Uma afinidade pelo desconhecido

“ComCiência” é a primeira exposição individual da artista australiana Patricia Piccinini e está fazendo muito sucesso no Brasil. Depois de passar pelos Centros Culturais de Brasília e São Paulo, recebendo mais de 500 mil visitantes, a mostra chega ao Rio de Janeiro com duas novidades, “Breath Fruit” e “The Breathing room”. Além disso, as demais obras são compostas por seres que geram, ao mesmo tempo repulsa e empatia devido as formas e expressões.

A escultura “Breath Fruit”, criada especialmente para preencher o espaço da rotunda (salão de entrada do CCBB) Segundo a artista, “o grande desafio foi conceber uma obra adequada à escala do lugar e ao mesmo tempo à intimidade sugerida pelo restante da mostra”. Já a segunda novidade se chama “The Breathing room”, um quarto interativo que proporciona uma imersão multissensorial.

Breath Fruit.jpg

Breath Fruit

É difícil resumir em palavras a experiência de entrar no “The Breathing room”, mas – contextualizando – o “Quarto que respira” (tradução literal) imerge o público em uma espécie de corpo humano, estimulando de três maneiras as sensações do expectador. Projeções de imagens, movimentação do piso e músicas ambientes são as técnicas usadas nesse processo. Um fato curioso é que conforme a respiração do quarto aumenta, as ações ficam mais intensas.

Já a escultura inflável “Breath Fruit”, tem quase 25 metros de altura e 9,5m de largura, que – à primeira vista – esconde uma menina de olhares fixantes, mas quando o ar enche o balão, revela uma índia ajoelhada sob a obra. Patricia Piccinini define como “o equilíbrio de contrastes. O volume massivo do objeto suspenso sob uma pequena garota imóvel”.

“Amor à segunda vista”. Foram as palavras escolhidas pelo curador Marcello Dantas para resumir a exposição. O especialista disse isso, pôs as criaturas da artista australiana, em um primeiro momento, podem causar repulsa, mas ao decorrer da analise acabam gerando uma empatia de quem vê. No início “Undivided” (indiviso) é uma obra composta por um garoto deitado e abraçado com um ser ‘diferente’. Ela traz uma aflição para quem observa, já que o público adulto em geral não é capaz de se entregar ao desconhecido. No entanto, ao fim da mostra “The Long Awaited” consegue despertar uma proximidade de quem observa, pois mostra um jovem menino com um ser desconhecido já idoso que deixam transparecer um carinho mútuo nas expressões.

Picinnini_LeoAversa-66.jpg

The Long Awaited

Durante toda a exposição, Patricia Piccinini busca sentimentalizar objetos inanimados, como a obra “The Lovers” (os amantes), que é composta por duas lambretas entrelaçadas, passando uma sensação de paixão entre elas. Além disso, funde características do seres humanos, animais e plantas, como na escultura “Metaflora” e “The coup”. Maria Lúcia (62), gostou bastante do que viu. “Eu entendi que ela quis despertar uma consciência no homem com relação ao animal mostrando diferenças entre as formas” completa a visitante satisfeita de ter conseguido desvendar a artista.

A exposição “ComCiência” mudou a visão da visitante Sara Junker (18), que disse que a mostra foi “muito interessante, porque ajuda encarar o diferente de uma forma não assustadora por meio da leveza das criaturas das obras”. As obras da artista australiana Patricia Piccinini, que conta com a curadoria de Marcello Dantas, ficará em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil até o dia 27 de junho, com visitação aberta das 9h às 21h, menos as terças, pois o espaço não funciona. A entrada é franca.

Este slideshow necessita de JavaScript.


Beatriz Santos– 7° período

 

Eles estão de volta

Após mais de 10 anos separados, Seu Jorge e Ana Carolina se reencontraram no palco do FM Hall na última quarta (25) para dar seguimento a superparceria. Durante o show, a dupla esbanjou talento, alegria e levou o público a loucura. Eles também relembraram músicas pessoais de sucesso e aproveitaram para lançar a mais nova composição do projeto: “Mais uma vez nós dois”. A ideia dessa nova turnê veio após serem chamados para cantar em Las Vegas para Roberto Carlos, foi então que eles se deram conta de que já era hora de relembrar os antigos sucessos juntos.

