Do youtube para os cinemas

Depois de quatro anos fazendo grande sucesso, com mais de 12 milhões assinantes no canal no Youtube, a equipe do Porta dos Fundos decidiu seguir para o cinema e provar em “Contrato Vitalício” que a capacidade humorística vai além dos 2min30s de esquetes de comédia. O filme, que estreia hoje (30), têm como característica ridicularizar o mundo do espetáculo, combinando com o raciocínio típico das redes sociais, diferentemente das tradicionais comédias de sucesso popular.

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Fábio Porchat [foto: Brigida Brito/AgênciaUVA]

O canal é conhecido não só pelo poder humorístico – e muitas vezes crítico -, mas também pelos roteiros bem elaborados. No filme não é diferente, tendo uma linha narrativa bem interligada e inteligente, contrariando a opinião daqueles que achavam que a obra seria uma adaptação cega das esquetes. Os roteiristas – Fábio Porchat e Gabriel Esteves – conseguiram deixar toda a essência do Porta dos Fundos no longa. “Nós chegamos a escrever dois roteiros antes, porém, não gostamos e jogamos fora até chegar nesse que é o filme que nós achamos mais legal. Todo o DNA do Porta está ali, então a ideia é que a gente não perdesse toda a raiz do canal, então estão todos os atores, o Ian que é o diretor do Porta então pensando nisso tudo tem funcionado super bem”, conta Fábio.

A trama segue Rodrigo (Fábio Porchat) e Miguel (Gregório Duvivier), uma dupla de ator e diretor que, depois de ser premiada em Cannes, estabelece um contrato vitalício de trabalho. Miguel, porém, desaparece sem explicação, retornando dez anos depois, envolto em teorias da conspiração sobre aliens no centro da Terra, pronto para rodar o seu próximo longa-metragem.

Para enfatizar a internet, no decorrer do longa, o público se depara com diversas referências a personalidades, filmes e fatos. Não tem uma personalidade que escape das associações feitas pelos personagens. Por sua vez, os atores se saem muito bem nas caracterizações e mostram bastante sintonia em cena. Depois de tantas produções de ‘humor conservador’, é notável a presença de personagens fortes como Denise (Júlia Rabello); homens gays bastante emponderados como Lorenzo (Marcos Veras); figuras como o detetive/matador de aluguel Otacílio (Antônio Tabet), a famosa da internet (Thati Lopes) e o agente de celebridades (Luis Lobianco).

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Elenco do “Porta dos Fundos – Contrato Vitalício” [foto: Brigida Brito / AgênciaUVA]

Em suma, “Contrato Vitalício” é a combinação de texto e atuações inspiradas que é a grande vantagem do filme: é possível somar sofisticado e popular na busca por risadas, proporcionando uma experiência equivalente a ver vídeos do YouTube durante uma hora e meia. Porém para a felicidade de alguns e infelicidade para outros, “para todo sempre haverá um contrato vitalício, esse é o primeiro, está apenas começando”, finaliza Fábio Porchat.


Brigida Brito – 7º período

Ah, me lembrei! “Oi eu sou a Dory”

Continue a nadar. Só que dessa vez não mais pela P Sherman, 42 – Wallaby, Sidney. Mas sim, pela Cannery Row – Monteray, California, em busca dos pais da pequena Dory. Sim, “Procurando Dory” vem para curar a nostalgia de 13 anos dos fãs de “Procurando Nemo” (2002). Dory (Ellen DeGeneres) é a combinação perfeita entre sabedoria e diversão, não é à toa que ela, que sofre de ‘perda de memória recente’, vai trilhar a mais nova animação da Disney e Pixar, que estreia nesta quinta-feira (30) nos cinemas.

O filme reúne o favorito de todos e ainda sobra espaço para mais personagens inesquecíveis, o esquecido peixinho azul, a Dory, com seus amigos Nemo (Alexander Gould) e Marlin (Albert Brooks) em busca por respostas sobre o seu passado. Ela não se lembra de onde vem e nem do que aconteceu com sua família. Será que ela consegue se lembrar? Quem são seus pais? E onde ela aprendeu a falar Baleiês? Todas essas respostas estão presentes no filme.

FINDING DORY

Apesar de ser um longa tão aguardado pelo público, a história se repete. O roteiro produzido por Andrew Stanton não sofre tantas mudanças e não surpreende o telespectador, o que acaba caindo no mesmo martírio de muitas continuações. Mesmo o filme sendo muito mais terrestre que o anterior, poucas coisas são vistas como “novidade”. Porém, a animação consegue substituir toda a mesmice e encanta a qualquer um que estiver no cinema.

Os takes no fundo do mar e os cuidados com cada detalhe para parecer real não foram em vão. É claro que, além de se preocuparem com roteiro e animação, os envolvidos ainda tiveram que estudar o fundo do mar e as adaptações de acordo com o filme, que é realmente fantástica, como a pequena “Destiny”, o tubarão-baleia, que sofre realmente de problemas de vista e o Hank (Ed O’Neill), um polvo que não se limita a viver apenas embaixo d’água.

Obviamente a publicidade teve que entrar em ação. A grande propaganda do Monteray Bay Aquarium, local onde se passa grande parte do filme, é tão exagerada que só falta aparecer uma mensagem no meio do filme convidando para ir conhecer o lugar. Por mais que não interfira no filme, acaba apelando demais no conteúdo.

Mas como a pequena Dory diz: “Quando a vida decepciona, qual a solução? Continue a nadar”. Esse é o melhor conselho que Dory nunca se lembrará de ter dado. Ela pode ser distraída, mas ela é muito sábia. E seguindo seus conselhos ao longo do filme, uma coisa é certa: a diversão será infinita!

