A Importância de Ser…

Aqueles que gostam de arte contemporânea, não podem deixar de visitar a nova atração do MAM (Museu de Arte Moderna). Imagine: Tijolos suspensos, uma casa de três metros de altura pendurada de cabeça para baixo e uma nuvem de fumaça – por meio de uma escada – permite que o visitante olhe dentro dela, além de outras obras produzidas na Bélgica por 40 artistas diferentes. A exposição “The Importance of Being” chega ao Rio e compõe o festival “Belgarioca 2015”, propõe uma série de interações culturais e gastronômicas ao público.

A exposição é baseada na peça de Oscar Wilde “A Importância de Ser Prudente” e propõe uma plantação de natureza aberta, que pretende – com as diferentes tendências conceituais abordadas – aduzir a questão filosófica de ser, por meio de instalações, pinturas, objetos, fotografias e vídeos.

nuvemO artista Peter de Cupere criou a obra “Somke Cloud”, que aproveita os efeitos subjetivos e associativos dos odores, combinados com imagens visuais. Esta ação gera uma experiência que transcende o simples ato de ver ou de cheirar. Um exemplo disso é a nuvem, objeto já citado. Quando o espectador sobe a escada para espiar o interior, é instigado a sentir um forte odor de poluição.

O público também pode se surpreender com a obra “100 Sexes d’artistes”, de Jacques Charlier. Retratos imaginários das genitálias de artistas que marcaram a evolução da arte no século XX são representadas, aos olhos do autor.

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Mais que uma experiência visual as obras mexem com os sentidos dos visitantes. A curadoria é assinada pela cubana Sara Alonso e Coordenado por Bruno Lemos. A exposição ficará aberta até 14 de fevereiro. O ingresso custa R$14, estudantes e maiores de 60 anos pagam meia.


Lorena Lopes- 2º Período

Homem e natureza: Equilíbrio ou guerra?

Deixem os clássicos quietos, reviver o passado – quase – sempre não da certo. Os produtores de Hollywood tentaram, mais uma vez, emplacar um remake de um longa que fez sucesso na década de 90. Repito, tentaram. “Caçadores de Emoção: Além do Limite” chega às telonas hoje com muitos ingredientes que desagradam o público.

202939.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxxEm uma época em que filmes de ação dominam as bilheterias, até que não parece má ideia fazer uma nova versão de um filme antigo. O problema deste longa, é que quase tudo é pior que seu irmão mais velho de 1991. O roteiro é muito previsível e só entretêm o espectador nas partes em que copia a história antiga. Por um lado é até bom, pois desperta um sentimento nostálgico, mas repetir todas as viradas deixa tudo sem graça.

Luke Bracey, escolhido para fazer o papel de Johnny Utah, nem de longe consegue superar a atuação de Keanu Reeves no filme de 91. Edgar Ramírez (Joy: O Nome do Sucesso), por outro lado, agrada em seu papel de Bodhi, líder do grupo de foras-da-lei. Ray Winstone, Teresa Palmer, Clemens Schick, Max Thieriot e Delroy Lindo completam o elenco principal.

Contextualizando, Utah é um recém-contratado agente do FBI, com passado em esportes radicais. Ele investiga um grupo de criminosos que realiza crimes que pessoas normais não conseguiriam, sempre utilizando movimentos perigosos e radicais. O policial é designado para se infiltrar na gangue e investigar os integrantes.

A história se desenrola e Bodhi tenta trazer Utah para o seu lado, para juntos percorrerem o caminho espiritual e alcançar o Nirvana (estado permanente e definitivo de felicidade, paz e conhecimento nas religiões indianas). Para chegar a esse nível espiritual o grupo precisar completar 8 testes de esportes radicais ao ar livre para provarem que existe uma simbiose entre a natureza e o corpo dele e, assim, se tornarem uma só.

O diretor Ericson Core só agrada nas belíssimas tomadas feitas durante as cenas de ação. Uma verdadeira imersão ao mundo radical ao ar livre, que vale muito a pena ser visto em 3D. No fim das contas, fica o aprendizado e o recado para os grandes produtores de que não se deve investir em uma franquia do passado para contar a mesma história, Robocop (2014) e “O Exterminador do Futuro: Gênesis” também são grandes, maus, exemplos.


