A resistência de Clara

241687.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxPraia, lembranças e amor são os temas que norteiam “Aquarius”, mais um filme do renomado diretor Kleber Mendonça filho, que – depois de trabalhar em “O Som ao Redor” (2012) – se dedicou muito ao novo projeto, criando muita expectativa por parte do público. A espera valeu a pena, além de agradar os espectadores brasileiros, o novo longa foi exibido em Cannes e ovacionado pelos presentes, rendendo palmas por mais de dez minutos.

Contextualizando, “Aquarius” trata sobre a intensa relação de Clara (Sônia Braga) com outras pessoas e o lugar onde vive, um edifício dos anos 40 a beira-mar. A personagem principal se vê em uma situação desagradável quando o lugar onde mora passa a ser desejado por uma construtora que deseja ficar com o espaço, mesmo com a protagonista se negando a ceder o local.

A relação da protagonista com seu apartamento é explorada ao máximo fazendo com que seja perceptível o amor incondicional de Clara pelo o lugar em que ela vive. Esse vinculo fica mais perceptível devido à belíssima interpretação de Sônia Braga, que enche Clara de força e personalidade, fazendo com que cenas simples se tornem memoráveis , emocionantes e até mesmo hilárias. Humberto Carrão enfrentou o desafio de contracenar com uma atriz considerada ícone do cinema brasileiro, e entregou um trabalho a altura. Maeve Jinkings, Irandhir Santos e Bárbara Cole, embora não apareçam tanto na obra, também fizeram grandes interpretações.

Outro grande fator para o bom resultado de “Aquarius” é a direção de Kleber Mendonça Filho. Desde os créditos iniciais do filme, o expectador é colocado inteiramente no ambiente da história, a escolha de cenas e tomadas, mesmo que simples, destacam o desempenho dos atores e deixam a história mais fluida. Com muitas referências aos anos 80, o longa traz uma trilha sonora de grandes nomes da música nacional e internacional, combinado com a bela fotografia de Recife onde a trama foi rodada.

Além de imagens incríveis e uma trilha sonora contagiante, “Aquarius” também conquista o espectador pelo roteiro, que conta uma história simples e real. O filme carrega um resgate cultural, e deixa evidente a importância da preservação de lugares e memórias. Além da sensação de experimentar um pouco, pelo menos pela tela, da sensação de viver de frente para o mar de Recife e aprender com Clara a proteger o que você se ama com todas as forças.

 Noite de gala em Niterói

Na noite de quarta-feira (24), Niterói recebeu parte do elenco do filme para a pré-estreia no estado. Cerca de 400 convidados e parte da imprensa prestigiaram o elenco na Reserva Cultural. O evento também foi importante para os Niteroienses, já que eles ganham mais um ponto de cinema com a inauguração do espaço.

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Elenco de Aquarius. [foto: Fátima Amaral/ Agência UVA].

Os convidados começaram a chegar às 19h junto com parte do elenco, o ator Humberto Carrão foi um dos primeiros a comparecer. Com simpatia o ator explicou que essa exibição seria a terceira vez que ele assistia ao filme, as outras duas foram na pré-estreia em Recife e em Cannes. O interprete também contou como foi incrível trabalhar no estado nordestino e contracenar com Sônia Braga. “Ela é incrível! Eu fiquei amigo da Sônia, é uma loucura dizer isso. Às vezes parece que ela esqueceu tudo o que ela é, tudo o que ela representa para nossa cultura”, conta o artista.

Ao chegar no local do evento, Sônia Braga, com um belíssimo vestido vermelho, prendia atenção de todos com a desenvoltura de sempre e o sorriso no rosto. Ela comentou como foi difícil se separar da equipe do filme e disse quão incrível foi a aceitação do longa em Cannes, do carinho que ele foi recebido e espera que ele seja tratado desta mesma maneira agora que ele está chegando ao Brasil.

Atriz Sônia Braga

Atriz Sônia Braga na pré-estreia do longa. [foto: Fátima Amaral/ Agência UVA].

Sônia também foi só elogios para o diretor e deixou claro seu amor pela personagem no filme.  “Eu e a Clara não somos parecidas, nós somos iguais! E com o Kleber dando as palavras e dirigindo ficou mais fácil. Porque ele é muito pragmático e eu sou totalmente intuição e emotiva, então ele controlou um pouco disso tudo em um resultado que para a gente é muito bonito”, finaliza a atriz.

