Twitter é a principal ferramenta das mídias independentes

No dia 21 de março, o Twitter completou dez anos e, desde a criação da rede social até hoje, muita coisa mudou: o layout do site, a diversidade de pessoas que passaram a frequentá-lo, a forma de utilizar os 140 caracteres. Algumas mudanças agradaram, outras não, mas é inegável o fato de que o microblog cresceu bastante ao longo de sua existência.

A rede social começou para fins pessoais, hoje, é parte importante do desenvolvimento das mídias independentes. Se no início, blogueiros viam o Twitter como uma ferramenta de divulgação para suas postagens, atualmente, eles também fazem seus “textos” diretamente no microblog.

Cris Dissat, do blog Fim de Jogo - canal hoje possui credencial de imprensa no Maracanã - foto cedida por Cristina Dissat

Cristina Dissat, do blog Fim de Jogo – canal hoje possui credencial de imprensa no Maracanã.

Como é o caso do blog “Fim de Jogo”, criado pela jornalista Cristina Dissat. Ela fazia pós-graduação, em 2008, quando um dos professores comentou sobre o surgimento da rede social e percebeu que o site poderia ser uma ferramenta fundamental para o jornalismo. “Quando eu vi a possibilidade de publicar diretamente da rua, aquilo já me interessou muito e o perfil estaria associada ao blog que já existia na época”.

Com o tempo, a conta @fimdejogo ganhou proporções bem parecidas com a do site. A jornalista relata que a quantidade de informação é muito grande e, por isso, a equipe precisa saber direcionar o que será postado. “Recentemente, demos um furo de reportagem em uma notícia sobre o Maracanã. No Twitter, eu apenas pontuei algumas coisas, mas o conteúdo detalhado estava no blog”, explica Cris.

A jornalista também reparou que o microblog é uma ferramenta poderosa quando ela quer que uma matéria esquente. “O Twitter e o site são duas mídias que se complementam”. A postagem em tempo real é, de fato, uma das principais vantagens que o “Fim de Jogo” encontrou. Afinal, o site trata de futebol e, durante um jogo, existem períodos nos quais inúmeros fatos acontecem.

Informações pontuais no @fimdejogo, detalhes e matérias no blog do projeto_

Informações pontuais no @fimdejogo, detalhes e matérias no blog do canal.

Para Cristina, a rede social é perfeita para essa situação. “O Twitter é instântaneo, característica que o Facebook não possui, e, por isso, foi um sucesso estrondoso durante a Copa do Mundo”. Por ser mídia independente, o próximo grande passo, tanto do blog como do Twitter, é conseguir arrecadar fundos. Ela considera que o projeto é um plano de negócios novo, difícil de ser entendido, mas os tempos estão mudando e conceitos sendo revistos. O “Fim de Jogo” está inserido nesse novo formato. “Gostaria de ver um blog dentro de um grande portal, mas ser mídia independente é muito bom, pois fazemos o que queremos e da maneira que achamos correta”, confessa Cris.

BOTAFOGO NEWS: PROJETO QUE SURGIU ENTRE AMIGOS

Seguindo a mesma linha de experimentar o que era novo em relação a novas mídias, o BotafogoNews surgiu em 2009, nos corredores da Universidade Federal Fluminense (UFF) entre um grupo de amigos do curso de Estudos de Mídia que eram torcedores do clube. O fundador, Thiago Petra, foi quem descobriu o Twitter e, após não encontrar nenhum perfil atraente ou atualizado com frequência, ele decidiu dar o pontapé inicial no projeto.

Cerca de duas semanas após a criação do perfil, André Assunção foi convidado para participar da empreitada. “Na época, a conta ainda estava na casa dos 30 seguidores e eu me empolguei com a ideia”, conta. O objetivo inicial era postar pelo menos uma notícia por dia. Contudo, a vontade de fazer diferente trouxe os registros em tempo real dos estádios e as narrações dos jogos. “A partir daí, a interação com as pessoas cresceu e o nosso desafio se tornou tentar equilibrar informação – do campo e da arquibancada – com humor e diálogo, sempre dando voz ao torcedor”.