Iago Moreira- 4º Período

O Rio de todos nós

Pela primeira vez, o M.A.R. apresenta a coleção de arte sacra e itens de acervos particulares. Totalizando 700 peças, “Rio Setecentista, quando o Rio virou capital” conta com vasta documentação, objetos da época, pinturas, ilustrações e obras contemporâneas. Em homenagem aos 450 anos da cidade, a exposição, que vai até o dia 08 de maio, aborda assuntos como religião, escravidão, embelezamento da cidade e costumes da época.

Foto da capa

A mostra proporciona ao visitante um passeio pelas transformações ocorridas no século XVIII no Rio de Janeiro, desde a sua fundação até a chegada da família real portuguesa, em 1808. Uma das primeiras obras expostas é o Mapa de Lopo Homem II, de Adriana Varejão.

Mapa de Lopo Homem II, por Adriana VarejãoTrata-se de uma crítica à exploração das colônias, com base na visão dos portugueses do século XVI. O quadro apresenta rasgos na parte da África para representar o local mais sofrido no processo de colonização. Além disso, a artista tenta costurar parte da ferida deixada pelas marcas desse processo, porém mostra que não é possível recuperá-la.

Trazidos da Costa da Mina, Guiné, Luanda e até zulus do Cabo, por meio dos navios negreiros, a população de origem africana foi aquela que mais contribuiu para o perfil da cultura carioca do século XVIII. Ao desembarcar no Rio de Janeiro, eles eram conduzidos para o mercado de escravos situado na Rua do Valongo, que hoje corresponde à Rua Camerino. Na exposição há representações de como eram redigidos os cartazes que anunciavam a venda de escravos: “À rua do Carmo N°47, vende-se um escravo de cor preta, com 47 annos de edade, prendaso e sem defeitos [sic]”.

Objetos referentes aos escravosInstrumentos para tortura de escravos presentes na mostra, como algemas, cintos de ferro, “calcetas” e “vira – mundos” nos remetem à realidade da época. Além disso, Rosana Paulino faz uma Xerox transferida sobre tecido e costura com imagem de mulheres negras com partes do corpo costuradas, como os olhos, boca e testa, referindo-se à falta de liberdade do pensamento e de expressão. “Busco trazer uma reflexão aos visitantes. É importante conhecer a história da escravidão e repressão para compreender os resquícios desse período nos dias de hoje. Será que a sociedade evoluiu em relação ao racismo, à liberdade e ao respeito ao próximo?”, relata Leonardo Ricardo Silva, jornalista e educador no M.A.R.

Em meio à catástrofe, a união dos escravos se dava muitas vezes por meio da religião. Apesar do preconceito ainda enraizado, a umbanda e o candomblé influenciaram bastante a vida dos cariocas. É dedicado um espaço na exposição para tratar do culto ao São Jorge, tão venerado na cidade. Folhas da planta “Espada de Ogum”, espadas de prata, incenso e frasco para banho de descarrego representam o universo das crenças.

Junto aos objetos as fotografias da procissão do santo mostram como é a relação dos cariocas à entidade. O “Cavalo de São Jorge”, por Raimundo Rodrigues chama a atenção dos visitantes por conta do tamanho. Doado pela escola Beija Flor de Nilópolis, a obra é feita de papelão reciclado, ferro e tecidos.

Estátuas barrocasNa sociedade setecentista as igrejas funcionavam como centros de convívio e articulação da vida social. As imagens católicas chegaram ao Rio com os colonizadores portugueses. Dentre as estátuas católicas da mostra a que mais se repete é a de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, que é padroeira de Portugal. O valor atribuído à santa é evidenciado pelo fato de só ela poder ser coroada. Reis e rainhas de Portugal não poderiam ser representadas com o símbolo da coroa, pois Nossa Senhora era considerada a rainha.

