Preparativos para 2016

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Fogos de Copacabana

“Adeus, ano velho! Feliz ano novo! Que tudo se realize no ano que vai nascer, muito dinheiro no bolso saúde pra dar e vender…”. A Valsa de David Nasser foi inspiração para diversos réveillons brasileiros. 2016 será a data dos Jogos Olímpicos e de comemoração dos 100 anos do samba, com direito a homenagens relativas aos acontecimentos durante a queima de fogos de Copacabana. Outra novidade será a transmissão, ao vivo, do evento pelo Youtube.

Jorge Bem Jor, Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Dudu Nobre e Diogo Nogueira são os artistas mais esperados. De acordo com a prefeitura, a expectativa é que dois milhões de pessoas participem da festa. Ao todo serão 12 apresentações. Ao final do espetáculo dois mil tambores acompanharão o momento em que o céu de Copacabana ficará branco, revelando uma mensagem de paz.

“Já pulei as sete ondas e também já comi uva e guardei o caroço na carteira, para atrair dinheiro. Hoje em dia não faço mais. Busco apenas vestir roupas de acordo com o significado das cores. Geralmente uso amarelo ou verde”, diz Marina Magalhães, estudante de jornalismo.

Contudo, Nathália Theodoro, aluna de Direito, não realiza o mesmo ritual: “Minha família tem o costume de se vestir de branco no ano novo, mas eu nem ligo. Já usei uma blusa que tinha um gato preto no réveillon e ficaram brigando comigo (risos)”.

Onze balsas serão responsáveis por lançar 24 toneladas de fogos, durante 16 minutos, e 30 torres de som vão ser usadas de modo a melhorar a qualidade do áudio. No palco principal, telas de projeção com luzes LED formarão um relógio digital para facilitar a contagem. “Estou muito ansiosa pela chegada do ano novo. Espero, em 2016, conseguir um bom estágio, terminar o curso de inglês, fazer intercâmbio e viajar”, diz Vanessa Gadelha, esteticista.

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Infográfico G1

O esquema especial de trânsito começa na manhã do dia 31. Às 18h a entrada para o bairro será bloqueada para os carros de passeio, incluindo moradores. Apenas os veículos credenciados poderão entrar até às 22h e às 5h o acesso será totalmente liberado. Metrô, ônibus comuns – de mais de 80 linhas – e turismo funcionarão como alternativas de transporte, durante o Réveillon. “O importante é passar a virada do ano com a pessoa que você gosta, independente do lugar. Mesmo que seja no engarrafamento, vale a pena (risos)”, relata Junno Sena, estudante de Jornalismo.

O MetrôRio organizou a operação Réveillon Solidário. O bilhete custa R$ 7,40 (ida e volta) e R$ 3,70 (ida ou volta), somente em dinheiro nas estações Pavuna, Carioca, Central, Glória e Uruguai. Pessoas com necessidades especiais, menores de seis anos e maiores de 56 anos devem apresentar documento oficial de identificação. A cor do cartão será determinada segundo o horário de embarque escolhido.

“Acredito que o metrô poderia funcionar por toda a madrugada, o que diminuiria o fluxo de pessoas em um mesmo horário durante a volta para casa. Deveriam existir também mais linhas de ônibus circulando pela cidade, não só nesta época, como no ano inteiro. O ponto principal é que as linhas sejam bem distribuídas. Não adianta ter inúmeros ônibus na Zona Sul que só levam a lugares próximos dali ou a locais pré-determinados”, afirma Marina Magalhães.


Horários de embarque do MetrôRio no Réveillon:

  • 19h às 20h – Cartão laranja e azul (ida e volta) e Cartão laranja e verde (ida);
  • 20h às 21h – Cartão roxo e azul (ida e volta) e Cartão roxo e verde (ida);
  • 21h às 22h – Cartão rosa e azul (ida e volta) e Cartão rosa e verde (ida);
  • 22h às 23h – Cartão verde e azul (ida e volta) e Cartão azul e verde (ida);
  • 23h à 0h – Cartão prata e azul (ida e volta) e Cartão branco e verde (ida);
  • 0h às 5h – Cartão prata e azul marinho.

