrArte, que, segundo Fábio Matheus, desempenha um importante papel na valorização da cultura produzida na Baixada Fluminense, ou seja, fora do eixo Centro-Zona Sul. “A gente pode, a gente merece e a gente precisa!”, ele declarou.

Após a tradicional entrega do troféu EncontrArte – entregue em todo final de espetáculo do festival – e o sorteio das camisas oficiais, muitos dos espectadores subiram ao palco para tirar fotos com o elenco e parabeniza-lo pelo trabalho. A equipe do Encontro de Teatro da Baixada Fluminense encerrou a noite convidando o público para os últimos dois dias do evento, que será encerrado na sexta-feira, dia 30.


Daniel Deroza– 4º Período

Atração para todos os gostos

Final de setembro é marcado por grandes lançamentos culturais.

O lançamento do livro “Trinta e Poucos” de Antônio Prata, foi realizado nesta terça, dia 27, na livraria Travessa do Shopping Leblon. O livro já estreou em São Paulo, e agora foi oficialmente a vez do Rio. Celebridades se misturavam com fãs do autor e amigos na fila para conseguir um autógrafo e uma foto do cronista, que, sempre muito sorridente e solicito, atendia a todos os pedidos sempre com gentileza e bom humor.

A fila para autografar o livro era grande; muitas mães com seus bebês faziam um “engarrafamento” de carrinhos para conseguir uma assinatura e uma foto. O clima era de bastante descontração e tranquilidade. Muitas famílias foram presença confirmada na estreia. Bastante empolgada, Marcella Santos, estudante de 21 anos, conta que adora o cronista, e que ele aborda assuntos cotidianos de uma forma engraçada. “Eu achei o livro muito divertido, ele escreve muito bem, o modo como ele descreve as situações corriqueiras da vida são muito legais e diferentes de outros autores. As historias que ele conta dos filhos dele também são hilárias”.

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Antônio Prata e Regina Casé durante lançamento do livro. [foto: Manoella Mello]

O cronista escreve para o jornal Folha de São Paulo e há cinco anos produz crônicas em uma coluna  e conteúdo para diversos canais de TV. Nesse livro, o autor reúne os melhores trabalhos que já fez, que são na maioria das vezes, situações cotidianas e corriqueiras, e as transforma em histórias divertidas, com uma escrita irreverente e única. O livro traz dilemas da geração: como lidar com os filhos e balancear vida profissional e familiar. Posicionar-se politicamente, compreender o país, entender a condição de pai, são assuntos encarados com muito humor e como um grande desafio para Antônio que retrata tudo isso nas páginas de seu livro.

Como quase tudo em sua vida vira crônica, a capa do livro não poderia ser diferente. Perguntado sobre a diferença de compor crônicas antigamente para hoje em dia, “Pratinha”, apelido carinhosamente dado por alguns amigos, explica que na era digital as crônicas ganham mais “tempo de vida” que as do jornal, e são mais difíceis de perderem. “Eu acho que não existe muita diferença entre fazer crônicas antigamente e hoje em dia, a única diferença é que hoje no meio digital as crônicas não se perdem, já antigamente ela podia ser um jornal que embrulharia o peixe e nunca mais a veria”, completa o autor.

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A mostra “O Canto da Vida” atraiu muitas atenções no lançamento. [foto: Jéssica Chaves/Agência UVA].

Ainda na Zona Sul, outro evento marcou os últimos dias do mês de setembro. “O Canto da Vida”, obra do artista milanês Guido Boletti, entrou em cartaz no dia 23, no Espaço Furnas Cultural, em Botafogo. Com a sua maior exposição já realizada no Brasil, o pintor recebeu para um coquetel de abertura, amigos, jornalistas e amantes da arte. Guido Boletti nasceu em Milão, Itália, no ano de 1961, e se radicou em Tiradentes, Minas Gerais, onde tem um ateliê aberto à visitação. A mostra é resultado de uma pesquisa artística dos seus 25 anos de trabalho, e da vontade de compartilhar com o próximo o amor pela vida.

Flavia Frota, turismóloga e jornalista, que é esposa do artista, conta um pouco sobre a obra de seu marido e diz que ele nunca esteve tão realizado com seus trabalhos. “O Canto da Vida é um misto de musicalidade e movimento, com telas abstratas e figurativas, que tem o acervo de 30 telas que representam o auge da carreira do Guido”.

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Convidados interagem durante coquetel da exposição. [foto: Jéssica Chaves].