André e a equipe do News procuram levar ao internauta a emoção dos estádios

André e a equipe do News buscam levar aos seguidores a emoção dos estádios.

O projeto do News chegou a ter um site formal, que surgiu em 2012. “Foi um dos momentos mais incríveis da nossa trajetória”, relata André. A plataforma teve desde estudantes de jornalismo, crônicas de convidados até colaborações de botafoguenses ilustres, como um texto inédito de João Moreira Salles.

   O problema foi que era tudo feito na base do amor e era difícil de administrar todo o conteúdo de uma forma amadora. Domínio, servidor, alguém para programar, um bom designer, além de publicar material novo e divulgar nas redes – muito trabalho e nenhum retorno financeiro. “Conseguimos uma explosão de acessos e chegamos a conversar com um possível patrocinador, mas batemos na trave”, esclarece André.

Depois do auge, o site ainda ficou no ar por um bom tempo, mas, com a instabilidade nas postagens, acabou saindo do ar. E, para André, faz muita falta. Ele explica que o Twitter cumpre boa parte dos objetivos, mas o site tornava o alcance maior. “O Twitter é a rede social favorita de muita gente, mas outros muitos não chegam nem perto do microblog”.

Apesar disso, a plataforma oferece suas vantagens. “É dinâmico, a informação é rápida, sem rodeios e mais linear”. André explica que no Facebook, por exemplo, existe uma restrição de alcance que, muitas vezes, faz que apenas 10% do seu público receba a publicação de conteúdo do “BotafogoNews” no feed.

 E quem pensa que o News só faz cobertura do Botafogo, se engana. Durante a Copa do Mundo, o perfil teve o que André descreve como “um dos grandes momentos da nossa história como canal autônomo”. A ideia surgiu quando, despretensiosamente, a equipe perguntou aos torcedores quem estaria no estádio durante a competição. A princípio, o objetivo era apenas receber uma foto dos seguidores com a camisa do clube no estádio.

Hoje, o BotafogoNews sobrevive apenas via Twitter_

Hoje o BotafogoNews sobrevive apenas via Twitter.

Entretanto, o que aconteceu foi uma cobertura in loco realizada por uma equipe que contou com 50 colaboradores. As informações eram enviadas pelo WhatsApp de todos os cantos do Brasil, com informações de filas, engarrafamentos e do público nos estádios. Quem participou do projeto, recebeu alguns pequenos brindes. Entre eles, uma figurinha do goleiro Jefferson, que havia ficado de fora do álbum da Copa.

Ele relata também que, um fato interessante, foi o canal ter atraído seguidores que torciam para outros times. E mesmo com o fanatismo explícito pelo Botafogo, muitos gostaram do estilo e permaneceram acompanhando o perfil.”A cobertura teve um retorno incrível. Os seguidores se sentiram identificados e alguns até entraram para a equipe durante a competição”.

Além de pretender repetir a ideia durante as Olimpíadas em 2016, um dos objetivos é tornar o projeto auto-sustentável – uma tarefa difícil, considerando o excesso de fontes de informações existentes hoje em dia -. Isso, além do sonho de uma versão impressa do “BotafogoNews”. “Nosso grande objetivo é virar um laboratório acadêmico. O BN já fez parte da formação de alguns colaboradores e oferecer um estágio remunerado seria um grande ponto a ser desenvolvido”.

O caminho não é fácil. Com sete anos na ativa, o desafio é manter o perfil ativo. Hoje, o atual gestor da conta é Rafael Sathler e, se não fosse por ele, o canal talvez já tivesse encerrado as atividades. “É como escutei numa reportagem: ‘sonhar grande dá o mesmo trabalho que sonhar pequeno’”, finaliza André.


Nathalia Araujo – 7º período

Retratos da busca à perfeição

T412693.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxxrês narrativas que acontecem paralelamente, tendo como ligação temática a arte e o sexo. Michelle (Mariana Ximenes), modelo que sonha em ser escritora, mas é reconhecida apenas pela sua beleza, Emma (Alison Pill), criadora de bonecas sexuais hiperrealistas que busca padrões estéticos perfeitos e Edward (Gael García Bernal), um diretor de cinema cheio de si que, durante a produção de um filme, se depara com problemas sexuais.