    Além disso, Os organizadores receberão o apoio de 120 maqueiros, 30 postos de policiamento, cinco postos médicos e monitoramento por câmeras em 20 unidades. A operação de limpeza da orla começará às 6h do dia 1° de Janeiro, mas durante a festa – segundo a Comlurb – 1.289 garis, com mil contêineres vão atuar para evitar a concentração de lixo. “Já vi acidentes que poderiam ser evitados. Muitas pessoas levam taças de vidro ou de cristal, que acabam quebrando e deixam na areia ou na calçada. Como a praia fica lotada fica difícil não pisar nos cacos. Devemos lembrar que não somos os únicos no local”, relata Lucas Correa, estudante de Geologia.

O ator André Leitão presenciou uma situação curiosa durante a festa de fim de ano. Segundo ele, durante uma caminhada, pós-festa, no dia primeiro pela orla da Barra, um morador de rua parou ele e seus amigos para dividir um momento de alegria. “Olha quanta latinha eu peguei”, relata o sem teto, com um saco na mão.

Ainda segundo André, o grupo de amigos deu risada na hora, pois pensaram que era só mais um maluco, mas quando o pobre homem se afastou, viram que era tudo verdade. O sem teto carregava um saco com cerca de 10 mil latinhas. “O morador de rua ajudou a limpar a praia e ainda ganhou uma boa grana com isso”, conta ator.

“Desejo muita saúde paz e saúde para todos nós. Também espero aproveitar a virada do ano com as pessoas que eu gosto e ter sucesso profissional em 2016”, relata Marina.

ATRAÇÕES DE COPACABANA:

Palco Principal (Em frente ao Copacabana Palace):

  • 18H ÀS 18H30: DJ MARCELO GARCIA
  • 18H30M ÀS 19H30: GABRIEL MOURA
  • 20H ÀS 22H: “SAMBRA, O MUSICAL – 100 ANOS DE SAMBA”,  COM DIOGO NOGUEIRA
  • 22H30 ÀS 23H45M: JORGE BEN JOR
  • 00H20 ÀS 01H40M ZECA PAGODINHO
  • 02H ÀS 03H GRES BEIJA FLOR DE NILÓPOLIS

Palco Santa Clara (Em frente à rua Santa Clara):

  • 18H ÀS 19H30 DJ (A CONFIRMAR)
  • 19H30M ÀS 20H30 SURICATO
  • 21HÀS 22H:THAÍS MACEDO
  • 22H30 ÀS 23H45M: ARLINDO CRUZ
  • 00H20 ÀS 01H40M: DUDU NOBRE
  • 02H ÀS 02H45M: GRES ACADÊMICOS DO SALGUEIRO
  • 02H50M ÀS 03H30M: GRES ACADÊMICOS DO GRANDE RIO

Luiza Esteves – 5° Período

Responsáveis pelo Amanhã

 

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Fila de entrada do Museu do Amanhã

Mais de 20 mil pessoas participaram do viradão de inauguração do Museu do Amanhã, nos dias 19 e 20 de Dezembro, na Praça Mauá. O espaço, erguido sob os pilares éticos da sustentabilidade, conta com atividades educativas, laboratório de experiências em inovação e um observatório, além de possuir uma programação cultural intensa. Quem somos? De onde viemos? Onde estamos? Para onde vamos? Como queremos ir? Estimular esse questionamento é o objetivo do museu.

O projeto foi financiado pela participação pública privada e o valor estimado da obra foi de 230 milhões de reais. É um prédio de arquitetura complexa, pois a estrutura de aço que cobre o museu tem painéis de captação de energia solar e acompanha o movimento do sol, gerando 16% da energia do estabelecimento. Além disso, os espelhos d’água compõem um sistema que capta água do mar para ser usada na refrigeração do edifício e depois a devolve à Bahia de Guanabara.

Maquete Museu do Amanhã

Maquete do Projeto

“Somos um museu de ciências que convida a examinar o passado, conhecer as transformações atuais e imaginar cenários possíveis para os próximos 50 anos. Um espaço que reflete sobre sustentabilidade e convivência. O visitante poderá ter noção de certos cenários, como por exemplo, que a diminuição de gases de aquecimento na atmosfera é necessária para a futura normalização do clima”, relata o curador do Museu do Amanhã, Luiz Alberto Oliveira.