Durante a apresentação os cantores relembraram os hits de sucesso e ainda fizeram piadas com o tempo que ficaram separados. “Tanta coisa aconteceu. Aquela época eu deveria ter umas quinze comunidades no Orkut, mais ou menos. O mosquito da dengue só passava dengue”, ironiza Seu Jorge, que brinca chamando o projeto da dupla de “Filho de Preto com Gay”, forma de criticar os preconceitos da sociedade atual.

O ator Stenio Garcia, que lançou o cantor Seu Jorge para o Brasil no canal futura, também estava presente. “São dois monstros, dois gênios juntos. Isso só pode ser incrível. O seu Jorge me agradece até hoje, então, eu precisava vir prestigiá-lo”, conta o artista. A nova turnê da dupla ainda vai passar por Florianópolis e Porto alegre, prometendo sacudir e levar muita alegria para o público.

Este slideshow necessita de JavaScript.


Brigida Brito – 7º período

Unidos pela música

Na última quarta-feira, 25, jovens de todos os cantos do Rio de Janeiro se dirigiram para a Fundição Progresso, na Lapa, a principal zona boêmia da cidade. O motivo da reunião era o aguardado “Encontro das Tribos”, um evento que trouxe como atração quatro bandas que representam o rap e o reggae nacionais.

O público começou a se aglomerar em torno da casa por volta das 21h, quando ainda faltava uma hora para a abertura das catracas, de acordo com a programação anunciada. Às dez da noite os espectadores já circulavam pelos salões e em direção à pista principal, à procura do melhor lugar para assistir ao show.

Enquanto o primeiro grupo não subia ao palco, uma seleção musical fazia as estruturas vibrarem a cada nota. À espera do show, o público aumentava o tamanho das filas formadas nos pontos de distribuição de pulseiras, as quais davam acesso ao bar.

DSC_1052

Banda Haikaiss

A primeira apresentação só foi iniciada por volta de meia-noite e meia – embora estivesse marcada para começar às onze da noite. E quem assumiu o palco foi o grupo Cacife Clandestino, que agitou o público ao som de composições próprias e de outras bandas que são conhecidas da grande audiência. Para encerrar, o público cantou junto o sucesso “Beija-flor” e o Cacife se despediu pedindo muito barulho da plateia.

Após um breve intervalo, chegou a vez dos integrantes do Costa Gold tomar posse dos microfones e fazendo a pista encher ainda mais quando a primeira música começou a reverberar pelos corredores da Fundição. O público se apertava na pista comum – a mais próxima do palco – para tentar chamar a atenção dos membros da banda cantando as músicas a plenos pulmões, ou para tentar tirar a melhor foto possível.

O Costa Gold se despediu agradecendo à plateia. “Muito obrigado, viu, rapaziada. Um beijo daquele canto até aquele canto”, disseram, apontando para as extremidades da pista lotada, onde uma agitada audiência gritou em saudação à banda, que já deixava o palco, iniciando mais uma pequena pausa.

Mesmo com a animação das pessoas, as quais celebraram cada umas das músicas das bandas apresentadas anteriormente, sem sombra de dúvidas, o público foi ao delírio com o começo da apresentação da banda Maneva, a única representante do reggae da noite.

DSC_1031

Tales, cantor da banda Maneva

A partir deste momento, a cantoria das pessoas se tornou mais alto, fazendo coro ao vocalista e guitarrista do grupo, Tales. Ao longo do show, na pista escura, via-se incontáveis pontos iluminados, oriundos dos celulares que os espectadores utilizavam para gravar a apresentação. O momento alto aconteceu durante a canção “Reviso Meus Planos”, que levou algumas meninas às lágrimas. “Queria agradecer a cada um de vocês, cada alma, cada coração”, Tales disse ao deixar o palco.

Sobre o bem-sucedido show, o líder da banda se mostrou contente. “É muito bom estar de volta ao Rio de Janeiro, estar de volta na Fundição”. Acerca do fato de a Maneva ser a representante do reggae em uma noite dominada pelo rap, Tales destacou a colaboração do público. “Ser a única banda de reggae entre outras de rap e ser tão bem recebido, é incrível”, ele declarou.

Para encerrar o Encontro, o grupo Haikaiss subiu ao palco e agitou a plateia. E uma ação que foi repetido várias vezes ao longo do show pelos integrantes foi agradecer ao público por ter permanecido até aquele momento – afinal, já passava das quatro e meia da manhã. No meio da apresentação, a banda surpreendeu a todos, chamando uma pessoa da pista para “se arriscar” entre os profissionais. O garoto sorteado mandou bem e foi ovacionado.