Kleber Mendonça filho ratificou o quanto a atriz principal se inteirou ao personagem principal de Aquarius. “Na época da filmagem eu saberia dizer onde acabava a Clara e começava a Sônia, mas um ano depois eu não sei mais onde termina uma e começa a outra. Eu acho que foi um caso muito feliz de luva que coube na mão perfeitamente, ela veio para o filme e entendeu perfeitamente Clara e o resultado é muito feliz, espero que todos vejam”, revela o diretor.


Fatima Amaral– 6º período.

A união entre o real e o digital

231568.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxNos últimos anos o mundo do cinema foi praticamente dominado pelos filmes nos quais um grupo de jovens participa de um grande “jogo”. Exemplos disso são “Divergente”, “Jogos Vorazes”, “Maze Runner” etc. Seguindo a tendência, os produtores hollywoodianos decidiram lançar mais um longa do gênero. “Nerve – Um Jogo Sem Regras” segue a mesma premissa das obras já citadas, mas – provavelmente – não ficará marcada na história que nem elas.

Vee DeMarco (Emma Roberts) é uma típica jovem que tem uma vida pacata, mas depois de uma discursão com sua, até então, amiga ela decide se inscrever no Nerve, um jogo online onde as pessoas precisam cumprir tarefas escolhidas por outros participantes para completar as missões. Logo no início do game, Vee conhece Ian (Dave Franco), um jogador misterioso que rapidamente a conquista, e – juntos – seguem por Nova York para terminar os desafios.

Já nos créditos iniciais é possível perceber que o filme será rodeado por uma aura do mundo digital. O roteiro de Jessica Shazer, adaptado do livro de Jeanne Ryan, traz críticas aos resultados “instantâneos” das ações na internet e os limites que eles quebram. A todo momento a trama apresenta referências inteligentes e questionamentos pertinentes, então, mesmo não tendo muitas motivações e reviravoltas surpreendentes, o roteiro entretêm o público jovem, que normalmente busca por obras mais leves.

A arte é outro ponto positivo do filme. Ela, que é completamente voltada para as mídias sociais, coloca o expectador – literalmente – dentro do mundo gamer, criando assim um longa dinâmico, interativo e muito bonito desde o primeiro momento. Isso se deve também a direção de Ariel Schulman e Henry Joost, que conseguiram fazer cenas onde o ponto de vista da uma outra roupagem para a história, como em ângulos em que a percepção de quem assiste parta do celular ou do computador.

“Nerve – Um Jogo Sem Regras” é um filme que agrada àqueles que buscam um filme leve e dinâmico, com pitadas de romance, aventura e divertimento, mas que não abram mão de uma trama que tenha ligação com temas atuais.


Fatima Amaral – 6º período

Sonhos podem se tornar realidade

Os sonhos se tornam grandes pesadelos para o pequeno Cody, do filme “O Sono da Morte”. O diretor e roteirista, Mike Flanagan, foge do clichê de banhos de sangue ou demônios, famosos no gênero, e torna mais realista e tocante. Mas para os amantes do terror, os sustos e reviravoltas estão presentes no longa.

469877.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxNa narrativa, o casal Jessie e Mark, após a trágica morte do filho Sean, decidem adotar uma criança. A escolhida é Cody, que aos oitos anos já foi adotado e devolvido algumas vezes. A principio, demonstra- se introvertido e distante, mas é através dos seus sonhos que ele melhor se comunica. Com um dom, Cody torna real aquilo que vê enquanto dorme, inclusive seus pesadelos.

Definido como terror, o filme é predominantemente dramático. A primeira parte conta todo o drama do casal e a adaptação do menino na nova família. Os sustos e gritos ficam reservados apenas da metade para o final. Jacob Trambley, que encantou o mundo ao estrelar “O Quarto de Jack” mostra o porque de ser chamado de nova estrela de Hollywood. O filme é dele. Com o rosto angelical e a voz doce, é impossível odiá-lo por conta de determinadas cenas.

Outro ponto alto do filme é Kate Bosworth, que soube dar o tom exato a Jessie. Toda a culpa e saudade que ela sente do filho morto é transpassado na tela. Além disso, ela foge do padrão de mocinhas de filme de terror. Para começar, é uma mulher adulta e madura, além de ser decidida e lutar contra a criatura maligna que permeia os sonhos de Cody. Tudo bem que uma parte do filme ela não age como uma verdadeira mãe, mas o motivo é compreensível.