Com pinturas tão coloridas, e uma exposição riquíssima em histórias, os quadros encantaram a senhora Eliane Carvalho, que tem 53 anos e é microempreendedora. “Eu não tenho o costume de vir à exposições, mas sempre gostei muito de quadros, e quando soube que teria a abertura dessa mostra, decidi vir e dar uma olhada, porque é sempre bom apreciar a arte. Fiquei encantada com o quadro do cangaceiro, é realmente uma pintura para ser admirada”.

O quadro “A Voz do Sertão”, que é um dos mais bem falados, é um autorretrato do artista, que é amante do Nordeste e tem uma admiração profunda pelo cangaço. “Eu sou cego de um olho, e nesse quadro eu posso me ver, não como um cangaceiro bandido, mas como um cara que tenta roubar o universo, captar as emoções e compartilhá-las com os outros”, conta o pintor, que completa convidando todos à sua exposição que ficará em cartaz até o dia 27 de novembro.


Pedro Czarny- 5º Período
Jéssica Chavez- 6º Período

Na fenda da imaginação!

239318-jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxBaseado no best-seller infantojuvenil “O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares” (em inglês “Miss Peregrine’s Home For Peculiar Children”), lançado em 2011, o filme “Lar das Crianças Peculiares” promete mexer com a sua imaginação. Desde monstros até poderes de personagens especiais, o longa do visionário diretor Tim Burton faz com que você faça uma volta no tempo, em épocas específicas, principalmente à infância.

O filme retrata a vida de um adolescente comum da Flórida, Jack, que sempre teve uma ligação especial com seu avô, principalmente com as histórias que ele contava na hora de dormir quando o jovem era criança. Nestas histórias, os personagens principais eram crianças especiais que moravam num orfanato em fendas criadas nos anos. O que Jack não sabia era que seus contos de ninar eram mais reais e estavam mais pertos do que o imaginado.

Com cenários marcantes – europeu e norte-americano – o longa aborda o clima típico de cada localidade, assim como o sotaque, vestimenta, tradição. Ou seja, a particularidade dando a sensação de realidade, de acordo com o tempo abordado em cena (passado e presente). O elenco é composto pelo queridinho hollywoodiano Samuel Jackson (Barron), que dá pitadas de humor a algumas cenas, além de Eva Green (Srta. Peregrine), Ella Purnell (Emma Bloom) e Asa Butterfield (Jake Portman) como protagonistas.

Como já é característico do diretor, é possível observar o abuso de efeitos especiais e um misto de ficção e realidade. Isto é, a criatividade de personagens excêntricos no dia-a-dia de pessoas comuns. Ainda mais com o efeito 3D, que aproxima o telespectador da trama, criando maior envolvimento. Embora o longa seja de ficção e com criaturas exóticas, o que o poderia tornar assustador, é possível identificar cenas com humor, assim como cenas de amor, carinho e a união familiar.

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Para quem está esperando o filme do século, diferente do habitual, pode se decepcionar, pois o longa exalta as principais características do diretor: imaginação e personagens sobrenaturais, o que dá a sensação de deja-vù.

Durante o início, a maneira abordada pela história faz com que você sinta vontade e curiosidade em terminá-lo para desvendar o mistério e mergulhar nessa aventura, porém, ao desenrolar da história, o enredo deixa a desejar com um desfecho pobre perto do prometido inicialmente. Para quem gosta de explorar o lado criativo, junto da fuga de uma realidade, o curta irá agradar. Mas não espere nada diferente do que já foi visto.


 

Nathália Gomes – 8º período

Um gênio subjetivo

Mostra traz filmes do cineasta Atom Agoyan e vai até o dia 9 de outubro.

Nesta Terça, 27, aconteceu na Caixa Cultural a abertura da mostra do diretor Atom Egoyan, com a realidade distorcida do cinema egípcio. Suas obras já lhe renderam inúmeras premiações ao longo das últimas décadas. A peça tem como objetivo principal trazer ao público produções artísticas que promovem a reflexão e o conhecimento de novas culturas. Egoyan é um cineasta contemporâneo no cenário internacional e entre suas habilidades também incluem teatro, música e instalações de arte. Os filmes do diretor foram apresentados em inúmeras retrospectivas em todo o mundo.

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O filme “Exótica”, de 1994, abriu a mostra. A história se passa em um clube de strip-tease homônimo ao título do longa, na cidade de Toronto, no Canadá. Lá, Christina – que é uma das principais estrelas do local – faz apresentações como colegial, mexendo com o imaginário das pessoas que ali frequentam. A dançarina é a preferida de Francis, um auditor solitário que freqüenta assiduamente o local. Fazendo parte também da história contada por Egoyan, estão Eric – que é DJ e antigo namorado de Christina –, Thomas – dono de um pet shop e contrabandista de animais –, e também a proprietária Zoe.