“Zoom – Realidade Virtual” se desenvolve em uma mistura de live action com animação. Cada uma das histórias se desenvolve de forma aparentemente independente, com sua própria linguagem e seus próprios personagens. Contudo, as três se conectam de forma bem curiosa. Cada protagonista tem o destino decidido e criado pelo outro.

A forma como o longa é apresentado é interessante e criativa, com diálogos metalinguísticos entre as vidas de Michelle, Emma e Edward. Porém, peca na falta de uma boa história a ser contada, o que acaba ficando evidente no decorrer do filme. No terço final da produção, os acontecimentos se tornam um tanto mirabolantes, o roteiro parece se perder e não se conectar com o resto da obra.

O público, de fato, vai escolher sua trama favorita. A mais divertida e eficiente – provavelmente por ser uma animação e também pela atuação de Bernal – é a de Edward. Já as histórias das duas mulheres trazem uma leve reflexão sobre os padrões de beleza aos quais o público feminino é submetido nos dias de hoje e em relação a superficialidade com a qual as pessoas são tratadas.

Aliás, o diretor Pedro Morelli faz um esboço de discussão sobre a busca humana pela perfeição que, muitas vezes, quando ou se atingida, não traz felicidade. Mas o debate é apenas uma ideia não aprofundada. Talvez, se fosse, Morelli teria encontrado a sua “boa história” a ser contada.

No fim das contas, “Zoom” rende boas risadas. A obra faz valer a pena o preço do ingresso, mas talvez não o da pipoca.


 

Nathalia Araujo – 7º período

Pioneiro da nação

147366.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxx“Voando Alto” é baseado em uma história real. O filme conta o caminho que Michael Edwards, conhecido como “Eddie, the Eagle”, percorreu até conseguir marcar o nome na história como o primeiro atleta britânico a participar das Olimpíadas de Inverno como saltador de esqui. O ator protagonista é Taron Egerton, que participou de ‘Kingsman: Serviço Secreto’.

Para conseguir alcançar as Olimpíadas e, principalmente, a longa pista de 90 metros de altura, Eddie, the Eagle tem ajuda de Bronson Peary, interpretado por Hugh Jackman. O longa ilustra a persistência que Edwards tinha desde criança para se tornar um esportista olímpico, mesmo com muitos, ou quase todos, dizendo que ele nunca conseguiria. Problemas físicos da infância, dificuldades financeiras e não ter patrocinador ou equipamentos eram empecilhos na trajetória do atleta, mas nada foi capaz de impedir sua trajetória.

A trilha sonora do filme acompanha os sentimentos do protagonista, desde as tentativas frustradas no treinamento até o suspense nos segundos que antecedem os saltos de esqui. Durante as 1h45min, o diretor Dexter Fletcher dita cenas lentas, que mostram cada parte da trajetória de Eddie. Isso pode acabar desagradando parte do públicos, que esperam por takes mais dinâmicos.

Fora da ficção, o verdadeiro ‘Eddie, the Eagle’ participou das Olimpíadas de Inverno deste ano, no Canadá, e algumas pessoas o julgaram como o pior saltador de esqui do mundo. Assim como o longa mostra, a maior qualidade do atleta não é conseguir altas pontuações nas competições, mas mostrar que a determinação e a vontade de participar são os pontos mais importantes. No fim das contas, para aqueles que desejam participar de alguma grande competição, o filme tem uma ótima função motivacional.


Yasmin Thomaz – 5° período

Felicidade é ser grego. OPA!

338081.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxxOs Portokalos estão de volta para mais uma aventura em família. Parece que foi ontem, mas já passaram 14 anos desde que Toula (Nia Vardalos) se apaixonou pelo americano Ian (John Cobertt) e teve a difícil tarefa de convencer seus pais gregos a aceita-lo. O “Casamento Grego 2” – de Kirk Jones, famoso por dirigir ‘O que esperar quando você está esperando’ –, estreia amanhã.

