Uma nova abordagem sobre a vida de Cristo

392868.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxxO leitor que vê o título da matéria pode pensar: “mais filme um sobre a vida de Jesus?”, e então muitos acabam julgando “o livro pela capa” – nesse caso, o filme pelo nome. A produção do diretor Cyrus Nowrasteh não faz milagres, mas ainda assim, pode agradar.

“O Jovem Messias” é baseado no livro Christ The Lord: Out of Egypt de Anne Rice – autora de “Entrevista com o Vampiro -, e imagina a história desconhecida da infância de Jesus Cristo. Aos sete anos, o menino mora no Egito com os pais, onde fugiram como forma de evitar a matança de crianças ordenada pelo Rei Herodes, O Grande.

Entretanto, durante um sonho, José recebe a mensagem de que a família precisa retornar a sua terra natal, Nazaré. Herodes morreu e seu filho assumiu o trono, retomando as buscas pelo Filho de Deus. A vida de Jesus e de todos ao seu redor é, novamente, colocada em perigo.

As cenas brutais da cruxificação vistas com Mel Gibson em “A Paixão de Cristo” ou as reflexões profundas durante a “Última Ceia” não ganham espaço. A narrativa gira em torno de uma criança que busca respostas, como o porquê de ela poder fazer um rabino cego voltar a enxergar; o conflito está no fato de José e Maria não saberem lidar com os questionamentos do filho.

Apesar de “O Jovem Messias” estar longe de ser uma grande produção cinematográfica, a doçura com a qual o ator mirim Adam Greaves-Neal interpreta Jesus – a quem sendo foi visto como um homem que sempre aceitou o seu “destino”- traz uma visão diferente sobre a trajetória da sagrada família e arranca pequenos sorrisos.

A audiência do filme é muito bem definida: crianças e adultos devotos especialmente ao catolicismo.  O filme não é a primeira, nem a segunda, nem a terceira escolha para quem deseja passar uma tarde no cinema. Mas, nessa época de Páscoa, é uma boa opção para quem busca uma versão diferente de uma história já conhecida.


Nathalia Araujo – 7º período

Comunicólogos palestram no campus Tijuca

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Arte de divulgação do evento

As aulas inaugurais de Comunicação Social foram realizadas nos dias 21 e 22, no campus Tijuca, da Universidade Veiga de Almeida. O evento contou com a participação da jornalista Belisa Ribeiro  – que ministrou o primeiro dia de palestra, onde disse um pouco de sua trajetória no “Jornal do Brasil” e também citou o lançamento de seu segundo livro “Jornal do Brasil – História e Memória” -. No segundo dia, o evento foi palestrado pelo publicitário Eduardo Murad.

Formado pelo IACS, UFF e doutor em comunicação pela ECA (Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo), o publicitário palestrou sobre “O Valor Emocional das Marcas”. A apresentação do tema trouxe para debate situações que as pessoas passam ao envolverem-se com uma marca.

Muito conhecida por ser a mãe do compositor Gabriel, O pensador, Belisa faz piada dizendo que o “Gabriel também é o filho da mãe”. A jornalista conta que começou a carreira como modelo e, por conta disso, começou a frequentar o Jornal do Brasil para acompanhar publicações de moda e acabou se apaixonando pela profissão. Com mais de 40 anos de carreira, Belisa passou por outras mídias. A repórter também participou do primeiro telejornal apresentado por jornalistas em 1981, o Jornal da Globo, e de um programa de produção independente na Band chamado “Sexta-Feira”.

Na palestra de jornalismo investigativo, Belisa compara a época em que trabalhava no JB com os dias atuais. Segundo comunicóloga, “o Jornal do Brasil tornou-se inesquecível, pois não refletia só no que estava acontecendo na sociedade, mas o jornal tinha força nas reportagens com o objetivo de influenciar de alguma maneira na vida das pessoas”, principalmente quando o jornal foi censurado, na ditadura.