Além disso, o grupo recebeu a visita de um convidado ilustre: o grupo carioca de rap “Oriente”, que fez a plateia vibrar. A Haikaiss fez o show mais longo da noite e, após a música hit “Sem Graça”, encerrou seu momento no palco pedindo ao público que, mesmo que suas músicas façam apologia à bebida, não se deve misturar álcool e direção.

Além desta última mensagem, um detalhe que chamou atenção foi a maneira como uma banda reverenciada a outra, mostrando toda a harmonia que cerca o “Encontro das Tribos”.


Daniel Deroza – 3º período

Saúde na América do Sul

Aconteceu nesta terça (24), no auditório da Universidade Veiga de Almeida, no Campus Tijuca, o Seminário Internacional de Enfermagem, com o tema de “Conversações Sobre Políticas Públicas de Saúde na América do Sul”. Professores e convidados abordaram o assunto de uma forma descontraída, trazendo um grande aprendizado sobre o atual quadro médico, mostrando principalmente casos no Brasil e Colômbia, ressaltando também a diferença entre eles.

Liderando sobre as questões de política pública do país estrangeiro, estava a Drª. Dolly Arias Torres, colombiana de nascença e especialista em Ciências da Saúde. Durante a palestra, a profissional mostrou pontos positivos e negativos do sistema de saúde pública de sua terra e sugeriu possíveis soluções sobre o assunto.

DSC_7935.JPG

Em tom de comemoração, a palestrante disse que a discussão sobre esse tema tem se tornado muito comum na Colômbia, mobilizando pessoas para se filiar a um movimento que antes não existia. Para a Doutora, saúde é um direito fundamental, e a Enfermagem é uma profissão do mundo, uma das primeiras a existir. Ao fim do seminário, Dolly se viu satisfeita com o resultado. “Eles (alunos) obtiveram consciência de que nunca se deve parar de estudar, e que a unificação das nacionalidades é um caminho para a solução”, finaliza a especialista.

Durante a palestra, as diferenças entre os dois países foram citadas constantemente. Segundo o professor de enfermagem Paulo Roberto Ferreira, as questões sobre políticas públicas de saúde são mais questionadas e debatidas no Brasil. Porém, o educador ressalta que pontos como a baixa cobertura para a população são questões negativas comuns entre os dois países.

Para Márcio Tadeu Oliveira, Coordenador do curso, o evento não só enriqueceu os conhecimentos dos alunos, como também os dos profissionais que estavam presentes, que puderam debater políticas públicas de sua área trabalhista, além de conhecer como o sistema funciona em outro país.

A estudante do terceiro período de enfermagem, Mielli Sousa, ressalta a importância de adquirir conhecimento com grandes profissionais. “Saio daqui mais preparada para minha futura profissão e para debater questões de melhoria para minha área, sem dúvida foi um seminário muito enriquecedor”, completa a aluna.


Bruna Brandão- 5º Período

Através do espelho: hora do chá e das Maravilhas

Está quase na hora. Seis anos após o grande sucesso de bilheteria “Alice no País das Maravilhas”, a Disney leva aos cinemas o segundo filme da trama “Alice – Através do Espelho”, que estreia nesta quinta (26) nos cinemas. Depois de uma longa viagem pelo mundo, Alice (Mia Wasikowska) retorna através de um espelho mágico à terra fantasiosa. Ao chegar lá, a jovem descobre que seu melhor amigo, o Chapeleiro Maluco (Johnny Depp), corre risco de morte após fazer uma descoberta sobre o passado.

327086.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxPara salvar o amigo, Alice literalmente tem que lutar contra o Tempo (Sacha Baron Cohen) – sim, é um personagem – para tentar mudar o traumático destino do Chapeleiro. Embarcando nessa fascinante viagem entre diferentes fases, a jovem descobre um trauma que separou as irmãs Rainha Branca (Anne Hathaway) e a Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter).

Mesmo não estando mais na função de diretor, e sim como produtor, Tim Burton deixa traços artísticos perceptíveis em “Alice Através do Espelho”, mas isso não diminui a qualidade do longa. Não se pode negar que a adaptação do livro de Lewis Carroll busca tirar o lado sombrio do texto e transformar numa aventura encantadora e mais familiar. James Bobin (“Os Muppets” – 2011) foi o responsável por comandar a obra. A história imerge o espectador em belos efeitos sonoros de viagens no tempo, gráficos visuais bem trabalhados e um figurino impecável. A música “Just Like Fire” foi gravada pela cantora P!nk para ser a trilha sonora do longa, onde a artista se transporta para o universo fantasioso.