Os visitantes também podem assistir ao vídeo projetado sobre o estilo barroco e rococó, presentes em diversas igrejas do Rio de Janeiro. O primeiro pode ser identificado no interior do mosteiro de São Bento, por ter o revestimento em mármore e bronze dourando.

Já o rococó, presente na igreja de Santa Rita, se caracteriza pela simplicidade e espaços claros. “Adorei a escultura ‘Anjo toucheiro’ de madeira policromada dourada. Me interesso por peças sacras e pela arte barroca. Sou de Minas Gerais e por isso já acompanhava o estilo”, afirma Daniel Araujo, mestrando em sociologia.

O Rio setecentista também passou por diversas transformações urbanas a partir do chamado “embelezamento da cidade”. O passeio público foi construído com função social de cerimônia e lazer e foram construídos os arcos da lapa. O aqueduto era responsável por canalizar a água do Rio Carioca até o Largo da Carioca, onde foi construído o primeiro chafariz público. “Vim com a minha filha e ela ficou interessada em uma planta dos arcos da lapa na época em que funcionava como aqueduto, porque está estudando o ‘caminho das águas’ na escola”, diz Maisa Miranda, gerente de vendas.

“É ótimo poder interpretar a arte, desfrutar do dinamismo das peças, compreender a realidade da época e perceber como o período setecentista nos influencia até hoje”, afirmam Carolina Botelho e Fernanda Silveira, ambas professoras de língua portuguesa.

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Luiza Esteves- 4º Período

Joy Mangano: A ousadia em forma de mulher

583171.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxxDedicação e força de vontade são os adjetivos que melhor descrevem o novo longa da 21th Century Fox – “Joy: O nome do sucesso”. Criativa desde a infância, Joy (Jennifer Lawrence) entrou na vida adulta conciliando a jornada inventora com a de mãe solteira. A perfeição foi tanta que, em pouco tempo, ela se tornou uma das empreendedoras de maior sucesso dos Estados Unidos.

O filme, que até parece ser uma encomenda da própria Joy Mangano, inventora do Miracle Mop, um esfregão de algodão que é torcido pelo cabo, fala sobre a criação deste objeto. A premissa do roteiro parece ser uma homenagem ás mulheres que tiveram coragem e determinação para mudar de vida e, com isso, acabaram transformando o mundo.

A frase de abertura do longa remete a essas heroínas: “inspirado em histórias reais de ousadas mulheres. Uma em particular”. Uma curiosidade é que a ideia de contar a história de Joy Mangano foi da atriz Annie Mumolo e do próprio Russell, que também ficou encarregado por roteirizar a obra.

Assim como Quentin Tarantino, que sempre chama Samuel L. Jackson para os filmes que dirige, David O. Russell parece não conseguir fazer um longa sem Jennifer Lawrence, Bradley Cooper e Robert De Niro. Isso é bom, pois traz um grande entrosamento no elenco.

Jennifer Lawrence mais uma vez consegue se mostrar uma atriz completamente versátil. Ela interpretou uma mulher bem diferente do que costuma interpretar, não é atoa que ganhou o prêmio de ‘melhor atriz em filme de comédia/musical’ no Globo de Ouro e foi indicada ao Oscar pelo papel. Apesar de esta ter alguns pontos em comum com personagens anteriores – a garra e a determinação –, Joy tem uma maior fragilidade ocasionada pela própria determinação.

A designer de produção, Judy Becker, merece elogios pela reconstituição do cenário da época. O que acaba combinado com a fotografia do sueco Linus Sandgren (A 100 Passos de Um Sonho, 2014), este trabalho tem, como nas maiorias dos filmes de Russell, ótimas fotografias e técnicas de filmagens muito boas.

A maneira como ela cai no sono e as imagens que surgem a partir daí são ótimas sacadas.  Todavia, com um pouco mais de duas horas de duração, o terceiro ato parece se arrastar para terminar. Os quatro editores responsáveis – Alan Baumgarten, Jay Cassidy, Tom Cross e Christopher Tellefsen – até tentam dar uma agilidade a história, mas não conseguem dar a velocidade necessária e, por isso, o filme pode parecer demorado para alguns.