No livro, a repórter conta os bastidores das edições mais marcantes do jornal, além de declarações emocionantes de antigos colegas de trabalho citados na palestra, como Paula Henrique Amorim, Norma Couri, Luiz Orlando Carneiro, entre outros que marcaram a vida do jornal que influenciou gerações e até hoje é considerado uma “escola” para muitos jornalistas. “É um livro não apenas sobre o papel da imprensa, mas sobre criatividade, ousadia e coragem”, descreve Belisa.

Está claro que o livro “Jornal do Brasil – História e Memória” é um bem indispensável não somente para os que cursam jornalismo, mas também para todos que buscam conhecer e entender o porquê do JB ter ser tornado uma joia preciosa da comunicação impressa do país.

Os alunos que lotaram o auditório saíram entusiasmados e aprovando a escolha dos coordenadores perante os convidados. A estudante de Jornalismo Joane Almeida, do 5° período, conta que já acompanhava a escritora desde o lançamento de seu primeiro livro, ‘Bomba no Rio Centro’. “Palestras como essa são enriquecedoras e a da Belisa não foi diferente. Os trabalhos dela fazem você se apaixonar cada vez mais por essa carreira linda que é o jornalismo. E eu creio que esse novo livro dela não seja diferente. Estou ansiosa para ler”, completa a universitária.

Animada com as apresentações, a aluna do terceiro período de publicidade da UVA admite que a palestra teve um papel importante em sua decisão de qual carreira seguir dentro da comunicação. “Muitos alunos têm receio sobre o futuro e muitas dúvidas sobre o curso em que está. Comecei fazendo publicidade, porém acabei de apaixonando por jornalismo, pretendo mudar no próximo período. E hoje na palestra da Belisa só me afirmou isso (sic)”, comenta a estudante.

Dando continuidade às palestras. Eduardo Murad atraiu a atenção dos alunos no segundo dia de eventos. A apresentação do comunicólogo foi bastante descontraída e tratou sobre a relação das pessoas que buscam formação da própria identidade através de uma empresa. “Não se vende mais o objeto, compramos a experiência”, conta o publicitário, que atrelado a isso citou grandes marcas como exemplos sobre o posicionamento das marcas para os clientes.

A avaliação da plateia também não muda. Para o palestrante, a experiência de estar na UVA foi extremamente interessante, era nítido que havia uma série de questões que os estudantes já conheciam, devido as aulas. “Muito legal perceber que tem gente inteligente cursando a nossa área, que está disposto a fazer diferente, o novo, ao invés de ficar reproduzindo o mesmo padrão de comunicação que já está morrendo”, conclui o publicitário.

Comprovando a “teoria” de Eduardo, que defende que os alunos já dominam parte do tema, está certa, a estudante Renata Villaça, do segundo período, completa falando que parte dos conhecimentos também vem de estímulos exteriores a universidade. “Eduardo nos abordou com assuntos que atentam ao que vemos no dia a dia sobre as principais marcas que usamos de uma forma bastante esclarecedora e objetiva”, finaliza a futura publicitária.


Yasmin Thomaz- 5° período.
Lorena Lopes- 3° período

A mulher que mudou o mundo

Com cerca de 100 obras de 15 artistas diferentes, a exposição “Frida Kahlo – Conexoes Entre Mulheres Surrealistas no México” chega ao Rio de Janeiro pela Caixa Cultural, após uma temporada em São Paulo. A Mostra, que conta com a curadoria de Teresa Arcq, traz como eixo principal a figura de Frida, onde o público poderá entrar no universo da pintora explorando mais de 30 trabalhos de seu acervo pessoal.

Além disso, o espectador também pode observar um pouco da intimidade da artista através das fotografias dos americanos Bernard Silberstein, Nickolas Muray, amigo e amante de Frida, entre outros. Artistas pouco conhecidas do público brasileiro como María Izquierdo, Remedios Varo, Leonora Carrington, Rosa Rolanda e Lola Álvarez Bravo estampam as paredes da exposição com obras que resgatam a cultura e as tradições da terra natal. A influência de Frida fica evidente na maioria dos quadros.

1Empolgada com a energia e a inspiração que a mostra passa, a visitante Isabel Dias diz que guardou a ansiedade por muitos dias para ver a exposição. “Uma artista que marcou para sempre a história e continua inspirando mulheres na luta diária por conquistas e diretos”, completa a fã.