A mostra, que vai do dia 27/9 ao dia 9/10, tem entrada franca. Ainda serão exibidos os seguintes filmes do diretor: Remember(memórias secretas), The Captive ( Á procura) Davil´s Knot ( sem evidências) , Cloe, Adoration ( adoração), Where the Thuth Lies  (verdade nua) Araçá, Felicia´s Journey( O Fio da Inocência), The Sweet Hereafter (O doce amanhã), caleandar ( calendário), The adjuster (O corredor), Speaking Parts, Family Viewing, Nest of  Kin. Todos com a excelência do cineasta.


Camila Claros- 8º período

Valorização cultural da baixada fluminense

Os primeiros dias da XV edição do EncontrArte, o Encontro de Teatro da Baixada Fluminense, foi movimentado e com presença massiva do público. De quinta-feira a segunda foram apresentadas diversas exposições e peças teatrais de estilos e classificações diversificadas, e todas com salas lotadas.

Na quinta, pouco antes das sete da noite, o público já se reunia no foyer do teatro do Sesc Nova Iguaçu. A equipe da organização do festival auxiliava a todos enquanto distribuíam os ingressos – a entrada em todas as peças do EncontrArte é gratuita. Às 19h as portas da sala foram abertas.

O espetáculo apresentado na noite de quinta foi “Luiz e Nazinha – Luiz Gonzaga para Crianças”, uma fábula musical cômica que retrata a infância de Luiz Gonzaga no interior do nordeste brasileiro e a proibição de seu namoro com a vizinha Nazinha, tudo isso costurado pelos maiores sucessos do Rei do Baião.

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Elenco da peça Luiz e Nazinha com a equipe do EncontrArte. [foto: Daniel Deroza/ Agência UVA].

Após o término da peça, o elenco agradeceu a presença de todos e se disse surpreso por um espetáculo para crianças estar lotado na noite de uma quinta-feira fria e chuvosa. O quarteto também pediu para o público divulgar a montagem para os amigos, “nos grupos de mães no WhatsApp”, e aproveitou para anunciar seu próximo trabalho, “O Menino das Marchinhas – A Obra de Braguinha Para Crianças”, que deve estrear ainda este ano.

Na noite de sexta-feira, também às sete da noite, era a vez dos meninos da peça “A Farsa do Amor Acabado”, produzida pela Companhia de Arte Popular de Duque de Caxias, subirem ao palco com esta comédia que utiliza elementos da cultura popular de maneira lúdica – um “misto de realidade fictícia ou ficção realista”, como o próprio elenco define – para vasculhar os sentimentos e comportamentos humanos.

No dia 24, uma noite de sábado fria e chuvosa na Baixada Fluminense, foi apresentada a peça que mais intrigou o público que se dirigiu até o complexo cultural. O espetáculo “Ser ou… Não Sei!”, produzido pela COMBI (Companhia Brasileira de Interpretação) utiliza-se da alegoria “O Mito da Caverna”, de Platão, para fazer uma reflexão sobre o processo de crescimento e amadurecimento do ser humano através do olhar de duas “crianças”.

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Peça Ser ou Não Sei. [foto: Daniel Deroza/ Agência UVA].

Apesar do tema um pouco complexo, o segundo dos três atos da peça é muito engraçado e levou o público às gargalhadas com piadas ambíguas – aquele tipo de humor que, na peça, é contado por “crianças”, mas deve ser entendido apenas pelos adultos. Ao final, o público entende claramente a mensagem do texto, o qual mostra que o ser humano – principalmente os em idade adulta – passam a maior parte da vida buscando algo que nem eles próprios sabem o que é, e anseiam em chegar à “melhor fase da vida”, na qual não é preciso fazer nada, sem perceber que este momento é a morte.

Após o fim da apresentação, o elenco, composto pela dupla Almir Rodrigues e Malu Saldanha, agradeceu ao diretor do espetáculo, Júlio Venâncio, e conto, emocionado, que a montagem, da autoria de Saldanha, surgiu a partir de exercícios teatrais. “Eu vou tentar não chorar… Mas, enfim, já estou chorando… Eu queria agradecer ao festival, à equipe técnica. Esse espetáculo surgiu aqui nesse palco, e o Sesc sempre nos apoiou”, declarou Saldanha, entre lágrimas.

Já na última segunda, dia 26, o Shopping Nova Iguaçu recebeu os artistas da mostra “E Aí?!”, um evento anual que faz parte da programação do festival. Por volta das seis e meia da tarde vários interessados e curiosos já se aglomeravam em frente ao palco montado em frente à praça de alimentação.