O espectador pode sair do cinema frustrado pelos sustos não dados, mas sairá surpreso com o final apresentado. É um filme mais real do que se imagina, claro que há o exagero do longa, mas a premissa pode fazer parte da rotina de muitas pessoas. “O Sonho da Morte” é capaz de arrancar lágrimas em vez de gritos.


Gabriel Brum – 6º período

Um mar de agonia

132481.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxDe tempos em tempos chega aos cinemas uma nova onda de “reaproveitamento de histórias cinematográficas”. Hoje em dia, inclusive, é normal encontrar diversas e diversas regravações de títulos clássicos sendo feitas. A maioria, muito decepcionante. Todavia, algumas pessoas decidem fazer alusões a alguns longas que assistiu durante a infância e junta diversas referencias dentro de um novo produto. Então, o que sairia da mistura de “Tubarão”, de Spielberg e “Naufrago”, protagonizado por Tom Hanks? A resposta é “Águas Rasas”, o melhor dos dois mundos.

Contextualizando, Nancy (Blake Lively) visita uma praia secreta para reviver a sensação que sua falecida mãe teve ao i ao mesmo lugar, e fugir um pouco dos problemas familiares. Enquanto aproveitava as ondas do litoral mexicano, a protagonista é surpreendida por um tubarão e nada para uma rocha para não morrer. A partir dai começa o desafio: chegar em terra firme sem ser devorada pelo maior predador do mundo.

Blake Lively cumpriu bem a função de papel principal. A atriz consegue deixar clara a sensação de se estar ilhada em algum lugar com um predador faminto lhe caçando. Toda essa atuação foi muito bem complementada com uma bela maquiagem, que evidenciou os efeitos de uma exposição a um ambiente tão hostil. O roteiro não é nada sofisticado, mas também não decepciona, a história é repleta de referências a filmes clássicos, como “Tubarão” e “Naufrago”, contando – inclusive – com um “novo Wilson”.

Jaume Collet-Serra assinou o filme com perfeição. O diretor, que ficou muito conhecido pelo seu trabalho em “A Órfã”, fui muito cuidadoso em todos os detalhes da obra. Começando pela paleta de cores, que muda de acordo com a situação em que Blake se encontra. No início o longa tem um tom ensolarado, feliz. Mas com o decorrer dos acontecimentos, todas as cores vivas e felizes dão lugar a variações de cinza, tristes e opacas.

A fotografia, sem dúvida nenhuma, é o ponto alto do filme. Em especial nas cenas iniciais, as mais vivas, em que o diretor precisa ambientar o espectador e – para isso – da de presente ao público belíssimos takes gerais da praia mexicana, aliado a lindíssima Blake Lively. Os primeiros 20 minutos são, de verdade, de tirar o fôlego, devido a tamanha beleza da imagem. Pouco tempo depois Jaume também tira o ar de quem está assistindo, mas – desta vez – por causa das cenas de afogamento da personagem principal.

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A sonoplastia também foi outro ponto muito bem cuidado pelo diretor espanhol. O som tem uma mixagem muito boa e varia de acordo com as tomadas dentro e fora da água. E, é claro, é um dos elementos mais importantes para construir a aura de terror que todo bom filme de tubarão deve ter.

De modo geral. “Águas Rasas” vale muito a pena. Não promete nenhuma revolução cinematográfica, mas surpreende com o cuidado impecável nos mínimos detalhes. Infelizmente, outra vez, mais uma distribuidora Hollywoodiana entrega grandes spoilers no trailer de divulgação, então – se ainda não tiver visto – não veja.


Iago Moreira- 5º Período

Japão já respira ares olímpicos

Sayonara¹ Rio 2016, youkoso² Japão 2020. O encontro entre governantes das duas cidades sedes dos Jogos Olímpicos, a atual e a próxima, para falar sobre a passagem da bandeira olímpica aconteceu nesta sexta- feira (19). O Prefeito do Rio, Eduardo Paes, junto com a Governadora de Tóquio, Yuriko Koike, fizeram um balanço do evento em solo carioca e o apontaram pontos, idealizados pelo Comitê Brasileiro, que servirá como inspiração para a edição oriental. Paes ainda comentou a polêmica quantia destinada aos Jogos Paralímpicos, mês que vem.

A governadora garantiu que pretende, assim como aconteceu no Rio, fazer uma Olimpíada mais barata aos cofres públicos e que as arenas de competição não se tornarão “elefantes brancos”, como aconteceu na Grécia e em Pequim. O prefeito reforçou que 80% dos custos olímpicos saíram da iniciativa privada, diferente de Londres, que utilizou 80% do dinheiro público. O grande legado, do reflorestamento, também foi pautado por Yuriko como inspirador e que pretende levar a ideia para os jogos na terra do Sol Nascente.