Entre pinturas, esculturas, fotografias, registros fotográficos, catálogos e reportagens a mostra permite confrontar uma face desafiadora de um movimento que surgiu na França na década de 1920, o surrealismo. Apesar das obras de Kahlo serem qualificadas dentro deste gênero artístico, a artista – antes de morrer – desmente esse senso com a frase: “nunca pintei sonhos, pintava minha realidade”.

A curadora da exposição defende a forma de pensar e agir de Frida. “Embora o Surrealismo tenha servido em muitos casos como influencia e catalisador de liberdade criativa, as mulheres adotaram uma postura pessoal e com frequência utilizaram sua obra como meio de exploração e catarse psicológica e espiritual”, comenta Teresa Arcq.

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A exposição permanece no museu até o dia 27 de março. A entrada é gratuita, mas para evitar filas são distribuídas senhas pelo site ou na recepção da Caixa Cultural.


Lorena Lopes- 3º Período

II Semana de Psicologia da UVA

De 14 a 18 de março foi realizada no campus Tijuca da Universidade Veiga de Almeida a II Jornada Sócio e Clínico Institucional de Psicologia. O evento procurou levar aos participantes as duas grandes áreas da psicanálise a partir de diversas abordagens.

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A professora responsável pelo evento, Luciana Marques, destacou a diversidade de temas que foram discutidos ao longo do evento: “Vamos falar de arte e psicanálise, gênero e transgênero, além da inserção do profissional recém formado na psicologia organizacional e do trabalho”.

Na terça-feira, às 19h, a II Jornada de Psicologia teve a participação do ilustrador Pacha Urbano que brinca com tirinhas de jornal sobre psicanálise. Além do debate, o artista também participou de uma sessão de autógrafos e venda de livros no auditório.

Para o estudante Gustavo Dias, do 1° período, o evento foi importante pois “trouxe casos de experiência e ajudou a esclarecer a teoria dada em sala de aula”. Já Gabriela Ardente, também do 1° período, participou durante todos os dias para aprimorar seu conhecimento.

Na sexta-feira, às 10h, o encerramento do evento contou com a apresentação da peça “Ofélia no Divã”. Com direção e texto de Antonio Quinet, o enredo é o resultado de um estudo cênico e psicanalítico das personagens femininas de Shakespeare na relação com seus respectivos pares.

A II Jornada de Psicologia foi um evento gratuito em todos os turnos (manhã e noite) e os alunos do curso foram liberados das aulas durante toda a semana. A participação em cada atividade valeu 5h de atividade complementar.


Nathalia Araújo – 7° período

Yasmin Thomaz – 5º período

 

 

Muito além da escuridão

A exposição “Diálogo no Escuro” simula o dia a dia de deficientes visuais e é capaz de transformar a vida de seus visitantes.

Ter medo do escuro pode parecer coisa de criança, mas você já se imaginou vivendo 24 horas do seu dia na total escuridão? É essa a realidade de muitas pessoas ao redor do mundo. Dificuldades, preconceitos e sentimentos de pena são constantes na vida da maioria dos deficientes visuais, porém a realidade não é bem assim.

O Museu Histórico Nacional em parceria com a Calina Projetos oferece a mostra sensorial “Diálogos no Escuro”, que possibilita aos visitantes terem a experiência de viver por, aproximadamente, 1 hora a total escuridão e serem guiados por pessoas cegas ou com baixa visão. Antes de o visitante entrar na sala escura há uma conversa entre o grupo e o guia e logo em seguida, com apoio de uma bengala, todos são direcionados ao local sem nenhum tipo de claridade. O desconforto e a sensação de que não é mais possível enxergar é muito desafiador, porém sua percepção e outros sentidos ao longo do tempo vão ganhando força e vários ambientes são reconhecidos, mesmo sem a visão.