Às 19h, a hostess da noite, a drag queen Vanessa du Matu subiu ao palco para anunciar a atração inicial: o primeiro grupo de afoxé da Baixada, o Afoxé Maxambomba, cujo último nome faz referência ao principal rio da “capital da Baixada” utilizado para transporte de carga durante do período colonial. A equipe fez uma apresentação performática que incluiu tambores, cantos em línguas africanas e danças tradicionais da cultura afro-brasileira. A presidente da instituição, Arlene de Catendê, estava presente assistindo a mostra é explicou um pouco da história do grupo, a começar pelo termo “Afoxé”.

“Significa ‘Candomblé de Rua’”, conta a presidente. “Há algum tempo, os iniciados do Candomblé não podiam participar do Carnaval por esta ser considerada uma festa profana, o que poderia ser visto como um desrespeito aos orixás, então, foi criado o Afoxé”. Arlene também revela que, no começo, somente os iniciados do Candomblé podiam participar, mas hoje em dia o grupo é aberto a todas as pessoas que queiram participar, uma vez que o Maxambomba realiza ações junto a uma das maiores comunidades iguaçuanas, a comunidade do Carmari, e realiza oficialmente a abertura do carnaval de Nova Iguaçu.

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Grupo Afoxé Maxambomba. [foto: Daniel Deroza/ Agência UVA].

Em seguida, foi a vez dos sambistas do “Samba da Siriguela”, um grupo que não possui uma vertente estritamente comercial, porque, além de cantar canções antigas como as do mestre Cartola, valoriza a produção musical da Baixada – e os integrantes do=a equipe aproveitaram para desfazer algumas, segundo eles, “injustiças”, como, por exemplo a famosa  música “Resto de Esperança”, creditada apenas ao sambista Jorge Aragão, mas que foi composta em parceria com Dedé da Portela, morador do Pombal, conhecido conjunto habitacional popular localizado no centro de Nova Iguaçu.

Ao longo da noite, vários artistas da Baixada passaram pelo palco, entre eles o humorista Miguel Marques, morador de Mesquita, que é mais conhecido pelos ouvintes da Patrulha da Cidade, da Super Rádio Tupi; o artista circense Kaynã Rahwani, de Belford Roxo; Anízio Dura, o “Saxofonista de Magé”; o músico Beto Gaspari, que se apresentou apenas com voz e violão e encerrou sua apresentação com o clássico “Como Nossos Pais”, de Elis Regina; a dupla Fernanda Moraes e Beto Rocha, que já participam do Encontraste há dez anos.

Ainda houve as apresentações de dança da Escola de Dança de Nova Iguaçu e da Academia de Dança Simone Rocha, que apresentaram coreografias de ballet clássico, dança do ventre e para as músicas “Rap da Felicidade” – a versão utilizada por Alcione na Cerimônia de Abertura das Olimpíadas Rio 2016 – e “Brasil”, de Cazuza, na voz de Gal Costa. Porém, os dois pontos mais altos da noite ainda estavam por vir.

Primeiro foi a vez do Coral do Country Club de Nova Iguaçu, que subiu ao palco regidos pela maestrina Glaucia Macedo, em companhia do musicista Zeca Rodrigues, para mostrar seus arranjos inéditos para clássicos da música brasileira, como “Se Acaso Você Chegasse”, de Lupicínio Rodrigues, e “Trenzinho Caipira”, de Villa-Lobos, além de apresentar a composição “Gato na Tuba” à capella. Ao fim da apresentação, a plateia pediu bis, e, com isso, o coro encerrou com “Cidade Lagoa”, uma resposta irônica e bem humorada ao hino “Cidade Maravilhosa”.

O grupo aproveitou para anunciar o VI Encontro de Coros do Country Club de Nova Iguaçu,  que contará com o coral da PUC-Rio e da Petrobras, no dia 16 de outubro, às 17h, com entrada gratuita. Em seguida, as integrantes do coletivo As Fulanas de Tal subiram ao palco para declamar suas poesias de empoderamento feminino e para divulgar o grupo, que se reúne na Casa de Cultura de Nova Iguais, sempre na terceira terça-feira do mês, e tem como um de seus objetivos a valorização do trabalhos artísticos feitos por mulheres, principalmente das mulheres da Baixada Fluminense.

Encerrando a noite, o trio de rap Comboio, que já foi premiado em Miami, apresentou suas músicas mais recentes – aliás os rappers inverteram o papel que desempenharam no EncontrArte do ano passado, quando fizeram a abertura da Mostra. Ao fim do evento, a apresentadora Vanessa du Matu convidou o público para acompanhar a programação da última semana do Encontro de Teatro da Baixada Fluminense 2016.


