Legislação olímpica

A Semana Jurídica chegou, ontem (28), ao 4ºdia de palestras. Organizado pela coordenação de direito da Universidade Veiga de almeida, Campus Tijuca, o evento tem como finalidade convidar profissionais de diversas áreas e promover a interação deles com os alunos. Os comunicólogos André Sztajn e Carlos Eduardo Eboli falaram sobre a “Cobertura de Megaeventos”, em especial a preparação para os jogos olímpicos.

O primeiro assunto abordado foi a segurança durante os jogos olímpicos. Quando questionado sobre o tema, André falou que a ameaça terrorista é eminente, ainda mais por ser um evento de repercussão mundial. “Qualquer grande acontecimento que tenha uma aglomeração de pessoas pode ser alvo de ataque, mas isso não é motivo para criar alarde, pois isso só vai piorar as coisas”, disse o jornalista.

Seguindo a mesma linha de André, Carlos Eboli completou que 100% de segurança é impossível de se conseguir, mas que a organização está se preparando para isso. “Os próprios cariocas já vivem com violência todos os dias, para isso não se potencializar durante as Olimpíadas, está sendo montando um grande esquema para proteger os turistas e a população a fim de evitar tudo isso (…) Cancelar os jogos só dará mais força para os terroristas”, completa o comunicólogo.

Ainda falando sobre os jogos do Rio, os palestrantes falaram sobre a dificuldade de programar diversos canais para transmissão ao vivo. André, que atualmente trabalha diretamente organizando grades de emissoras, disse que o canal Sportv fará algo muito próximo ao feito pela BBC em Londres. A diferença é que como a empresa brasileira são privadas, depende muito da colaboração das provedoras de canais, diferentemente da companhia inglesa, que por ser estatal tem um controle muito maior.

Mesmo com todos os problemas – sejam eles logísticos, técnicos ou naturais – Carlos Eduardo Eboli acredita que durante os Jogos Olímpicos o Brasil irá criar uma ilha imaginária – ou seja, uma imagem – de que tudo está correndo como o planejado, assim como na Copa do Mundo Fifa de 2014, que o pré-evento foi um completo caos, mas durante a competição tudo foi perfeito e a imagem do país não foi manchada.

Finalizando o debate, os palestrantes salientaram a importância do Direito no mundo esportivo. “A figura jurídica está presente em todas, absolutamente todas as etapas de uma logística esportiva e jornalística. Seja na hora da pré-produção, durante a cobertura e, até mesmo, depois que o evento passou. Essa área não funciona sem um advogado” finaliza André Sztajn, agradecendo a presença dos alunos.

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Prof. Josemar FIgueirero (dir.), André Sztajn (cen.) e Eduardo Eboli (dir.).

O mediador da mesa Josemar Figueiredo fechou a palestra agradecendo aos organizadores, aos palestrantes e salientou que durante o dia ainda aconteceria a oficina de “Análise de Discurso” e o painel de “Direito diante das Olimpíadas e dos megaeventos esportivos”. “Lembrando a todos que no dia 29 acontecerá uma palestra sobre as Paraolimpíadas com o presidente da Confederação Brasileira de Deficientes Visuais (CBDV), Sandro Laina Soares, e com o procurador do STJD, Caio de Souza.


Iago Moreira- 5º Período

Desapropriações e remoções

O tema é debatido por profissionais neste 3º dia da Semana Jurídica da UVA

Nesta quarta feira (27), aconteceu o terceiro dia da Semana Jurídica da Universidade Veiga de Almeida. As palestrantes Ana Beatriz Matos e a professora Cláudia Franco foram as palestrantes, que argumentaram principalmente sobre os direitos dos cidadãos.

13071941_1117679851586634_8343734007030877516_oA palestra se iniciou com a questão da cidadania urbana. Segundo a Professora Cláudia os profissionais do ramo jurídico devem cada vez mais buscar especializações e estudo em prol do bem dos cidadãos. “Deve-se ter uma estrutura de ensino arejada, não pode nunca ser rarefeito”. Essa busca por conhecimento deve ter o objetivo de atender as necessidades das pessoas, para assim proporciona-los uma vida digna, conclui.

O direito do cidadão se torna ponto de partida para Ana Beatriz iniciar sua apresentação. Sua base é o livro “Passa-se uma Casa”, da autora Licia do Prado Valladares, no qual retrata um estudo sobre a remoção e desapropriação de moradores da comunidade de Cidade de Deus, no Rio, na década de 70.

Mesmo o livro se referindo a tempos atrás ele reflete o mesmo problema enfrentado por esses moradores nos dias atuais. Através dos mega eventos como as olimpíadas e a copa do mundo, moradores desses locais, foram literalmente expulsos de suas casas e movidos para outras.

Ana Beatriz retoma ao livro e explica a difícil situação que os moradores enfrentaram na época. As desapropriações ocorreram pelo local impróprio de moradia, porém esses moradores foram transferidos para conjuntos habitacionais, totalmente longe de suas realidades. Locais onde eram longe do convivo social que já eram acostumados, longe de amigos e familiares, por exemplo.

Além desse sofrimento, o interesse de políticos era evidente. Moradores percebiam os interesses na conquista de votos. Políticas de proibição ao aumento da área da favela eram implementadas, porém dados comprovam o crescimento significativo das mesmas.

