Biografias de famosos entram em cartaz

Lançamentos de filmes sobre grandes personalidades marcam esta sexta-feira, dia 30. Os adoradores de moda e da estilista Chanel podem se deliciar com a estréia de “Coco antes de Chanel”. No âmbito nacional, entra em cartaz “Besouro”, a história de um capoeirista. Para relembrar os bons tempos de Chacrinha na televisão brasileira, chega à telona “Alô, alô, Terezinha”.

Um dos filmes biográficos mais aguardados neste ano, “Coco antes de Chanel”, de Anne Fontaine, desvenda a história de Chanel, que passou a infância em um orfanto antes de se tornar um dos maiores ícones de moda do século 20. Para o papel principal, o longa traz Audrey Tautou, que pode ser indicada para concorrer a categoria melhor atriz no Oscar 2010.

Inspirado em fatos reais, “Besouro”, de João Daniel Tikhomiroff, conta a história de um dos melhores capoeiristas do país e a sua vida pobre no Recôncavo Baiano. O longa se passa nos anos 20, época em que o Brasil era republicano, mas ainda possuia hábitos de escravidão e considerava a capoeira apenas como briga de negros. Uma aula de história muito bem retratada nos cenários e no roteiro.

Para matar as saudades do maior comunicador da televisão brasileira, Abelardo Barbosa, mais conhecido como Chacrinha, o diretor Nelson Hoineff lança o documentário “Alô, alô, Terezinha”, que foi criado a partir de uma profunda pesquisa. O público irá assistir as famosas cenas do apresentador jogando bacalhau na plateia, soltando seus bordões e premiando calouros com troféus de abacaxi.

Mônica Turboli

Feira de São Cristóvão: Um bom programa para sair da dieta

feira20trab205Localizada no bairro de São Cristóvão, o Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas funciona dentro do Pavilhão de São Cristóvão, em uma área de 34 mil m2 que abrigam 700 barracas, dois palcos para shows e estacionamento. Neste local se concentra o que há de melhor da gastronomia nordestina no Rio de Janeiro. Para desfrutar de tudo isso é necessário pagar apenas um real pelo ingresso.
Diferentemente dos restaurantes tradicionais ou requintados de algumas regiões da cidade, o ambiente da Feira de São Cristóvão não parece ser muito convidativo dada a confusão aparente do lugar, mas essa impressão dura pouco. Prova disso é a média de 450 mil visitantes que a feira recebe por mês. Ao escolher a especialidade da casa-geralmente carne de sol com aipim frito e manteiga de garrafa-, as pessoas se rendem às delícias regionais.
O cardápio ainda oferece outras comidas típicas como o baião de dois, escondidinho, tripa frita, bacalhau à moda baiana. A experiência vem acompanhada do som das bandas que tocam o típico forró do Nordeste.
Depois de saborear toda essa gastronomia, ainda é possível fazer compras. A feira é rica em artesanato que vai de tapetes a redes e objetos de decoração para a casa. É um ótimo programa para fazer com a família e amigos que desejam comer bem e se divertir.
 A frequentadora da feira, Nilda Martins Gurgel, 40 anos, funcionária pública, diz: “Gosto de vir aqui principalmente aos domingos. Assim a gente se diverte e não tenho trabalho de fazer comida em casa”. O Centro de Tradições Nordestinas Luiz Gonzaga está aberto de terça à quinta-feira de 10h a 16h e sexta-feira a partir de 10h até 22h de domingo sem interrupção.

Nassira Brito Antonio 

Ficção científica e terror colegial entram em cartaz

A visão futurista de um relacionamento conturbado entre humanos e robôs volta às telonas em “Substitutos”, de Jonathan Mostow, que estréia nesta sexta-feira, dia 23. A história se passa em 2054, época em que os homens controlam, pelo poder da mente e no conforto de seus lares, cópias robotizadas inseridas no mundo real, chamadas Surrogates. Nesse ambiente, um policial do FBI investiga, por meio do seu próprio robô, o assassinato misterioso de um estudante.

Mais uma vez à frente dos filmes de ação futuristas, Jonathan Mostow, que dirigiu “O Exterminador do Futuro 3”, convoca Bruce Willis para o papel de protagonista. O longa é uma adaptação dos quadrinhos criados por Robert Venditti e Brett Weldele. O filme hollywoodiano é recheado de efeitos  super especiais que levam o telespectador para a realidade fictícia do enredo.