Apesar de ter um roteiro fraco, “Joy: O nome do sucesso” promete emocionar e render boas risadas ao público. Além de motivar muitas mulheres á alcançar o sucesso.


Brigida Brito – 6º período

A Magia dos anos 80

Exposição exibe dezenas de posters de bandas que marcaram os anos 80.

Os anos 80 guardaram muitas histórias. Algumas tão boas que não merecem ser esquecidas. Pensando nisso, o DJ José Roberto Mahr decidiu reunir todos os materiais de bandas que marcaram a década que possuía em seu acervo e montar uma mostra. Criou-se, então, a exposição “80/80 – Oitenta Posters dos Anos 80”, uma vertente da Maldita 3.0. A atração permanecerá aberta até o dia 03 de abril, no Imperator – Centro Cultural João Nogueira.

No interior da sala, os organizadores exibem vídeos que falam sobre os bastidores do memorável programa de rádio “Novas Tendências”, comandado pelo DJ, pioneiro na arte de descobrir novidades do cenário musical. A série de imagens expostas dentro do salão representam, justamente, as principais revelações encontradas por José Roberto.

DSC06216Todo material foi adquirido ao longo dos 30 anos de carreira do DJ José Roberto Mahr, pioneiro do cenário eletrônico e indie nacional. Na opinião do curador, e amigo pessoal do DJ, Alessandro ALR, o Rio merecia uma exposição deste tipo. “A primeira edição foi em Niterói. Mas infelizmente a galera do Rio não tem o costume de atravessar a ‘Baía’ para ir, então eles acabaram perdendo. Por isso decidimos trazer para cá. Uma última chance”, completa o organizador.

Ainda para o curador, o pôster da banda “Madness” é o que mais agrada ao público. Na imagem, os integrantes do grupo estão em uma posição icónica. Muito copiada pelos visitantes na hora de posar junto aos quadros. Pessoalmente, as figuras que mais agradam a Alessandro são as do: The Sisters of Mercy, The Mission, Skinny Puppy Rabies e a do The Smiths, curiosamente estas são as maiores imagens expostas. A peça mais exclusiva é um “lambe lambe” do The Jesus and Mary Chain, achado jogado em uma rua da Inglaterra.

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Convidada pelo curador, a produtora de eventos Isabella Ribeiro foi conferir a exposição. “Gostei de todos os posters das bandas que eu não conhecia, porque despertou meu interesse em conhecê-las! E em especial, gostei muito do pôster dos ‘The Cramps’ que dizia: Bad music for bad people”, completa.

Segundo Alessandro ALR, São Paulo e Brasília são, provavelmente, os próximos destinos da exposição.


Filmes para todos os gostos.

Todas as quartas, filmes que possuem trilhas sonoras das bandas expostas serão exibidos, gratuitamente, para os visitantes. Confira a lista do “Cineclube 80/80”:

Janeiro:

  • Dia 13 – O Enigma do Outro Mundo, de John Carpenter
  • Dia 20 – Curtindo a Vida Adoidado, de John Huges
  • Dia 27 – Blade Runner, o Caçador de Andróides, de Ridley Scott

Fevereiro:

  • Dia 3 – Clube dos Cinco, de John Huges
  • Dia 10 – Mulher Nota Mil, de John Huges
  • Dia 17 – Donnie Darko, de Richard Kelly
  • Dia 24 – Repo Men – A Onda Punk, de Alex Cox

Março:

  • Dia 2 – Eles Vivem, de John Carpenter
  • Dia 9 – Fome de Viver, de Tony Scott
  • Dia 16 – Os Garotos Perdidos, de Joel Schumacher
  • Dia 23 – Encontros e Desencontros, de Sofia Coppola
  • Dia 30 – Nascido para Matar, de Stanley Kubrick

Iago Moreira- 4º Período

Inovando sem desrespeitar os mais velhos

220036.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxxEm tempos que o boxe volta a ganhar espaço nas telonas, como em Nocaute (Southpaw), o jovem diretor Ryan Coogler decide apostar todas as fichas em uma ideia um tanto quanto perigosa. Pode parecer maluquice para alguns pensar em investir na uma continuação para saga do pugilista mais famoso do cinema, mas o cineasta provou que Rock Balboa tem uma história muito boa para ficar presa no passado. Eis, então, “Creed – Nascido Para Lutar”, uma espécie de Spin- off da franquia original. O longa estreia amanhã (14) em todo o Brasil.