Cosmos é o nome de uma das cinco áreas do prédio, onde o visitante poderá assistir ao filme sobre o surgimento da vida. Por meio de uma cúpula de 360°, tecnologia fulldome, a interatividade permite que a pessoa se projete no ambiente do vídeo, observando as galáxias e a formação da Terra. Já no espaço relativo a quem somos há três cubos: da matéria, da vida e do pensamento. No primeiro a formação dos continentes é explicada com o objetivo de mostrar que nada é imóvel, mas está em transformação. O cubo da vida demonstra como funciona o material genético e no do pensamento aprendemos como ele é organizado.

A parte mais importante do museu, segundo o curador, é o Antropoceno, a Era em que estamos. Hoje sabemos que o conjunto das nossas atividades afetará todo o planeta e, portanto, a sustentabilidade tem sido um tema constantemente debatido. “Lançamos mais partículas na atmosfera do que a média de habitantes. E em um século mudamos o curso de todos os rios e bacias hidrográficas dos continentes. A humanidade se tornou uma força de transformação em escala planetária. Vivemos em um momento decisivo na história da humanidade”, diz o curador.

“Amanhãs” é o espaço para repensarmos para onde vamos. O museu apresenta seis grandes tendências para as próximas décadas e tem como compromisso atualizar o acervo conforme a tecnologia evoluir. Em relação à população mundial, a estimativa é que em 2050 sejam 10 bilhões de pessoas, tendo mais idosos e jovens. Assim, a pirâmide etária se modificará e precisará ser reorganizada para contrabalançar a população economicamente ativa com o restante da população.

“A próxima medida do museu será o sistema de monitoramento da Bahia de Guanabara, que já está começando. Temos um acordo com 12 universidades, entre a UERJ, UFF e UFRJ cada uma delas supervisiona um componente da Bahia. Queremos ser a divulgação desse processo de controle. Vamos comparar com os dados internacionais da Bahia de Boston de Sidney, as estimativas dos ganhos econômicos sociais”, menciona o curador.

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O último espaço é o “nós”, onde a sensibilidade do visitante é explorada por meio da chamada “oca do conhecimento”. Nela há jogo de luzes com sensores acionados conforme os movimentos, aliados a uma sonoplastia para ambientar ainda mais o visitante. O único objeto do local é o Churinga, próprio da cultura aborígene australiana. Trata-se de uma ferramenta que assegura a continuidade do conhecimento entre as gerações, por fazer a ligação entre presente, passado e futuro. Este é justamente o objetivo do Museu do Amanhã.

“Antes da revitalização do porto não chegava perto daqui, pois tinha muita prostituição e assaltos. Hoje recebi várias dicas do museu sobre reciclagem. E gostei muito da oca de madeira, pois adoro artesanato e a cultura indígena. Devemos valorizar mais as nossas raízes e também pensar no amanhã que queremos”, afirma Maria do Nascimento Tavares, manicure.

Além dela, a cubana com três anos morando no Brasil não havia visitado a região do cais do porto. “Estava muito ansiosa para conhecer o museu. Precisamos de um ambiente para refletir sobre o que queremos para o futuro do planeta. A mudança de hábito da sociedade para a sustentabilidade deve partir de cada um de nós”, comenta Ana Isa Pérez, doutoranda em vigilância sanitária.

Além disso, mesas interativas com experiências táteis, sonoras e visuais estavam presentes no museu. Drones, robôs interativos, sensores e impressoras 3D foram expostas. “Estou implementando em sala de aula um modelo de tabela periódica 3D para melhorar a aprendizagem dos alunos. Os elementos em relevo da tabela têm relação com a eletronegatividade, substituindo as setas dos livros didáticos. Caso o aluno não enxergue, poderá usufruir dessa experiência sensória para compreender melhor o conteúdo”, relata o professor de licenciatura de química da UFRJ, Ricardo Michel.

Luminária feita pelos visitantes

Luminárias feitas por visitantes no Laboratório de Atividades do Amanhã (Laa

Buscamos fomentar uma mudança de postura, por meio das informações contidas nos espaços. Estamos lidando com o meio ambiente e com quais serão as perspectivas para o amanhã. Os visitantes podem interagir a partir dos jogos e exposições para adentrar nesse universo. Nós somos os agentes da natureza. Somos responsáveis por essas mudanças, comenta Hugo Naidin, funcionário do departamento de comunicação do Museu do Amanhã.