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Entrada da exposição

Muitas pessoas que vão até a mostra nunca tiveram contato com deficientes visuais, o exercício de empatia ajuda a melhorar o mundo em que vivemos, afirma Luiz Calina, gerente de projetos da exposição. Ao longo do passeio opiniões vão sendo transformadas. No final, todo grupo se reúne e então acontece o diálogo no escuro. Os visitantes tiram todas suas dúvidas e questionam curiosidades aos guias.

 É possível perceber muitas dificuldades que os deficientes visuais enfrentam diariamente, porém muitas vezes as pessoas que não possuem problemas de visão acabam atrapalhando, ao invés de ajudar. O pré-conceito que as pessoas, inclusive alguns familiares, possuem tendo a ilusão de que eles não são capazes de viverem sozinhos é relatado pelos guias Rogério Melo, que possui visão parcial, e Leonardo de Oliveira, que nasceu com a perda total da visão.

Para o gerente Luiz Calina a parte do diálogo é a mais importante da mostra. Cada pessoa tem uma reação diferente e isso algumas vezes o marcou. Luiz relata que durante o “Diálogo no Escuro” em São Paulo, uma mulher saiu da exposição impressionada e desabafou que o filho de 8 anos havia perdido a visão. Para essa mãe, a mostra possibilitou a aceitação com a realidade do filho, o que a sensibilizou muito e também a todos presentes.

Com tantos relatos, quando os visitantes saem da experiência é nítida a expressão de surpresa no rosto deles. A mudança da perspectiva em relação à opinião antes formada em relação aos deficientes visuais é incrível. José do Nascimento Junior (49) possui amigos deficientes visuais e busca sempre poder entender como é a vida dos amigos e suas dificuldades. “É uma forma de perceber a necessidade de ver o mundo com outros olhos, se colocar em outra posição e entender que o mundo tem uma complexidade e diversidade enorme”.

Sobre “Diálogos no Escuro”:

  • A mostra passou já por 39 países, 140 cidades;
  • Surgiu na Alemanha, em 1986, e foi trazida para o Brasil pela Calina Projetos, em parceria com a Dialogue Social Enterprise;
  • Conta com a participação de pessoas cegas e com baixa visão;
  • Com apoio do Instituto Benjamin Constant 11 guias sensoriais foram contratados para a exposição;
  • Desde a sua 1º exibição a mostra já empregou 7 mil deficientes de todo mundo.
  • São 25 anos de exposição;
  • 8 milhões de pessoas já visitaram o projeto.

O Museu Histórico Nacional fica localizado na Praça Marechal Âncora, sem número – Centro, Rio de Janeiro, RJ (entre a praça XV e o Aeroporto Santos Dumont)

O horário de funcionamento é de Terça à Sexta das 10:00 as 17:30 horas e Sábados e Domingos das 14:00 às 18:00 horas.

Os ingressos variam de R$ 6,00 à R$ 20,00. Estudantes e idosos pagam meia entrada.

Para mais informações acesse o site http://www.dialogonoescurorio.com.br/

 


Ana Carolina Martins – 5º período

A paixão de Clarice

Na última semana, o espetáculo “Simplesmente Eu, Clarice Lispector” voltou ao Rio para uma curta temporada. A peça, que já passou por mais de 240 cidades pelo Brasil, com mais de 800 mil espectadores, mostra de maneira poética e arrebatadora um pouco da personalidade e do processo de criação de uma das maiores escritoras da história, alternando entre a própria Clarice e algumas de suas personagens mais marcantes, como “Joana”, Lóri”, “Ana” e — talvez a mais famosa de suas criações — “G.H.”.

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O monólogo expõe o universo de Clarice, que ocupa cada canto e cada palavra do palco. A atriz Beth Goulart, idealizadora do projeto, passou dois anos pesquisando entrevistas, cartas e depoimentos para produzir a peça, que também apresenta passagens dos livros “Perto do Coração Selvagem” e “Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres”, dos contos “Amor” e “Perdoando a Deus” (da coletânea “Laços de Família”), além de referências ao romance “A Paixão Segundo G.H.” — considerado o magnus opus da escritora.