No longa, o diretor convida o público a acompanhar três situações simultâneas. Toula e Ian estão casados e passam a maior parte do tempo tentando compreender a filha adolescente Paris (Elena Kampouris). Porém, quando o casal descobre que um matrimonio de sua família nunca foi oficializado pela religião, todos os Portokalos se reúnem para mais um casamento grego.

O humor do longa é leve e segue a linha de piadas suaves sobre velhinhos rabugentos, união excessiva da família, tia faladeiras, vizinhas fofoqueiras e outros casos clássicos que fazem com que o público se identifique cada vez mais. As piadas têm muitas ligações com o primeiro filme, mas não atrapalha em nada a experiência que um espectador terá se não tiver visto o primeiro filme.

Mais uma vez a fica por conta de Nia Vardalos, que não deixa a desejar em nada na história. O primeiro filme conquistou uma legião de fãs e nesta nova aventura não é diferente, a aventura traz excelentes momentos para os espectadores apaixonados pelo longa original e prova, que apesar dos anos, a família grega segue sempre aumentando. Os atores continuam como uma incrível sintonia, em especial Nia Vardalos, John Cobertt, Michael Constantine e Lainie Kazan.

“Casamento Grego 2” é uma das comédias românticas mais divertidas da atualidade e promete render boas risadas, divertir e emocionar a todo o público. E mais uma vez, mostrar a importância da família na vida de cada um.


Brigida Brito – 7º período

Inspirado no cinema, Bruno Belo apresenta “Visão Fontana”

Em exibição na Galeria de Arte IBEU, “Visão Fontana” de Bruno Belo e com curadoria de Bruno Miguel, reúne um recorte da produção recente do artista. São trabalhos inéditos que se apropriam da imagem fotográfica e de narrativas do cinema. Essas apropriações derivam da ideia de “Cut-up”, uma técnica literária, na qual um texto é cortado e reorganizado para criar um novo.

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O artista usa esse procedimento para criar em seus quadros a ideia de colagem. Os olhos discordam – mas é tudo pintado. “Tudo respeita o tempo sacrificante necessário da pintura”, conta Bruno.

O nome da exposição deriva do poema “Canto do Ver” de Manoel de Barros: “O menino pegou um olhar de pássaro – Contraiu visão Fontana”. Se o garoto do poema passa a enxergar as coisas por igual, o trabalho de Bruno oferece mudanças de percepção e desconstrução de significados. “Não é para ilustrar a experiência, mas revelar a nova substância. ”

Para os amantes do cinema, a exibição reserva algumas surpresas. Os quadros, influenciados pela sétima arte, retratam cenas de filmes e podem ser reconhecidas pelos amantes de obras como “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças” de Michel Gondry e “Stalker” de Tarkovski.

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Nathalia Araújo- 7º Período

Hiper-realismo vs Fotografia

De caixas de remédios às paisagens do Rio de Janeiro, a exposição Kitinete traz situações do dia a dia. Detalhes do cotidiano são vistos e reproduzidos pela artista carioca Patrizia D’Angelo. Entre as 20 obras expostas, há diferentes gêneros de pintura, como retrato, auto-retrato, natureza-morta e paisagem, além de fotografias com backlights de lugares que a artista já visitou.

Ao Sugo, 2013 - Óleo sobre tela

Ao Sugo, 2013 – Óleo sobre tela

Patrizia D’Angelo é uma artista plástica formada em Artes Cênicas pela UniRio e em moda pela Universidade Cândido Mendes, além de ter realizado vários cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage com o artista plástico João Magalhães. O olhar de Patrizia traz sofisticação para as cenas que passam despercebidas em nossa rotina, gerando uma atenção aos pequenos detalhes e despertando vontade de explorar cada parte da obra. O aspecto doméstico e familiar é o mais presente na exposição.

O curador da exposição, Marco Teobalto, vinha acompanhando o trabalho da artista desde o ano passado e gerou o interesse em convidá-la para a exposição individual, “cada obra selecionada tem algo que me agrada muito”. Entre os gêneros das pinturas, a que mais impressiona é a pintura hiper-realista por se assemelhar a pintura sobre fotografia, quando na verdade é pintura sobre tela ou papel, partindo de fotografias que Patrizia produz.