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Foto: JM Coelho

  Sustentabilidade, aliás, é um assunto bastante discutido no Japão. Com grandes polos tecnológicos e indústrias, o país acredita que a edição japonesa só tem a acrescentar: “Gosto de pensar que os Jogos Olímpicos podem e devem contribuir na luta contra o aquecimento global”, revelou Yuriko. Para reforçar a ideia, a governante foi à coletiva usando um quimono, veste tradicional sustentável, pois costuma ser reciclado. A governadora disse que Paes, assim como ela, é um líder no combate às mudanças climáticas e na busca por uma sociedade com baixa emissão de carbono.

O prefeito aproveitou a ocasião para falar sobre duas recentes polêmicas. A primeira, dos nadadores, Paes disse ter pena e desprezo e que os atletas tem falha de caráter e não representam todos os esportistas americanos. A segunda, da verba de 150 milhões que a Prefeitura dará para a realização dos Jogos Paralímpicos, ele disse que o déficit é pequeno em relação ao custo das instalações esportivas para os dois grandes eventos. Afirmou ainda que esse dinheiro nada tem a ver com o ano eleitoral, já que é proibido por lei esse tipo de doação em época de eleição.

¹ sayonara: Tchau, em japonês

² youkoso: Bem- vindo, em japonês


Gabriel Brum – 5º Período

 

Amarelo é a cor mais quente

Em mais um dia ensolarado, torcida da Colômbia lota arena para ver os atletas do país na final de BMX. Somado aos venezuelanos e aos brasileiros, espectadores se concentraram em uma área e deixaram a colorida arquibancada do estádio quase toda em tons de amarelo. Todavia, holandeses e americanos, nações que também tem tradição no esporte, foram os responsáveis por variar a paleta de cores do local.

O Brasil, que teve um atleta eliminado ontem, só contou com uma representante em toda competição. Priscilla Carnaval, que participou pela primeira vez dos Jogos Olímpicos, não foi bem e ficou em último lugar na faze de semifinal. Restou, então, aos brasileiros presentes se unirem ao coro em espanhol e torcer pelos atletas sul-americanos, em especial para os Colombianos, já que eram maioria e fizeram uma bela festa na arena.

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torcedores chegam cedo e começam a dar mudar o a tonalidade da colorida arquibancada para amarelo. [foto: Iago Moreira/ Agência UVA].

Tão intenso quanto o sol que fazia, era o grito da torcida colombiana presente para apoiar os atletas. Todas as atenções se voltaram para pista quando Mariana Pajon entrou na pista. Com um tempo de 34s09 – muito a frente das adversárias – a ciclista confirmou o favoritismo e se consagrou bicampeã olímpica na modalidade, ela ganhou a primeira medalha na última edição. A americana Alise Post e a venezuelana Stefany Hernandez completaram o pódio.

Já no masculino, a Colômbia não conseguiu o ouro, mas Carlos Alberto Ramirez Yepes assegurou o bronze para a sua nação nos metros finais. O americano Connor Fields ficou em primeiro com um tempo superior ao feminino, 34s64, e o holandês Jelle van Gorkom conquistou a medalha de prata, fechando o último dia de provas. O Parque Radical, local em que aconteceram as competições de Canoagem Slalom e BMX, ainda sediará mais uma modalidade. O Ciclismo Mountain Bike começa amanhã e acaba domingo, último dia Jogos Olímpicos.


Iago Moreira- 5º Período

Campeões dentro e fora de campo

Um sol forte com um calor de quase 35°C não foi o suficiente para afastar a torcida das finais de Hóquei Sobre Grama. Muito conhecido em todo Rio de Janeiro por ser um dos bairros mais quentes do estado, Deodoro honrou a fama e “presenteou” o público com uma das temperaturas mais altas do inverno deste ano. Todavia, mesmo com todos os obstáculos, alemães, holandeses, franceses, argentinos e brasileiros se uniram para festejar os últimos momentos do esporte nesta edição dos Jogos Olímpicos.

Ás 12 horas, momento mais quente do dia, as duas torcidas mais animadas da competição lotaram o estádio para ver a disputa pela medalha de bronze. Alemães e holandeses deixaram a rivalidade de lado e se sentaram lado a lado na arena, mostrando que a educação é a principal virtude das duas nações. Em campo, as dias equipes tiveram um jogo muito equilibrado e, depois de levar as decisões para o pênalti, o time germânico conquistou a vitória.