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Assista ao filme, mas não compre uma Dory

De acordo com a Fundação de Conservação Salve NEMO, após “Procurando Nemo”, as vendas do peixe palhaço subiram 40%, mais de 1 milhão de peixes-palhaços foram retirados de seu habitat natural e colocados em aquários a cada ano. Diferentemente do peixe-palhaço, o tang azul, ou Cirurgião-paleta, a nossa querida Dory, é incapaz de reproduzir em cativeiro.

A comercialização do Cirurgião-paleta pode colocar a existência da espécie em risco, assim como afetar negativamente o ambiente natural no qual vivem. O peixe-palhaço já se encontra próximo de ser uma espécie ameaçada de extinção, então, por mais que nos encantemos com os personagens da Disney, por favor, vamos tentar encontrar com a Dory e o Nemo apenas nos cinemas ou nos aquários devidamente legalizados.


Brigida Brito – 7º período

Solidariedade na luta contra a homofobia

Nos últimos anos, uma questão humanitária tem ganhado força em diversas camadas sociais: a luta contra a homofobia. A discussão acerca dos direitos das pessoas pertencentes à comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais/transgêneros/travestis) nunca esteve tão em voga quanto na última década.

Em pesquisas realizadas por todo o mundo, já vou constatado que a violência contra homossexuais é um dos principais motivos da evasão escolar e aumento do número de indivíduos em situação de rua. E este último, muitas vezes, tem origem na discriminação praticada por familiares.

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País e mães – Por ignorância, crenças religiosas, etc. – expulsam seus filhos de casa por conta de sua orientação sexual ou identidade de gênero, deixando desamparados jovens sem qualquer formação, fonte de renda ou perspectiva. E é neste interim que surge uma proposta que busca dar uma luz no fim do túnel para estas pessoas.

Desenvolvida por um grupo de estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a startup “Mona Migs” se dispõe a cumprir uma interessante e inovadora missão: colocar em contato indivíduos expulsos de suas casas por conta da LGBTfobia e pessoas dispostas a abrigá-los por um período de tempo, até que consigam encontrar um novo rumo para suas vidas. A empresa ainda fornece informações como a localização dos centros de apoio ao público LGBT mais próximos.

O projeto surgiu no começo de 2016, durante a Startup Weekend UFPE, um evento cujos participantes têm que criar uma empresa dentro de um período de 54 horas. A concepção apareceu quando, semanas antes do congresso, um amigo de integrantes da equipe passou por situação de abandono causada pela homofobia e houve uma mobilização em busca de abrigo.

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A página também convida pessoas que buscam ajuda a deixarem um depoimento contando sua história – o depoente pode dizer se deseja que sua declaração seja postada no Facebook da “Mona Migs”, de forma anônima ou não. E muitos permitem, gerando testemunhos tão emocionantes quanto revoltantes.

“Minha mãe disse que eu a agredi, mas a polícia sabia que ela estava mentindo porque não tinha nenhuma marca. Ela fez isso porque não aceitava a minha orientação sexual, e por isso fui jogado na rua, naquele mesmo dia, sem ter para onde ir, sem ter onde dormir”, diz o relato de J.P., de 34 anos. E este é somente um de muitos.

No site do startup há ainda a opção “Deixe o Seu Final Feliz”, onde pessoas da comunidade LGBT podem enviar suas histórias para serem postadas na página da empresa, como uma forma de estímulo, para mostrar que pode haver uma esperança. A declarações podem envolver recomeços bem-sucedidos e país que não rejeitam seus filhos por causa de sua orientação sexual.

Financiamento Coletivo

Para contribuir com o projeto e lançar a “Mona Migs” lançou no começo de junho uma campanha no site Catarse, uma plataforma na qual qualquer pessoa, grupo, empresa ou instituição pode criar um financiamento coletivo para causas e projetos de qualquer natureza

O anúncio foi feito no dia 11 deste mês, através da página do startup no Facebook. “Estamos entrando em uma nova fase de desenvolvimento do “Mona Migs” e precisamos do seu apoio e opinião”, diz a pastagem. “Estamos iniciando uma campanha no Catarse (…) Queremos saber como você gostaria de contribuir para a evolução do projeto e como poderíamos recompensá-los por isso”.

Para entender melhor o pensamento do público, a equipe do startup lançou um formulário online que indaga a idade da pessoa, se ela está disposta a contribuir, qual quantia está dentro das possibilidades dela e se ela gostaria de receber uma recompensa – tais quais camisas, canecas, etc., aliás, é pedido que os indivíduos informem quais itens gostariam de ganhar.

Para saber mais sobre o “Mona Migs”, basta entrar na página da plataforma no Facebook, onde diversas outras informações estão disponíveis. E quem quiser ajudar ou está em busca de ajuda, pode entrar no site www.monamigs.co, no qual é possível realizar o pré-cadastro em ambas as categorias.


Daniel Deroza – 3º período

Bem-vindo ao mundo sugar

Nos últimos anos, novos tipos de relacionamento têm surgido a todo momento. Existem os relacionamentos tradicionais monogâmicos, os poliamorosos, os abertos e assim por diante, porém todos têm uma coisa em comum: pessoas se relacionam com o objetivo de suprir suas necessidades e ter benefícios mútuos, de qualquer espécie que sejam. E é neste ínterim que surge o site “Meu Patrocínio”, o qual facilita um tipo de relacionamento que já não é tão novo assim.

Trata-se do primeiro site de relacionamento Sugar do Brasil, ou seja, a rede de usuários é composta por Sugar Daddies – homens mais velhos e bem-sucedidos –, Sugar Babies – mulheres jovens e atraentes –, Sugar Mommies – mulheres maduras e abastadas – e Trophy Boys – rapazes jovens e bonitos –, e a proposta do site é permitir um melhor contato entre os interessados.

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O principal diferencial do “Meu Patrocínio” – auto apelidado de “O Pote de Açúcar” – ainda é tratado como um tabu no Brasil. A proposta da empresa é permitir um relacionamento direto e transparente, onde ambas as partes sabem o que procuram e podem falar sobre suas pretensões de maneira clara e objetiva: indivíduos jovens e belos buscam pessoas mais velhas e generosas que estejam abertas a patrociná-los.