Beth Goulart, que além de assinar o texto e atuar no espetáculo também é responsável pela direção, mergulhou de cabeça na obra e no mundo de Clarice e define a experiência como transcendental. “Esse espetáculo é uma grande declaração de amor à Clarice Lispector; sou uma grande admiradora dela, me considero uma “clariciana” por ser apaixonada por essa obra dessa grande mulher”, diz Beth sobre a peça.

E tanta dedicação tem valido muito a pena. Desde a estreia da montagem, em 2008, a peça já ganhou cinco prêmios, sendo quatro deles de Melhor Atriz para Beth Goulart — também foi ganhador de Melhor Espetáculo e recebeu indicações nas categorias Melhor Iluminação e Melhor Produção. Assim como muitos, Beth diz que Clarice não se lê, é uma experiência; e, ao ler “Perto do Coração Selvagem”, aos treze anos, a identificação foi imediata.

“LIBERDADE É POUCO. O QUE EU QUERO AINDA NÃO TEM NOME”

A peça cumpre de forma sublime o seu propósito, fazendo o público chorar e rir e embarcar de bom grado pelos “corredores claricianos”, sendo conduzido pela alma inquieta de C.L. E a volta aos palcos parece ter sido providencial, já que no último ano a obra de Clarice Lispector, voltou a ser traduzida para o inglês, chamando atenção da crítica estadunidense — o The New York Times a colocou em sua lista dos melhores de 2015, a New York Book Review a estampar em sua capa e o Wall Street Journal a chamou de “a Virginia Woolf brasileira”, fazendo referência à escritora inglesa que, assim como Clarice, era obcecada em desvendar as questões da alma humana._20160314_230724

Na primeira cena do espetáculo, Beth surge no palco de costas, e, quando se vira para a
plateia, é impossível ver a atriz — só é possível enxergar Clarice. O trabalho intenso de pesquisa e preparação fez com que Beth ultrapassasse e muito o limite da “imitação”: ela se tornou Clarice num ponto em que intérprete e personagem se misturam de maneira assombrosa. Segundo Beth, a última entrevista concedida pela escritora foi fundamental para atingir este resultado. “Ali, pude perceber o tempo dela de pensar e se expressar, a voz”, ela detalha. E com esta incorporação da “aura clariciana”, Beth simplesmente domina tudo e todos durante os 60 minutos da peça.

Na última cena, numa associação entre a interpretação poderosa de Goulart e um jogo de iluminação excepcional, vê-se apenas o rosto de Clarice no palco, mesmo quando a atriz dá as costas para o público. Ao fim do espetáculo, Beth (já como si mesma) agradece ao público. “Obrigada pela presença. Obrigada pelo silêncio”, ela diz, emocionada. E um fã de Clarice entende imediatamente o que ela quer dizer. “O silêncio ao qual Clarice se refere não é o silêncio de ficar quieto. É o silêncio de saber ouvir a nós mesmos”. Uma digníssima e merecida homenagem à Clarice.

O ENCONTRO DE BETH E CLARICE

No foyer do teatro, há ainda a exposição “Entre Ela e Eu”, que conta a história de Clarice (sua chegada ao Brasil, ainda bebê) e sua jornada como uma mulher forte e à frente de seu tempo. A mostra e repleta de fotos, ilustrações e representações feitas por diversos artistas que conheceram C.L.

“É FÁCIL ME PINTAR: BASTA PÔR MAÇÃS ELEVADAS, OLHOS UM POUCO OBLÍQUOS E LÁBIOS CHEIOS. SOU CARICATURÁVEL”

– Clarice Lispector

A exposição ainda inclui um rico relato feito pela atriz Beth Goulart sobre como ela conheceu a obra de Clarice, ainda na adolescência, e como as palavras da autora a encantaram, fato que a levou a criar ambos os projetos. “Eu achava que não era compreendida. O que fazer com tudo isso dentro de mim, com esse processo criativo? Só Clarice me entendia”, conta Beth.

A mostra “Entre Ela e Eu” serve para absorver o espectador para dentro do universo de Clarice com dados biográficos, material de arquivo e trechos de textos, ambientando as pessoas por este labirinto misterioso que é a mente e a obra “clariciana”, para, enfim, invitar o espectador ao encontro de Beth, no palco. E como se tudo isso já não bastasse para envolver o público, ao fim de cada apresentação, dois livros de Lispector são sorteados à plateia. Melhor impossível.