Surge uma ambiguidade que é questionada.

O fato dos moradores serem transferidos para conjuntos habitacionais gerava um custo. Eles deveriam pagar pela sua nova moradia, o que gerou um problema. Muitas não haviam condições de pagar, e eram despejados, sem ter para onde ir. Assim voltavam para a favela.

Segundo o livro, as principais causas do crescimento das comunidades seriam: Habitacional, exploração da força de trabalho, localização, transporte e serviços orçamentais.

Outra critica levantada durante o evento foi que primeiramente a remoção dos moradores era primeiro anunciada nas mídias e depois que profissionais se dirigiam as favelas para instruir a população.

Os conjuntos habitacionais começaram a ganhar uma nova forma. Alguns apartamentos desde o inicio eram construídos de forma diferenciada. Eram melhores que os demais. Assim ocorria o chamado “Pistolão”, troca de favores.

Esses apartamentos não eram direcionados aos simples moradores, mas a pessoas com interesses políticos. Porém como os outros eram direcionados para pessoas que realmente precisavam, entretanto precisavam arcar com os custos, 70% dessas pessoas não conseguiam pagar.

O despejo chegava e a rotatividade de pessoas nesses conjuntos se tornava constante. Desde essa época até hoje, essa característica ainda é presente. Os moradores que nas favelas eram homogêneos (todos se conheciam, eram unidos), nos conjuntos passaram a ser heterogêneos (pessoas moravam no mesmo local, mas não se conheciam, seres individuais).

Diferenças de classes sociais também eram nítidas dentro desses espaços. De um lado moradores de comunidades sem condições financeiras, de outro militares de patente baixa, porem com condições de aprimorarem seus apartamentos, até mesmo construindo garagens.

O ponto de encerramento da palestra surge quando essa questão das classes é levantada. Os direitos independentemente da condição financeira dos cidadãos. Direitos básicos para uma vida digna devem ser cobrados. A professora Cláudia encerra: “Quem mora em Bento Ribeiro deve ter os mesmos bens urbanos que quem mora em Ipanema”. Respeito acima de tudo.


Ana Carolina Martins – 5º Período

Opiniões e o poder público

Nesta terça-feira (26) aconteceu o segundo dia da Semana Jurídica para os alunos do curso de Direito da Universidade Veiga de Almeida e cujas palestras envolvem temas relacionados às Olimpíadas, um assunto que tem sido muito debatido ultimamente. As mesas redondas contaram com dois palestrantes, além da exibição de um filme, o qual foi posteriormente discutido pelos presentes.

O evento começou por volta das dez da manhã, quando uma longa fila de alunos já se formava na entrada do auditório, todos a fim de pegar um bom lugar, uma vez que, desde de o primeiro dia, o local que sedia o evento estava lotado. Quando todos os assentos da plateia já estavam ocupados, os outros alunos interessados não se incomodaram em permanecer de pé ao longo dos corredores laterais do auditório.

Após todos estarem acomodados, a primeira palestra foi iniciada por Ricardo Ribeiro, representante da AGU junto à Autoridade Pública Olímpica, que discorreu sobre a atuação da APO. Seu discurso foi muito pautado pela chamada Matriz de Responsabilidade que, no caso, seria uma lista de projetos que devem estar prontos para os Jogos Olímpicos deste ano.

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Ribeiro também explicou que uma das funções da APO é monitorar os projetos e obras que foram propostas para a realização de tal evento. E, é claro, ele também confirmou que a Autoridade Pública Olímpica já concluiu que alguns destes projetos não ficarão prontos a tempo para os jogos, que serão iniciados em agosto — um exemplo disso é a construção do Velódromo, que está sendo erguido no Parque Olímpico da Barra da Tijuca e encontra-se em “situação de risco”, segundos os termos da organização. “Para a APO, ‘risco’ não significa que a obra não será entregue, mas que o prazo está muito apertado”, explica.

Ricardo também tocou em outro assunto que tem sido bastante discutido desde o anúncio do Rio de Janeiro como a cidade sede das Olimpíadas: o legado dos jogos. Uma das principais alegações do governo é a de que muito do que seria feito para receber o evento ficaria de legado para a cidade, principalmente no que diz respeito à mobilidade urbana, no entanto, o próprio Ribeiro admite que não é isso que tem-se visto, já que “a cidade está um canteiro de obras” — palavras dele.

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Ao final da palestra, quando foi dada ao público abertura para realizar questionamentos, muitas perguntas surgiram da plateia, porém duas chamaram mais atenção. A primeira indagação foi a respeito da despoluição da Baía de Guanabara, cuja promessa é renovada praticamente todos os anos; sobre isso, Ricardo diz que não depende exclusivamente da prefeitura do Rio, pois também deve haver articulação com outros municípios e, por isso, não será entregue.

Outro questionamento vindo da plateia foi a respeito de quem seria o culpado pelo desabamento da ciclovia, ocorrida na semana passada. Para Ribeiro, saber com certeza de quem é a culpa depende de uma perícia que ainda será realizado, mas ele levantou hipóteses; a primeira de que a ressaca que destruiu o trecho de vinte metros da ciclovia foi acima do comum; a segunda de que a culpa seria de quem fez o projeto; a terceira apontava o executor do projeto; e a quarta hipóteses unia todas a opções anteriores.