A recomendação do site ao criar o perfil é deixá-lo o mais completo possível para que as pessoas certas sejam conectadas. Além disso, antes que um perfil seja publicado, ele passa por um período de avaliação rigorosa para que haja certeza de que nenhuma das normas da empresa será violada. Ao utilizar o filtro, o usuário pode informar suas preferências, como o tipo físico que procura, idade, e, é claro, a situação financeira, o que torna mais fácil o processo de encontrar alguém com quem se tenha maior afinidade.

Por falar sobre regulamento do site, um dos pontos mais salientados pela empresa é a total proibição de perfis que proponham apenas sexo em troca de dinheiro – qualquer um que tentar será imediatamente banido do “Meu Patrocínio”, por isso, faz-se necessária esta etapa de avaliação. Outro detalhe relevante está no fato de o uso da plataforma ser gratuito para as Sugar Babies e Trophy Boys, no entanto, os Sugar Daddies e as Sugar Mommies têm de pagar uma taxa mensal para que possam entrar em contato direto com os jovens que lhes interessam.

A criadora e CEO do “Meu Patrocínio”, Jennifer Lobo – que já foi uma Sugar Baby –, concedeu – via e-mail – uma entrevista à Agência UVA para falar mais sobre sua empresa – desde a ideia da criação, reação do público brasileiro, as críticas que o site recebeu quando foi lançado em novembro de 2015, assim como os planos para o futuro da plataforma que vem dando o que falar, principalmente nas redes sociais.

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AGÊNCIA UVA: Como surgiu a ideia de trazer o conceito “Sugar” para o Brasil?

JENNIFER LOBO: Morei e trabalhei em Nova York por cinco anos. Em 2008, foi a primeira vez que ouvi falar de Sugar Daddies e Sugar Babies. Quando me mudei para o Brasil, vi que, aqui, os aplicativos de namoro iam muito bem, mas não havia um que desse relevância ao dinheiro e às finanças dos usuários. Decidi, então, trazer essa ideia dos Estados Unidos, onde esse tipo de ferramenta já é muito comum.

AU: No Brasil, a associação entre dinheiro e relacionamento não é discutida abertamente por ainda se tratar de um tabu; houve alguma dificuldade em implementar o site em solo brasileiro por conta disso?

JL: Somos um site de namora que incentiva as pessoas a serem e transparentes sob vários aspectos, inclusive assuntos financeiros. Uma pesquisa feita pela Serasa Experian mostra que 56% dos divórcios tem como causa as finanças, então, aqui no MeuPatrocinio.com, homens e mulheres podem e devem conversar sobre estes assuntos e alinhar todas as expectativas antes de começarem um relacionamento, assim, aumentando a chance para que dê certo.

AU: Como é o funcionamento do site, desde a criação do perfil até a interação entre os usuários? Há alguma mediação para que as regras da plataforma sejam, de fato, seguidas?

JL: As conversas dentro da plataforma são monitoradas e se houver alguma sinalização de aliciamento ou prostituição, os usuários são banidos do site. Outra coisa: se alguém estiver buscando prostituição, não permitimos. Da mesma forma, usuários podem denunciar, e, se isso acontecer, vamos suspender do site completamente.

AU: As Sugar Babies e os Trophy Boys podem filtrar os perfis que interessam a eles somente com base na condição financeira dos Sugar Daddies e das Sugar Mommies ou existem outros critérios?

JL: Para entrar na rede, é preciso preencher um cadastro com as preferências: tipo físico, comportamento, estilo, etc.

AU: A plataforma de relacionamentos “Meu Patrocínio” tem sido alvo de algumas críticas desde o seu lançamento, como acusações de machismo e facilitador de prostituição. Como a empresa se posiciona diante destes comentários?

JL: De forma alguma. Prostituição é uma transação entre sexo e dinheiro, não existe relacionamento e não há uma afinidade entre o homem e a mulher. É um trabalho. No MeuPatrocinio.com, homens e mulheres formam relacionamentos, com expectativas e afinidades. Os termos e condições do site proíbem a prostituição e monitoramos as interações no site para tomar ações (suspender) sempre que percebemos alguém buscando ou oferecendo serviços de prostituição. Também temos uma opção de “Denúncia” dentro do site onde os Sugar Daddies e as Sugar Babies podem denunciar outros usuários caso estes violem os termos e condições do site. Assim, a própria comunidade também se polícia.

AU: O que é permitido e o que é vetado aos usuários na utilização da plataforma?

JL: A nossa ideia é a transparência. Eles [os usuários] informam se são casados. Se forem casados, vai ser escolha da mulher, aceitar ou não. Não estou aqui falando se deviam ou não fazer isso. Estamos dando um lugar para as pessoas se encontrarem e serem transparentes.

AU: Quais são os planos para o futuro do “Meu Patrocínio”?

JL: Lançamos recentemente uma opção para pessoas do mesmo sexo. Futuramente, lançaremos um aplicativo. Queremos crescer e continuar esta revolução no mundo dos namoros online.

AU: Atualmente, existe uma vasta gama de sites de relacionamento na Internet; o que diferencia o “Meu Patrocínio” das outras plataformas?

JL: Nosso foco em fomentar relacionamentos honestos e transparentes sobre todos os assuntos, inclusive finanças, onde expectativas são claramente alinhadas desde o começo.

Para os interessados em conhecer melhor a plataforma de relacionamentos online “Meu Patrocínio”, basta entrar no site www.meupatrocinio.com – onde é possível criar uma conta e montar um perfil – ou ir até a página da empresa no Facebook.


Daniel Deroza – 3º período

A história se repete, a diversão também

300750.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx“Let’s make they pay” (Vamos fazer eles pagarem). Essa frase resume o espírito de vingança americano presente em grande parte dos filmes hollywoodianos. Filosofia seguida pelo diretor Roland Emmerich no longa “Independence Day: O Ressurgimento”, onde – há exatamente 20 anos depois da primeira invasão – alienígenas voltam para terra para concluir a missão de pegar o núcleo do planeta. História batida, mas que nunca perde a graça.