Na continuação de “Alice no País das Maravilhas”, o Chapeleiro Maluco é o motor narrativo do filme, Johnny Depp domina com facilidade os trejeitos e falas do personagem. O roteiro ousado, partir por uma outra vertente e tratar de conflitos diários, como o caso de embates entre as gerações –que existe entre Alice e sua mãe –, pois a jovem passa a representar uma nova geração de mulheres independentes que não querem só ter filhos e cuidar da casa. O filme deixa uma mensagem que não passa despercebido, mostrando o quão é importante estar sempre junto da família e amigos. “Dizem que o tempo é um grande inimigo, mas não é. O tempo nos dá segundos, minutos e horas para podermos aproveitar ao lado de quem amamos”, finaliza Alice em uma das cenas do filme.

“Alice – Através do Espelho” é praticamente uma gênese do primeiro filme. A história volta no tempo e faz com que o público veja o passado do Chapeleiro, da Rainha Vermelha e da Rainha Branca, para entender as diferentes origens de cada um. O novo filme sobre a célebre personagem não prevê uma continuação – um terceiro longa – mas a nova adaptação busca encantar e divertir a todos. No fim das contas, a obra agrada até mesmo aqueles que não são fãs do conto. Afinal, como diz a própria personagem principal, quando o assunto é Alice no País das Maravilhas “we’re all mad” (somos todos loucos), mas de paixão.


Brigida Brito- 7º Período

Caminhos da reforma psiquiátrica

Na última sexta (20) o auditório do campus Tijuca da Universidade Veiga de Almeida recebeu os participantes da “XII Luta Antimanicomial”, um evento anual que tem como objetivo destacar a importância dos novos métodos de tratamento mental, além de reafirmar os princípios da reforma psiquiátrica, iniciada nos anos 70.

Logo no período da manhã, houve um debate a respeito da relevância da arte como parte da terapia de pacientes com transtornos mentais. Aproveitando a deixa, foi apresentado um vídeo com trechos do recém-lançado filme “Nise – O Coração da Loucura”, o qual mostra um recorte da vida da doutora Nise da Silveira, conhecida internacionalmente por revolucionar a Psicanálise.

Pelos fragmentos mostrados, fica claro como a arte-terapia é muito mais eficaz do que outras técnicas que eram bastante utilizadas até as últimas décadas do século passado, como a lobotomia e a convulso-terapia, que causam sequelas permanentes nos indivíduos.

DSC_0863

O debate contou, ainda, com a presença ilustre de Antônio Quinet, psicanalista autor do livro “Teoria e Clínica da Psicose”. Ele também é dramaturgo, sendo o nome por trás da peça “Hilda e Freud”, que trata das sessões do pai da Psicanálise com sua mais famosa paciente, a poetisa Hilda Doolittle.

Ao subir ao palco, Quinet falou um pouco sobre o Hospital Psiquiátrico Pedro II, onde Nise trabalhou; ele contou que conheceu o local e que os pacientes mostrados na película são citados nominalmente, ou seja, nome e sobrenome reais foram usados. Antônio contou, também, que naquela época – por volta dos anos 40 e 50 – existiam muito manicômios particulares. “A indústria da loucura, felizmente, não existe mais”, comemora o autor.

No entanto, o escritor se mostrou chocado com o fato dos eletrochoques estarem voltando a serem utilizados – “com carga reduzida, é verdade, mas não deixa de ser preocupante”. E, para encerrar, Quinet ressaltou que “a clínica da reforma psiquiátrica é a clínica psicanalítica, que trata o indivíduo como sujeito e não como objeto”.

No período da tarde, o auditório se transformou em um “cinema” com a projeção da peça de Antônio Quinet, “Ar Tor Quato”, que fala sobre a vida do poeta Torquato Neto. Após a exibição, um breve bate-papo foi feito acerca da montagem, que lança mão do jogo de palavras, brincando com a linguagem, para mostrar que viver seria driblar a loucura a cada dia.

A arte da loucura

Depois dos acontecimentos da manhã, os participantes da XII Luta Antimanicomial foram convidados a se dirigirem ao Salão Preto, onde verdadeiros pacientes de clínicas psiquiátricas puderam expor seus trabalhos, os quais incluem pinturas em telas, esculturas e outros tipos de obras artesanais.