Sessão de cinema com foco em problemas reais

Após uma pausa para o almoço, a programação do evento retornou por volta das duas de tarde — desta vez em um auditório de luzes apagadas para a projeção do filme de animação “Akira”, de 1988, que é inspirado em uma revista em quadrinhos e é considerado um dos clássicos do cinema oriental.

Durante a sessão, a plateia não estava tão cheia quanto na palestra da manhã, porém os lugares vagos eram poucos. Ao longo da exibição, ouviu-se muitos alunos questionarem o que teria aquele filme a ver com qualquer um dos temas que estavam sendo discutidos na Semana Jurídica, o longa exibido na segunda-feira foi “Munique”, que fala sobre o atentado terrorista nas Olimpíadas.

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Mesmo que alguns dos espectadores tenham ido embora antes do fim da sessão, muitos ficaram para saber o que seria dito no debate após o término da exibição — eles que queriam saber o porquê da projeção daquele filme. E, logo após o início dos créditos de encerramento, o professor Daniel Nunes acabou com a dúvida dos presentes.

O filme “Akira” fala sobre repressão política e Jogos Olímpicos, mesmo que quase nenhum aluno tenha percebido isso — e apesar de estar escrito na programação do evento exibido em uma tela na entrada do auditório. “O filme fala sobre o poder do Estado, que muitas vezes tenta controlar coisas que ele não pode controlar”, explica o professor.


Campo em expansão

E, para encerrar o segundo dia da Semana Jurídica, o Dr. Joaquim de Paiva Muniz foi o palestrante convidado para falar sobre a Arbitragem nas Olimpíadas. Sua fala se iniciou informando que a arbitragem é um campo pouco valorizado no Brasil, e, por isso, a advocacia de direito esportivo é uma boa área para ser explorada.

Durante os Jogos Olímpicos, os advogados dessa área costumam dar plantão para analisar e julgar casos — como de doping em diversos esportes, por exemplo — em 24 horas.

Muniz também apresentou em um dos slides que preparou para sua palestra um lista com os árbitros da Olimpíadas do Rio, que mostra adequação a tendências mais justas, como a paridade — a lista tem o mesmo número de homens e mulheres —, além de não possuir nenhum estadunidense.

Para finalizar, Muniz informou aos alunos sobre a Competição de Arbitragem do Sudeste, que é uma simulação julgada pelos maiores advogados de arbitragem e cuja final acontecerá na OAB — no ano passado, 50 universidades do Brasil inteiro participaram. O vencedor irá para a competição nacional.


Daniel Deroza – 3º período

Secretário Municipal do RJ na Semana Jurídica

Começou nesta segunda-feira (25), no campus Tijuca da Universidade Veiga de Almeida a Semana Jurídica. O tema principal do projeto é a realização das Olimpíadas no Rio de Janeiro e os impactos que este grande evento vai trazer para a cidade. O assunto foi escolhido porque, além de trazer oportunidades de investimentos, os Jogos Olímpicos também trazem críticas a como essas chances estão sendo utilizadas.

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Secretário de Administração do Rio de Janeiro debateu sobre Obras e legados Olímpicos

Para a abertura, foi convidado o Secretário Municipal de Administração do Rio de Janeiro, Marcelo Queiroz. Devido à queda da ciclovia Tim Maia, durante o feriado, sua participação foi colocada em dúvida pelos estudantes. Entretanto, Marcelo se colocou à disposição para responder o que fosse possível.

O Secretário iniciou a conversa explicando um pouco sobre suas responsabilidades no cargo, como a gestão de recursos humanos ou de licitações de bens comuns da prefeitura. Sobre as licitações, Marcelo mostrou aos presentes no auditório exemplos de projetos de compras durante a sua gestão que possibilitaram economia de dinheiro dos cofres públicos.

A rede social Carioca Digital também foi um ponto importante durante a palestra. O site promete ser um canal entre a população e a prefeitura, eliminando, assim, intermediários e poupando tempo. Pais que possuem filhos matriculados em escolas da rede municipal, por exemplo, podem acessar o boletim online dos estudantes. Na área de educação, o plano para o futuro é possibilitar o controle da frequência biométrica de alunos e professores.

Com foco no tema principal do evento, o Secretário procurou esclarecer sobre os gastos com as Olimpíadas e mostrar o que poderá ficar de legado para a cidade. Ele também explicou que o maior problema não são as despesas com construções de estádios e arenas – especialmente porque grande parte do dinheiro vem dos patrocinadores. Mas sim os custos de manutenção após os Jogos, que fazem parte da matriz de responsabilidade, pois, sem elas, o evento não seria realizado.

Marcelo contou que, das três arenas construídas, duas vão se tornar casas de show, cuja manutenção será feita por uma empresa privada, e uma vai se transformar em escola pública – assim como o estádio de handball, que em breve será dividido em quatro instituições de ensino. Já o estádio de canoagem slalom ainda é uma incógnita. A ideia é transformá-lo em uma piscina pública, mas o exemplo do Piscinão de Ramos não é animador.

Questionado sobre a construção do campo de golfe, Marcelo se mostrou otimista. “Existe um turismo de alta renda e próprio para esse esporte”, explicou. “É um público que está disposto a pagar muito e vai criar uma nova economia na cidade”. De acordo com o Secretário, a estimativa é que os custos das obras do campo sejam pagos em menos de um ano.