É importante ressaltar logo de início que as pessoas que gostaram do primeiro filme, muito provavelmente, irão gostar da continuação. Sim, continuação. Diferentemente de muitas franquias que estão voltando às telonas – como “O Exterminador do Futuro 5”, “Jurassic World” e Star Wars: O Despertar da Força” – “Independence Day: O Ressurgimento” não faz um simples remake da história passada e sim uma continuação da primeira trama, citando passagens importantes e abrindo portas para futuras produções.

A nova história é cheia de referências à trama antiga, despertando um grande sentimento de nostalgia nos fãs do clássico. Como já havia sido anunciado, “Independence Day: O Ressurgimento” conta com os mesmos atores importantes do primeiro filme, com exceção de Will Smith, que – devido a limitações orçamentais – não foi chamado para compor o casting. Outros personagens foram adicionados para dar continuidade às futuras histórias. Todavia, os novos integrantes não conseguem criar uma química entre si e não transmitem muita empatia ao público.

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Jeff Goldblum (David Levinson) e Bill Pullman (President Whitmore) se destacam novamente.

Roland Emmerich mais uma vez impressiona o espectador com belíssimos efeitos especiais e cenas de ações emocionantes. É verdade que o primeiro foi muito mais impactante, devido a tecnologia existente na época, mas a experiência visual e auditiva do novo longa também agrada. É tanta explosão e destroços de naves voando para todos os lados, que mais parece um filme do Michael Bay. Sensação ampliada devido a imersão proporcionada pela sala XPLUS Adobe Atmos, inaugurada semana passada no New York City Center, que oferece a mais avançada tecnologia de projeção cinematográfica existente no Brasil.

No fim das contas, “Independence Day: O Ressurgimento” não é nenhuma revolução cinematográfica, mas agrada quem assiste. Desde seu anuncio, o longa nunca prometeu ser uma obra de arte, mas sim divertir o expectador. Levando isso em conta, o filme é justo e deixa uma sensação de “quero mais” na cabeça de quem assiste.


Iago Moreira- 5º Período

Thriller nacional peca ao ignorar clichês do gênero

211017.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxDirigido por Julio Santi, o suspense sobrenatural “O Caseiro”, chega aos cinemas na próxima quinta-feira (23) e é o novo candidato a alavancar o cinema de gênero em solo brasileiro. Com um elenco composto por nomes já conhecidos do público – como Bruno Garcia, Leopoldo Pacheco e Denise Weinberg – o longa bebe da fonte de clássicos como “O Iluminado”, “O Sexto Sentido” e “O Amigo Oculto”, porém erra ao não saber trabalhar os clichês deste estilo de filme.

Na tela, Bruno interpreta Davi, um professor universitário que dá aulas de “Psicologia do Sobrenatural” e ganhou notoriedade ao escrever um livro no qual explica de maneira científica acontecimentos ditos paranormais. Por conta disso, a jovem Renata (Malu Rodrigues), uma de suas alunas, o vê como uma esperança de ajudar sua irmã mais nova, Júlia, que, nos últimos tempos, tem apresentado hematomas inexplicáveis, além de comportamentos estranhos.

Davi encara a situação como uma chance de escrever um novo livro sobre o tema e, logo, aceita investigar o caso, seguindo para a casa no interior, à beira de um lago, onde a garota vive com o pai, Rubens – personagem de Leopoldo –, e a tia, Nora – interpretada por Denise –, além de sua irmã, Gabi e a reclusa menina Lili. Ao chegar ao local, os familiares da garota afirmam que Júlia está sendo atormentada pelo espírito do caseiro, o qual se suicidou há décadas na propriedade.

Davi logo percebe que influência que o suposto fantasma tem sobre os habitantes da casa, que não permitem que os membros mais novos entrem na habitação do antigo empregado e trancam obsessivamente as portas sempre que o sol começa a se pôr. No entanto, com o passar do tempo, o professor passa a suspeitar que Rubens e Nora escondem algo.

O ponto alto do longa é a produção. A cinematografia possui um tom acinzentado gélido que casa perfeitamente com o clima de mistério da trama e não apela para cenas muito escuras, como muitos filmes do gênero fazem. A ambientação também funciona muito bem – uma casa afastada da cidade, cercada por um bosque. Além da trilha incidental dissonante que pontua os momentos de tensão.

O principal problema de “O Caseiro” é o roteiro, o qual não foi estruturado de forma a surpreender o espectador da maneira planejada. Os dois primeiros atos – cerca de cinquenta minutos – são focados na investigação de Davi a respeito dos acontecimentos que cercam Júlia. No entanto, os roteiristas Julio e Felipe Santi optam por guardar todas as revelações para o ato final, passando uma sensação de “inchaço” da trama nas duas primeiras partes.

A principal evidência desta falha está no segundo arco, no qual o roteiro passar a lançar suspeitas em todas as direções, fazendo o espectador ter a impressão de que a história está andando em círculos. A falta de estruturação do enredo fica mais evidente com a aproximação do clímax, quando surge um novo plot twist a cada cinco minutos, sem dar ao espectador o tempo necessário para absorver as informações apresentadas. E, ao final do filme, o roteiro deixa algumas pontas soltas, ao estilo “Tire Suas Próprias Conclusões” – sem deixar claro se estas aberturas foram intencionais ou não.

Além disso, o longa apresenta um excesso de personagens secundários que não agregam nada à trama – há, pelo menos, duas figuras que são apresentadas como importantes, entretanto, não possuem função alguma dentro da proposta. E, por outro lado, o enredo subaproveita atores talentosos. Sem dúvida, o caso mais notório é o da personagem Nora, interpretada pela premiada atriz Denise Weinberg, que, apesar do esforço para extrair algo a mais material limitado que lhe foi dado, está presente por tão pouco tempo na tela que o espectador tem a clara noção de talento desperdiçado.