Daniel Deroza– 4º Período

 

Primeiro Fórum de Fisioterapia da UVA

Aconteceu no auditório da Universidade Veiga de Almeida, campus Tijuca nesta sexta-feira (23) o primeiro fórum científico de Fisioterapia. O evento contou com a participação dos alunos da universidade, Raphael Ferreira e Roberto Ferreira que brilhantemente falaram sobre a evolução dos vídeo game e como essa criação trouxe muitos benefícios para a fisioterapia, pois anteriormente as pessoas jogavam somente com o controle e sentadas permitindo à funcionalidade que oferece hoje, onde é possível movimentar seu corpo inteiro jogando.

O PhD e membro da UFRJ, Renato Fernandes de Paulo deu importantes esclarecimentos sobre neuromodulação, atualidades, gameterapia e meditação e quais benefícios trazem para o corpo humano. O fórum teve também a participação do membro do Comitê Olímpico Brasileiro Fábio Feitosa dando ênfase na avaliação funcional no atleta de alto rendimento e como essa avaliação é importante para os resultados futuros desses atletas.

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Os professores da UVA Kenia Maynard e João Carlos Moreno mostraram ao público presente estudos científicos na área e a palestrante Patrícia Mentges falou sobre evidências científicas no tratamento de escoliose que é uma deformidade em curva na coluna vertebral.Houveram importantes esclarecimentos do professor Gabriel Pinheiro que é membro da UFRJ sobre mobilização precoce sitematizada na Stoke Unit, incluindo também atualidades da obordagem motora no paciente neurovascular agudo. O convidado Yves Raphael de Souza, membro da UERJ falou da importância dareabilitação pulmonar e da fisioterapia respiratória.

Finalizando o evento a especialista Ana Beatriz Gonçalves deu dicas de como a atuação fisioterapêutica na unidade de terapia intensiva neonatal ajuda na melhora dos bebês. O Fórum teve como responsáveis as coordenadoras do curso de Fisioterapia Patrícia Xavier e Erica Cardaretti que deram início à solenidade.


Camila Claros – 8º período

Pintando e aprendendo

Criador do personagem Zé Ninguém recebe alunos para oficina de grafite

A oficina de grafite realizada no dia 23 de setembro, última sexta, na entrada do Posto de Saúde João Barros Barreto, ao lado da saída do metrô da Siqueira Campos, recebeu 33 alunos da Escola Municipal Pedro Ernesto. Os estudantes, que tinham entre 9 e 14 anos, puderam criar as próprias obras. Cada um recebeu uma tela com proporções de 15×15 cm e usaram para pita-la uma técnica chamada de tinta spray/estêncil o personagem Cão Viralata, do quadrinista Alberto Serrano, o Tito. O evento é, na verdade, um workshop oferecido aos alunos através da parceria do quadrinista com os professores da escola Beatriz Manso Dutra e Silva, de Artes Plásticas e Lázaro Carvalho, de leitura.

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Tito nasceu nos EUA, mas mora no Rio há 14 anos. Ele é o criador do personagem “Zé Ninguém”, primeira história em quadrinhos do mundo criada nas ruas, que pode ser vista em mais de 150 muros, fachadas e viadutos da cidade. A trama é protagonizada por um ‘homenzinho’ laranja, com bigodes pretos, que usa short e chinelos. Zé Ninguém apareceu pela primeira vez em 2008, nos arredores da Rodoviária Novo Rio. Em sua procura por Ana, por quem Zé é apaixonado; mesmo perdido, sem memória e sem casa, começa a vagar por toda a cidade. Na jornada, faz amizade com um cãozinho, pede esmola, e recebe a ajuda dos garis da Comlurb. Construiu um foguete feito de lixo, viajou para Niterói e Londres e ainda teve que enfrentar o vilão Dr. Dor.

2O antagonista é só mais um participante da obra lançada em 2015, que reúne todos os desenhos na ordem do roteiro que traçou para o personagem principal. O final, porém, foi deixado em aberto. A professora de Artes Plásticas, Beatriz Manso, se encantou pelo livro na primeira vista. “Eu fiquei impressionada com o trabalho do Tito e quis levar para dentro da sala de aula. Eu iniciei um exercício com os alunos usando os grafites do Zé Ninguém como uma oportunidade de analisar os elementos artísticos dessa história”.

O também professor, mas dessa vez de leitura, Lázaro Carvalho conta como surgiu a ideia do workshop. “Em 2013 a escola convidou uma artista francesa para grafitar nossos muros. Ela retornou em 2015 e eu conversei com ela sobre os trabalhos do Tito. Nos organizamos e o recebemos no colégio para fazer um dos quadrinhos no muro. E depois, em conversa com o Tito, organizamos o evento”.