Para finalizar, o palestrante explicou que as obras de mobilidade e infraestrutura fazem parte de um plano maior que é mudar a concepção da cidade, tornando-a mais parecida com metrópoles como Nova Iorque, onde os moradores moram no mesmo bairro no qual trabalham. “O Rio é dividido em blocos e nossa ideia é concentrar as pessoas no Centro. Para isso, precisamos torná-lo atrativo”.

Terrorismo em pauta

Na parte da tarde, foi realizada a exibição do filme Munique, acompanhada por um debate com a professora Letícia Borges. A obra dirigida por Steven Spielberg relata os eventos que se seguiram ao Massacre de Munique durante as Olimpíadas de 1972, quando a delegação de Israel foi sequestrada e assassinada pelo grupo Setembro Negro.

O objetivo da exibição foi mostrar uma situação real, na qual os valores dos Jogos foram desrespeitados e o mundo começou a ver a dimensão do terrorismo. “Durante as Olimpíadas, as hostilidades entre os países devem ser cessadas”, explicou a professora Letícia. “Por isso foi um golpe muito duro na época e essa série de atentados explica o que o terrorismo se tornou hoje”.

De acordo com a professora, o que acontece hoje é um terrorismo de massa: o alvo deixou de ser apenas um representante do país ou uma delegação. E o grande medo atual é um ataque aos Jogos como um todo. “Quem é o terrorista? Onde e como ele vai atacar? São questões levantadas pela segurança de um grande evento como esse”, disse.

Letícia classificou o terrorismo como uma tentativa de difusão de valores culturais e políticos por meio do medo. Para ela, o filme deve ser um ponto inicial para uma reflexão sobre como esse medo afeta a população do mundo inteiro. “Um exemplo claro são os refugiados”, comentou. “O medo da morte, o medo de ver suas famílias sendo atacadas, faz com que um povo inteiro abandone seu país em busca de algo melhor”.

O Caso Vila Autódromo

Após uma breve pausa, as atividades do evento foram retomadas às sete da noite. O auditório estava lotado e havia muitas pessoas sentadas no chão quando a professora Bárbara Lupetti iniciou sua fala. Ao terminar uma curta explanação sobre seu trabalho e sua tese de doutorado, a advogada entrou no tema principal do evento, “O Judiciário e as Olimpíadas: encontros e desencontros”.

Bárbara, que trabalha no setor jurídico da CBA — Confederação Brasileira de Automobilismo — começou a contar para os alunos presentes um pouco sobre o que foi a odisseia, com infinitas reuniões acerca da Vila Autódromo. Pois, o governo do Rio de Janeiro queria utilizar a área a fim de construir instalações para os Jogos Olímpicos de 2016, porém, isso envolvia muito mais do que apenas uma obra pública.

Aquele autódromo já havia servido como local de prova para competições internacionais de automobilismo, portanto, depois de muitos encontros com representantes da prefeitura e do Governo do Estado, ficou acordado que um novo autódromo, de dimensões internacionais, seria construído em Deodoro, na zona oeste do da cidade e apenas depois que a construção estivesse garantida, a pista de automobilismo da Barra da Tijuca seria desocupada.

Porém, este não era o único problema a ser resolvido. Porque, “quando o Autódromo foi construído, nos anos 70, foi feita uma concessão para que os trabalhadores da obra morassem na região por um período de noventa e nove anos”, explicou Diogo Caldas, professor que trabalha na área de Direito Empresarial e Administrativo. Contudo, quando surgiu a intenção de realizar os Jogos Olímpicos no Rio, aquela região se tornou uma ZEIS, uma Zona Especial de Interesse Social, conforme contou Caldas.

Isso significa que os moradores do local teriam de sair — e vale ressaltar que o projeto original da Vila Autódromo recebeu prêmios internacionais por tornar viável, devido ao baixo custo, construir moradias para pessoas de baixa renda. Porém, quando houve resistência por parte dos habitantes locais — já que não lhes foi apresentada nenhuma outra moradia — as ações tomadas pelo Governo do Estado ferem o direito de ir e vir do cidadão, pois eles iniciaram obras e demolições que embarreiravam as passagens.

Isso sem citar o crime ambiental, porque muitas das áreas poluídas e destruídas com isso tudo pertenciam a uma reserva florestal. E, por fim, para terminar a demolição da Vila, quando os poucos moradores da região saíam para trabalhar, por exemplo, os trabalhadores e caminhões de obras iam até o local e derrubavam a casa. Simples assim.

Além do fato, é claro, de os processos em favor do governo serem resolvidos em tempo recorde. E o que poderia ter sido resolvido com uma reurbanização no valor de 14 milhões de reais, acabou se transformando em uma remoção de 100 milhões — e este valor continua a aumentar, de acordo com as informações apresentadas por Diogo em slides.

Apesar de todas as críticas às ações tomadas pelo governo com interesse na realização das Olimpíadas, todas as duas palestras da noite foram marcadas pela comicidade — com altos níveis de ironia, é preciso dizer —; mas, talvez, trabalhar com o bom humor tenha sido a maneira mais fácil de lidar com um assunto que pode se tornar revoltante muito facilmente que é a mutabilidade do interesse público.