No quesito atuação, o protagonista Bruno Garcia tem uma performance instável. Há sequências em que o ator acerta o tom de inquietude exigido com perfeição, mas há outros instantes em que sua interpretação oscila entre afetação e apatia – oscilação esta que vem sendo apontada ao longo de sua carreira. Ademais, o resto do elenco não tem nenhuma deixa que permita um monólogo marcante ou algo do tipo, tornando seus desempenhos apenas funcionais.

No entanto, a maior problemática do roteiro foi ter a pretensão de tentar evitar ao máximo os clichês de suspense, como os controversos jump scares – técnica que foi trabalhada com louvor por Stanley Kubrick em “O Iluminado” (1980), o qual, ao contrário de “O Caseiro”, possuía um enredo denso o suficiente para dispensar tal artifício. A propósito, mais do que se levar a sério demais, o longa se prende às características erradas do gênero thriller – um exemplo é a desnecessariamente espessa névoa criada por computação gráfica que cobre o lago durante o zênite da trama.

Por fim, “O Caseiro” é um projeto ambicioso que intenta tornar o cinema de gênero no Brasil um nicho mais amplo e lucrativo, porém o longa – ao não trabalhar com os clichês, buscando inovar dentro um estilo quase inexistente em solo tupiniquim – se enxerga muito maior do que, de fato, é, fazendo com que, ao final de 1h23min de duração do filme, o público deixe a sala de cinema com a sensação de que a obra de Santi era um média metragem feito para a TV que foi “esticado” além do limite a fim de alcançar o circuito comercial cinematográfico. Mas não deixa de ser uma experiência válida para abrir novos caminhos para o cinema brasileiro, dominado por comédias de qualidade duvidosa.


Daniel Deroza – 7º período

Zeca Baleiro lança novo CD na Fundição

Na noite do dia 18, a Fundição Progresso recebeu um evento muito especial: o lançamento do CD “Era Domingo”, do cantor e compositor Zeca Baleiro. No último sábado, então, foi realizado a sexta apresentação da nova turnê, a qual leva o nome do álbum, e já passou por cinco cidades do Nordeste. Além disso, o show de abertura ficou a cargo de Cícero, querido pelos jovens indie por seu estilo alternativo.

Por volta das 21:30 uma extensa fila já se formava à porta da Fundição e o público era bastante diversificado – desde grupos de adolescentes à idosos, passando por casais de meia-idade. Quando a entrada foi liberada, às 22:40, a maioria já se dirigiu para a pista a fim de garantir um bom lugar perto do palco.

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A apresentação de Cícero, marcada para 23:30, começou poucos minutos antes da meia noite, porém o público não se importou com o atraso e começou a vibrar assim que os músicos subiram ao palco, iniciando o concerto com a canção “O Bobo”, uma das mais famosas do cantor.

Já pela metade do show, Cícero explicou o por quê de não estarem interagindo muito com a plateia. “A gente está falando pouco para tocar mais músicas porque o nosso tempo é curto”, ele disse, deixando muitas pessoas da audiência “derretidas” com seu jeito calmo e meio tímido.

Antes de tocar a música “Terminal Alvorada” – a última da apresentação –, Cícero aproveitou para agradecer a recepção dos espectadores, até dos que não conheciam seu trabalho. “Muito obrigado ao pessoal aqui da frente que curtiu o show. E a galera que está lá atrás, que não conhecia, espero que tenham curtido e… Boa noite”.

Enquanto o staff desmontava os equipamentos da banda de abertura – o (elaborado) cenário do show de Zeca Baleiro já estava montado atrás das cortinas –, o grande público se aproximou mais do palco para poder acompanhar de perto a apresentação principal da noite.

Por volta de 01:30 da manhã, Zeca e sua banda subiram ao palco, sendo ovacionados pela plateia. Entre as faixas do novo CD, outros sucessos como “Proibida Pra Mim” e “Telegrama” foram tocados, para a alegria do público. E mesmo que “Era Domingo” tenha sido lançado recentemente, é claro que o público já sabia as letras de cor e cantou junto. Zeca se mostrou empolgado para a apresentação. “Espero que o público se divirta”, ele disse.

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Baleiro aproveitou a boa reação do público carioca à nova turnê e apresentou uma música que não está no CD: “Forró de Ilusão”, a qual mostra uma conversa entre um homem e sua amada e possui um trecho que fez os espectadores rirem alto: “Você prefere o Safadão e eu mais pra safadinho/Você não perde o Domingão e eu sou mais o Dominguinhos”.

Outro ponto de destaque foi a inclusão de releituras de canções de David Bowie, morto em janeiro deste ano, no repertório do novo álbum. Quando os primeiros versos de “The Man Who Sold The Word” foram pronunciados, a pista da Fundição veio abaixo. E Zeca falou um pouco sobre isso em uma breve entrevista à Agência UVA antes do show, na qual também discorreu sobre a recepção do público ao recém-lançado trabalho.

“Muito boa e calorosa [a recepção]”. Sobre a reação dos fãs, o cantor diz que “tem sido muito bacana. Fizemos cinco capitais nordestinas, fazemos a Fundição no sábado, depois, seguimos para Belo Horizonte, Sul e São Paulo”.

A respeito do novo CD, o cantor afirma que não tem uma inspiração específica. “Gosto de compor sobre tudo – relações humanas, paixões, prazer e dor”, ele diz. Quando perguntado se a inclusão de novas versões de músicas de David Bowie era algo que ele já tinha em mente ou se era uma homenagem, Zeca declara que “é uma homenagem; ouvi muito as músicas dele em uma época da minha vida”.

Protestos durante o show

Ao longo da noite, muitos dos presentes aproveitaram as pausas dos shows para iniciarem uma onda de “Fora Temer!” na pista. A maior parte dos protestantes eram jovens, porém, logo espectadores de várias faixas etárias se juntaram ao coro.