Outro filme americano que está sendo ansiosamente aguardado para entrar em cartaz nesta sexta-feira, dia 23, pelos fãs de terror, é o “Garota Infernal”. O enredo é sobre uma líder de torcida possuída por um espírito maligno que a faz cometer assassinatos contra os meninos que a queiram conquistar. A história é embalada por uma trilha sonora juvenil com músicas das bandas Panic at the Disco e Black Kids.

O longa é dirigido por Karyn Kusama, mas quem rouba a cena é a roteirista Diablo Cody, que escreveu “Juno”, cujo foco nesse novo trabalho é o público masculino. A escolha da atriz Megan Fox para o papel principal, que exibe muita sensualidade para encantar os rapazes, já é uma prova dessa intenção. O talento de Diablo promete salvar o filme do clichê terror no colegial com as suas tiradas sarcásticas e irônicas nos diálogos.

Mônica Turboli – 6º Período

O papel na mídia e a igualdade racial na ABI

destaque1No dia 14 de outubro aconteceu na Associação Brasileira de Imprensa (ABI) o ciclo de palestras que tinha como tema o papel da mídia no debate sobre a igualdade racial. Entre os palestrantes estavam o jornalista Ancelmo Góis, do jornal O Globo, o antropólogo e jornalista Kássio Mota, que é autor de uma pesquisa acadêmica sobre a cobertura do tema pelo O Globo, Carlos Medeiros, coordenador da Coordenadoria Especial da Promoção da Igualdade Racial no município do Rio de Janeiro (CEPIR), Angélica Basti, membro da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (COJIRA) e Jesus Chediak, diretor de cultura e lazer da ABI.

Para Jesus Chediak, a associação será sempre a trincheira da liberdade de expressão, por isso, acha importante que a ABI acolha esse seminário sobre a liberdade de expressão dos negros nos meios de comunicação. Para ele, “na medida em que a população negra consiga ganhar espaços na sociedade, ela terá uma exposição mais aberta e favorável na mídia”. Ele cita ainda uma frase que ele escutou sobre a liberdade de imprensa. “Não existe liberdade de imprensa e, sim, liberdade de empresa”. Ainda foi lido um manifesto apoiado pela COJIRA-Rio.        

Este manifesto-mídia que tem o apoio de diversas organizações, como a Federação Nacional dos Jornalistas, que foi lido por Angélica Basti, denuncia a manipulação da informação pelas grandes empresas de comunicação. Um dos trechos lidos afirma: “que a maioria de nossos veículos de comunicação, evidenciando não apenas na grande desproporção de matérias desfavoráveis, mas também, de forma pouco mais sutil, no tratamento dispensado aos e opositores da ação afirmativa”. O veículo de imprensa que é questionado é o jornal O Globo.         

Ancelmo Góis, colunista do periódico, diz que sua coluna está sempre disposta ao debate democrático. Ele ainda fala sobre as políticas de ação afirmativa. “Desde o início eu fui a favor das cotas, apesar de achar que esta não é a solução perfeita, mas vamos trabalhar nisto. Quem me manda sempre notícias sobre essa questão é o Frei David, e não tem uma delas sobre o desempenho dos alunos cotistas que eu não publique”, afirma.

O jornalista pede que parem de “satanizar” os veículos de comunicação. “Isso é muito mais complexo. Difícil é ter paciência e ir ao local opositor e conversar”. Ele ainda citou outros profissionais do jornal que escrevem sobre o tema, como Elio Gáspari, que duelou com outros dois profissionais e Miriam Leitão. Porém, se vê muitas matérias contrárias ao sistema de cotas.

O jornalista e antropólogo Kássio Mota mostrou dados coletados entre 2002 e 2004 para um trabalho acadêmico intitulado “Da parcialidade da imprensa às liberdades democráticas”. O trabalho foi dividido em matérias, artigos, editoriais e cartas dos leitores. Ele afirma que não é contra O Globo. “Estou exigindo o meu direito de cidadão. Infelizmente, quando tentei falar com o jornal sobre a minha tese de mestrado sobre a parcialidade não obtive sucesso no meu pedido de acesso aos arquivos”.  Em três anos, apenas 8 textos eram positivos, 16 negativos e 27 neutros ao sistema de cotas.

Mesmo citando esses exemplos, Mota acha que o veículo deve posicionar, mas deve, também, dar espaço. O espaço dado pela publicação foi antidemocrático e não promoveu o debate. Kássio diz que os levantamentos devem ser feitos sistematicamente e distribuí-las para todos os veículos de comunicação e, assim, conscientizando-os.