Ao fim da mostra, o visitante é convidado a assistir a um vídeo de experiências sensoriais. A artista junto de um grupo de amigos, em sua casa, cria situações que atiçam o tato, o olfato, a visão, a audição e o paladar.  A atenção do telespectador é pega na curiosidade de saber a reação dos amigos após cada experiência.

A exposição “Kitinete” permanece no Ateliê da Imagem até o dia 08 de abril, de segunda a sexta a partir de 10h até 21h, e aos sábados, das 10h até 17h.

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Yasmin Thomaz – 5° período

Especial de Páscoa: ovos alternativos são tendências para 2016

Nessa época do ano lojas ficam lotadas de clientes buscando os tradicionais ovos de chocolate. No entanto, existem outras opções para aqueles que não querem seguir a mesmice. O preço do maior símbolo da Páscoa cresceu demais e muitos buscam por opções alternativas. Essa tendência fez com que a produção artesanal ganhasse mais espaço no cenário nacional.

Empolgada com essa moda, Regina Balthazar – da Remary Doces – produz sobremesas caseiras há 11 anos. O empreendedorismo começou depois da confeiteira perceber que o mercado consumidor não estava mais satisfeito com o custo-benefício de um produto de chocolate. Além dos sabores tradicionais – branco, ao leite e amargo –, a empresária também trabalha com outros formatos, como o ‘ovo de colher’, o brownie e o canapé.

Regina começou no ramo produzindo formatos tradicionais de chocolate branco, amargo e ao leite, de 250g e de 500g. Nessa época, ela fabricava cerca de 50 ovos por semana para atender a clientela. No entanto, por conta do clima quente do Rio de Janeiro e a dificuldade de manter o chocolate na temperatura ideal, a empresária decidiu interromper a produção, após dois anos de atividade.

Em 2014, Regina voltou a produzir ovos de Páscoa, dessa vez os ‘de colher’. A empresária acredita que para trabalhar com chocolate em casa é preciso ter atenção com alguns pontos. Dentre muitos, conseguir um ambiente climatizado – para o chocolate não derreter –, usar caixas de papelão para conservar os ovos, escolher uma boa matéria prima para fabricação e pesquisar bem o preço das embalagens se destacam.

Depois da preparação, vem a fase de fabricação. O tempo para conseguir dar conta das encomendas varia de acordo com a quantidade e com o tipo do ovo, se serão recheados ou simples (apenas com bombons). Se houver produção de larga escala, a dica é começar a fabricar as cascas com de 2 a 3 meses de antecedência, os produtos recheados precisam de até um mês para ficarem prontos. Os pedidos menores são feitos na mesma semana.

Prestígio e crocante são os sabores mais pedidos pelos clientes nos ovos recheados. Nos pedidos simples o acompanhamento de bombons trufados e licorosos são os mais comuns. O mercado alternativo é tão democrático, que até os veganos podem consumir os produtos da Páscoa. A empresaria Grazielle Flor, de 20 anos, criou a Veganicy, site voltado para pessoas que, assim como ela, levam a vida livre de qualquer produto de origem animal.

No passado, encontrar chocolate vegano era extremamente raro. Atualmente, não é muito difícil de se achar esse tipo de produto, mas ainda não é comum. Grazielle acredita que a variedade da produção independente e o não uso de conservantes deixa o material final menos enjoativo e mais gostoso que os industriais. “Artesanalmente é feito com um cuidado maior e com amor. Os ovos industriais são mais caros, não oferecem tantas opções de recheio, nem são muito saborosos ou nutritivos”, comenta a microempresária.

Chocolate vegano

Bolo de chocolate vegano [foto: divulgação]

A Páscoa da crise

2016 não será um ano tão doce assim para os brasileiros. O aumento do preço dos itens tradicionais da Páscoa salgou os planos de muitos consumidores. O quilo do lombo de bacalhau congelado está custando aproximadamente R$70,00. Ano passado era possível ser comprado a R$50,00, uma diferença de 40%. Um tradicional ovo de chocolate ao leite de 240g, custava em média R$28,50 em 2015. Agora o mesmo produto está por volta de R$ 34,20, 13,7% a mais.