Durante o concerto de Cícero, os protestos não foram muito audíveis, apenas grupos isolados de adolescentes que encontraram uma brecha para expressarem sua opinião, no entanto, no show principal, o movimento ganhou força.

Quando uma nova leva da frase que tem sido ouvida com bastante frequência nos últimos tempos voltou a ser ouvida durante a apresentação se Zeca Baleiro, o cantor não se incomodou com o “levante” e expôs seu ponto de vista.

“Os discursos estão muito extremados na vida como um todo e a política é um reflexo disso”, ele declarou. “Uma nova Revolução Francesa vai ter que acontecer e cabeças vão para a guilhotina”.

Além disso, Zeca coordenou uma breve sessão de controle de respiração com fundo musical para arrefecer os ânimos na plateia, afirmando que a música é capaz de acalmar e elevar o espírito das pessoas.


Daniel Deroza – 3º período

Rio de contrastes: entre mares e medos

Fabio Teixeira. Salto em Copacabana (menino brinca de saltar na praia de Copacabana, Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro), 2013. Col. do artist

Fábio Teixeira. Salto em Copacabana (menino brinca de saltar na praia de Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro), 2013.Col. do artista

Cidade privilegiada de belezas naturais seja do Leme ao Pontal ou nos refúgios da flora como o Jardim Botânico e a Floresta da Tijuca. Palco de grandes eventos anuais como o Carnaval e Réveillon também de esporádicos Rock in Rio, Copa do Mundo e Olimpíadas. Esse é o Rio de Janeiro que atrai milhões de turistas por ano e faz da cidade maravilhosa a segunda que mais recebe visitantes no Brasil perdendo apenas para São Paulo. Mas os cariocas não vivem em um paraíso, pois sempre que sai de casa convivem com a incerteza se conseguiram voltar. Fabio Teixeira. Salto em Copacabana (menino brinca de saltar na praia de Copacabana, Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro), 2013. Col. do artist

A exposição Linguagens do Corpo Carioca [a vertigem do Rio] tem a proposta de mostrar exatamente o cenário de contrastes, que compõe o painel Rio de Janeiro. Essa mostra conta com mais de 800 obras de artistas como Evandro Teixeira,Pierre Verger, Mario Testino, Bruno Veiga e Ana Stewart, faz parte da programação FotoRio2016 e está instalada no Museu de Arte do Rio.

Todo carioca é resultado de uma construção social plural. Logo na entrada da exposição “Linguagens do corpo carioca [ a vertigem do Rio]” há o espaço “Cinematográfico afrodescendente” que mostra imagens em slide afirmando que a formação social do Rio é plural, pois na cidade maravilhosa o racismo escravocrata convive com uma floração cultural e de práticas sociais críticas como processos dinâmicos de formação da cidadania afrodescendente. Dentro dessa mesma abordagem estava o “Homem Cordial” que por meio de fotografias mostra o afastamento, mas também a aproximação e a camaradagem entre as classes sociais presentes nas imagens do antigo Píer de Ipanema, no cotidiano das quadras de samba e nas comunidades.

Além disso, o carioca assim como todo brasileiro tem em seu DNA um pouco dos colonizadores europeus, principalmente os portugueses. Essa relação entre português e africanos durante a Brasil colônia é de total segregação, em que brancos são senhores e detentores de terras, enquanto negros são explorados e subalternos o que é mostrado pelos slides da exposição.

Walter CArvalho. Universidade Federal

Walter Carvalho. Universidade Federal

Minorias hoje, mas no passado detentores das terras. O espaço “Corpos inconstantes” é onde os indígenas são retratados como parte da construção do Ser Carioca. Padres jesuítas classificaram os índios como inconstantes, pois eles trabalhavam um dia e no outro pareciam ter se esquecido o que fizeram anteriormente. Mas esse comportamento nada mais era que uma forma dos tupiniquins resistirem as imposições não apenas físicas como ideológicas e religiosas que sofriam por parte dos colonizadores.

Até hoje, os povos indígenas tentam resistir e manter seus costumes no mapa da cultura brasileira. Um traço dessa resistência é a Aldeia Maracanã, que ficava na zona norte do Rio de Janeiro, onde índios de diferentes etnias ainda lutam para permanecer no local e dar prosseguimento nos rituais das suas origens, mas a copa do mundo e agora as Olimpíadas tem sido as barreiras, que um dia foram os portugueses, para a cultura indígena continuar viva.

Domingo eu vou ao Maracanã. Não há como falar do Rio de Janeiro, sem citar o Maracanã, estádio que já foi palco de duas finais de copa do mundo, abertura e encerramento do pan-americano e futuramente dos jogos olímpicos 2016 além de campeonatos locais/ nacionais Carioca, Brasileirão e Copas do Brasil. Esse lugar é também um dos preferidos dos cariocas nas horas de lazer e, na exposição é retratado com fotografias de algumas das torcidas como a do Flamengo e Vasco, mas também já foi marcante para títulos dos tricolores e alvinegros cariocas. Além disso, já recebeu os maiores públicos do futebol brasileiro, como o Brasil x Uruguai na final da copa do mundo com 199.854 pessoas e um dos jogos no ranking foi um clássico estadual Fla x Flu recebendo 194.603 de amantes do esporte que é a paixão nacional.

Gustavo Malheiros. Anônimos Famosos

Gustavo Malheiro. Anônimos Famosos

Mas não é só de momentos alegres torcendo no futebol que vive um carioca. “Corpos melancólicos” é o lugar da exposição que mostra em fotografias que o cidadão da cidade maravilhosa também enfrenta dilemas tristes como qualquer ser humano. Medo e morte, sentimentos despertados pela insegurança de viver em um lugar cada vez mais violento, além da solidão causada muitas vezes pela correria do dia a dia agitado da vida cosmopolita do Rio. Essa temática norteia o espaço ao lado chamado “Corpos metropolitanos”, revela que o Rio de Janeiro simboliza o Brasil no mundo e hoje o carioca resiste ao colonialismo interno com improviso mesclado com informalidade. Os curadores Paulo Herkenhoff e Milton Guran afirmam que “Ser carioca é um estado de espírito que une toda região metropolitana do Rio capaz de zombar do poder e rir de si mesmo”.