Dessa parceria será produzida uma história, com um personagem novo e Tito ficará encarregado de ilustrar a narrativa na área interna do colégio. Em uma conversa com os estudantes presentes, foi possível perceber a expectativa com o primeiro contato com a produção do grafite. Os alunos do 5º ano Mayara Amaral, 12; Mirella Santos, 10; Nicoly Ribas, 11 e Matheus Barros, 11, falaram suas impressões sobre a oficina. Mayara revelou que foi a primeira vez que teve contato com esse estilo de arte. “Já fui convidada outras vezes, mas não participava por medo de errar, mas como estamos todos juntos hoje, sei que se eu errar, não tem problema, até porque o pessoal também não sabe direito como fazer, assim como eu”, revela a estudante.

Por outro lado, Mirella estava bastante animada. “Eu estou achando muito legal porque nunca tinha feito um grafite. Fazer a minha própria tela foi ótimo”. Matheus no entanto analisou a chance de ter contato com uma dinâmica diferente de aprendizado. “Eu gostei porque é diferente de tudo que fazemos na escola. Ainda mais porque a gente pode fazer nossa própria arte. Foi um dia diferente para todos nós”. E por fim, Nicoly avalia: “Gosto mais de pintura, que grafite. Geralmente escolho pintar flores e árvores”.

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Tito (no centro), se preparando para o workshop

Ao ser perguntado sobre a importância de levar a arte para dentro das instituições de ensino, Tito revela: “Mesmo fora das escolas, procuro fazer do meu trabalho um instrumento educativo. Quero fazer as pessoas lerem e ensinar como se lê um quadrinho. Levar para dentro das escolas é importante porque assim os alunos têm contato com o material do meu livro. Na minha infância, no Bronx, em Nova York, o grafite era considerado criminoso. Não era glamurizado assim. Mas eu não me interessava por grafite na minha infância, apenas por desenhar quadrinhos. Porém, quando vim para o Brasil, percebi que a minha arte era uma forma de me conectar com as pessoas. Atualmente é encarado como uma carreira. Hoje me considero um escritor de rua”, finaliza o autor.


Laís De Martin- 8º Período

O futuro e a transmissão do conhecimento

_MG_9452.JPGBuscando vislumbrar o futuro do ensino, a XI edição do projeto “Janelas dos Saberes” debateu, ontem, o tema “Diferencias das Escolas Mais Inovadores”. José Manuel Moran, professor de comunicação da ECA-USP, apresentou – diante de auditório repleto de professores da UVA – suas visões e propostas sobre uma nova forma de inovar e transformar a educação, além, é claro, de debater o tema com os educadores presentes.

Formado em Filosofia e com mestrado e doutorado em Comunicação pela USP, o professor Moran defende mudanças profundas na educação. Logo no começo da palestra, ele abordou o tema mais presente nos dias atuais – o uso de aparelhos digitais na sala de aula – e criticou aos que resistem em se atualizar. O especialista apontou casos de escolas de São Paulo que proibiram o uso de Iphones e argumentou que “o smartphone é uma ferramenta muito valiosa que pessoas da minha geração se recusam a usar para seu benefício”.

Todavia, Moran fez algumas ressalvas. Segundo ele, “A nova geração gasta muito tempo em redes sociais em vez de procurar, na mesma plataforma, novas maneiras de como se aprofundar de maneira divertida e fácil nas matérias escolares. Enquanto isso, a geração mais antiga não consegue enxergar em como trazer o celular e a internet como forma de aprendizado”.

A fim de dar o exemplo para as gerações mais antigas, o professor explicou técnicas que o ajudam a se aproximar e despertar o interesse dos alunos. “Eu ouvi reclamações de muitas mães que viam a intensa dedicação e a criatividade dos filhos em jogos como Minecraft, sem ter esse mesmo interesse na escola” relata Moran, revelando que faz uso de videogames, aplicativos, celulares e filmes para captar os estudantes.

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Prosseguindo com a palestra, Moran apresentou algumas escolas que usam na metodologia novo conceito de aula, a “a aula invertida”. Nesse formato, o ensino começa com um debate onde os alunos expõem os conhecimentos próprios da matéria dada pelo professor, dessa forma o educador consegue compreender aonde estão as maiores dificuldades da turma, podendo focar nelas e pular as partes onde a grande maioria já compreende.

Moran também citou alguns nomes de escolas e grupos que estão, na sua opinião, entre os lugares mais inovadores no momento e pediu para que os professores procurarem se inspirar nesses projetos. As escolas Campo Salles e Quest to learn, a faculdade Uniamerica e grupo High Teh High foram os grupos mencionados como modelo de revolução educacional positiva.