Outro fator que está deixando a população irritada é a disparidade de preços dos ovos importados, uma postagem no Facebook comparou os valores dos produtos. Uma Serenata do Amor da Garoto, de 215 gramas, é comercializada por US$1,99 em Orlando (EUA), aproximadamente R$8,00. Aqui no Brasil o mesmo ovo custa, em média, R$34,00. Em resposta a esse cenário, internautas organizaram movimentos para boicotar a Páscoa de 2016. A ação consiste em incentivar outras pessoas a não comprarem produtos de chocolate de grandes marcas.

Alguns pontos justificam essas altas no valor de mercado. O primeiro é o grande custo de cargas tributárias brasileiras que as empresas são obrigadas a arcar. Outro fator importante é a queda do volume disponibilizado do cacau pela maior produtora do fruto no mundo, a África Ocidental, responsável por 70% da produção. Além disso, os empresários aproveitam a fase de alta demanda para elevar o preço dos produtos.

“Mesmo com os preços em alta, a alegria de presentear amigos e a família com chocolates na páscoa, não tem preço. Principalmente quando o presente é para as crianças. O jeito é tentar economizar”. Comenta Monica Martins, mãe de dois filhos, tia de cinco e apaixonada pela data festiva.

Mesmo com o cenário econômico abalado, a com a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (ABICAB) estima que que 29 mil vagas temporárias de emprego são geradas em todo o Brasil, durante a Páscoa. O estudo ainda aponta que 15% do efetivo chamado para o trabalho temporário é efetivado.

Saiba como poupar dinheiro na páscoa

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[Arte: Danielle Rissardo]

Aprenda a calcular o dia certo da Páscoa

Cada ano a semana santa é comemorada em dias diferentes. E a justificativa é desconhecida por grande parte da população. O fator que determina a data é o maior evento cultural do Brasil, o carnaval. O cálculo foi definino na Idade Média, tendo como base o calendário oficial da época, o cristão. Usado até os dias de hoje.

A páscoa é celebrada no primeiro domingo após a 1º lua cheia do equinócio – quando o sol cruza a linha do equador – na primavera, para o hemisfério norte, ou outono, para o hemisfério sul. Assim a variação fica entre os dias 22 de março e 25 de abril. A partir dessa data é possível calcular quando será a celebração de Corpus Christ e o carnaval. Este, acontece 47 dias antes da páscoa. Aquele, 60 dias após o domingo pascoal.

As cidades do chocolate

O feriado da Páscoa é um momento de renovação, ótimo para reunir os familiares e passear com pessoas queridas. Muitos optam por viajar, seja para encontrar entes queridos que moram muito longe, para fazer uma programação diferente ou apenas para conhecer um novo lugar. Vejam a baixo uma lista com cinco cidades que tem grande relação com a Páscoa e, principalmente, com o chocolate.

  1. Petrópolis, RJ

A serra fluminense oferece aos petropolitanos e aos turistas o Festival de Páscoa. O evento terá missas, circuito gastronômico especial e show com a participação de artistas como a atriz, cantora e diretora Bibi Ferreira e a banda cristã Rosa de Saron. O evento começou ontem (24) e vai até o dia 03 de abril.

  1. Penedo, RJ

O frio de Penedo convida os turistas a se aquecerem e beberem um bom chocolate quente.  A cidade oferece várias possibilidades para quem não resiste à tentação gastronômica: fondues, barras, bombons, trufas, chocolate quente, opção é o que não falta!

  1. São Paulo, SP

Para as crianças, a grande atração é a mini fábrica de chocolate artesanal Chocomundo, onde é contada a história do chocolate e ensinado técnicas de fabricação em uma interação com os pequenos visitantes.

Mas o roteiro de Páscoa não se resume apenas às crianças. Em São Paulo não faltam lojas de marcas como Kopenhagen, Lindt, Cacau Show, entre outras. Quem tiver mais disposição, pode visitar a fábrica da Nestlé, localizada em Caçapava, interior do estado.

  1. Campos do Jordão, SP

Famoso por ser uma das cidades mais procuradas no inverno, Campos do Jordão oferece uma visita interativa a Fábrica de Chocolates Araucária, onde é possível observar parte do processo de produção e ouvir um pouco da história do chocolate. A cidade também tem muitas lojas especializadas no produto.