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Torcida alemã e holandesa convivendo em paz em arquibancada. [foto: Iago Moreira/Agência UVA].

O relógio marcava 16 horas e os refletores já começavam a ser acesos, pois – não mais que de repente – uma ventania tomou conta da região e mudou totalmente o clima local. Do forte sol da manha, para o vendaval de fim de tarde. Ė verdade que muitos torcedores foram pegas de surpresa com a drástica alteração de temperatura, mas os fortes espectadores argentinos e belgas – somado a alguns brasileiros – não desistiram de ver a disputa pelo ouro ao vivo e a cores.

Com a bola rolando, a seleção argentina se demonstrou superior durante todo primeiro tempo, mesmo começando atrás do placa, o grupo rapidamente virou e marcou três gols. Na segunda etapa, os hermanos mantiveram a força e garantiram a medalha dourada. A torcida sulamericana, que as como na primeira partida se mostrou muito educada ao dividir a arquibancada com o rival sem criar confusão, mostrou que não é só os brasileiros que sabem fazer a festa. Sem se calar por nenhum minuto, eles fizeram a diferença apoiando os jogadores.


Iago Moreira- 5° Período

Alegria nas arquibancadas, irritação nos bastidores

Em um belo dia de sol, o público encheu a arena de equitação de Deodoro para assistir a final de Hipismo de Saltos por equipes. Muito festejada pelos espectadores, o time brasileiro lutou bravamente, mas devido a punições anteriores, foi prejudicado e terminou a competição em quinto lugar e teve de se contentar em ver os franceses ocuparem o lugar mais alto do pódio. Todavia, integrantes da seleção soltaram farpas sobre diversos assuntos após o término da prova.

Após ficar de fora da final da Equitação, a equipe brasileira entrou focada para conquistar um lugar no podia na categoria de Saltos, mas devido a uma eliminação precoce do atleta Stephan Barcha – que utilizou a espora no pescoço do cavalo e causou uma ferida no animal – o time já contava com uma grande desvantagem, uma vez que a nota do quarto cavaleiro é usada como descarte. Durante a competição, cada um dos três cavaleiros – Doda Miranda, Eduardo Menezes e Pedro Veniss – derrubou um obstáculo, somando, assim, penalidades para o grupo.

Torcida Alemã comemorando no fim da prorrogação

Torcida Alemã comemorando no fim da prorrogação. [foto: Iago Moreira/ Agência UVA].

Mesmo com esses erros, o Brasil conseguiu um honroso quinto lugar. A poderosa equipe francesa de equitação quase não somou penalidades e garantiu a medalha de ouro com antecedência. O time americano falhou em alguns aspectos – impossibilitando que o grupo ultrapassasse a França – mas de maneira geral foi bem e também abriu uma certa vantagem em relação aos demais, conquistando a prata.

A torcida canadense pulava de alegria por seu quarto competidor ter colocado a seleção na terceira posição. Todavia, o último cavaleiro da Alemanha fez uma volta perfeita e fez com que seu time empatasse em pontos com o Canadá. Com isso, uma nova disputa, em pista reduzida, foi organizada para decidir quem ficaria com a medalha de bronze. Fazendo com perfeição as três primeiras voltas, o grupo germânico garantiu o lugar ao pódio antes mesmo da outra metade dos atletas norte-americanos entrarem em campo.

Com mais uma passagem olímpica em branco, muitos especialistas se perguntavam se a falta de Rodrigo Pessoa, maior medalhista do Brasil no Hipismo, não afetava o desempenho da seleção. Dodo Miranda, capitão do time, disse que – como o cavalo dele não estava em condições ideais – foi até melhor ele ter ficado de fora. “Poderia até passar vergonha”, completa o atleta. Rodrigo, por sua vez, não escondeu a indignação por não ter sido chamado para integrar o time titular e deu um ultimado: “Não tem chance de eu ficar com esse treinador. Chegou com uma lenda e sai como uma lêndea (ovos do piolho). Se ele ficar, eu largo fora”.


Iago Moreira- 5º Período

Instruído para o sucesso

Jovens moradores da cidade do Rio têm a oportunidade de trabalhar como jovens aprendizes nos Jogos Olímpicos 2016.