Richard Hollanda – 8º Período

Projeto encaminha jovens ao mercado de trabalho

Os jovens de regiões carentes ganharam uma nova oportunidade de inserção no mercado de trabalho. Começou a funcionar no mês passado no Shopping Tijuca o Projeto Conexão, uma parceria entre o Comitê para Democratização da Informática (CDI) e o Rede Cidadã, que encaminha jovens, que possuam entre 18 e 35 anos e Ensino Médio completo ou cursando, a empresas interessadas no aproveitamento de novos profissionais. A Rede Cidadã é uma organização que atua na formação de redes, focadas no processo de articulação e de sinergia entre governos, empresas e entidades da sociedade civil, em torno de objetivos ou agendas comuns. O Comitê para Democratização da Informática é uma organização não-governamental que utiliza a tecnologia como ferramenta para combater a pobreza e a desigualdade.

O processo para participação no programa é simples. O candidato pode procurar o Comitê, localizado no piso G6 do Shopping Tijuca e preencher uma ficha com seus dados pessoais. O segundo passo será a realização de uma prova de nível do 1º Ano do Ensino Médio, com questões de matemática, português e redação. O jovem assistirá, então, palestras sobre como deve ser sua postura numa entrevista, para em seguida passar por uma simulação de dinâmica de grupo e entrevistas. Após esse processo preparatório, o jovem faz um teste vocacional e é encaminhado às vagas disponíveis.

Mas não são somente os candidatos às vagas que beneficiam-se com o Projeto. Empresas de qualquer porte interessadas em fazer a diferença no quesito responsabilidade social podem buscar profissionais no Conexão, bastando preencher uma ficha na qual a empresa deve informar o perfil necessitado para que os candidatos sejam encaminhados para entrevistas. Bianca Marcenes, Assistente de Projetos do Conexão, lembra: “É importante que a empresa esteja preocupada na inserção de jovens com menos oportunidades no mercado de trabalho. O projeto não é um balcão de empregos, é uma ONG dedicada a mudar a vida das pessoas e inseri-las no mercado de trabalho e, consequentemente, na sociedade”.

O Comitê para Democratização da Informática recebe doações de computadores e atua em 10 países, tendo feito diferença na vida de mais de 1,2 milhão de pessoas. No núcleo Tijuca, oferece à comunidade o curso “Informática para Iniciantes”, ao custo de apenas R$ 5,00. O contato com o Projeto pode ser feito diretamente no Shopping Tijuca (Av. Maracanã, 987, piso G5), por meio do site http://conexaocdirc.blogspot.com ou ainda pelo telefone 2567-9047.

Raquel Halfeld


Logosofia revoluciona vida de jovens

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Numa época em que a qualificação pode fazer toda a diferença, estudantes cariocas acabam de descobrir uma forte aliada. A Fundação Logosófica promoveu seu 1º Fórum Universitário no dia 12 de setembro último, na sede de Botafogo. O tema central foi “O Jovem e a Construção do Próprio Futuro”. Durante o evento, quatro palestrantes, profissionais experientes e docentes de Logosofia, dividiram suas vivências e conhecimento com as novas gerações. Entre eles o reitor da Fundação Logosófica e administrador de empresas Jarbas Mattos, responsável pelo setor de Recursos Humanos dos Correios: “Por meio da troca de informações e de atividades práticas, vamos oferecer uma abordagem ampla dessas e de outras competências que podem ser desenvolvidas pelo estudo da Logosofia”.

A Logosofia tem transformado a vida de alguns jovens. Pelo seu método de estudo, pode conduzir cada um para fazer as melhores escolhas na sua vida pessoal e profissional. A estudante, até então, de Direito Paula Lannes, de 23 anos, descobriu que será mais feliz dando aulas do que dentro de um escritório e decidiu passar a cursar Pedagogia. “Pelo estudo da Logosofia pude conhecer melhor a mim e as minhas capacidades. Passei, por exemplo, a saber que não queria cursar Direito, uma carreira que, na prática, é muito diferente do meu ideal de profissão. O meu contato com a Logosofia me fez perceber que sempre gostei de ser professora”, diz Paula, que estuda Logosofia há dois anos e sete meses.