Na hora do almoço, a exposição foi ‘invadida’ pelo “Bloco Carnavalesco Loucura Suburbana”, composto por indivíduos em tratamento, os quais tocaram instrumentos, cantaram e dançaram ao som da bateria, o que animou o grupo que se deslocou do auditório para vê-los e chamando a atenção do resto da universidade, causando uma verdadeira comoção. Em seguida, o bloco se dirigiu à Vila Universitária, para encerrar o ‘desfile’.

DSC_0891

Grupo Loucos por Arte

No turno da noite, o grupo “Loucos por Arte” foi convidado a subir ao palco para realizar a aguardada oficina de música. E, ao longo do “mini-show”, os integrantes tocaram grandes sucessos de cantores brasileiros, como Tim Maia e Legião Urbana, além das canções autorais “Zé Lelé” é “Tarja Preta”; o público, muito animado, se levantou das poltronas, dançou, cantou junto e ainda pediu bis.

Depois, o grupo artístico apresentou uma pequena montagem teatral – sem título – na qual o personagem Felizardo, um paciente de um Centro de Atenção Psicossocial (CAP), no ano de 2050, que recebe a visita de um viajante do tempo que o leva para conhecer a realidade dos manicômios, que surpreendentemente ainda estão em funcionamento em pleno 2016.

Após os aplausos fervorosos recebidos pela peça, foi realizada uma breve gincana, na qual os presentes deveriam responder a perguntas acerca de tópicos relativos à Luta Antimanicomial e, os que acertassem, ganhariam um livro de Antônio Quinet, que estavam expostos na área externa do auditório desde a manhã. Quatro pessoas foram contempladas pela brincadeira ao final de um dia que deixou uma mensagem muito importante: “Não se deve lutar contra manicômios com muros, mas sim contra cabeças manicomiais”.


Daniel Deroza– 3 Período

Força feminina

Para lutar contra o machismo e tantos outros problemas presentes no cotidiano, é cada vez mais comum encontrar mulheres que se reunem em grupos – virtuais ou não – para debater e colocar em prática ideias que possam melhorar o convívio em sociedade. E esses movimentos também já são parte da vida estudantil. Seguindo o exemplo de outras faculdades, foi criado, na Universidade Veiga de Almeida, o Coletivo Feminista.

13043467_1009786132437845_1400854449832461120_nNo grupo do Facebook, as alunas criaram um espaço só para elas: seja para relatar atos machistas sofridos dentro da universidade, pedir ajuda com projetos de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) ou simplesmente compartilhar filmes, livros ou mensagens que possam servir como inspiração para a luta feminina.

Juliany Nóbrega estuda psicologia na UVA e é uma das responsáveis pela criação do Coletivo. A ideia surgiu pois ela já fazia parte de alguns grupos só para mulheres na internet e notou como o ambiente era acolhedor. “Eram locais onde as meninas podiam desabafar, desconstruir com mais respeito”. E, então, a segunda tentativa de criar um Coletivo na faculdade, finalmente deu certo.

E deu certo mesmo. Julia Tumminelli, estudante de publicidade, conta que, além de encontrar um lugar para desabafar, encontrou também um ambiente para reforçar a representatividade das mulheres no mundo acadêmico. “A maioria dos estudantes nas universidades ainda são homens. Coletivos como esse dão voz à mulher, além de ser uma forma de defesa”. Além disso, Julia também achou um lugar para ajudar e ser ajudada. “Quando eu estava precisando de dinheiro, várias meninas participaram do meu projeto para colaborar financeiramente”.

Para Thaís Lima, também estudante de publicidade, o Coletivo é importante por ser uma maneira de unir as mulheres e fazer com que, juntas, elas possam buscar por mais espaço dentro e fora da faculdade. “Além disso, é um espaço muito bom para tirarmos dúvidas em relação ao feminismo, ou então apenas compartilhar histórias. É só amor!”, conta.

13010797_10204767221140409_2633574963685533601_n

E se engana quem acha que a conversa fica apenas no grupo do Facebook. Até agora, já foram realizadas quatro reuniões presenciais. Julia participou de uma delas e afirmou que a experiência foi maravilhosa. “Muitas meninas estavam lá. Nos apresentamos, contamos como conhecemos o movimento e também debatemos alguns projetos”. Um deles é a “caixinha de ajuda” nos banheiros. A ideia é que sejam depositados nessa caixa absorventes, remédios para cólicas e tudo mais que uma mulher possa necessitar em um momento de emergência.