Moran terminou a palestra agradecendo o convite da Universidade Veiga de Almeida e disse o quanto ficou contente ao ver um grupo de professores que procuram inovações e crescimento. “Sabemos que não é simples, mas o caminho é esse”, finaliza o doutor.


Alexandre Behnken– 4ºperíodo
Camila Claros- 8º Período

Um ato de resistência

Na última quarta, dia 21, aconteceu a festa de abertura do XV Festival EncontrArte, o Encontro de Teatro da Baixada Fluminense. O espaço escolhido para o evento que abre o encontro deste ano foi a Casa de Cultura de Nova Iguaçu, localizada na área central da cidade da Zona Metropolitana do estado Rio de Janeiro. Ao longo dos últimos quinze anos, o EncontrArte já realizou 248 espetáculos, 31 oficinas de qualificação, 10 seminários e 51 homenagens a artistas, além de diversos workshops. E tudo isso de maneira totalmente gratuita para a população, o que resultou na notável marca de público de 200 mil pessoas.

O coquetel foi iniciado, com um pouco de atraso, por volta das sete e quarenta e cinco da noite, no anfiteatro do complexo cultural. Todas as poltronas estavam ocupadas e havia muitas pessoas de pé na sala – além das que não puderam entrar devido à lotação e tiveram de assistir à cerimônia através do telão colocado no passei público da Casa. Nesta décima quinta edição, foi destacado o quão é difícil para grupos culturais ter um tempo de vida longevo no Brasil, principalmente em áreas afastadas da Zona Sul e do Centro da capital carioca.

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Logo, para comemorar o marco de quinze anos de trabalho bem-sucedido, a equipe do EncontrArte decidiu homenagear trinta indivíduos que têm desempenhado papéis cruciais para a manutenção, como o Secretário de Cultura de Nova Iguaçu, Wagner D’Almeida, Ricardo Motta, representante da Petrobrás – que patrocina o evento há dez anos – e André Guimarães, mais conhecido como Paçoca, o primeiro palhaço com necessidades especiais do Brasil, e que participou de todas as edições do festival.

Cada um dos homenageados que subiu ao palco recebeu uma placa comemorativa – como um troféu – dos quinze anos de vida do EncontrArte. Ao receber o memento, André Guimarães, muito emocionado, fez um breve retrospecto de sua carreira, começando pelo fato de receber esta homenagem no dia em que comemora vinte anos de carreira.

Guimarães também destacou as edições de 2006 – quando recebeu sua primeira homenagem – e 2012, que homenageou Chacrinha e na qual pôde conversar com uma das maiores divas da arte brasileira. “Recebi conselhos dessa grande atriz que, hoje, já está ‘lá em cima’, infelizmente. Elke Maravilha”, Guimarães saudou. O palhaço também aproveitou o momento de solenidade para fazer mais uma homenagem que emocionou o público. “Ao ator Domingos Montagner, que partiu nesta semana última… O grande palhaço Agenor! Fica aqui a minha homenagem”, Guimarães declarou, sendo aplaudido intensamente pelo público presente.

Ao longo de toda a cerimônia, um ponto repetido por todos os homenageados foi a falta de incentivo do governo às iniciativas culturais que não fazem parte do mainstream da produção cultural brasileira, uma vez que muitos festivais e eventos de cultura reduziram seu tamanho, foram adiados ou até mesmo extintos por falta de apoio – “e este é um problema presente não apenas no Rio de Janeiro, mas em todo o pais”, afirmou o secretário Wagner D’Almeida, que, assim como muitos outros, declarou que o EncontrArte “é um ato de resistência”.

Ricardo Motta, aproveitou a “deixa” para endossar a palavra de Wagner, citando um trecho da canção de um dos mestres da Música Popular Brasileira, Milton Nascimento, “Notícias do Brasil (Os Pássaros Trazem) ”, que, segundo contou Motta, seu pai costumava aludir em referência à falta de incentivo a projetos culturais fora das capitais: “Ficar de frente para o mar, de costas para o Brasil/Não vai fazer desse lugar um bom país”.

O Festival EncontrArte acontece, com apresentações de peças teatrais diárias, até o dia 30 de setembro, no Teatro do SESC Nova Iguaçu. Além disso, no dia 26, será inaugurada no Shopping Nova Iguaçu a Mostra “E Aí? – Artes Integradas”, que une expressões culturais diversas como teatro, dança, música, literatura e artes visuais. A programação completa do XV EncontrArte está disponível no site e na página do Facebook do festival.