Para conseguir sucesso em seu trabalho, o diretor teve que reviver as características da saga clássica e implementar elementos para trazer a história para o tempo atual. Dito e feito. Durante 133 minutos, a obra consegue ativar um sentimento nostálgico nos fãs e surpreende-los com atitudes e situações típicas de um jovem do século XXI.

Pela sétima vez Sylvester Stallone dá vida ao velho Rocky. Ênfase para o “velho”. A interpretação foi tão perfeita e emocionante, que acabou rendendo o prêmio do Globo de Ouro, na categoria de melhor ator coadjuvante, para o americano. Michael B. Jordan também se destaca no papel de Adonis Johnson, filho de Apollo Creed.

Diferente dos antigos filmes, a premissa desta obra tem uma leve alteração. Enquanto Rocky competia para dar voz aos imigrantes brancos e operários moradores da Filadélfia, Adonis luta para recuperar o orgulho perdido por conta de problemas familiares. Ele abre mão de uma vida luxuosa em Los Angeles para morar e treinar com Balboa, para um dia, quem sabe, se tornar um grande campeão.

Além de um roteiro muito bom, Ryan agrada como diretor. Usando e abusando de planos-detalhe e outras técnicas cinematográficas, o jovem diretor da uma dinâmica diferente para obra. A parte mais impressionante é a segunda luta de Adonis, em que o diretor filmou todos os rounds em um longo plano-sequência (sem cortes) e deixou o combate muito mais real do que normalmente parece.

Sem dúvidas o filme Creed – Nascido Para Lutar agradará os fãs. Tanto os mais antigos, que acompanharam a carreira de Rock Balboa, como – principalmente – para os mais novos, que crescem em uma época que a ostentação domina os ringues. Esse filme servirá para ensinar a verdadeira essência do boxe, a arte marcial mais nobre de todas.


Iago Moreira- 4º Período

O cotidiano dos refugiados

As circunstâncias dos refugiados na Síria não melhoraram o suficiente. Eles ainda estão enfrentando as dificuldades de ter que atravessar países a pé, não serem aceitos aonde quer que buscam abrigo, ausência de comida e água, tudo isso na companhia de crianças indefesas que não compreendem o porquê de passarem por isso e não terem assistência. Essa situação se repete no mundo todos os dias em países não tão noticiados como Cisjordânia, Palestina, a Faixa de Gaza e o Líbano. Para que o mundo tenha consciência do problema e não se esqueça de que eles precisam de ajuda, a UNRWA está correndo o mundo com o ensaio fotográfico “Uma Longa Jornada” que está no Centro Cultural dos Correios do Rio de Janeiro até o dia 10 de janeiro.

A estrutura metálica construída para apoiar as quarenta fotos da exposição tem três funções muito importantes. A primeira e mais óbvia, é que ela permite que o espaço seja aproveitado de tal maneira que uma sala tenha mais de quatro paredes e assim carregue mais imagens. A segunda é que os pequenos corredores criam um certo nível de dificuldade para se passar entre eles, representando uma pequena porcentagem da dificuldade dos espaços em que os refugiados passam para fugir da violência. Por fim, o gradeado possibilita que cada imagem seja observada por trás dela, criando a ilusão de que todos aqueles nas fotos estão em uma prisão, mesmo que metafórica.

As fotografias foram divididas por períodos e decorrem desde 1967 até 2013 falando sobre a tristeza da guerra, que afeta inocentes, a destruição do campo de batalha, as faces daqueles afetados pela luta de outros, e da ajuda prestada pela Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA). Essa organização trabalha trazendo assistência médica, educacional e até mesmo recreativa para aqueles que por tanto tempo só viram destruição e hostilidade aonde quer que fossem.