As apresentações tiveram início no dia 10/03 e terão duas sessões extras nos dias 18/03 (sexta-feira) e 19/03 (sábado), sempre às 19:30, no Teatro SESI Centro, ou seja, ainda dá tempo de conferir este trabalho incrível. A exposição “Entre Ela e Eu” é gratuita e os ingressos para a peça custam R$40,00.


Daniel Deroza – 3º período

Choque de realidade

mundocaofotoO diretor Marcos Jorge acertou em cheio na hora de decidir o tom que a história do novo longa nacional, “Mundo Cão”, assumiria. A trama gira em torno de Santana (Babu Santana), funcionário do ‘Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo’ e responsável por recolher cães de rua. Na trama, o personagem principal encontra um enorme rottweiler que invadiu uma escola e precisa levar o animal para o Centro.

O problema começar quando ele descobre que segundo o protocolo do CCZ, qualquer animal que o dono não venha em buscar em até três dias deve ser sacrificado. Paulinho (Lázaro Ramos) é um famoso empresário de jogos e dono do cachorro. Revoltado com a execução do animal, ele decide se vingar do pobre funcionário.

A história é regada com uma constante tensão, fazendo com que o espectador não tire os olhos da tela e fique instigado em saber o que vai acontecer na cena seguinte. Todavia, a obra tem alguns alívios cómicos, como piadas sobre o governo e referências à filmes como ‘’Tropa de Elite’’. A história também fala sobre atitudes sociais. Como a lei contra a eutanásia de animais, sancionada, desde 2008, em SP e deixada de lado por muitos cidadãos.

O premiado diretor de fotografia Toca Seabra – que já trabalhou com Marcos Jorge em outras produções, como ‘’Estômago’’ de 2007 – explorou os enquadramentos mais abertos, com a finalidade de facilitar a ambientação do espectador. E deu certo, mesmo com as longas tomadas e dos inúmeros momentos de conflitos entre os personagens.

No geral, o filme tem tudo para ser bem aceito pelo público. Em especial para aqueles que já conhecem e admiram o trabalho do diretor Marcos Jorge, devido à repercussão internacional do longa ‘’Estômago’’. O roteiro é inteligente e espirituoso e, apesar da história se passar em 2007, as contestações contidas nos diálogos dos personagens e os problemas vividos por eles se encaixam perfeitamente nos dias de hoje.


Mariana Bahia – 5º período

A reinvenção de Berlim após guerra e destruição

Obras que contam estória. Uma máquina de erosão com 12 betoneiras é apenas um dos muitos destaques da exposição que chegou à cidade na última semana de janeiro. Zeitgeist – Arte da nova Berlim, que está em cartaz no CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, se trata de um retrato feito por 29 autores da cena artística de Berlim, sob um reflexo de 25 anos depois de duas guerras mundiais e a queda de um Muro que separou a cidade por mais de 30 anos.

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Betoneiras

Para contar a reinvenção da capital da Alemanha e para revelar o quanto Berlim é diversa e plural, quando se trata de pensar e viver a arte, a exposição, que foi idealizada por Goethe-Institut e tem como curador o Alemão Alfons Hug, reuniu pinturas, vídeo-arte, performances, instalação e a cultura dos Clubs berlinenses.

E por falar em arte, o curador da exposição, Alfons Hug destaca a seguinte obra. “A fotografia em grande formato de Thomas Florschuetz ainda encontra, mesmo nas profundezas do declínio, motivos com grande força de sedução.  Na arte de Florschuetz o tema são os trabalhos de demolição do antigo Palácio da República, obrigado a ceder seu lugar à reconstrução do Berliner Stadtschloss, anteriormente destruído durante a guerra; ou os estudos do interior do magnífico Neues Museum, onde foram propositadamente preservadas as marcas dos danos da guerra. O catastrofismo latente sempre esteve bem guardado em Berlim”, afirma o curador.