Nathalia Araújo – 7º período

Daniel Deroza – 3º período

 

China e Suécia dominam último dia de competição

Neste dia 24 de abril, um domingo ensolarado, aconteceu no Centro Esportivo de Deodoro, na zona oeste do Rio de Janeiro o último dia de competições de Tiro Esportivo, que estão servindo como eventos-teste para os Jogos Olímpicos de 2016, cujas provas ocorrerão em agosto deste ano. No fim deste feriado prolongado foram disputadas as categorias Tiro de Rifle em 3 Posições Masculino e Tiro ao Alvo Masculino.

O dia começou às 09h da manhã com as duas competições ocorrendo em pontos diferente com complexo. Ao passo que a primeira etapa da prova de rifle acontecia na arena fechada, os atletas de Skeet miravam nos pratos disparados no campo a céu aberto, enquanto imprensa e espectadores assistam das arquibancadas cobertas — aliás, nesta categoria, houve poucos erros por parte dos candidatos às vagas na final, que acertaram quase todos os alvos.

Matthew EmmonsDurante mais da metade da disputa de carabina, o jovem atirador russo Sergey Kamenskiy, de 29 anos, conseguiu se manter à frente dos outros competidores, na primeira posição; o atleta estadunidense Matthew Emmons, que já havia se destacado em outros dias do torneio manteve o segundo lugar do ranking; já a terceira colocação ficou com o chinês Zhu Qinan, logo, os atiradores desta tríade foram para a final como os favoritos na corrida pelas medalhas.

A última fase de Tiro de Rifle em 3 Posições começou logo após o almoço, às 13h, na Arena de Finais, onde, mais uma vez, torcedores e repórteres se reuniram para acompanhar a decisão. Surpreendentemente, logo após o início da prova, Kamenskiy atingiu o sexto lugar no ranking e, depois de uma breve recuperação, na qual ultrapassou o italiano Marco de Nicolo — que estava na quarta posição —, passou à colocação de número 5, onde permaneceu até o fim da etapa decisória.

Os chineses Zhu Qinan e Hui Zicheng, disputaram as primeiras posições durante toda esta fase do tornei, revezando-se no posto número 1. Enquanto o estadunidense Matthew Emmons manteve-se em terceiro no decorrer da competição decisiva, porém, alcançando o segundo lugar nos últimos minutos, quando superou Zhu, que ficou com a medalha de bronze, deixando, assim, o ouro com seu compatriota Hui, que por não falar inglês nem português, conseguiu apenas declarar que estava feliz com a vitória.

Hui Zicheng

Atleta chinês Hui Zicheng segurando a medalha de ouro.

Já o americano concedeu uma breve entrevista após receber a medalha. “Os campos são realmente bons”, ele contou. “Os alvos são um pouco escuros, mas como são os mesmo para todos, significa que não é tão ruim assim. As bandeiras são realmente pesadas, o que pode dificultar. Mas, agora que me acostumei, espero que continuem as mesmas, porque posso ter vantagem, eu descobri isso. O Estande de Finais é muito quente; eu espero que eles façam algo antes de nós voltarmos. Não há circulação de ar”. Sobre as expectativas para as Olimpíadas, Emmons diz que está se preparando. “Tudo é possível. Quem sabe? Há muitos caras que são muito bons”.

A disputa de Skeet Masculino ocorreu sem grandes erros dos atiradores; na primeira etapa da prova, o italiano Tammaro Cassandro acertou todos os pratos, porém, a disputa pela medalha de ouro foi decidida entre os representantes da Suécia e da índia, Marcus Svensson e Mairaj Ahmad Khan, respectivamente, e o sueco acabou levando a melhor após um empate que foi decido em uma rodada shoot-off.

Marcus Svensson

Marcus Svensson comemorando vitória.

“Eu estou muito feliz”, ele disse em entrevista após a cerimônia de vitória. “Esta é a minha primeira medalha de ouro, então eu estou muito feliz”. O atleta também falou um pouco sobre a experiência de competir no Brasil. “É muito bom ganhar aqui no Rio. Os campos são perfeitos. Eu gostei muito de atirar aqui”, declarou Svensson, que competirá nas Olimpíadas em agosto.

Além da comemoração dos vencedores do Skeet Masculino, após a cerimônia de entrega das medalhas, também foi entregue o prêmio de Atirador do Ano 2015 categoria masculina, e quem levou o troféu para casa foi o estadunidense Vincent Hancock, que participou desta última prova, mas ficou em quinto; a láurea foi entregue pelo presidente da ISSF (International Shooting Sport Federation), Olegario Vasquez Raña e pelo Secretário Geral da organização, Franz Schreiber.


Daniel Deroza- 3º período

Tiro surpresa

Favorita ao título olímpico cai diante de asiática.

Um duelo emocionante de Tiro ao Prato, tipo Skeet, entre a americana Kimberly Rhode e a Tailandesa Sutiya Jiewchaloemmit marcou o penúltimo dia de competições do Campeonato Mundial da ISSF ,evento-teste de Tiro Esportivo para as Olimpíadas Rio 2016. A outra final do evento foi a de Tiro Rápido com Pistola a 25m, na qual o russo Alexei Klimov conquistou a medalha de ouro.