Os organizadores da UNRWA falam sobre sua função no cenário mundial: “A Agência desempenha um papel essencial há mais de 60 anos na oferta de serviços vitais para o bem-estar, o desenvolvimento humano e a proteção dos refugiados da Palestina – enquanto se aguarda a solução justa para a sua situação. Sua missão é ajudar os refugiados da Palestina a alcançarem seu pleno potencial de desenvolvimento humano em meio às circunstâncias difíceis em que vivem”.

Além das impactantes fotos, cinco curtas metragens são apresentados bem no centro do “labirinto” de metal. Neles são mostradas as reações das pessoas que, pela primeira vez, veem suas fotos na fuga do país. Uma senhora viu a si mesma mais jovem em meio a muita destruição e falou sobre como não se deixou abalar e seguiu em frente, jamais perdendo as convicções que a colocaram naquela cidade.

Theresa Jatobá, produtora da mostra explica o porquê de “Uma Longa Jornada” merecer tanto destaque. “Ela [Uma Longa Jornada] conta a história da herança palestina cheia de dignidade e sofrimento, apresentando uma narrativa visual única da prolongada crise de refugiados. Por meio das fotografias históricas e filmagens, convidamos o espectador a testemunhar um dos mais longos casos de migração forçada da história moderna, revelando os desafios enfrentados pelos refugiados da Palestina e a habilidade e resiliência daqueles que resistem”.

A exposição já passou pelos países de Jerusalém, Amã, Dubai, Gaza, Roma, Turim, Nova York, Jacarta, Marrakesh e pelos estados de Brasília e São Paulo. Sempre provocando comoção e reflexão, o ensaio nos ensina a valorizar a vida e saber que sempre há uma forma de se ajudar o próximo. No Brasil, essa corrente do bem pode ser criada através de doações monetárias a organizações não-governamentais como a Unicef, Save the children, Adus, etc. Ou ainda doando seu tempo ao voluntariado, angariando doações de alimentos, cobertores, itens de higiene e tudo aquilo essencial para a sobrevivência de qualquer ser humano. Afinal, se todos têm direito a uma vida digna, por que ainda não aprendemos que somente um movimento coletivo pode promover esse justo estilo de vida?


Luana Feliciano – 2° Período

Oasis suburbano

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Arcos Olímpicos [foto: Mariana Mello]

Não foram só as crianças que ganharam presentes no natal passado. Desta vez, os adultos também ficaram felizes com a inauguração dos Arcos Olímpicos e da praia do Parque Madureira. Em funcionamento desde o dia 12 de outubro, o ponto promete ser um muito procurado no verão. O Parque, localizado na zona norte do Rio, foi inaugurado em 2012 e, desde então, tem proporcionado lazer aos cariocas.

Segundo a secretaria municipal de obras da cidade, toda a água da piscina construída é reciclada em filtros. No fim do dia, a líquido é armazenado dentro de reservatórios e reaproveitado outras vezes. Com 90 mil metros quadrados, o Parque Madureira se tornou o principal point do subúrbio carioca. Na Praça do Conhecimento, é possível ter acesso a cultura, por meio de cursos em diferentes áreas e também computadores conectados à internet. Além da parte musical, que agrada a todos os gostos.

Na expansão, foram construídas quadras poliesportivas de futebol e tênis de mesa, ciclovias e a melhor pista de skate do país. Para aqueles que não são fãs de esportes, também é possível desfruta do parque fazendo piqueniques e aproveitando o momento em família com a beleza que o lugar proporciona.

O Parque Madureira valorizou o subúrbio da cidade do Rio de Janeiro. A praia, grande novidade, chegou na hora certa para dar ainda mais felicidade aos cariocas, além de ser uma alternativa refrescante para fugir do calor intenso do verão. Mas não para por aí, em breve, o local será ainda maior graças às obras de expansão, que fará o parque chegar até a Avenida Brasil, passando por mais oito bairros.