Para quem gosta de um passeio cultural no feriadão, a partir de ontem (24) até domingo, o Cineclube Araucária terá a mostra “Mulheres Que Fizeram História”, exibindo figuras como Joana D’Arc, Séraphine de Senlis, Billie Holiday e Carmen Miranda. As crianças, na sessão de domingo, poderão assistir a uma das princesas mais marcantes da Disney: Cinderela.

  1. Gramado, RS

Localizada no interior do Rio Grande do Sul, Gramado é considerada a cidade do chocolate no Brasil. A cidade abriga diversas lojas e fábricas do produto, como Lugano, Florybal e Caracol Chocolates, além de parques temáticos sobre o doce.

A combinação do chocolate com o clima frio agrada bastante os visitantes. Por muitos anos a cidade realizou a Chocofest, uma grande festa de Páscoa que completaria o vigésimo aniversário este ano, entretanto o evento foi cancelado pelos organizadores. A dica deste ano é o Festival do Chocolate e Gramado Aleluia, que acontece até o próximo domingo (27).


Ana Carolina Martins – 5º período
Yasmin Thomaz – 5° período

Combustão de ideias

Crédito Pedro Arante (4)

Artista plástico Dado Oliveira (Foto: Pedro Arante)

Nascido em Angra dos Reis, o artista plástico e músico Dado Oliveira de 38 anos é formado em Desenho Industrial e também trabalhou na área de design durante anos, até de descobrir sua paixão pelo desenho. “Eu estava em casa almoçando e a menos de 400 metros da minha casa havia barulho de metralhadoras, bombas e etc. Naquele momento comecei a pensar sobre as guerras que já tinham acontecido, desde então passei a pesquisar muito sobre o assunto”.

Dado deu início a desenhos em que usava carvão ao invés de tintas. As obras obtidas a partir da queima de artefatos pirotécnicos e pavio, em grandes telas de compensado naval. Tirando partido de algumas propriedades físicas da pólvora, como a velocidade e o calor, transportando propriedades para o movimento do corpo e aplica uma concentração de energia no seu contato com a superfície.

Reunindo 20 obras inéditas, o artista tem se dedicado ao seu projeto “Ignição”, em que passou cinco meses pesquisando sobre pólvora, carvão e outros componentes explosivos líquidos e sólidos. A inspiração veio através do conflito entre PMs e traficantes nas comunidades próximas de Santa Teresa.

Depois de muita pesquisa, Dado chegou à conclusão de que seus desenhos representam a energia e a explosão dos momentos. Cada obra é única e seu processo de criação é longo e feito com muito cuidado, especialmente as pinturas feitas com pólvora, onde primeiro faz um esboço e depois o incendeia. O artista assume que apesar da novidade e ousadia ao fazer as obras com pólvora, as que são feitas com carvão ainda são suas favoritas.

 A exposição “Ignição” estará disponível para o público até o dia 3 de abril na Galeria Ateliê, que fica na Rua Almirante Alexandrino, n°2185 em Santa Teresa.


Mariana Bahia – 5º período

Quebrando paradigmas

Homem x Deus. Preto x azul. Dia x noite. Esses são os embates ideológicos propostos pelos criadores de “Batman vs Superman: A Origem da Justiça”. Os pontos são, de fato, explorados na trama, mas o desenrolar do roteiro e o exagero da direção acabam interferindo um pouco na experiência de assistir um bom filme, mas isso em nada estraga a sensação de ver os dois maiores heróis da história travando uma luta épica.

A nova obra é uma continuação de “Man of Steel” (2013), mas quem rouba a cena, durante a maior parte da trama, é o Batman (Ben Affleck). O enredo explora os traumas vivenciados pelo herói morcego durante a infância e o impacto dessas ações em sua vida adulta. Basicamente, o Super-Homem é um coadjuvante em seu próprio filme. No desenrolar do longa, a história deixa claro o ponto que une os dois. Fato não mostrado no trailer.