Obra Thomas

Obras Thomas

Hug também explica que, após acontecimentos dramáticos que marcaram a história da cidade, Berlim ressurgiu das cinzas como uma fênix nas últimas duas décadas. “A vida improvisada que, nos anos 90, se caracterizava por insondáveis relações de propriedade foi se adensando até formar o Zeitgeist (espírito de uma época, a partir do qual a arte, a cultura e as relações humanas evoluem) que hoje projeta sua influência para muito além da Europa Central, atraindo artistas do mundo todo com seu magnetismo”, explica.

O “Zeitgeist”, que Alfons Hug se refere, é um termo alemão para o conjunto do clima intelectual e cultural em uma dada época, ou, ainda, características gerais de um determinado intervalo de tempo a partir do qual a arte, a cultura e as relações humanas evoluem.

Mas, para Hug, as evoluções da Capital da Alemanha não param por aí. Segundo ele, essa influência dos anos dramáticos de guerra e destruição tornou Berlim diferente, do ponto de vista artístico, comparado a outros países da Europa. “O que chama a atenção em Berlim é a ausência de uma “corte” cultural que, em outras capitais da Europa, paralisa a criação artística com sua etiqueta e normas não escritas”, enfatiza ele.


Local: Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro

Rua Primeiro de Março, 66 – Centro – Rio de Janeiro/RJ – Tel.: (21) 3808-2020 – ccbbrio@bb.com.br

Período: de 27/01/2016 a 04/04/2016 – De quarta a segunda de 9 às 21h

Patrocínio: Banco do Brasil

Realização: Centro Cultural Banco do Brasil

Idealização: Goethe-Institut

Produção: Madai Produções


Kênia Almeida – 7º período

Fernando Lindote e a cultura brasileira

Quem não conhece o Zé Carioca? A simpática ave criada pela Disney como forma de minimizar a visão imperialista que os brasileiros tinha sobre os Estados Unidos é, sem dúvida, a estrela da exposição “Fernando Lindote: trair Macunaíma e avacalhar o papagaio” em exibição no Museu de Arte do Rio.

Zé Carioca em sua representação mais conhecida

Zé Carioca

Tanto que suas representações em telas, esculturas ou quadrinhos são as que mais chamam a atenção dos visitantes – crianças e adultos. Para os mais crescidos, como os médicos Mona e José Costa, a exposição proporciona uma viagem no tempo. “São peças divertidas e curiosas que relembram a infância”, contam os turistas de Pernambuco.

Entretanto, a proposta aqui não é fazer uma viagem pela memória infantil, e sim discutir a identidade cultural brasileira. Na obra de Lindote, o Zé Carioca se encaixa de duas maneiras. A primeira é o fato de o papagaio ter sido sua introdução à arte. Seu ilustrador no Brasil, Roberto Canini, foi o grande mestre do autor e também quem “avacalhou” o personagem norte-americano, colocando-o no contexto histórico, geográfico e social brasileiro.

Já a segunda maneira em que o Zé Carioca se encaixa na obra de Lindote é mais específica à exposição. Em sua proposta de refletir a formação da identidade cultural brasileira, Lindote questiona que identidade é essa que tem por base a importação de figuras e elementos de outras culturas.

Afinal, Zé Carioca é naturalmente norte-americano e foi incorporado ao cenário brasileiro de tal forma que muitos se esquecem disso. O mesmo caso se aplica ao índio Macunaíma. Na literatura brasileira, ele é a representação de um povo preguiçoso, um anti-herói. Enquanto na cultura indígena, é um deus amazônico, filho do sol e da lua. Macunaíma foi traído por Mário de Andrade, por Lindote e por todos nós.

A exposição ainda conta com obras de outros autores e outras peças de Lindote que se caracterizam como modernistas – outro movimento que buscou formar a identidade cultural brasileira – e exploram o imaginário e o fantástico de sua arte. Os visitantes também podem deixar suas marcas, sejam criando figuras de origami com papéis disponíveis no salão ou criando suas próprias histórias em quadrinhos em um quadro negro.