Verão, sol e praia é a combinação perfeita para um perfil típico carioca. Nesse cenário se encaixa as fotografias do “Corpos e água” mostrando casais e garotos aproveitando os mares e areias do Rio de Janeiro, seja para desfrutar a paisagem ou para jogar um altinho com os amigos, pois a bola de futebol também pode ser uma boa companhia para o carioca. Além disso, há ainda imagens de pessoas que aproveitam para pegar uma onda com suas pranchas de surf. Água é o que não falta seja mar, lagoa ou cachoeira há diversas formas do carioca se refrescar e encarar os dias de Rio 40°. Assim, não há como negar que a cidade maravilhosa é uma região brasileira realmente privilegiada.

Cinara da Serrinha 2003. Ana Stewart

Cinara da Serrinha 2003. Ana Stewart

Faces do medo resultado da violência. “The Earth Summit” é uma série de fotografias colocadas por cima de espelhos, que ficam posicionadas no chão da galeria. Elas retratam rostos desfigurados pela violência do estado. Cenas que normalmente são evitadas de serem mostradas pelos veículos de comunicação para o público, pois causam choques em todos que observam, são colocadas ali diante de qualquer visitante mostrando a realidade do ser carioca indo além do maravilhosa que a cidade carrega em si.

Além disso, há dois espelhos sem imagens nesse espaço com a finalidade de fazer quem olha buscar ver a si mesmo e refletir se está tentando reverter a brutalidade da metrópole ou apenas fechando os olhos para tudo o que acontece ao redor. Por fim, na exposição, há duas maquetes que representam momentos diferentes de um jovem de uma comunidade carioca, primeiramente um garoto soltando pipa já na segunda sendo refém tendo armas apontadas para si e sua família.

“Linguagens do corpo carioca [ a vertigem do rio]” é uma exposição que busca retratar o Rio de Janeiro por um outro ângulo com relata o visitante Gabriel Vieira, “Um pouco do Rio que não é normalmente visto. Um Rio suburbano, um Rio que sofreu influências, um Rio que sofre. Rio de Janeiro”.

Essa mostra de responsabilidade dos curadores Paulo Herkenhoff e Milton Guran vai ficar na programação do Museu de Arte do Rio até o dia 9 de outubro, com visitação aberta das 10 ás 17h, menos as segundas, pois o espaço não funciona. Além disso, a entrada é franca as terças-feiras, já nos outros dias o ingresso custa R$ 10,00.


Beatriz Santos – 7° período

 

A Madrinha do samba sacode o Imperator

 

Na última quarta-feira, 15, o teatro da Casa de Cultura João Nogueira, o Imperator, recebeu o público para um evento mais que especial – tratava-se do show da Madrinha do Samba, Beth Carvalho. A apresentação era o principal acontecimento da comemoração de quatro anos desde a reabertura do Imperator. Porém, o destino agiu, fazendo com que, neste mesmo ano, a cantora celebrasse setenta anos de vida e cinquenta de carreira.

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Mesmo com o início do show marcado para às 21h, por volta das seis da tarde, uma considerável fila – composta majoritariamente por mulheres da terceira idade – já se formava em frente às portas do salão. Um detalhe importante é que a entrada do evento eram duas latas de leite em pó, as quais, posteriormente, serão doadas à Instituição Casa de Lázaro.

Desde antes da abertura dos portões, via-se um empolgado público, o qual, volta e meia, soltava frases como “o show dela é sempre maravilhoso”, “ela é incrível”, etc. No interior do teatro, uma das arquibancadas de poltronas foi recolhida para que as pessoas tivessem espaço livre caso quisessem se acabar no samba.

Antes de Beth subir ao palco, foi apresentado, em um telão, um vídeo no qual diversos artistas como Bibi Ferreira e Maria Bethânia deram declarações a respeito da sambista. “A Beth é o samba em forma de mulher”, declarou, Zeca Pagodinho, afilhado musical da cantora. Após o encerramento da mídia, as cortinas se abriram e o público foi ao delírio com a entrada na cantora.

Ao longo da apresentação, Beth cantou seus maiores sucessos, como o hino dos festivais, “Andança”. A sambista também divertiu a plateia contando histórias de sua época de boemia. “Sempre que a gente chegava em um bar depois do show, os garçons já falavam ‘é hoje que a gente não sai daqui’´”, relembrou, aos risos.

Antes de iniciar a canção “Folhas Secas”, Beth mostrou ao público um presente especial, o qual mostra a importância de sua trajetória. “Esse cavaquinho, para mim, é uma relíquia, porque quem me deu foi o Nelson Cavaquinho”, ela disse, erguendo o instrumento para que todos pudessem vê-lo. A cantora também ressaltou a importância dos fãs para um artista. “Já pedi a compositores para fazerem canções dedicadas os fãs; vamos ver se eles fazem”.

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O ponto alto da noite foi o momento em que Beth Carvalho cantou sua música mais famosa, “Vou Festejar”, a qual foi anunciada como a última do show. Porém, segundos após o apagar das luzes do teatro, as cortinas voltaram a se abrir e Beth animou o público cantando as mais tradicionais marchinhas de carnaval do Rio de Janeiro.

No entanto, esta não foi a única surpresa da apresentação. Cerca de um minuto após o show, de fato, encerrado, o pano voltou a ser aberto, e Beth Carvalho e todos os seus músicos e membros do coro surgiram no palco erguendo uma grande faixa branca com os dizeres em vermelho: “Viva a Democracia”. Instantaneamente, a plateia se declarou em uníssono: “Fora Temer!”. E este foi o fim da noite comandada pela Madrinha do Samba.