Luiza Esteves – 5° período

Feliz Natal Tropical

árvore de Natal + JukeboxA “indústria” do Natal que é passada e comercializada nasceu no hemisfério norte. É por isso que vemos o Papai Noel usando agasalhos muito fortes, renas como se fossem animais comuns, bonecos de neve, viscos natalinos e pinheiros. O Centro Cultural João Nogueira montou o “Natal 40°”, uma exposição que fica aberta até 6 de janeiro, mostrando não simplesmente o hemisfério sul e sua visão do natal, mas principalmente o Brasil, com sua específica cultura natalina que valoriza nossas tradições.

Na abertura da mostra, o teto foi enfeitado com luzes de árvore de natal, à esquerda, uma parede revestida de papel de presente e à direita, três montagens muito inteligente feitas com papelão e criatividade. No primeiro quadro podemos observar três trabalhadores do campo, se dirigindo a algum lugar em condições precárias. No segundo, um casal, com aparência pobre, em uma casa muito simples e um menino no colo da mulher, sereno. Por último, os três reis magos: o Rei Pelé, o Rei Roberto Carlos e o Rei do Baião, Luis Gonzaga.

Domingo Guimaraens e Gabriel Pardal são os curadores desse projeto e explicam a ideia por trás da transformação do cenário frio glacial para calor tropical. “A exposição Natal 40 ° mostra outras características da festa em diversos lugares do mundo e principalmente propõe uma repaginação dos tradicionais costumes natalinos, imaginado- a com a nossa atmosfera”, explicam eles.

Saindo desse corredor e entrando na sala, logo no centro, uma árvore de natal cujos enfeites são frutas típicas do nosso país, demonstra a versão brasileira desse símbolo. Ao longo de todas as paredes, onze quadros falam de curiosidades do Natal ao redor do mundo. Desde a explicação da cor vermelha, que veio da coca-cola, a criação do papai Noel, o porquê das renas de natal, o primeiro pinheiro, e as tradições brasileiras natalinas: o pastoril nordestino, o reisado e a folia de reis, além da explicação religiosa do cristianismo ortodoxo. Fora do país, a interessante versão da Islândia cercado por números 13, a estranha época no tempo em que um Papai Noel foi queimado acusado de realizar bruxaria, a Saturnália e o dia do nascimento do sol invencível.

Para tornar a visita mais interativa foram montadas uma árvore dos desejos, três quebra cabeças com representações visuais mais brasileiras do natal, uma piscina de bolinhas em forma de saco de presentes, um vídeo do dia-a-dia na “Escola de Papais Nóeis”, e uma jukebox que toca versões não tão comuns de músicas natalinas. Um ótimo exemplo contido na máquina vem do pouco conhecido álbum natalino de Snoop Dogg que inclui a canção “Santa Claus Goes Straight To The Ghetto”, além da música do propulsor das paródias no youtube Weird Al Yankovic com “The Night Santa Went Crazy”, entre tantas outras.

Os curadores falaram também sobre essa ideia de deixar a exposição uma experiência mais do que visual. “Compreendemos que o Natal é principalmente o encontro entre famílias, e famílias no campo expandido, por isso nossa ideia é criar um ambiente onde os desconhecidos possam se sentir à vontade para participar desse encontro. Um espaço para experimentar o lado lúdico de um outro natal”, dizem eles.

Sabendo que aqui no Brasil não tem chaminé e que o risco de sair invadindo casas é assustador para um cidadão de qualquer idade, uma renovação no símbolo do Natal era mais do que bem-vinda. Com o uniforme adequado e as ideias atualizadas, o trabalho do bom velhinho poderá ser feito com mais eficiência e ainda deixando o cliente satisfeito e feliz.

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Luana Feliciano – 2° Período

A velha e boa (ou não) fórmula do sucesso

alvinMais do mesmo: musiquinhas mixadas, esquilos engraçados e péssimas atuações. “Alvin e os Esquilos: Na Estrada” estreia amanhã (24) em todos os cinemas do País. Desta vez os três irmãos descobrem que Dave esta gostando de uma nova mulher e cruzam o País para impedir um suposto casamento. Resumidamente, a mesma história apresentada nos três primeiros filmes, só que em um novo cenário.

A franquia é uma das mais reconhecidas mundialmente. Sucesso entre crianças, a saga fatura em média 300 milhões de dólares por título. Já era de se esperar que os grandes produtores de Hollywood fossem continuar com a fórmula mágica. Mesmo com um nível de qualidade baixíssimo, o novo filme repetirá o sucesso dos antecessores, ainda mais aproveitando as férias escolares.