Na tarde desta segunda-feira (15), foi realizada no Rio Media Center (RMC) a coletiva de imprensa para apresentar o Projeto Jovem Aprendiz do Desporto (Jade 2016). A atividade atende 455 jovens e inclui formação teórica e prática para atuação na organização de eventos esportivos durante os jogos olímpicos e paralímpicos Rio 2016. O evento teve participação do Superintendente Regional do Trabalho, Helton Yomura, do ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, e o Secretário de Relações do Trabalho, Carlos Lacerda. Também fizeram parte da coletiva, quatro jovens aprendizes em período prático. Ruan Ricardo (Jovem Aprendiz no Maracanãzinho), Lorena Silva e Leandra Patrícia (Estádio Olímpico), e Ana Gabriela (Sambódromo).

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Jovens aprendizes durante coletiva. [foto: JM Coelho].

Logo no início, Ronaldo Oliveira comemorou o sucesso do Jovem Aprendiz de Desporto. Ele ainda destacou a experiência que os jovens estão tendo, podendo conhecer a realidade do país, ainda em um período festivo e ainda informou que todos os selecionados recebem uma bolsa na faixa de meio salário mínimo, lanche e vale transporte.

No entanto, o destaque da coletiva ficou pela fala animada dos estudantes. Mesmo nervosa a jovem aprendiz Leandra Patrícia saudou os jornalistas do RMC e contou um pouco sobre a sua experiência: “Tem sido uma oportunidade maravilhosa! Faço novas amizades e, além disso, consigo aprender sobre novas culturas”.

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Leandra Patrícia, aprendiz do Estádio Olímpico, durante coletiva. [foto: JM Coelho].

Outro estudante, Ruan Ricardo Guimarães, além de destacar como está sendo incrível participar do intercâmbio cultural, ainda parabenizou o projeto pela forma dinâmica que as aulas teóricas são feitas. “Aprendemos por meio de oficinas, com crianças e discutindo com colegas. É tudo feito de uma maneira diferente do já conhecido contexto de sala de aula, que é só professor e aluno”.

Foram 1,600 jovens inscritos no projeto e cerca de 500 selecionados. O ministro do trabalho explicou que o critério utilizado para a seleção dos estudantes foi a situação socioeconômica de cada um, e que todos eles estivessem matriculados e cursando o ensino médio. Ele ainda enfatizou que a ideia da organização é de estender o projeto para outras unidades para que ele venha a ser um programa permanente que ajude muitos outros jovens no Brasil.


Fatima Amaral – 6° período
Rodrigo Soares – 6° período

Rainha amazona

Depois de conquistar a medalha de prata da final por equipes na última sexta (12), Charlotte Dujardin entrou no cercado de areia na manhã de hoje com um único objetivo, conquistar – novamente – o ouro no Hipismo Adestramento Estilo Livre Individual. A tarefa, no entanto, não seria nada fácil, uma fez que além de ter de superar os próprios companheiros de time, a atleta teria que ser melhor que o poderoso grupo alemão.

Cavaleiros e amazonas a postos, o sino tocou e a final de Adestramento Individual começou em mais uma quente manhã de Deodoro. A final, que não contava com nenhum atleta brasileiro classificado, só engrenou mesmo quando o espanhol Jurado Lopez entrou em campo. O atleta terminou a competição na quinta colocação, mas durante a apresentação levou o público a loucura com bons movimentos e uma trilha sonora digna de Grammy. Porém, os juízes não deram a nota que os espectadores esperavam e foram sumariamente vaiados.

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Torcedores britânicos saudando a bandeira da equipe durante cerimônia de premiação. [foto: Iago Moreira/Agência UVA].

A indignação dos presentes aumentou quando, na apresentação seguinte, os árbitros deram notas altas para Laura Graves, dos EUA. Gritos como “Ladrões”, “Isso foi armado” e “Estão roubando” foram ecoados pelo estádio. Todavia o público ficou muito feliz quando, na apresentação seguinte, a alemã Isabell Werth jogou a americana para fora do top 3.

Charlotte e seu belo cavalo Valegro fizeram uma apresentação que beirou a perfeição. Com 93,857% de aproveitamento, a atleta bateu o recorde mundial de pontuação da categoria. A amazona também foi a primeira mulher britânica a conseguir duas medalhas de ouro olímpicas seguidas em provas individuais. Depois do término das apresentações, o namorado da campeã – em entrevista para o sistema de transmissão olímpico que passa ao vivo nos telões do estádio – levou uma plaquinha com um pedido de casamento.


Iago Moreira- 5º Período