Depois um empate na fase classificatória – 72×72 – com a russa Albina Shakirova, a atleta americana foi pega de surpresa ao ir pra fase final com a tailandesa. Depois de três séries de Shoot Off (mata-mata), Kimberly errou o primeiro tiro da última etapa e sucumbiu diante de Sutiya.

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A americana creditou a desempenho abaixo do esperado a acontecimentos pessoais. “Essa temporada não está sendo muito boa para mim. Fiquei parada muito tempo no médico e meu marido já foi internado duas vezes, isso afetou um pouco a minha concentração. Mas o importante agora é ter foco para os jogos (olímpicos)”, disse a medalhista de prata, e octacampeã mundial, Kimberly Rhode.

Em uma situação emocional completamente oposta, a tailandesa não esconde a felicidade de ter ganhado a competição. Mesmo alegra, a atleta procura não criar expectativas para as próximas competições e ir se preparando aos poucos para cada evento. “É muito difícil competir em um país tão diferente do nativo, especialmente para mim que moro do outro lado do mundo. Mas essa linda cidade me deu a força que eu precisava”, finaliza a campeã Sutiya Jiewchaloemmit.

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As 16h45 foi a vez dos homens entrarem no campo para disputar o primeiro lugar na categoria de Tiro Rápido com Pistola a 25m. Mostrando vantagem sobre os adversários desde a fase eliminatória, o russo Alexei Klimov venceu fácil o americano Keith Sanderson e o francês J. Quiquampoix.

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O campeão se mostrou extremamente feliz com a vitória, mas nem tão satisfeito assim com a estrutura dos campos de tiro do Rio. “Um País tão bonito quanto esse, com flores e árvores espalhadas por todo lado, não pode ter um espaço assim tão feio, tão desmatado. Além disso, a falta de ar-condicionado nesse campo da final atrapalha bastante o atleta e, somado a isso, esses refletores posicionados bem em cima dos atiradores só esquentam mais o ambiente” finaliza o recordista mundial da categoria.

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Amanhã, 24 de abril, será o último dia de competições do Campeonato Mundial da ISSF. Tiro ao Prato, tipo Skeet, masculino e Tiro de Rifle a 50m em três posições serão os responsáveis pelos últimos suspiros de emoção da competição, além disso, a premiação de melhor atirador do ano será entregue, fechando – assim – a etapa carioca de Tiro Esportivo. O melhor


Iago Moreira- 5º Período

Brasileiras brilham na ginástica rítmica

Nesta quinta-feira (21), aconteceu o evento teste de ginástica rítmica na Arena Olímpica na Barra da Tijuca. As ginastas do individual fizeram os quatro aparelhos – arco, bola, fita e maças. Muitas pessoas aproveitaram o feriado prolongado para poder acompanhar de perto o aquecimento para os Jogos olímpicos Rio 2016.

imageAbrindo o dia no aparelho de arcos, Natália apresentou pela primeira vez no Brasil a nova série de arcos, com a música Smells Like Teen Spriti, da banda Nirvana. Apesar da estreia, a nota não foi tão boa quanto o esperado. A série. Teve 14.566 como pontuação, já que infelizmente o arco saiu do tablado no fim da rotina.

Na série de bola, embalada por Bandolins de Oswaldo Montenegro, a ginasta garantiu 15.883. Com uma coreografia forte e bastante marcando nas maçãs, Nathália tomou conta do tablado ao som de Drácula, de Wojciech Kilar, onde conseguiu 16.350 pontos. Ela fez uma apresentação para ninguém botar defeito, porém, o grau de dificuldade não foi tanto atraente quanto o restante.

Mas não acaba por aí. A categoria fita foi a última da noite. Natália surpreendeu o publico no aparelho em que ela não costuma tirar notas tão altas, mas toda a sua dedicação e esforço para esse evento valeu a pena. Ela entrou na arena ao som de muito samba que rendeu a ela 16.466 pontos. A Natália Gáudio não conquistou a vaga para a final, mas realizou ótimas séries na qualificatórias e garantiu a maior nota da carreira na fita.

Ontem (22), foram realizadas as provas de conjuntos com as brasileiras Eliane Sampaio, Francielly Pereira, Gabrielle Silva, Jéssica Maier, Maiara Cândido e Morgana Gmach. As meninas foram as primeiras a se apresentarem na série de cinco fitas e entraram no tablado ao som de Aquarela do Brasil, interpretado por Ivete Sangalo, e onde alcançaram 14,883 pontos.

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Seleção brasileira de conjunto de ginástica rítmica

O Brasil se superou mesmo na categoria mista de arco e bola, alcançando 16.183 pontos, a terceira maior nota do dia no aparelho. Na soma, o grupo ficou com 31, 066, ocupando o quinto lugar. Alemanha (33,183), Uzbequistão (32.832) e Grécia (31.982) foram as finalistas e garantiram a vaga no Rio 2016.

Fechando com chave de ouro o último dia de evento, Melitina Staniouta, da Bielorrússia, Sabina Ashirbayeva, do Cazaquistão e Nicol Ruprecht da Áustria, fizeram apresentações excepcionais e garantiram a vaga para as Olimpíadas 2016.