No roteiro desta obra (se é que pode ser chamado assim), Dave continua insistindo para que os esquilos abandonem a musica para viver como um jovem normal. O curioso é que em nenhum momento a vida de um adolescente comum é abordada no filme. Diferentemente do segundo título da saga, que coloca o trio em um contexto escolar.

O antigo vilão interpretado por David Cross não faz mais parte do elenco. Desta vez o antagonista é o agente aéreo frustrado Suggs, feito por Tony Hale. Jason Lee, mais uma vez, mostrou que não é o ator ideal para fazer papeis em filmes infantis. Sempre apático e sem motivação, o ator não consegue passar a energia necessária para acompanhar o resto da equipe.

O filme ainda conta com referencias a outros filmes, como “O Iluminado”, e tem a participação de alguns famosos, como a breve aparição do diretor John Waters e o cantor da banda LMFAO, Redfoo. Músicas famosas como “Juicy Wiggle”, do grupo citado, “Uptown Funk”, do Bruno Mars e “All You Need is Love”, dos Beatles, marcam presença no longa.

Vale ressaltar que a todo o momento, Alvin e seus irmãos ludibriam as regras, dando sempre preferencia para farra e para diversão em detrimento para diversão. É bem verdade que este não é o enredo principal, mas é uma mensagem oculta presente durante todo o filme. Fica, então, o lembrete para os pais.


Iago Moreira- 4º Período

A ganancia corrói a honra

macUma obra de arte que não agradará o grande público. Esse será o efeito que a adaptação cinematográfica de Justin Kurzel terá ao ser lançado amanhã (24). Em meio a datas festivas e a lançamentos de grandes bloockbusters da indústria do cinema, um filme cult se destaca, mas – devido as suas origens e ao palavreado antigo e complexo– não se fará inteligível para todos os espectadores.

“Macbeth: Ambição e Guerra” é a adaptação cinematográfica de uma das obras mais conhecidas do maior dramaturgo de todos os tempos, William Shakespeare. Contextualizando, Macbeth (Michael Fassbender) é um general de guerra escocês que, depois de uma batalha, descobre – através de uma profecia de um grupo de bruxas – que será o próximo rei de seu País. A história se desenvolve e o antigo guerreiro deixa de existir para dar espaço a um monstro que, junto à esposa Lady Macbeth (Marion Cotillard), dominará o Reino da Escócia.

Tentando ser, na medida do possível, mais fidedigno a peça teatral original, Justin peca ao deixar as cenas de reflexões grandes demais e com pouca dinamicidade. Como se tratam de passagens importantes para o desenrolar psicológico dos personagens, o diretor deveria ter melhor adaptado essas partes, visando o entendimento do grande público. Todavia, Kurzel acerta em cheio durante as cenas de guerra, usa e abusa de efeitos de câmera lenta, músicas épicas e uma bela coloração vermelha, dando um toque especial para o cenário caótico.

Com uma atuação – no mínimo – genial Michael Fassbender consegue prender a atenção do público, mesmo nas cenas mais lentas. Passa uma parte do filme como o grande e honroso general Macbeth e a outra como um Rei megalomaníaco. Não é de se surpreender se o ator alemão – que também já participou de grandes filmes como: X-Men, Bastardos Inglórios, 300 e 12 Anos de Escravidão – for indicado ao Oscar. Outra pessoa que também se destaca é a francesa Marion Cotillard e o inglês Paddy Considine também merecem aplausos.

O subtítulo português “Ambição e Guerra” resume bem a personalidade do rei. De maneira geral toda a aura sombria e densa descrita por Shakespeare foi honrada. Fica faltando, então, as horas de leitura e carga cultural que o espectador precisa ter para apreciar a obra.


Iago Moreira- 4º Período

Previsões do Fracasso

Poster- até que a sorte nos separe 3Apesar de não fazer muito sucesso entre os críticos e jornalistas, a saga “Até que a Sorte nos Separe” agrada, e muito, o público. Um verdadeiro sucesso de bilheteria. A narrativa ficará para sempre marcada na história do cinema nacional, uma vez que foi o primeiro longa a conseguir atingir uma sequência de três filmes expostos. Segundo os produtores, a história de Tino e sua família se encerra nessa trilogia.