A exposição “Fernando Lindote: trair Macunaíma e avacalhar o papagaio” fica em exibição no Museu de Arte do Rio (MAR), na Praça Mauá, até o dia 03 de abril. O ingresso custa R$10 (R$5 a meia entrada) e permite o acesso a todas as exposições no museu. Nas terças, a entrada é gratuita. Para mais informações, acesse: museudeartedorio.org.br.

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Nathália Araújo – 7º Período

 

II Semana de História UVA

No início da semana foi realizado a “II Semana de História UVA”, com o tema “A Democracia e seus Reverses”. Ao longo X DIAS, atividades foram realizadas no campus Tijuca, na parte da manhã, tarde e noite. Os alunos participantes ganharam até 60 horas de AC, e tiveram a oportunidade de se aprofundar nas pautas tratadas no debate. Entre muitos debates, tópicos muito abordados foram as eleições, reações do povo e protestos.

Na edição anterior, eram apenas três dias com a disponibilidade de poucas salas. Este ano, os estudantes de História conseguiram o auditório para a semana inteira. Apesar das dificuldades que encontraram, toda a equipe envolvida trabalhou e transformaram a “II Semana de História” em um motivo de orgulho, pelo número de pessoas demonstraram interesse

História - Prof Alair Figueiredo

Prof. Alair Figueiredo

O evento já é um sucesso: há uma grande procura pelos minicursos, alunos de outras especialidades estão presentes e mostram muito interesse pelos debates promovidos durante as palestras. Embora o tema central seja Democracia, também houve espaço para discussões de outros temas como a legalização das drogas, o cristianismo, a igualdade de gêneros, entre outros.

Depois de muitas discussões ficou claro que a população brasileira, principalmente os jovens, mostram – em especial nos últimos anos – uma atitude com o objetivo de retomar o interesse político. Grandes discussões sobre o modo de governar o Brasil estão sempre sendo levantadas. São tantas opiniões desde a mais utópica e revolucionária, até mesmo alguns sistemas ditatoriais são apoiados pelo povo. Com inúmeros desapontamentos que o povo enfrenta – como a corrupção, mentiras dos políticos entre outros –, algumas pessoas lutam para manter a chama da esperança acesa.

Apoiador os movimentos sociais e inimigo da estagnação pública, o palestrante Daniel Abraão afirma que a democracia é um regime instável, sujeito a retrocessos e avanços. “Já a conquistamos (democracia), mas é preciso estar em alerta. Precisamos lutar para manter o que temos”, afirma o professor de história contemporânea da Universidade Federal Fluminense (UFF).

A organização entregou 200 panfletos opinativos para os ouvintes das palestras ocorridas durante a semana. Quando perguntados sobre a avaliação do evento, apenas uma pessoa classificou como “médio” e o restante respondeu com a melhor qualificação. O trabalho de divulgação começou com meses de antecedência e a “II Semana de História” já ultrapassou as expectativas dos organizadores. “Estamos deslumbrados com o sucesso”, afirma o secretário da organização, Vinícius Sena.


O sonho que virou realidade

História Banner 2Nessa segunda edição, as dificuldades enfrentadas pelos organizadores não foram tão grandes. O sucesso da edição anterior possibilitou um maior numero de apoiadores e a comissão organizadora está crescendo. Com o atual panorama político/econômico da sociedade brasileira, o tema escolhido ajudou na captação de contribuintes.

Esse projeto foi fruto de muito trabalho e dedicação por parte de duas ex-alunas, estudantes de graduação da Universidade Veiga de Almeida (UVA). Valquiria Velasco e Tatiana Sobral. A dupla sonhava em organizar, ou no mínimo participar, um evento de grande porte voltado para a história, porém esse desejo parecia muito distante, ninguém acreditava que de fato isso realmente seria possível, mas elas não desistiram e conseguiram o apoio do coordenador do curso, Paulo Sérgio.

Demonstrando otimismo Tatiana pede para que os alunos abracem esse projeto e deem continuidade a ele. O que a dupla mais queria era “trazer um pouco de noção do mundo acadêmico da história para fora dos muros da universidade, para todos os alunos”, conta Valquiria.


Yasmin Thomaz– 5º Período,
Ana Carolina Martins– 5º Período.