Brigida Brito – 7 período

Croácia em dose dupla

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Campeã croata posando com troféu de Melhor Atiradora de 2015

Logo no início da manhã de hoje (22), houve duas quedas de energia no Centro Olímpico de Deodoro, porém isso não comprometeu a realização das provas, já que a luz foi re-estabelecida rapidamente. Durante o dia aconteceram as provas classificatórias e finais de 50 metros de carabina de 3 posições feminina, classificatória de 25 metros de tiro de pistola rápido masculino e disputa de tiro ao prato tanto nas categorias feminina quanto masculina.

Na prova de 25 metros de pistola de tiro rápido, o Brasil foi representado por Emerson Duarte, que obteve uma pontuação de 286 na primeira etapa e isso lhe rendeu o quinto lugar na competição. Amanhã ocorrerá a segunda fase para definir os atletas que vão para a final, que também acontecerá neste sábado na parte da tarde.

Já na prova classificatória de 50 metros de tiro de carabina de 3 posições feminina, a croata Snejezana Pejcic bateu o recorde mundial com uma marca de 594 pontos, o anterior era da americana Jamy Linn com 592 pontos, que aconteceu nas Olimpíadas de Londres em 2012. Com isso, Pejcic foi para a final como uma das favoritas para levar a medalha de ouro. Dito e feito. A atleta foi a campeã somando 458,8 pontos, seguida pela alemã Barbara En-gleder com 455,6 — que por não ter grandes expectativas, estava muito feliz com a medalha de prata e fez muito elogias à atiradora da Croácia — e,a atleta que ficou com medalha de bronze foi a representante da Mongólia Nandinzaya Gankhuyag com 444,3 pontos. Além de ter ganho a prova, Pejcic ainda ganhou o prêmio de melhor atiradora de 2015.

“Mesmo sendo estressante e suado, (O dia) não poderia ter sido melhor que isso. (…) Eu tive uma pontuação um pouco baixa ontem, na eliminatória, então é um pouco mais de pressão para me sair bem no dia seguinte. E o calor tornou tudo mais difícil”, completa a campeã, muito feliz com o resultado e o recorde batido.

Durante os intervalos da final de carabina de 3 posições, a atleta americana Sarah Beard, que ficou em 13º lugar nas eliminatórias, deu uma entrevista falando sobre a estrutura dos espaços olímpicos. “Os campos são muito bons, porém o forte calor da cidade atrapalha um pouco para a execução das provas”. Disse a atleta, revelando que a inserção de músicas durante as provas ajuda a relaxar os competidores.


Juliana Favorito– 5º período
Daniel Deroaza– 3º período

Superação pessoal

Nesta quinta (21) aconteceram quatro provas ao longo da manhã, além de um pré-evento de treinamento de Tiro ao Alvo. O dia começou por volta das nove da manhã com a primeira etapa da prova de Tiro a 50m com carabina. Outro evento que também teve início no mesmo horário matutino foi o evento teste de Skeet (Tiro ao Prato), porém este se estendeu até o meio da tarde, já que as competições oficiais da categoria começarão só nesta sexta.

Em seguida, foi iniciada a segunda etapa de Carabina Masculino, às onze horas da manhã. Depois de muitos tiros — cujos estouros eram abafados pelos pelas espumas protetoras de ouvido distribuídas pelos voluntários, tanto à imprensa, quanto aos espectadores visitantes — foram selecionados, através da pontuação, os atletas ocupantes das oito primeiras posições da categoria.

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Pré-evento de treinamento de Tiro ao Alvo [Foto: Daniel Deroza/Agência UVA]

Seis deles eram oriundos de diferentes partes da Europa, só dois eram de outros continentes: Matthew Emmons, dos Estados Unidos, que ficou em sexto lugar; e Warren Potent, da Austrália, que conseguiu ocupar a segunda posição com 207.9 pontos. O terceiro lugar ficou para o sérvio Stevan Pletikosic. E a primeira colocação no ranking foi para Henri Junghanel, representante da Alemanha, que conseguiu atingir a marca redonda de 210.0 pontos da prova, superarando seu próprio recorde.

O atleta alemão se disse muito satisfeito com o resultado do dia. “Depois que fiquei em sexto em Bangkok, fiz alguns ajustes, mas eu não esperava ganhar aqui. Eu estou muito feliz por isso”, disse Henri, que falou – também – que o campo está bom, mas precisa de pequenas alterações para ficar perfeito.

Já para o final da manhã, começou a ser disputada a primeira etapa eliminatória do Tiro de Rifle (3 Posições) Feminino. A segunda etapa foi composta por trinta e três competidoras. Durante mais da metade da prova, as primeiras vagas eram intensamente pleiteadas por atiradoras europeias, como Annik Marguet, na Suíça, Malin Westerheim, da Noruega e a britânica Jennifer McIntosh, porém, no final, a primeira posição ficou com a estadunidense Virginia Thrasher.


Daniel Deroza – 3º período

Comunicação social em foco

No último dia de palestras (20) realizadas no “+Mercado”, a área dos comunicólogos foi o centro das atenções. No que diz respeito ao Jornalismo, Igor Peixoto, editor chefe do jornal Band Rio,  ministrou uma palestra sobre as “Dificuldades Enfrentadas pelos Jornalistas com o Advindo das Novas Tecnologias”. Já para o campo dos publicitários, seguindo o tema “Frentes de atuação em uma agência de publicidade”, foi convidado o time da ‘Agência Macan’ – veio representada por Rafael Rodruigues, Gabriel Gil e Romana Oliveira – trazendo a perspectiva real das profissões.