Raquel Maia- 6º Período

Uma síntese do passado

PosterTeaserOf_OsOitoOdiadosUm pouco de tudo que já se viu. Esta pequena frase resume a sensação pós- “Os 8 Odiados”, do renomado diretor norte-americano, Quentin Tarantino. O longa – que já é sucesso de bilheteria no Canadá e nos EUA – estreia hoje (07) em terras nacionais. Trazendo uma mistura de tudo o que o diretor já fez de bom em sua carreira, adaptado em um novo conceito.

Isso se explica pôs, durante 3 horas, Tarantino claramente voltou às origens ao fazer um filme com características muito próximas a sua primeira obra, “Cães de aluguel” (1992), adaptado ao cenário de faroeste, assim como em “Django Livre” (2012). “Bastardos Inglórios”, “Pulp Fiction”, “Jackie Brown” e “Kill Bill” não ficam de fora, uma vez que o diretor usa passagens na estrutura narrativa muito semelhantes a algumas apresentadas nesses longas.

Contextualizando, “Os 8 Odiados” conta a história do carrasco John Ruth (Kurt Russell), que está transportando uma prisioneira, Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh), a fim de conseguir uma recompensa pela captura da moça. No meio do caminho ele se depara com o Major Marquis Warren (Samuel L. Jackson) e o xerife Chris Mannix (Walton Goggins), que por conta da nevasca que se aproxima precisam da ajuda de John para chegar até um refúgio, vulgo Armazém da Minnie, que já abriga outros quatro desconhecidos. A história se desenvolve e explora o drama que envolve todos os homens daquela cabana.

THE HATEFUL EIGHT

Tarantino preparando elenco no “Armazém da Minnie” [Photo: Andrew Cooper, SMPSP © 2015 The Weinstein Company. All Rights Reserved.]

Como já dito, o longa parece bastante com a narrativa de “Cães de Aluguel”. A maior parte do filme é rodada dentro de uma cabana, salvo alguns takes iniciais capturados em estradas de terra cobertas pela neve. E nem por isso o filme fica monótono. Mostrando toda genialidade artística, Tarantino consegue dinamizar cenas dentro de um ambiente minúsculo.

Outra assinatura presente na obra é a separação de algumas partes por capítulos. Neste, são apresentados cinco, com flashbacks e narrações feitas pelo próprio Quentin, toque que não poderia faltar, uma vez que o diretor é conhecido pela necessidade de ter uma pontinha em todos os filmes que participa.

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Câmera Ultra Panavision 70

Usando uma câmera Ultra Panavision 70 – nada comum para o gênero – Tarantino dá uma verdadeira aula de cinema clássico. Ele consegue aplicar um tom épico, característico do filme de 70 mm, com um toque extremamente intimista, que traz o espectador para dentro da cabana, para sentir a tensão do momento. Tensão esta que foi extrapolada em alguns momentos e, aliada as longas falas características do roteiro de Quentin, deixando a narrativa um pouco lenta.

Curiosamente a trilha sonora feita pelo renomado mestre musical, especialista em temas de faroeste, Ennio Morricone, foi produzida antes mesmo de o compositor ver as imagens. Mas isso não interfere no belo trabalho feito pela sonoplastia. Em uma conexão quase espiritual entre o diretor e o maestro.

THE HATEFUL EIGHT

Samuel L. Jackson e Walton Goggins durante cena.

O diretor conseguiu extrair o máximo de Samuel L. Jackson e Kurt Russell, que apresentam atuações diretas e impecáveis. Jennifer Jason Leigh e Tim Roth merecem um prêmio a parte. A dupla deu vida a dois personagens extremamente exagerados e perfeitos pra trama. De um lado uma ladra maluca, de outro um inglês elegante e sempre atento para o que acontece. Infelizmente Walton Goggins, Demián Bichir, Bruce Dern, Michael Madsen não foram usados da mesma forma, mas ainda assim agradam.

Não se desesperem fãs de Tarantino, ainda não foi falado, mas a principal assinatura do diretor foi guardada para o final. Sangue, sangue e mais sangue. No final das contas, “Os 8 Odiados” não agradará espectadores comuns, que vão ao cinema para assistir só mais um blockbuster de ação. Estes acabaram se deparando um toque mais cult e poderão se decepcionar. Mas para quem já conhece o roteiro de Quentin, a obra é um prato cheio de nostalgia.