O Coletivo Feminista da UVA tem espaço para crescer e, por parte das integrantes, não falta força de vontade. As reuniões presenciais e a “caixinha de ajuda” são apenas os primeiros passos. Mas, no fim das contas, o importante mesmo é que cada universitária saiba que ela não está sozinha. E Júlia já afirma sentir essa segurança. “Sei que a qualquer momento, se algo acontecer comigo, eu tenho esse espaço e sei que as mulheres que fazem parte dele vão me ajudar”.


Nathalia Araújo – 7º período

O calor da corrida

No último dia de evento-teste para os Jogos Paraolímpicos do Rio, dezenas de atletas brasileiros entraram não só para conseguir mais uma medalha que ficará pendurada na estante, mas sim para provar para a nação que a classe de esportistas com deficiência são as que trarão mais medalhas para o povo. O que eles não sabiam é que o maior adversário do dia não seria os outros velocistas e sim um personagem muito comum no dia-a-dia do carioca. O sol.

DSC00102

Lorena Salvatini passa mal depois da prova. [foto: Iago Moreira/Agência UVA]

Na primeira final do dia, Lorena Salvatini Spoladore venceu a brasileira Jhulia Karol dos Santos e as competidoras angolanas Befilia Buya e Esperança Fala Gicasso, garantindo o lugar mais alto do pódio do T11. Apesar da vitória, campeã sentiu fortes dores nos pés depois da prova e precisou ser auxiliada na saída da pista. Na outra final dessa mesma categoria, outra brasileira saiu ganhadora. Thalita Vitória se manteve à frente durante boa parte do percurso, vencendo as outras duas atletas com quem competia. No entanto, o esforço de uma prova de alto rendimento somado ao forte calor carioca resultou em um intenso mal-estar que fez com que Thalita precisasse ser carregada para fora do local de competição.

Jerusa Geber dos Santos, que disputou a mesma categoria de Thalita e ficou com a segunda colocação, disse estar satisfeita com o desempenho, principalmente por ser uma modalidade na qual ela não costuma concorrer. “Está dentro do esperado. Poderia ter feito melhor, mas fica para a próxima. Está bom. Minhas provas favoritas são os 100m e os 200m”, comenta a atleta.

Nos 400 metros rasos masculino T11, o brasileiro Felipe de Sousa Gomes – que compete na categoria desde o ano passado – chegou em primeiro lugar e contou que está foi a primeira vez que disputou a modalidade com seu novo guia, Jonas Alexandre de Lima Silva. “A gente não sabia o que esperar. E, graças a Deus, deu tudo certo. O tempo foi bom e, agora, é aprimorar para as Paraolimpíadas”, completa o campeão.

Uma das provas mais aguardadas era a disputa dos 400 metros rasos feminino (T47), onde as brasileiras Teresinha de Jesus  e Yara Fernanda da Silva enfrentaram duas atletas chinesas e duas russas. Contudo, a vencedora foi à favorita, Teresinha, que mesmo sentindo fortes dores concedeu uma breve entrevista. “A gente trabalhou bastante para isso. E essa dor que eu estou sentindo é muito gratificante. Só tenha a agradecer a todos que colaborou com esse trabalho”, declara a velocista, ainda ofegante.

DSC00147

Teresinha (esq.) desaba ao lado de russa devido ao grande calor. [foto: Iago Moreira/Agência UVA]

Nos 1500 metros masculino (T20), o brasileiro Yagonny Reis de Sousa, apesar de ter vencido a prova, declarou não estar totalmente satisfeito com o desempenho. “Não consegui um tempo mais baixo. Eu senti um pouco de dor e cansaço nas pernas, então não deu pra desenvolver uma velocidade legal no final”, revela o atleta.

DSC00128

Yagonny Reis de Sousa conferindo o tempo da prova. [foto: Iago Moreira/Agência UVA]

DSC00221

Verônica Hipólito exausta ao fim da prova. [foto: Iago Moreira/Agência UVA]

Em outra disputa dos 400 feminino (T38), a brasileira Verônica Silva Hipólito venceu, com 1min4seg, a alemã Isabelle Foerder. Após a prova, a campeã – que é uma das principais representantes do Brasil – afirmou que está se ditando à preparação para os Jogos Paraolímpicos. “Eu estou me esforçando; pode ter certeza que eu vou dar o meu melhor”, completa a velocista, que aproveitou para convidar o público, “Galera, vem torcer, vem conhecer!”.