Igor Peixoto começou a palestra falando sobre a necessidade do comunicólogo se reinventar, já que trabalha lado a lado com as tecnologias que, também, estão em mudança constante. “O jornalismo de hoje anda junto com a velocidade. Agora, se você entrar no seu smartphone, você vai saber tudo que está acontecendo nesse momento, vai ter todas as informações. Nós temos que ter um dinamismo para fazer tudo muito rápido. Isso é essencial na nossa profissão”, completa o especialista.

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Para manter o jornal sempre atualizado e não ser passado pra trás pela inovação tecnológica, é necessário implantar ferramentas de atualização rápida e contínua, incorporadas com sua linguagem específica. A Band utiliza o site de notícias, com todas as notas e vídeos publicados, o whatsapp da redação, e o twitter, atualizado com vídeos teasers de chamadas para as notícias que serão dadas no jornal. “Quanto mais ferramentas você tiver, mais braços você tem que ter pra receber todo esse material, analisar e avaliar ele. Toda ferramenta que você cria é preciso um pouco de cuidado, porque o fluxo gerado é muito grande e se você colocar só duas pessoas para administrar aquilo, uma notícia mandada ontem pode ser avaliada só no dia seguinte e aí já não é mais relevante”, diz Igor.

Explicando sobre a necessidade de se estar no “olho do furacão”, ou seja, estar sempre no centro da notícia, Igor comenta sobre a perda do repórter cinematográfico Santiago Andrade. O importante no caso relacionado ao tema foi o quanto vídeos da internet foram importantes na identificação dos culpados, sempre acompanhado de uma apuração que só um jornalista formado sabe fazer. Levando em conta a época em que vivemos, é preciso usar os recursos a seu favor, explorando o potencial total deles para o benefício de todos.

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Para concluir, o editor-chefe falou sobre sua visão de futuro do mercado, afirmando que a palavra de ordem é nicho, ou seja, a porção específica de um grupo com necessidades e hábitos específicos. “O que eu entendo para o futuro é que haverá várias empresas de comunicação, cada uma focada em um nicho diferente. Você não vai ver mais uma Rede Globo, ou Rede Bandeirantes, vai ser um grupo com várias empresas pequenas com no máximo dez funcionários falando de um tema específico.”, finaliza Igor Peixoto.

Logo após a palestra do editor da Band, os publicitários da Macan se dividiram em tres frentes para discutir temas com a platéia. Foram eles: os papéis do Planejamento, da Mídia e da Criação em uma agência. Cada uma faz-se essencial em uma empresa, construindo a imagem e entregando um trabalho competente, que ultrapasse as expectativas e dentro do prazo estipulado.

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Rafael Rodrigues falou sobre sua especialidade: o planejamento. Para ele, a palavra da vez é versatilidade. O mercado procura o público jovem, pois este já domina o campo digital muito bem e aprende a conhecer e funcionar também no campo offline, trabalhando com anúncios de revistas, outdoors e banners. “Eu vejo os jovens e eu noto que vocês nunca fazem uma coisa só ou um investimento ou sonho de carreira único. É uma galera muito plural, então vocês tem muito a acrescentar e mostrar em uma agência”, completa o publicitário.

Mídia é o campo dominado por Romana Oliveira. Para este trabalho é necessário muita pesquisa sobre os diferentes aspectos visuais da empresa, com entrevistas dos usuários daquele serviço em questão para se criar um laço entre o empreendimento e o cliente. “O papel do profissional de mídia é conectar. De um lado está o mundo da marca, querendo transmitir um monte de coisas, e do outro está o consumidor que tem que perceber tudo isso, mas não está ligado no que eles estão falando. O modo de fazer isto acontecer é pelos meios de comunicação, o consumidor não está centralizado nas mídias clássicas (revista, televisão, outdoor) e é preciso impactá-los nestas outras formas de mídia”, disse a especialista.

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Por último, Gabriel Gil falou sobre o departamento de criação, explicando o funcionamento dentro da agência. Desde a apresentação do briefing, até o momento em que ele é recebido com satisfação pelo cliente. Respondendo a pergunta de um aluno sobre o que fazer quando a ideia simplesmente não vem, Gabriel disse que o processo criativo depende de cada um, mas como regra geral é só uma questão de pensar mais. “Pra alguns é preciso sentar e refletir, pesquisar a campanha de outras empresas. Trazendo mais referências isso me ajuda a fazer associações que vão levar uma mensagem mais importante pro consumidor”, finaliza o profissional.

Cases de sucesso foram apresentados, como a propaganda do Exército da Salvação, em que, na medida que o termômetro mostrava uma temperatura mais baixa, uma modelo se agachava, cada vez mais e mais, e revelava uma mensagem pedindo doação de agasalhos. Teve também um mais recente, da da L’Oréal Paris, sobre o Dia Internacional da Mulher, em que uma atriz transgênera comemorava esse dia pela primeira vez, oficialmente. Assim, os palestrantes apresentaram de forma leve e descontraída o funcionamento real de uma Agência, incentivando os futuros publicitários a batalharem por um espaço no mercado.


Luana Feliciano – 3° Período