Daniel Deroza – 3º período 

 

 

Romance musical

No último fim de semana, na virada de sábado para domingo, a Fundição Progresso deu continuidade à sua tradição de apresentar dois shows em uma única noite. Desta vez, as atrações foram grupos já conhecidos do público e de sucesso nacional: Skank, em sua nova turnê – “Velocia” –, e Cidade Negra, que cantou as músicas mais famosas, fizeram o público sair do chão logo nas primeiras horas do Dia dos Namorados, comemorado no último domingo, dia 12.

Por volta das 21:30, cerca de duas horas e meia antes da hora prevista para o começo da primeira apresentação, uma extensa fila já se formava na porta da casa – todos à espera da liberação das catracas para conseguir um bom lugar perto do palco. Como já era de se esperar, a maior parte da audiência era composta por casais – e, a maioria, acima dos trinta anos de idade e até idosos, além, é claro, dos inúmeros jovens, os quais já são habitué na Fundição.

A primeira banda a subir ao palco foi o Skank, que assumiu seu posto à meia-noite. O grupo tocou um set list mesclado de canções inéditas e hit parades como “É Uma Partida de Futebol” e “Vou Deixar”. Ao longo do show, o vocalista aproveitou para deixar clara a sua posição em relação ao atual momento do Brasil. Após a canção “Te Ver” – que possui um trecho que diz “É como não morrer de raiva com a política” –, Samuel declarou “É incrível que uma música feita em 94 continua sendo atual graças a esta corja de políticos! ”.

Skank

Skank

Sobre o concerto, o líder da banda se mostrou contente com a recepção do público ao novo álbum. “Lembro da primeira vez que a gente tocou na Fundição. E nós nos apresentamos aqui quase todos os anos desde então; eu lembro da casa cheia, mas não como hoje”, comenta o artista, e completa revelando que “no nosso primeiro show na Fundição, muita gente que está aqui hoje ainda nem tinha nascido. É muito bom saber que o tempo passou e o Skank continua juntando um pessoal legal”.

Um dos momentos altos da noite foi quando o cantor Toni Garrido “invadiu” o palco – já perto do final da apresentação – e dançou abraçado a Samuel, para o delírio do público. Após o vocalista do Cidade Negra deixar o palco, Rosa fez comentários que levaram a plateia às gargalhadas. “Uma vez, no Nordeste, um cara invadiu o palco e me deu uma gravata. O Toni escapou de levar uma cotovelada, porque durante um show, depois deste incidente, ouvi a plateia começar a gritar durante uma música lenta e eu levei outra gravata; então, quando armei a cotovelada, vi que era a Ivete Sangalo”, conta o músico.

Ao fim de mais de duas horas de apresentação – contanto com o bis, exigido pela audiência –, chegara a vez do Cidade Negra assumir o palco, quando o relógio já se aproximava das três da manhã. A primeira música tocada pelo grupo oriundo da Baixada Fluminense foi o hino de muitas formaturas Brasil afora – “A Estrada”. E, em seguida, a banda cantou outro sucesso, “Girassol”. Ao longo de todo o show, o público pode assistir a um empolgadíssimo Toni Garrido, que usou e abusou de seu espaço de atuação, circulando e dançando pelo palco, saudando seus companheiros e incitando a audiência a cantar junto com ele.

Cidade Negra 2

Cidade Negra

Para as pessoas acostumadas com os hits calmos, melódicos e suaves do Cidade, o repertório do show foi, de fato, uma surpresa. O grupo preparou novos arranjos para suas canções, utilizando-se de influências do rock e do hip-hop para dar uma nova roupagem ao som majoritariamente composto por reggae da banda – e a escolha, sob certo ponto de vista, arriscada, pareceu agradar ao público, o qual pulava e cantava cada vez mais alto a cada música. O Cidade também apresentou suas releituras de músicas de outros artistas, como “Tempo Perdido”, do Legião Urbana e “Sábado À Noite”, de Lulu Santos.

Todo o concerto possuía ares de grande produção – quase a altura de megaeventos, como o “Rock In Rio” –, com direito a trocas de roupa por parte de Garrido e inúmeras sessões de improviso dos outros componentes do grupo, que pareciam se desafiar a fim de elevar cada vez mais o nível da apresentação. E se a performance do Skank teve o ápice em uma “invasão” ao palco, pode-se dizer que o show do Cidade Negra atingiu seu clímax em um momento semelhante. Durante o bis, quando Toni indagou qual música a plateia gostaria de escutar, um fã de carteirinha fez de tudo para que seu pedido – a canção “Mucama” – fosse ouvido.

Toni Garrido e Negro Z

Negro Z e Toni Garrido

Ao ver a ansiedade do rapaz, Toni não só cantou a pedida, como convidou Ricardo Júnior – que se apresentou com Negro Z – para se juntar a ele no palco. Além disso, Garrido também abriu espaço para que o jovem, de vinte e cinco anos, cantasse um trecho sozinho, sendo ovacionado pela plateia. Após o fim do show, vários grupos se dirigiram a Ricardo para cumprimentá-lo e parabeniza-lo pelo feito. “Eu vim lá de Saquarema só para ver este show. É gostar muito de uma banda. Eu estou muito feliz! ”, declara Negro Z, que já viajou mais de uma vez para longe de sua cidade para acompanhar o Cidade Negra.

Já amanhecia quando o público começou a se retirar da Fundição – incontáveis casais, que viram na noite de show em dose dupla de duas bandas consagradas a oportunidade perfeita para comemorar juntos uma data de grande importância para namorados, noivos, casadas, “amigados” e afins: o Dia dos Namorados. E nada melhor do que a música – sendo esta uma das formas mais sublimes de expressar sentimentos e emoções – para celebrar o amor.


Daniel Deroza– 3º Período