A fala de Hipólito converge com a opinião de Daniel Mendes da Silva, que compete na classe T11. Ele afirma que os esportes praticados por indivíduos deficientes ainda não recebe a devida divulgação e atenção, tanto da mídia quanto da população, em solo brasileiro, porém, o atleta acredita que com os Jogos Paraolímpicos acontecendo no Rio de Janeiro, uma janela maior se abra entre o desporto e o grande público.

No final da manhã, três provas de revezamento foram realizadas, e em todas as equipes brasileiras consagraram-se campeãs – inclusive, o atleta Alan Fonteles, que já havia se destacado no evento na última quinta-feira, integrava um destes grupos –, provando que apesar do intenso calor da capital carioca – o qual afetou vários competidores hoje – os representantes do Brasil têm grandes chances de encerrarem as Paraolimpíadas com muitas medalhas.

DSC00300

Equipe brasileira do revezamento 4x100m T42-47 saudando os torcedores presentes. [foto: Iago Moreira/Agência UVA]


Daniel Deroza– 3 período
Iago Moreira– 5 período

Nação bem representada

Mais um dia de provas paralímpicas chega ao fim. E junto com ela, mais vitórias brasileiras. Na tarde desta sexta (20), ocorreu o penúltimo dia de competições de atletismo, que servem de testes para os Jogos Paralímpicos Rio 2016, com várias finais programadas para o evento, o Brasil esteve presente na maioria delas. Alan Fonteles e Daniel Tavares foram  as maiores estrelas do evento.

Na primeira prova do dia, Renata Teixeira fico com a medalha de prata dos 1.500 metros rasos para deficientes visuais (T11) , para ela a sensação de jogar em casa é única. “O público te apoia muito e, às vezes você quer desistir e isso é um incentivo a mais” completa  velocista. Correndo na mesma categoria, mas entre os homens, Carlos José conquistou a medalha de prata enquanto o Anderson de Souza ficou com a de bronze. Mudando para a classe de amputados (T47),  velocista Teresinha de Jesus conseguiu atingir a marca de 26.62 e vencer de suas adversárias, se conseguir a convocação será sua primeira paralimpíada.

DSC09769

Teresinha de Jesus cruzando a linha de chegada [foto: Iago Moreira/Agência UVA]

 

Na primeira prova do dia de velocistas que possuem paralisia cerebral (T36), a brasileira Tascitha Oliveira estava com a argentina Andrea Martinez. No fim, Andrea bateu a oponente depois de 200 metros de pista percorridos. A classe de deficientes visuais (T12) entrou na pista nos 200m rasos femininos para a pista para duelar, em duas finais, quem se consagraria. A cubana Oara Elias ganho.

Depois de três disputas para decidir os finalistas, a colombiana Luna Rodriguez e as brasileiras Silvania Costa e Jhuia Karol conseguiram os melhores tempos de cada bateria, mas foi a “gringa” que levou o ouro do 200 metros para deficientes visuais (T11). Na segunda disputa de 200, a maior velocista brasileira a disputar os Jogos Paralímpicos do Rio, Terezinha Guilhermina, sentiu a coxa e não terminou o percurso. Jerusa Geber se consagrou campeã. Com a mesma deficiência, mas em outra classe (T11 masculino), Felipe de souza ficou com a vitória.”Fiquei satisfeito com o resultado pois estava machucado e só voltei a treinar nas últimas tres semanas”, diz o atleta

DSC09893

Rafael Lazarine carregando Terezinha Guilhermina depois da prova [foto: Iago Moreira/Agência UVA]

 

Quatro brasileiros entraram na pista para disputar a prova de 200 metro rasos para amputados (T44). No fim, Alan Fonteles conquistou a vitória e disse esperar o Engenhão cheio para setembro. “Faltando 70 metros para a linha de chegada, a minha prótese, que é presa a vácuo, ficou com pouco de ar e soltou. Tive que diminuir a passada para ela encaixar novamente e no fim tudo deu ceto”, relata o velocista mais rápido do mundo na categoria. Já na categoria de 400m masculino (T20), o único brasileiro da final, Daniel Tavares, ganhou o ouro e bateu o próprio recorde mundial. Com essa mesma distancia, mas na classe T47, o venezuelano Samuel Colmenares e os brasileiros Washingto Assis e Yagonny Reis ficaram com as medalhas dourada, prateada e bronzeada.