Falando em trailer, é uma pena que “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” tenha seguido a mesma tendência dos novos blockbuster americanos. Mostrando spoilers das principais cenas do filme nos vídeos de divulgação. A aparição do vilão, Apocalipse, e da heroína, Mulher Maravilha (Gal Gadot), seriam muito mais impactantes se já não tivessem sido reveladas. Esse movimento hollywoodiano só é bom para as produtoras, que estão interessadas nos números e não na arte.

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[Imagem: divulgação]

Contextualizando, a trama se passa 18 meses após a primeira grande batalha de Metrópolis, travada contra General Zod. A população se encontra dividida entre as ações do Superman. Uma parte é a favor dos atos do herói e outra o culpa pela matança de milhares de pessoas. Batman faz parte deste segundo grupo e, inicialmente, faz de tudo para matar o kryptoniano. Lex Luthor (Jesse Eisenberg), por sua vez, deseja destruir os dois personagens. O enredo é o mesmo da história clássica, presente nos quadrinhos.

Mas nem tudo são flores nesse jardim, alguns pontos incomodam a fluidez do filme. Começando pela montagem das cenas e pelo roteiro. Com cerca de 150 minutos de projeção, o longa é confuso e corrido. Esses defeitos são causados devido a necessidade de contar a história dos dois personagens principais, fazer a com os secundários e citar, bem rapidamente, os outros integrantes da Liga da Justiça (Flash, Aquaman e Cyborg), uma vez que a produtora já anunciou que fará um filme sobre o grupo.

Depois das incontáveis críticas feitas sobre “Man of Steel”, devido as milhares de mortes presentes na trama (destruction porn), a nova história continua apresentando destruições em massa no meio de uma grande cidade. Todavia justifica, erradamente, que os pontos afetados não são povoados.

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[Imagem: divulgação]

Outro fator que não agrada é o exagero que o diretor Zack Snyder apresentou nesse longa. As partes de ação são rápidas e cheias de explosões, isso faz com que o espectador não consiga entender o que, exatamente, está acontecendo. O uso excessivo de CG (computação gráfica) também incomoda. Na tentativa de criar batalhar épicas o diretor perde o timing e faz cenas que mais parecem cutscenes de videogames.

Dentre todos os problemas da obra, o que mais perturba é a física completamente irreal presente nas cenas de luta (principalmente naquelas que o Batman está usando armadura). É verdade que em um filme de herói a “mentirinha” é aceitável, mas os movimentos feitos por Bruce Wanne, enquanto homem morcego, não convencem. O personagem de Ben Affleck ainda aparece em cenas próximas com roupas completamente diferentes, em um tempo curtíssimo. Isso mostra a falta de atenção na montagem dos takes.

Voltando a falar dos pontos positivos, as atuações agradam. Cavil, mais uma vez, consegue passar a imagem do Superman dos quadrinhos. Sereno, forte e justo. Calando a boca de muitos críticos, Ben Affleck interpreta um Batman bem diferente do eternizado por Christian Bale e, ainda assim, muito bom. Todavia seu fiel mordomo – Alfred (Jeremy Irons) – não convence, ainda mais tendo a difícil missão de substituir o premiadíssimo Michael Cane.

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[Imagem: divulgação]

Mas a maior surpresa fica mesmo com os personagens secundários. Esguia e sensual, a mulher maravilha de Gal Gadot impressiona durante as cenas de ação, mostrando toda força das amazonas. O maior destaque fica para Jesse. O ator americano interpretou um Lex Luthor nunca antes visto nas telonas. Completamente louco, o vilão mais parece uma versão milionária do coringa. A única menção dessa leitura de Lex foi em um quadrinho lançado há 50 anos. Isso prova que desconstruir uma imagem emblemática, e caricata, de um personagem clássico que não faz muito sucesso pode reascender a paixão do público pela história.

Diferentemente dos longas da MARVEL, “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” é um filme sombrio e denso, nada indicado para o público infantil. Um embate entre a justiça dos homens e o culto a um extraterrestre. Uma simulação – e quem sabe até um debate – sobre a ação dos humanos frente a um poder divino. Um filme reflexivo e muito bom, porém, acaba pecando no exagero.


Iago Moreira- 5º Período