As duas primeiras sequencias da saga foram muito criticadas porque contavam a mesma história em contextos diferentes. Dessa vez, Paulo Cursino e Leo Luz decidiram dar outro rumo, repaginar a imagem do filme. “Até Que a Sorte nos Separe 3: A Falência Final” é destaque na trilogia, pois não é apenas um conto vago de um homem que não sabe administrar seus bens. Nessa nova versão os escritores fizeram uma forte sátira ao cenário nacional atual.

Chuck o boneco assassino, o casal Eike Batista e Luma de Oliveira e o ex-presidente da Petrobrás Nestor Cerveró foram os principais alvos dos dedos afiados dos autores. Sempre com um tom muito bem-humorado, o filme trata do contexto da crise nacional. Onde o personagem principal Tino (Leandro Hassum) é um dos responsáveis por falir o País. Nem a Presidenta Dilma Rousseff e suas célebres frases foram poupadas na obra.

Marcelo Antunez, Roberto Santucci fizeram um trabalho aquém do esperado na direção. Os diretores deixaram passar diversos erros de continuação, não trabalharam os efeitos especiais como deveriam e não conseguiram segurar as pequenas risadas que os atores deixavam escapar durante as cenas. Eles, inclusive, também não fizeram um trabalho de muito louvor. Com exceção para o principal e paras atrizes Emanuelle Araújo e Camila Morgado.

Nostradamus com certeza aplaudiria as previsões feitas pelos escritores da obra, uma vez que o roteiro já está pronto há tempos e ainda sim os assuntos são atuais. É bem verdade que “Até Que a Sorte nos Separe 3: A Falência Final” é um filme muito datado, mas também é certo que o último longa fará sucesso nas bilheterias e fechará a trilogia com chave de ouro.


Iago Moreira- 4º Período

O mais novo espaço cultural carioca

escolhida3Completando mais de três meses de reinauguração, a Praça Mauá está a todo vapor. Após ficar quatro anos fechada, desde a derrubada da Perimetral, o local passou por obras intensivas para ficar pronto e repaginar o Porto do Rio de Janeiro. Com uma nova estrutura, que deixa o espaço mais amplo e bonito, o local agora conta com eventos culturais e gastronômicos.

Em torno da Praça Mauá estão localizadas, também, atrações culturais, como o Museu de Artes do Rio (MAR) – que conta com eventos e exposições em geral – e o Museu do Amanhã, que expõe obras voltadas para a ciência. A área traz em si muita história para contar, a exemplo da Pedra do Sal, que recebeu esse nome porque era onde o sal importado de Portugal era descarregado por escravos africanos que trabalhavam nos cais. O local virou reduto do samba, e recebeu grandes nomes da música, como Pixinguinha. Até hoje acontecem encontros às segundas.

A parte gastronômica também é atração. No Morro da Conceição, o restaurante Imaculada fica lotado todos os dias, assim como o tradicional Angu do Gomes, na Sacadura Cabral. Ambos são opções boas e baratas para aproveitar o passeio.

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Não é só o prato que é colorido na Praça Mauá. Entre as novidades da reinauguração, está um grande letreiro, de 25 metros de cores vívidas, com a inscrição “#cidadeolimpica”, já adiantando o clima dos Jogos Rio 2016. “Aos fins de semana agora venho com meus filhos passear e tirar fotos. Antes era escuro e perigoso, agora sinto mais segurança em curtir esse pedaço do Centro”, declara Ana Rodrigues, moradora do Morro da Conceição.

Mas não é só de flores que é feito esse jardim. Mesmo com novas vias na região, como o Túnel 450 e a Via Binário, a piora no trânsito tem sido uma das principais queixas dos que trabalham e frequentam a área. “Todos os ônibus que vinham da minha casa até essa parte do Centro tiveram os itinerários modificados por causa das obras. Agora tenho que descer na Av. Presidente Vargas e caminhar cerca de 15 minutos até o trabalho”, comenta a moradora da Tijuca, Gisele Lopes.

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Para Paulo Soares, que trabalha em uma das ruas da região, as obras do VLT têm atrapalhado o fluxo dos carros. “Com o fechamento de uma das faixas desse pedaço da Av. Rio Branco, tenho demorado cerca de 40 minutos num percurso que antes demorava 10 minutos”, comenta o frequentador.