Paula não é a única que garante ter mudado por meio da Logosofia. O estudante de Odontologia Álvaro Vasconcelos, de 21 anos, aprendeu a organizar melhor o tempo e a definir prioridades. Já o engenheiro Sandro Castro, de 29 anos, que estuda Logosofia há cinco anos, teve outro tipo de ganho. “A Logosofia me ajudou a vencer a timidez, além de ter me feito aprender a me organizar melhor nos estudos e no relacionamento com a vida. Isso foi importante porque eu me formei por uma escola que exige um posicionamento de sucesso e, de repente, eu percebi que não queria apenas uma vida de estudo, trabalho, bom salário….”
 
Sobre a Logosofia

A Logosofia é uma ciência original que oferece ao ser humano a oportunidade de realizar um processo de evolução de suas qualidades por meio do conhecimento. Seu objetivo é ensinar o homem a se conhecer e a pensar livremente, por meio de um processo de superação integral, desarraigando de sua mente as “travas” que a inibem, tais como deficiências psicológicas, temores e preconceitos. Foi criada pelo humanista argentino Carlos González Pecotche (1901-1963). Na Logosofia, cada pessoa estuda a própria vida a partir dos ensinamentos dos livros escritos por ele. A Fundação Logosófica realiza suas atividades no Brasil há 74 anos. No Rio de Janeiro há sedes nos bairros de Botafogo, Tijuca, Centro, Ilha do Governador e Barra da Tijuca.

Ana Clara Missibi

A Trilha

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Ilustração: Soraya Feghali

 

A partir da exibição do videoclipe “I’m afraid of Americans”, de David Bowie, os alunos de Técnicas de Redação & Expressão redigiram narrativas ou dissertações sobre o sentimento do medo – confira!

 

Fabíula Gomes

O medo é um sentimento devastador, uma emoção que desencadeia muitas outras emoções, quando o coração dispara, o arrepio invade o corpo, a adrenalina corre por nossas veias e os pensamentos negativos tomam conta de nossa mente. As reações tornam-se cada vez mais lentas às ações e o medo, muitas vezes, nos vence.

Era inverno, mais um dia cinza, passávamos um fim de semana na montanha, eu e minha família. Estava extremamente aborrecida por estar lá, não fazia parte dos meus planos passar um fim de semana de minhas preciosas férias de inverno com a família naquele lugar, o tédio estava pairando sobre mim. Não satisfeita, peguei uma trilha. Como não tive companhia, fui sozinha. A trilha ficava a alguns metros da casa onde eu estava. Entrei na mata e fui cada vez mais fundo. Quando me dei conta, não sabia onde estava, a trilha havia sumido diante de meus olhos, o desespero tomou conta de mim naquele momento, não conseguia pensar em nada a não ser na possibilidade de eu ficar na mata por horas e ninguém sentir minha falta. Meu celular não funcionava, não tinha sinal e eu não fazia a mínima idéia de como sair dali. Fiquei ali por aproximadamente umas quatro horas sentada numa pedra encolhida por causa do frio e por saber que estava desprotegida. Quando de repente, ouvi as plantas fazendo um barulho, como se estivesse passando alguém. Fiquei apreensiva e o arrepio subiu pela espinha. Era um bom sinal ou não? Levantei lentamente a cabeça e estava ali, bem na minha frente, parado feito estátua, um garoto. Me olhava com os olhos preocupados e eu sem reação nenhuma o olhava com os olhos desconfiados. Ele abaixou para ficar na mesma altura e eu continuava sentada na pedra. Ele pôs as mãos nos meus joelhos, me olhou profundamente e perguntou meu nome. Eu disse. Ele me perguntou se eu estava bem e se tinha me perdido de alguém.

Eu não conseguia falar nada e então ele me pegou pelo braço e me levantou e disse que me levaria à cidade de volta. Eu só conseguia olhar para ele, meus olhos brilhavam de alívio, mas no fundo havia um certo medo. Caminhamos durante uma hora, na maior parte em silêncio.

Quando chegamos à cidade, eu suspirei de alívio e meus olhos transbordavam felicidade. Agradeci muitas vezes e ele, meio sem jeito, me levou até a casa onde eu estava passando o fim de semana. Com a voz meio sumindo eu lhe agradeci novamente e o abracei bem forte. Dois anos se passaram e, até hoje, o meu herói, é o meu melhor amigo.

O medo não liga para tamanho

A partir da exibição do videoclipe “I’m afraid of Americans”, de David Bowie, os alunos de Técnicas de Redação & Expressão redigiram narrativas ou dissertações sobre o sentimento do medo – confira!