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Iago Moreira- 4º Período

Três letras, um amor: Rio

Há centenas de anos, os portugueses e interessados na povoação do país procuravam a melhor maneira de publicamente anunciar as belezas naturais das cidades brasileiras e convencer estrangeiros a virem visitar e até mesmo morar aqui. Para isso eles colocam o estado em um plano paradisíaco, categorizando-o como uma escapada ensolarada ao sul do continente americano. Esses anúncios eram feitos, principalmente, por meio de cartazes os quais foram reunidos e expostos na mostra “O Rio de Janeiro como destino: viagens e cartazes” que fica exposto no Museu Histórico Nacional até o dia 24 de janeiro. Normandie to Rio

Os curadores da mostra, Márcio Alves Roiter e Paulo Knass, explicam a importância dos artigos expostos: “Alguns cartazes aqui são centenários e provam que o produto da publicidade é capaz de sobreviver ao uso original, transformando-se em documento histórico. Testemunhos da história, estes documentos deixaram de ser efêmeras matérias de consumo e se tornam estampas de valor artístico e comercial”, contam eles.

Em uma época em que os meios de comunicação não eram acessíveis a todos, cartazes de viagem eram a forma perfeita de fazer com que sua mensagem fosse vista pelo maior número de pessoas, era só posicioná-los em locais movimentados com boa visibilidade. Todos eram feitos à mão, até que a Prensa foi inventada e permitiu que cópias fossem feitas. Também em um tempo em que os meios de transporte não eram tão evoluídos, esse tipo de viagem poderia ser feita por navio ou por zepelim, mas até chegar aqui demorava até seis dias, algum tempo depois o avião comercial surgiu e encurtou significativamente esse tempo.

O tema dos cartazes de viagem eram justamente isso: a companhia marítima ou aérea que te levaria ao seu destino, mas para que os pôsteres chamassem a atenção o desenho escolhido para representar a empresa deveria retratar a definição de belo a um estrangeiro que visita pela primeira vez o país. Sejam mulheres na praia usando roupa de banho, ou o corcovado e o pão de açúcar antes de terem seus principais pontos turísticos construídos. Quando o Cristo Redentor ficou pronto, ele dominou a vista das propagandas e se tornou o desenho principal, apesar de ainda haver um ou outro com praias para reforçar o elemento de lugar magnífico e quente com lindas mulheres em trajes de banho.

Um dos principais meios de transporte que trazia turistas para cá era o transatlântico ‘Normandie’ que vinha da França e passava pelo Ilhas Caribenhas e o Rio de Janeiro. A exposição mostra o curta-metragem “Normandie to Rio” que fala sobre a luxuosa vida que se passava dentro do navio e os destinos espetaculares por onde ele passava. Além disso, foram reunidos também selos, cartões postais, um modelo do avião Douglas DC3 do século XX usado nas viagens, medalhas comemorativas das a pilotos por, por exemplo, fazer a travessia Lisboa-Rio de Janeiro com vista para o Rio de Janeiro, bilhetes postais e o cardápio servido no transatlântico Normandie.

JMR Berardo, dono da Coleção Berardo, fala sobre o que os cartazes tem de tão especial e importante para a história: “A própria beleza dos cartazes leva-nos a refletir sobre a singularidade do Rio de Janeiro ao longo dos tempos, sendo através desta retrospectiva que compreendemos a metamorfose de uma cidade moderna com gostos tropicais, ontem, símbolo de exotismo e curiosidade pelo novo mundo, hoje, exemplo de progresso, amanhã, um caminho em aberto, repleto de possibilidades culturais”, disse ele.

Há 450 anos, milhões de pessoas veem visitar a cidade do Rio de Janeiro baseado nas vistas paradisíacas, na mudança climática que este país tem a oferecer em contraponto ao país de origem do turista e a natureza animada e calorosa do povo. Esta mostra nos ensina sobre como sempre fomos bem vistos pelas mesmas razões e que nunca perderemos o título de “The Wonder City”.

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Luana Feliciano – 2° Período