Entre prós e contras, uma questão é unânime: a Praça Mauá agora é o novo reduto dos moradores e turistas da cidade. As obras de reestruturação trouxeram reclamações, mas o saldo é positivo. Um novo espaço surge agora e começa a se reafirmar como um novo ponto turístico da Cidade Maravilhosa.


Marcia Silva- 6º Período

À Francesa

No mundo da culinária cinematográfica, o ritmo acelerado das cozinhas caracteriza os chefs como pessoas petulantes e opressoras. Em “Pegando Fogo”, o novo longa da Paris Filmes, Bradley Cooper vive as consequências da insolência de Adam Jones, um chef prodígio cujos vícios o levaram a perder não só o restaurante, como também todos os antigos relacionamentos afetivos. Com estreia marcada para o dia 10 de dezembro, este é um daqueles filmes para quem realmente gosta de assistir um personagem persistente em busca de um futuro melhor.

pegando fogo

Adam Jones é um fenômeno que, aos dezoito anos, comprou uma passagem só de ida para Paris. Lá, ele mentiu seus títulos até virar ajudante e aprendiz do ídolo, Jean Lucc. Mas um momento da caminhada, o jovem deixou a fama subir a cabeça e passou a se embriagar com tamanha frequência que não ia ao trabalho sóbrio, além de tornar vício em drogas tão rotineiro, que foi ameaçado de morte por traficantes aos quais ele devia muito dinheiro. Toda essa sequência da história, descobrimos ao longo da narrativa, e com a boa direção e roteiro, não sentimos nenhuma falta de ver com nossos próprios olhos este prólogo.

Depois de uma reviravolta, Adam, então, passa contatar os colegas com quem trabalhava para montar um novo negócio. Tony (Daniel Brühl), Max (Riccardo Scamarcio) e Michel (Omar Sy). Aceitam o convite, ou porquê já o perdoaram, ou por terem confiança de que finalmente mudou. O prodígio também conta com a ajuda de mais duas pessoas: seu fã David (Sam Keely) e uma jovem chef, e má aproveitada, Helene (Sienna Miller).

A atuação de todos os atores é impecável, e este é um ponto muito importante quando se tratando de um filme em que a peça principal é a personalidades de cada um. Além disso, o roteiro é uma história interessante, que vale a pena ser contada e possui um bom ponto de virada. A agitação de uma verdadeira cozinha de restaurante em Paris traz dinâmica a todo o filme e os agradáveis e bem construídos, personagens, passam as emoções certas nos momentos certos.

Uma curiosidade interessante, é que o ator Jamie Dornan chegou a gravar algumas cenas para o longa, mas foi cortado na edição. O diretor John Wells explicou que ele fazia parte de cenas que contavam o passado de Helene, mas que após sua revisão, preferiu focar somente em Adam Jones.  De fato, quando Helene conta sobre seu ex-marido, o espectador não precisa se submeter a ver as cenas do passado, mas se a atuação de Jamie foi boa como a do resto da equipe, ficará para sempre um mistério.

É de forma dura e ríspida que Bradley Cooper descobrirá que sua companhia no passado causou dor e sofrimento a alguns, deixando ele com alguns amigos, um rival e muitos inimigos e traidores.  Se você gosta de uma boa história de redenção e curte os visuais dos belos pratos da culinária francesa, não pode perder ‘Pegando Fogo’.


Luana Feliciano – 2° Período

Retrato da Ditadura

Na década de 1980, a Argentina vivenciou o que o Brasil viveu a partir de 1964: os Hermanos sul-americanos estavam sofrendo nas mãos da ditadura. Quando finalmente ela chegou ao fim, alguns chefes de família, e ex-militares, precisavam readquirir a renda que ganhavam durantes as  experiências de tortura que cometiam. Para isso, eles passaram a sequestrar pessoas por conta própria: os Puccio são exemplos disso. Baseado nesta história real, “O Clã” chega aos cinemas no dia 10 de dezembro contando a história desta família que sequestrava ricos a fim de conseguir dinheiro.520944.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxx

O foco da narrativa varia entre Arquímedes, interpretado por Guillermo Francella, o patriarca, e Alejandro – Alex –, interpretado por Peter Lanzani, um dos filhos. O pai possui toda a experiência enquanto seu filho ainda estranha o que fazem e questiona internamente seus valores. Um dos medos do diretor Pablo Trapero, era não conseguir passar esse sentimento de verossimilhança a uma história que parece inventada, mas é exatamente o desprezo que Alex demonstra, mesmo que calado, pelos atos do pai, que faz tudo seguir como o planejado.