DSC09998

Alan Fonteles assistindo a competição [foto: Iago Moreira/Agência UVA]

 

Quando o relógio bateu 18h50min da noite, Júlio Cesr saiu em disparada para conquistar o lugar mais alto do pódio na prova de 1500 metros (T13). Na mesma classe, mas com uma distancia de disputa bem menor, Simone dos Santos venceu as adversárias depois de 400 metros de pista percorridos.

Continuando na classe dos deficientes visuais (T13) Gustavo Henrique ganhou a prova de 400 metros rasos masculinos. Adriele de Moraes, única brasileira da prova de deficientes mentais (T20) que disputou a corrida de 400 metros rasos a noite, ficou em último lugar, dentre seis competidoras. Fechando o dia de competições, Dixon de Jesus conquistou o ouro para a Colombia.


Juliana Favorito- 5º Período
Iago Moreira- 5º Período

Brasil se destaca em mais um dia de competições

Na tarde desta quinta 19) ocorreu o segundo dia do evento Open International da Caixa Loteria de Atletismo Paralímpico. E mais uma vez a delegação verde e amarela deu um show, levando praticamente todas as medalhas da competição de 100m rasos, lançamento de dardo, salto em distância, lançamento do club e arremesso de peso.

O atleta Leinier Savon Pineda, de Cuba, ficou em primeiro lugar na categoria 100m rasos masculino, com o tempo de 11seg01mil. O brasileiro Diogo Jerônimo da Silva, que era o favorito, ficou em segundo lugar, com um tempo de 11seg37mil; em entrevista logo após a prova, o medalha de prata elogiou o local de competição. “Está dando para sentir como a pista vai estar nas Paraolimpíadas. Está excelente, mesmo molhada ela está veloz, seca está mais veloz ainda”, comenta o velocista.

Terezinha Aparecida  foi destaque da noite numa corrida acirrada com a também brasileira Lorena Salvatini na categoria 100m rasos feminino, que na competição de ontem ficou em segundo lugar, mas hoje ela mostrou pra que realmente veio, marcando 12seg25mil. “Estou aproveitando bastante, foi um aquecimento para setembro”, Comenta a atleta, que também elogiou as condições da pista, as quais, segundo ela, estão perfeitas para setembro.

13262502_1725182417693872_413295182_o

Lorena Salvatini e seu guia Renato Oliveira [foto: Brigida Brito/AgênciaUva]

Mesmo com as provas acontecendo simultaneamente ficou claro que o público presente, mesmo sendo um número reduzido, não perdeu nenhuma parte do show que os atletas brasileiros deram. Na prova de levantamento de club masculino, Rafael Matheus da Silva confirmou as expectativas e fez 24.05 pontos, levando a medalha de ouro e deixando o mexicano Mário Santana para trás.

allan 2

Categoria T44 – 100m rasos masculino [foto: Brigida Brito/AgênciaUva]

Na categoria dos 100 metros rasos masculino, o brasileiro Alan Fonteles consagrou-se campeão com um tempo de 11.49. Ao fim da prova, o medalha de ouro se disse muito feliz por estar competindo no Engenhão pela primeira vez, além de poder testar os locais de prova dos Jogos. “Eu ainda tenho mais algumas competições antes das Paraolimpíadas, tenho que acertar alguns pequenos detalhes para fazer uma boa corrida e chegar preparado”, comenta o velocista, além de acrescentar que o incentivo da torcida é muito bom para o atleta.

Nas categorias de arremesso de dardo, as brasileiras se sobressaíram. Poliana Fátima Sousa de Jesus, ficou em primeiro lugar com 13m71cen, deixando as outras três conterrâneas para trás. Na segunda disputa, foi Shirlene Santos de Sousa Coelho quem faturou a primeira posição, com 34m30cen, vencendo uma brasileira, uma venezuelana e uma alemã. E na última prova da modalidade, Raissa Rocha Machado saiu na frente, com 17m74cen, ultrapassando, assim, cinco concorrentes de quatro países, incluindo o Brasil, que possuía mais duas representantes além da campeã.

Este slideshow necessita de JavaScript.


Brigida Brito – 7º período
Daniel Deroza – 3º período