Daniel Deroza– 4º período

Precisamos falar sobre as mulheres

As questões de gênero sempre estiveram vinculadas às relações sociais e aos papéis praticados em sociedade. Homens e mulheres sempre exerceram funções distintas, valorizadas por múltiplas culturas, conferindo à mulher atribuições secundárias.  A posição de inferioridade foi definida pela organização da sociedade em um modelo patriarcal, em que todos os recursos sociais eram garantidos somente ao homem. No entanto, há uma mudança no paradigma, e ao longo do século XX, os aspectos históricos e sociais sofreram transformações, marcadas inicialmente pela conquista do direito ao voto, que intensificou a participação política, validando a capacidade de representação e estimulando decisões sociais, políticas e econômicas.

A luta pela igualdade de gênero constitui um longo processo. A conquista da cidadania da mulher ocorre de forma gradativa, a partir da mudança de posicionamento, de submissão – desempenho apenas de tarefas domésticas – para um perfil ativo e multifacetado, que inclui as jornadas de trabalho e as atividades da casa. A transformação foi impulsionada pelo movimento feminista surgido na década de 70, no Reino Unido e nos EUA. Nesse período, diversas mulheres foram às ruas reivindicar os mesmos direitos assegurados pela constituição, como a igualdade entre as faixas salariais. Entre as décadas de 1960 e 1970, o feminismo se consolidou como movimento político, que integra bandeiras de lutas civis e minoritárias.

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Palestra Jornada em Direito das Mulheres

Para debater a trajetória da luta por direitos igualitários e o movimento feminista no Brasil, a UVA sediou a Jornada em Direitos das Mulheres, realizada pelo curso de direito, nesta quarta-feira, dia 21, no auditório do Campus Tijuca. O evento teve a organização da coordenadora de Direito, Leonora Oliven e da professora Cláudia Giesel. A jornada foi organizada em três momentos: 10h às 12h; 15h às 17h; 19h às 22h.

No período da manhã, a abertura foi realizada pela professora de direito, Claudia Giesel, seguida pela leitura de Ludmilla Lis do texto Mulher da Vida, de autoria de Cora Coralina. O primeiro momento do evento abordou a discussão sobre feminismos; a participação das mulheres nos movimentos sociais, na literatura, na arte e nas leis; o modo como as correntes do feminismo podem contribuir para o avanço da sociedade de uma forma mais justa e igualitária.

            À tarde, as falas foram divididas entre as representantes do coletivo feminista Maria Bonita: Ana Flávia Costa Eccard, Natália Rezende de Araújo e Andiara Pereira. O diálogo teve como foco a vertente interseccional do feminismo; o feminismo negro no século XIX; Teoria quer e o Machismo de esquerda. Para o encerramento da Jornada em Direito das Mulheres, foi escolhido o tema “Direito penal e a violência contra a mulher”, com a participação das docentes do curso de direito da UVA Tijuca e doutorandas do Programa de Pós- Graduação (PPGD) – UERJ,  Prof. Ms. Roberta Lemos Lussac, Prof. Ms. Marcela Miguens e Prof. Ms. Renata Barbosa.

            Sobre a necessidade de realizar um evento que discuta a situação das mulheres no mundo, em especial no Brasil, se torna necessário analisar os dados sobre a violência: Três em cada cinco mulheres jovens já sofreram violência em relacionamentos, de acordo com a pesquisa realizada pelo instituto Avon em parceria com o Data Popular, em novembro de 2014; o Brasil tem uma denúncia de  violência contra mulher a cada 7 minutos. Os dados são da Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República (SPM-PR). Sobre isso, Ana Flávia Eccard, integrante do coletivo feminista Maria Bonita comenta que “o motivo do debate no meio acadêmico é proporcionar uma discussão plural. Uma construção plural. A vivência tem que ter uma teoria e uma prática. Não adianta falar apenas em linguagem acadêmica”.

            A vulnerabilidade das mulheres negras e periféricas é ainda mais preocupante. São invisibilizadas frequentemente. Além do machismo, sofrem com a misoginia e a violência policial. Andiara Pereira, que compôs a mesa no debate desta tarde, declarou que no período do Sufrágio – luta das mulheres pelo direito ao voto -, entre 1850 e 1940, “a própria feminilidade já podia ser relativizada nesse momento. As mulheres brancas lutavam pelo direito de exercerem o trabalho, enquanto as mulheres negras trabalhavam arduamente como escravas nas fazendas. Era uma imposição. A existência das mulheres negras nesse período já era uma verificação de que tinham a mesma capacidade que os homens de trabalhar. De modo que o mito sobre a fragilidade não pode ser verdade”. Precisamos sim falar sobre mulheres. Enquanto você lê este texto, nasce mais uma vítima e se enterra mais uma mulher.


Laís De Martin – 8° Período