Bianca Oliveira

 

O medo já é um sentimento comum ao ser humano. Quem disser que não sente está mentindo descaradamente.

Sentir medo não é o problema. O problema sou eu. Sou uma das pessoas mais medrosas que existe no mundo. Meus medos são os mais variados e absurdos possíveis. Desde os clássicos, como do escuro, de morrer e não saber o que vem depois, de passar vergonha em público, de ser assaltada, de perder pessoas queridas, até os mais bizarros, como o de acender luzes. Morro de medo de acender luzes! Eu posso apertar o interruptor muito rápido, a energia chegar depressa na lâmpada, ela explodir em pedacinhos e estes voarem para meu rosto.

É, eu sei que é estranho, mas não posso evitar. Mas meu maior medo é de barata. Essa me faz sentir todas as sensações que ele provoca. Já fui assaltada, já caí em público e já fiquei presa em um elevador sem luz. Mas nada me provoca tanta medo quanto esse infeliz inseto que não sei por quê existe! E parece que ela sabe que você a teme. Ela vem pra cima da pessoa que tem pavor. Direto! E eu sei exatamente como é isso. Certa vez estávamos eu, minha mãe e uma amiga minha conversando e fazendo sanduíches, numa madrugada de carnaval. Não sei de onde ela saiu – é, porque elas também aparecem assim, por um toque de mágica. Voadora, pra completar meu desespero! Foi aquela confusão para sair da cozinha e eu, logo eu, fiquei por último. Resultado: ela pousou no meu braço. Juro que se tivesse um espelho por perto ele quebraria com a potência do meu grito. Não preciso falar que os vizinhos acordaram e meu pai veio correndo, pensando que era um assalto. Depois do grito veio taquicardia, choro, tremor, frio e inquietação. Se a minha hora de morrer já tivesse chegado, seria naquele momento. Minha pressão subiu horrores e quase tive um infarte. É impressionante como uma coisinha consegue causar tanto pavor em uma pessoa, quando a maneira mais prática seria dar um pisão bem dado e esmagar a nojenta. Mas… é o medo, né?

E que nenhuma pessoa que deseja meu mal, ou algum inimigo meu, leia esse relato. Ao contrário, já estou vendo qual será minha forma de tortura.

 

Descaso com a saúde pública em Santa Cruz

dsc04791A fachada pichada e a grama alta é só o começo de uma série de problemas que incluem a falta de estrutura básica, como mesa e cadeiras, longas filas de espera e até teto com perigo de desabar. Esta é a situação precária em que se encontra o Posto Municipal de Saúde Ernani Braga, localizado em Santa Cruz, Zona Oeste da Cidade. Tanta negligência do poder público com a saúde atinge diretamente os moradores do bairro que não têm outra alternativa a não ser enfrentar essas dificuldades em busca de atendimento.

Enquanto espera por mais de quatro horas na fila, a Gerusa Siveira, 72 anos, aproveita para denunciar o motivo de tanta demora para ser consultada. “Alguns médicos estão sempre faltando, aí não dá para atender todo mundo e só quem está mais necessitado ganha a senha para falar com o doutor. Quem não consegue, volta no dia seguinte e tenta de novo”, afirma.

O posto recebe em média 80 pessoas por dia, mas apenas 44 conseguem atendimento, 22 no turno da manhã e 22 à tarde. Ou seja, quase 50% não conseguem ser atendidas.

Além desses problemas gerenciais, a estrutura do posto também está comprometida, já que a construção foi feita com material pré-moldado, previsto para durar por 10 anos. Mas o posto existe há mais de 20 anos e não tem previsão para fechar.

O teto está caindo e, para não desabar, a direção colocou uma viga de madeira para suportar a armação. Mas a madeira começou a rachar ao meio, o que coloca em risco a vida de quem trabalha ali ou busca atendimento.

Mas não são apenas esses os problemas que atingem os funcionários do posto. Eles reclamam de pagamento atrasado e também da falta de materiais fundamentais para o atendimento, já que não há nem o suprimento necessário para fazer curativos. 

A Secretaria Municipal de Saúde não se pronunciou sobre o caso, mas os moradores e lideranças políticas locais afirmaram que o Posto Municipal de Saúde Ernani Braga dará lugar a uma Unidade de Pronto Atendimento da Prefeitura. Enquanto isso não acontece, resta torcer para não ficar doente!

Débora Agualuza – 8º Período