Com cenas reais de discursos de governantes em posse na época, o filme insere o espectador no contexto histórico. Também leva o público a conhecer que toda a família era bem vista pelos vizinhos e amigos. A mãe, Epifania -Lili Popovich –, é professora em uma escola, o pai dono de uma loja de artigos esportivos, os filhos, astros do rúgbi e as duas filhas, vivendo suas vidas de modo a parecer que não há nada errado dentro de casa.

O roteiro começa a se desenvolver a partir de um sequestro que envolve emocionalmente o filho, inclusive é a partir dali que ele começa a realmente querer sair da jogada da família sem saber ao certo como, até se apaixonar por Monica – Stefanía Koessl –, e decidir se casar com ela. Enquanto isso, as rápidas adaptações que o governo faz decidindo que tomará o poder no país, afetam a imunidade do pai em relação a seu trabalho ilegal e começam a destruir a confiança que antes ele possuía.

O clima dramático e policial do filme é reforçado pelo uso do flashforward, em que vemos parte de uma cena que ainda acontecerá. Ele está constantemente lembrando o espectador de que o plano da família não dará certo, assim como ficou conhecido em todos os jornais da época, mas nunca deixa claro quando exatamente.

O longa ganhou o Leão de Prata de melhor diretor no Festival de Veneza 2015 e se tornou o mais visto de todos os tempos na Argentina, atraindo 2,5 milhões de espectadores. O uso da câmera, a variação nos cortes e a escolha do elenco formaram uma combinação imbatível para a competição e a estrutura geral da película. “O Clã” é um filme imperdível para os verdadeiros amantes do cinema contemporâneo e todos aqueles que queiram conhecer uma obra que prende o espectador como há muito tempo não se fazia.


Luana Feliciano – 2° Período

Revendo a verdade

Já era de se esperar que o belíssimo longa argentino do diretor Juan José Campanella “Lo Segredo de Sus Ojos” iria ganhar um Remake em Hoolywood. O que ninguém sabia, é que essa refilmagem aconteceria tão rápido. Amanhã (10), o filme “Olhos da Justiça” chega às telonas, trazendo uma belíssima adaptação feita pelo roteirista e diretor Billy Ray, da obra original campeã do Oscar na categoria de filmes estrangeiros.

423539.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxxConhecido em Hollywood por filmes como “Jogos Vorazes” e “Capitão Phillips”, Billy se arrisca a voltar a direção. Durante a obra, ele consegue prender a atenção do público, apresentando passagens temporais constantes, que mantêm os espectadores em alerta – mas podem confundir os desavisados –, e grandes passagens referentes ao longa original, adaptadas a realidade americana.

Contextualizando, Chiwetel Ejiofor (12 anos de escravidão) se passa por um investigador do FBI Ray. Depois do atentado de 11 de setembro, o policial é transferido para divisão de prevenção de atentados de Los Angeles para combater os criminosos. Mas depois de poucos dias de trabalho, a filha de sua parceira Jess (interpretada por Julia Roberts) é morta por um terrorista. Treze anos depois, Ray continua em investigar o caso e volta a L.A. convencido de que tinha achado o bandido.

Nicole Kidman, Alfred Molina, Dean Norris (Breaking Bad) e Michael Kelly (House of Cards) completam o elenco de grandes estrelas. Com atuações impecáveis, todos agradam, mas os atores principais superam as expectativas. Marcada por papeis sem tanta expressividade nos últimos anos, Julia Robert surpreende em cena, com sua transformação física para o papel e com grandes planos de drama. Chiwetel, mais uma vez, consegue cativar o público com um belíssimo desempenho.

Os Plot Twists finais impressionam e fecham a história com chave de ouro. Mesmo com algumas falhas técnicas – como a falta de ambientação sonora e uma fotografia mal trabalhada – “Olhos da justiça” não é apenas uma cópia americana do filme argentino. Na verdade, é uma grande aula de como adaptar uma obra já conhecida, mantendo peculiaridades locais.


Iago Moreira- 4º Período